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Política Nacional

Mauro Vieira defende plano de Trump para Gaza e responde a críticas sobre política externa na Câmara

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O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou nesta quarta-feira (1) que o governo brasileiro apoia o plano de paz em Gaza anunciado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A declaração foi feita na Comissão de Relações Exteriores da Câmara.

Segundo Vieira, a proposta prevê pontos já defendidos pelo Brasil na ONU, como a libertação de reféns, o cessar-fogo imediato, a reconstrução de Gaza, o respeito aos direitos humanos e ajuda humanitária.

“Tudo isso está dentro das nossas linhas políticas, e, sem dúvida nenhuma, o Brasil aplaude a iniciativa e fazemos votos de que ela surta efeitos, que seja aceita por todas as partes”, disse.

Sobre o encontro entre Lula e Trump, o ministro disse que o assunto vem sendo tratado de maneira cautelosa e sigilosa, até que haja algo mais concreto. Mas disse que há a possibilidade de um encontro paralelo em algum evento internacional que os dois participem.

Críticas a Israel
O deputado Alencar Santana (PT-SP) disse que o presidente Lula agiu corretamente ao criticar as ações de Israel em Gaza. Ele destacou que até o Canadá, vizinho dos EUA, reconheceu o Estado palestino.

Bruno Spada / Câmara dos Deputados
Audiência Pública – Ministro das Relações de Exteriores Fala Sobre Temas Diversos. Dep. Evair Vieira de Melo (PP-ES)
Evair Vieira de Melo questionou o asilo à ex-primeira dama do Peru

Hezbollah
O deputado Evair Vieira de Melo (PP-ES) questionou a presença do grupo Hezbollah na América do Sul. O ministro respondeu que não há informações confiáveis sobre essa presença e lembrou que a legislação brasileira só reconhece como terroristas as organizações listadas pelo Conselho de Segurança da ONU.

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Ele alertou, no entanto, que classificar grupos criminosos como terroristas pode abrir caminho para execuções sem julgamento e afetar brasileiros no exterior.

“Usar força letal em situações que não constituem conflitos armados equivale a executar pessoas sem julgamento. Esse tipo de unilateralismo, ademais, incita a extraterritorialidade da ação repressora de outros países e estigmatiza minorias com impactos reais para cidadãos brasileiros no exterior. Assistimos hoje, na América Latina e no Caribe, a instrumentalização do combate ao terrorismo para justificar sanções e invasões a outros países”, completou.

Asilo
O deputado Evair Vieira de Melo também questionou o ministro se o governo concordaria com a retirada do ex-presidente Jair Bolsonaro do Brasil por outro país como foi feito pelo Brasil com a ex-primeira dama do Peru Nadine Heredia, em abril, condenada por corrupção.

“Se o presidente Trump, então, por motivo de saúde, decidir descer em território brasileiro e levar Jair Bolsonaro para os Estados Unidos, terá o entendimento do Itamaraty na mesma lógica que o senhor usou para a corrupta condenada peruana ou são dois pesos e duas medidas diferentes?”, questionou o deputado.

Vieira disse que o pedido de asilo de Heredia foi prontamente aceito pelo próprio governo peruano.

Questões bilaterais
O deputado Gustavo Gayer (PL-GO) pediu informações sobre a dívida de US$ 1,74 bilhão da Venezuela com o Brasil. O ministro disse que há negociações, mas que as sanções impostas ao sistema financeiro venezuelano dificultam o processo. O país também está fora do sistema do Banco Mundial e Fundo Monetário Internacional.

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O deputado Marcel Van Hattem (Novo-RS) questionou a visita de Lula à ex-presidente da Argentina Cristina Kirchner, condenada por corrupção. Vieira afirmou que se tratou de uma visita privada.

