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Política Nacional

CAE aprova projeto que veda congelamento de gastos do INPI

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A Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) aprovou, nesta terça-feira (7), projeto que livra o Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI) do bloqueio de gastos. O texto precisa ser aprovado em Plenário, que também decidirá sobre a urgência do tema.

A limitação de empenho é um mecanismo usado pelo governo para congelar despesas e equilibrar as contas públicas, quando há o risco de não cumprimento da meta fiscal. 

O relator, senador Mecias de Jesus (Republicanos-RR), apoia o Projeto de Lei Complementar (PLP) 143/2019. Segundo ele, garantir o uso de recursos pelo INPI fortalecerá a indústria e a inovação no Brasil, além de levar ao aumento de arrecadação de impostos pelo governo. Sem acesso total aos recursos, a autarquia não registra nem patenteia as produções brasileiras na velocidade adequada, argumenta ele.

— O INPI analisa 500 mil pedidos de marcas por ano de empreendedores nacionais e 25 mil patentes ao ano. O orçamento do INPI é insignificante. É uma autarquia com natureza autossustentável [com receita por meio de taxas de serviço] na qual maior investimento gera retorno direto — disse.

Na média dos últimos três anos, o INPI tem R$ 400 milhões por ano que estão sujeitos à limitação de empenho.

Autor do projeto, o senador Izalci Lucas (PL-DF) afirmou que a lentidão nas patentes leva brasileiros a buscar patentes em outros países.

O relatório foi apresentado no final de setembro. Na ocasião, o presidente da CAE, senador Renan Calheiros (MDB-AL), concedeu vista coletiva para os senadores analisarem o texto por mais tempo.

Divergência

O senador Rogério Carvalho (PT-SE) afirmou que o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, vetará o projeto, caso seja aprovado pelo Congresso Nacional. Segundo ele, o fortalecimento do INPI deve ser feito de forma mais sistêmica, sem prejudicar a gerência do Poder Executivo sobre o orçamento.

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— Neste momento, é fundamental que o governo possa ter essa possibilidade de fazer ou não contingenciamento.

A inclusão do INPI na lista de exceções do congelamento de gastos “liga sinal de alerta na política fiscal” por servir de precedente para outros pedidos do tipo, na avaliação do senador Esperidião Amin (PP-SC). 

— Seria a abertura de uma torneira, para não dizer uma cachoeira. Se nós passarmos a legislação sobre isso, todos vão levantar o braço, e eu também quero. Se essa moda pega, eu quero apresentar uma [proposta] generalizada e, para outros, minhas outras atividades.

Atualmente, a Lei de Responsabilidade Fiscal livra do congelamento despesas com tecnologia custeadas por fundo próprio e aquelas decididas anualmente na Lei de Diretrizes Orçamentárias. O projeto inclui o INPI na lista, de maneira permanente.

INPI

Criado em 1970, o INPI é uma autarquia federal vinculada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). É responsável por aplicar as normas que regulam a propriedade industrial no país e oferece serviços como:

  • registro de marcas, que garante a empresas o direito exclusivo de usar sua logomarcas, por exemplo;
  • registro de desenhos industriais, que garante a fabricantes o direito exclusivo sobre determinado ornamento, como estampas ou designs;
  • concessão de patentes, que dá o direito temporário sobre uma determinada invenção;
  • averbação de contratos de franquia e transferência de tecnologia, que permite a uma empresa licenciada explorar determinado programa ou produto de outra empresa, por exemplo.
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Audiências públicas

A CAE também aprovou nesta terça a realização de audiência sobre quem deve arcar com as perdas de energia na sua distribuição quando a causa não é técnica — quando há furtos (os chamados “gatos”), falta de aparelhos ou erros contábeis, por exemplo. O pedido (REQ 99/2025 – CAE) é da senadora Augusta Brito (PT-CE). Assim, a votação do PL 708/2024, que obriga a União e as empresas de energia a pagarem esses custos, foi adiado.

