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Agro

Gargalos logísticos geram prejuízo de R$ 5,9 milhões para exportadores de café em agosto

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Exportações de café sofrem impacto com atrasos portuários

Os exportadores brasileiros de café enfrentam prejuízos recorrentes devido à defasagem da infraestrutura portuária e aos gargalos logísticos. Em agosto de 2025, o setor acumulou perdas de R$ 5,9 milhões com armazenagem adicional, pré-stacking e detentions, motivadas pelo não embarque de 624.766 sacas, equivalente a 1.893 contêineres, segundo levantamento do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé).

O impacto financeiro vai além dos custos diretos: o país deixou de receber US$ 221,28 milhões (R$ 1,205 bilhão) em receita cambial apenas no mês passado, considerando o preço médio FOB de US$ 354,18 por saca e a cotação média do dólar de R$ 5,4463.

Diretor do Cecafé alerta para necessidade urgente de investimentos portuários

Para Eduardo Heron, diretor técnico do Cecafé, o problema tende a se agravar caso não haja ampliação de capacidade e modernização nos portos brasileiros. “O agronegócio cresce rapidamente, mas a infraestrutura portuária não acompanha esse ritmo, gerando prejuízos constantes, especialmente para cargas que dependem de contêineres”, explica.

Segundo Heron, os portos estão saturados, com atrasos frequentes nas embarcações, e os investimentos em pátios e berços são urgentes para evitar perdas maiores.

Esforços do Cecafé para otimizar a logística e legislação portuária

O Cecafé vem articulando ações junto a governo, parlamentares e entidades do setor para reduzir os entraves logísticos. Entre os avanços, destaca-se a atuação junto ao deputado federal Arthur Maia, relator do Projeto de Lei (PL) 733/2025, que propõe um novo marco regulatório para o Sistema Portuário Brasileiro.

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A entidade defende manutenção da modicidade e publicidade das tarifas, bem como participação equilibrada dos usuários de carga no Conselho de Autoridade Portuária (CAP), discutindo temas como dragagem, poligonais e integração com diversos modais (ferrovias, hidrovias e rodovias).

Em paralelo, foi protocolado pedido de audiência pública na Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural (CAPADR) da Câmara dos Deputados, para debater os impactos do esgotamento da infraestrutura portuária e acelerar o leilão do Tecon Santos 10.

Leilão do Tecon Santos 10 enfrenta restrições e risco de judicialização

Heron ressaltou que restrições impostas pelo colegiado da ANTAQ no processo do leilão podem levar à judicialização e atrasar a oferta de capacidade no Porto de Santos, maior embarcador de café do país. Segundo ele, a posição do CADE favorece a remoção dessas limitações, garantindo maior participação de empresas e evitando concentrar o mercado.

A meta do Cecafé é unir esforços com outras entidades para garantir celeridade no processo e reduzir os prejuízos causados por atrasos e gargalos logísticos.

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Raio-X dos atrasos portuários em agosto

O Boletim Detention Zero (DTZ), produzido pela startup ElloX Digital em parceria com o Cecafé, apontou que 50% dos navios (168 de 335) sofreram atrasos ou alterações de escalas nos principais portos brasileiros em agosto.

No Porto de Santos, responsável por 80,2% dos embarques de café de janeiro a agosto de 2025, 67% dos navios registraram atraso ou alteração de escala, sendo que o tempo máximo de espera foi de 47 dias. Quanto aos procedimentos de embarque, apenas 4% ultrapassaram quatro dias de gate aberto; 59% ficaram entre três e quatro dias, e 38% abaixo de dois dias.

No Porto do Rio de Janeiro, segundo maior exportador com 15,8% de participação, 38% dos navios sofreram atrasos, com o maior intervalo entre deadlines chegando a 36 dias. Entre os procedimentos de embarque, 44% tiveram mais de quatro dias de gate aberto, 37% entre três e quatro dias, e 19% menos de dois dias.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Expocitros encerra debates sobre greening, clima e sustentabilidade

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Responsável por liderar a produção e as exportações globais de suco de laranja, a citricultura brasileira encerrou na última semana um de seus principais fóruns de discussão em meio a desafios que vão do avanço do greening às mudanças climáticas e à necessidade de ampliar a sustentabilidade da produção.

Realizadas entre os dias 26 e 29 de maio, em Cordeirópolis (376 km da capital, São Paulo), a 51ª Expocitros e a 47ª Semana da Citricultura reuniram cerca de 12 mil participantes entre produtores, pesquisadores, consultores, empresas, cooperativas, estudantes e lideranças do agronegócio.

O encontro ocorreu em um momento estratégico para o setor. Apesar de manter a posição de maior produtor e exportador mundial de suco de laranja, a citricultura brasileira convive com pressões sanitárias e climáticas que têm impactado diretamente a produtividade dos pomares.

A safra 2025/26 do cinturão citrícola de São Paulo e do Triângulo/Sudoeste Mineiro foi encerrada em 292,9 milhões de caixas, volume 26,9% superior ao ciclo anterior, mas ainda afetado pelos efeitos do déficit hídrico e da elevada incidência de greening.

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Considerada atualmente a principal ameaça à citricultura mundial, a doença já atinge 47,6% das laranjeiras do cinturão citrícola brasileiro, segundo levantamento do Fundecitrus. Embora o ritmo de crescimento tenha desacelerado nos últimos dois anos, pesquisadores alertam que o avanço do greening continua pressionando a produção e elevando os custos de manejo das propriedades.

Foi justamente diante desse cenário que a programação técnica da Semana da Citricultura concentrou debates sobre sanidade vegetal, irrigação, fertilidade do solo, bioinsumos, manejo fitossanitário, sustentabilidade, mercado internacional e novas tecnologias voltadas ao aumento da eficiência produtiva. O objetivo foi discutir estratégias capazes de aumentar a resiliência dos pomares diante dos desafios sanitários e climáticos que afetam a atividade.

Segundo avaliação do Centro de Citricultura Sylvio Moreira/IAC, a edição de 2026 reforçou a importância da integração entre pesquisa, empresas e produtores para garantir a competitividade do setor nos próximos anos. “Encerramos esta edição com a certeza de que a citricultura brasileira segue forte, conectada à pesquisa, à inovação e às demandas globais”, afirmou.

Outro destaque da edição foi a manutenção do selo de Evento Carbono Neutro, refletindo uma tendência cada vez mais presente na cadeia citrícola. A agenda ambiental ganhou espaço entre produtores e empresas diante das exigências dos mercados internacionais e da crescente demanda por sistemas produtivos alinhados a critérios de sustentabilidade.

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Com mais de cinco décadas de história, a Expocitros e a Semana da Citricultura seguem como os principais espaços de discussão técnica e estratégica da cadeia citrícola brasileira. Em um cenário de transformações sanitárias, climáticas e econômicas, os eventos reforçaram a necessidade de inovação, pesquisa e planejamento como pilares para sustentar a liderança do Brasil no mercado global de citros.

Fonte: Pensar Agro

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