Política externa
Em relação aos questionamentos sobre a Ucrânia, o ministro negou que haja “isolamento diplomático” e disse que Lula se reuniu com o presidente ucraniano na ONU. A substituição do embaixador no Brasil é apenas rotineira, porque o anterior assumiu outro posto.

Quanto a Israel, Vieira afirmou que o Brasil deixou a Aliança Internacional para a Memória do Holocausto (IHRA) por falhas na adesão feita em 2020. Segundo ele, os critérios da entidade para aferir antissemitismo são controversos.

Questionado sobre denúncias de suposta interferência estrangeira nas eleições de 2022, no Brasil, Vieira disse que as acusações não têm provas e lembrou que os resultados foram reconhecidos internacionalmente, inclusive pelos Estados Unidos.

Política nuclear
O deputado Marcos Pollon (PL-MS) perguntou sobre a política nuclear brasileira. Vieira disse que o país mantém compromisso com o uso pacífico da energia nuclear, em conformidade com a Constituição e os tratados internacionais.

Mauro Vieira esteve na comissão para fazer esclarecimentos sobre nove requerimentos de vários deputados.

Reportagem – Silvia Mugnatto
Edição – Geórgia Moraes

Fonte: Câmara dos Deputados

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Política Nacional

Na CDH, especialistas propõem medidas para prevenir automutilação e suicídio

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Os desafios das políticas públicas para a prevenção da automutilação e do suicídio foram o tema da audiência desta quinta-feira (10) na Comissão de Direitos Humanos (CDH) do Senado. A reunião teve como eixo central o Setembro Amarelo, campanha voltada para essa questão. Especialistas e representantes do governo federal, da sociedade civil e de ONGs discutiram os cuidados necessários com crianças e adolescentes em casa e no ambiente escolar; os impactos do ambiente de trabalho na saúde mental; e os canais disponíveis para pedir ajuda em situações de emergência.

A audiência pública foi requerida pela senadora e presidente da comissão, Damares Alves (Republicanos-DF). Segundo ela, objetivo era ampliar o debate público, reduzir o estigma em torno da questão e estimular a busca por ajuda diante de situações de sofrimento psíquico.

A campanha Setembro Amarelo tornou-se oficial com a sanção da Lei 15.199, em setembro de 2025. A norma também estabeleceu 17 de setembro como o Dia Nacional de Prevenção da Automutilação, e 10 de setembro como o Dia Nacional de Prevenção do Suicídio.

Números

Na abertura da audiência, a senadora apresentou dados sobre a dimensão do problema no mundo. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 720 mil pessoas morrem por suicídio a cada ano. Para cada morte, estima-se que ocorram mais de 20 tentativas. Entre pessoas de 15 a 29 anos, o suicídio já é a terceira principal causa de morte.

Damares ressaltou que, no Brasil, o Ministério da Saúde contabilizou 15.507 mortes por suicídio em 2021, das quais 77,8% entre homens. Naquele ano, o suicídio foi a terceira principal causa de morte entre adolescentes de 15 a 19 anos e a quarta entre jovens de 20 a 29 anos. O mesmo levantamento identificou 114.159 notificações de violência autoprovocada, das quais 70% envolveram pessoas do sexo feminino.

— Esses dados revelam distintos grupos que apresentam diferentes padrões de vulnerabilidade. Por isso, as políticas de prevenção não podem ser uniformes — ponderou a parlamentar.

A senadora afirmou que a saúde mental de crianças e adolescentes merece atenção especial. Segundo a OMS, em publicação atualizada em 2025, um em cada sete adolescentes entre 10 e 19 anos vive com algum transtorno mental. Depressão, ansiedade e transtornos comportamentais estão entre as principais causas de adoecimento e incapacidade nessa etapa da vida.

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Bullying

Para Erasto Fortes, coordenador-geral de Políticas Educacionais em Direitos Humanos do Ministério da Educação, a questão deve ser enfrentada numa abordagem intersetorial, e não só no campo da saúde. Como crianças e adolescentes passam parte significativa das suas vidas na escola, explicou, falar em prevenção no campo educacional exige a construção de ambientes educativos “seguros, acolhedores, inclusivos e democráticos”.