Os senadores também aprovaram realização de audiência pública sobre projeto que destina parte dos recursos das entidades do Sistema S — como o Senai e o Sesc — à reabilitação profissional de trabalhadores segurados da Previdência Social (REQ 98/2025 – CAE). A análise do PL 250/2020, que estava na pauta, foi igualmente postergada.

Ainda foram adiadas as votações dos seguintes projetos:

  • PL 2.198/2023, que cria o auxílio-cuidado mensal de R$ 500 para responsáveis por pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) de baixa renda. O projeto, do senador Zequinha Marinho (Podemos-PA), teve relatório favorável da senadora Damares Alves (Republicanos-DF), mas recebeu pedido de vistas;
  • PL 1.706/2019, que cria o passe-livre estudantil nacional. O projeto, do senador Izalci Lucas (PL-DF), recebeu relatório favorável do senador Sérgio Petecão (PSD-AC);

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

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Deputados aprovam projeto que torna crime aumento abusivo de preços de combustíveis

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A Câmara dos Deputados aprovou projeto de lei que cria um crime específico contra as relações de consumo pelo aumento abusivo de preços de combustíveis. A matéria será enviada ao Senado.

De autoria do Poder Executivo, o Projeto de Lei 1625/26 foi aprovado na forma de um substitutivo do relator, deputado Merlong Solano (PT-PI), e estipula pena de detenção de 2 a 4 anos e multa para quem aumentar, de forma artificial e sem justa causa, o preço dos combustíveis com o objetivo de obter vantagem econômica indevida.

Solano retirou do texto a faixa de aplicação da multa, que variava de 1/30 a 5 vezes o salário mínimo (atualmente em R$ 1621,00).

O projeto considera sem justa causa o aumento que esteja dissociado de fundamentos econômicos verificáveis, especialmente de custos de produção, distribuição, importação, reposição, comercialização, logísticos, tributários e regulatórios.

Além disso, a justa causa deve resultar de conduta considerada anticoncorrencial pela Lei de Defesa da Concorrência.

Essa prática é considerada infração da ordem econômica, independentemente de culpa e envolve atos que produzam os seguintes efeitos, mesmo se não alcançados:

– limitar, falsear ou de qualquer forma prejudicar a livre concorrência ou a livre iniciativa;
– dominar mercado relevante de bens ou serviços;
– aumentar arbitrariamente os lucros; e
– exercer de forma abusiva posição dominante

Para apurar o delito criado pelo projeto, o Ministério Público deverá firmar acordos de cooperação com o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) a fim de compartilhar subsídios técnicos especializados na aferição dos elementos caracterizadores dessa prática de infração à ordem econômica.

Agravantes
As penas serão aumentadas de 1/3 até a metade se a conduta ocorrer em contexto de calamidade pública, crise de abastecimento

Outro motivo de aumento da pena é a prática da infração por agente econômico que detenha posição dominante no mercado.

Essa posição dominante é definida pela Lei 12.529/11, que institui o sistema brasileiro de defesa da concorrência. Essa lei diz que será presumida a posição dominante sempre que uma empresa ou grupo de empresas for capaz de alterar unilateral ou coordenadamente as condições de mercado ou quando controlar 20% ou mais do mercado relevante. O percentual pode ser alterado pelo Cade para setores específicos da economia.

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Na última versão do relatório que foi a voto, o relator retirou do texto agravante para o caso de prática de aumento considerado abusivo devido a instabilidade relevante do mercado fornecedor.

Esse seria o caso, por exemplo, da provocada recentemente pela crise advinda com a guerra no Golfo Pérsico entre Estados Unidos, Israel e Irã.

Efeito difuso
Para o governo, a prática de aumento abusivo de preços “apresenta elevado potencial de dano social, com efeitos por toda a cadeia produtiva ao influenciar custos de transporte, alimentos e serviços, produzindo impactos inflacionários que atingem de maneira mais intensa as camadas socialmente mais vulneráveis”.