— O bullying, a discriminação, o racismo, a violência de gênero, a intolerância, a exclusão social, a humilhação e outras formas de violação não podem ser naturalizadas como episódios menores na vida escolar — argumentou.

Lívia dos Santos Ferreira, auditora fiscal do trabalho e representante do Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais do Trabalho (Sinait), descreveu fatores de risco de suicídio direta ou indiretamente relacionados ao ambiente de trabalho, como estressores financeiros, dificuldades econômicas e instabilidade financeira dos trabalhadores. Ela também relacionou situações que impactam especificamente as mulheres.

— Falta de clareza e de equidade das oportunidades de promoção do trabalho, diferenças de salários pagos entre homens e mulheres, sobrecarga de jornada de trabalho que se soma ao trabalho de cuidado da casa e dos filhos, são situações que a gente percebe no dia a dia como inspetora do trabalho — afirmou.

A especialista também abordou o problema do suicídio no serviço público. Segundo ela, mais de meio milhão de trabalhadores foram afastados apenas do serviço público federal em 2025, em decorrência de ansiedade, depressão e burnout.

Cláudia Márcia de Carvalho Soares, presidente da Associação Brasileira de Magistrados do Trabalho (ABMT), ressaltou que a manutenção de um ambiente de trabalho íntegro e seguro é obrigação do empregador prevista na CLT e na Constituição Federal, e destacou que a Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) tornou essa obrigação mais objetiva ao definir deveres e responsabilidades específicos de empregadores e empregados.

— Um terço da nossa vida é no ambiente de trabalho. Então ele não pode ser causa de adoecimento e não pode ser causa de agravar um adoecimento — observou.

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CVV

Alan Teixeira Lima, voluntário do Centro de Valorização da Vida (CVV), falou do trabalho da instituição, pioneira na prevenção do suicídio no Brasil e presente no país há 64 anos. Ele afirmou que, embora o CVV seja mais conhecido pelo atendimento telefônico, também mantém grupos de apoio a sobreviventes do suicídio. Hoje, explicou, o CVV conta com 2.300 voluntários no Brasil, que no último ano prestaram apoio emocional mais de 2 milhões de vezes.

— Uma pessoa pode ligar quantas vezes quiser para o CVV. A gente funciona 24 horas, garante o atendimento sigiloso, e o anonimato da pessoa que nos procura, sem julgamento, sem crítica, favorecendo o diálogo — disse Lima.

O CVV (188) atende gratuitamente pessoas passando por sofrimento psíquico, 24 horas, por telefone (188), chat ou e-mail.

Risco das bets

Gabriella de Andrade Boska, coordenadora de gestão da Rede de Atenção Psicossocial do Ministério da Saúde, relatou a preocupação da pasta com o impacto das apostas esportivas online, as chamadas bets, no número de suicídios registrados no país nos últimos anos. 

— Há estudos, inclusive da OMS, que mostram taxas de 15 vezes mais de chances de pessoas endividadas por questões de apostas cometerem suicídio por esse endividamento — afirmou.

A representante do ministério também alertou para um índice maior de casos de suicídio entre a população negra. 

Antônio Geraldo da Silva, presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), alertou que a prevenção do suicídio ainda é vista como tabu e que não se pode tentar resolver uma emergência médica como uma tentativa de suicídio pelas redes sociais.

 — O preconceito estrutural é tão grande que até hoje nós não temos sequer um antidepressivo, como o carbonato de lítio, na Farmácia Popular. Isso é grave — concluiu.

Também participaram da audiência Silvia Waiãpi, ex-deputada federal; Benedito da Vozinha, bacharel em Direito; e Lídia Caroline de Carvalho, mãe atípica e assessora no Senado Federal.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

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