Para o relator, deputado Merlong Solano, a proposta é oportuna e relevante diante do contexto econômico recente, marcado por significativa volatilidade nos preços dos combustíveis. “A escalada dos preços no mercado internacional de petróleo, intensificada pela instabilidade geopolítica decorrente da guerra no Oriente Médio, tem provocado distorções na cadeia global de abastecimento e pressionado os preços internos”, disse.

A guerra no Irã, iniciada no final de fevereiro, por Estados Unidos e Israel fez com que o Irã aumentasse o controle sobre o Estreito de Ormuz, região por onde passa cerca de 20% do petróleo e do gás natural liquefeito (GNL) do mundo. Localizado entre o Irã e Omã, conecta o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã, sendo vital para o transporte de energia da Arábia Saudita, Irã, Iraque, Kuwait e Emirados Árabes Unidos.

Solano disse que, apesar dos diferentes esforços do governo federal para reduzir os preços, com medidas provisórias e decretos que reduzem alíquotas, ainda assim há elevação dos preços nos postos de combustíveis. “Esse cenário evidencia a existência de falhas na transmissão dos efeitos das políticas públicas ao consumidor final, levantando preocupações quanto à ocorrência de práticas abusivas de precificação”, declarou.

Formação de preços
A proposta preserva a dinâmica regular de formação de preços em ambiente de mercado, ao mesmo tempo em que permite a responsabilização por condutas manifestamente abusivas e oportunistas, sobretudo em momentos de maior vulnerabilidade social e instabilidade econômica, de acordo com Solano.

“Ao fortalecer os mecanismos de repressão a práticas abusivas, o projeto contribui para a proteção do consumidor, a preservação da ordem econômica e a promoção de maior equilíbrio nas relações de mercado”, disse o relator.

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Merlong Solano citou que, diferente de outros países, 15% da demanda de gasolina e 30% do diesel são atendidos pela importação dos combustíveis. “Não precisava ter uma sensibilidade tão rápida para aumentar preços como outros países que dependem inteiramente de combustível importado.”

Proposta inócua
Porém, para o deputado Lafayette de Andrada (PL-MG), a proposta é inócua. “Está criando, na prática, mais uma possibilidade de incriminar posto de gasolina e prender dono de posto”, disse, ao citar que já existem ferramentas na legislação para punir eventuais infrações.

Lafayette acusou o governo de usar a proposta para “sabotar” as distribuidoras. “A Petrobras que é a grande importadora de óleo diesel cruzou os braços e está forçando que as distribuidoras diretamente importem óleo diesel mais caro e o governo falará: tá vendo, os empresários que estão aumentando os preços”, criticou.

O líder da oposição, deputado Cabo Gilberto Silva (PL-PB), fez as mesmas críticas e afirmou que, desde abril, a Petrobras não importa mais diesel e, com isso, obriga as distribuidoras a importar para maquiar preços.

O deputado Bohn Gass (PT-RS), vice-líder do PT, afirmou que a proposta permite o aumento de preços, porém ele não deve ser feito de forma criminosa. “E quando aumentar criminosamente tem de punir, para defender o consumidor”, disse.

Na opinião do deputado Luiz Lima (PL-RJ), o projeto não deixa claro a partir de qual percentual de aumento a prática pode ser considerada abusiva e passível de punição. “Tá escrito onde? Não tem resposta. É abstrato como um quadro de Picasso.”

O relator, Melong Solano, disse que só poderia haver preço definido se fosse tabelado, e não o de mercado, com variações a depender de diferentes critérios.

Empate
A votação da alteração do texto chegou a ficar empatada, mas foi refeita porque o voto do deputado Joaquim Passarinho, que presidia a sessão, foi incluído. Porém, o presidente da sessão só vota em casos de desempate. Na sequência, a alteração foi rejeitada por quatro votos.

Reportagem – Eduardo Piovesan e Tiago Miranda
Edição – Rachel Librelon

Fonte: Câmara dos Deputados

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