Agro
Ações da China e de Hong Kong sobem com avanço nos lucros e controle de guerras de preços
As bolsas da China e de Hong Kong encerraram a segunda-feira (29) em alta, impulsionadas pelo crescimento nos lucros industriais e pela percepção de que a repressão do governo contra a concorrência desordenada começa a gerar resultados. O movimento de compra se concentrou em setores como montadoras de automóveis, energia solar e produção de metais.
Índices chineses atingem máximas de anos
O índice SSEC de Xangai subiu 0,90%, fechando a 3.862 pontos, enquanto o CSI300, que reúne as principais empresas de Xangai e Shenzhen, avançou 1,54%, alcançando 4.620 pontos – uma máxima de três anos e meio. Em Hong Kong, o Hang Seng teve valorização de 1,89%, aos 26.622 pontos.
O movimento foi reforçado pela promessa do banco central chinês de intensificar medidas de estímulo para fortalecer o crescimento econômico.
Lucros industriais da China apresentam recuperação
Dados divulgados recentemente mostram que os lucros industriais da China cresceram 20,4% em agosto, na comparação anual, revertendo a queda de 1,5% registrada em julho.
Segundo Hong Hao, diretor de investimentos da Lotus Asset Management, embora parte do crescimento seja efeito de base, os resultados também indicam sucesso inicial da campanha “anti-involução”, voltada a reduzir a superprodução e estabilizar os preços. “A expectativa é que essa recuperação continue nos próximos meses, favorecendo ganhos no mercado acionário”, afirmou.
Desempenho dos principais mercados asiáticos
Outras bolsas da Ásia apresentaram resultados mistos:
- Tóquio (Nikkei): -0,69%, a 45.043 pontos
- eul (Kospi): +1,33%, a 3.431 pontos
- Taiwan (Taiex): -1,70%, a 25.580 pontos
- Cingapura (Straits Times): +0,09%, a 4.269 pontos
- Sydney (S&P/ASX 200): +0,85%, a 8.862 pontos
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
Agro
Renegociação das dívidas rurais avança no Congresso e pode aliviar pressão financeira no agronegócio brasileiro
A aprovação pelo Senado Federal do projeto que institui uma linha especial para renegociação das dívidas de produtores rurais representa um avanço relevante para o agronegócio brasileiro. A medida é voltada especialmente a produtores impactados por eventos climáticos extremos e por dificuldades econômicas acumuladas nos últimos anos.
O texto ainda precisa passar por nova análise na Câmara dos Deputados antes de seguir para eventual sanção presidencial.
Medida busca reduzir inadimplência e preservar atividade no campo
A proposta prevê condições diferenciadas para o refinanciamento de débitos rurais, incluindo prazos mais longos e redução de juros. O objetivo é oferecer alternativas para produtores que enfrentam endividamento após sucessivas perdas de safra provocadas por secas, enchentes e oscilações do mercado agrícola.
Além de aliviar a pressão financeira imediata, o projeto também busca evitar o aumento da inadimplência e criar mecanismos que facilitem o acesso ao crédito rural em um cenário de maior instabilidade climática.
Especialistas destacam impacto econômico amplo
Para o advogado e sócio do escritório Dosso Toledo Advogados, Ricardo Dosso, a iniciativa reforça o reconhecimento da importância estratégica do agronegócio para a economia nacional.
Segundo ele, produtores têm enfrentado fatores fora de seu controle, especialmente ligados ao clima e à volatilidade dos mercados. A possibilidade de renegociação pode contribuir para reorganizar financeiramente as propriedades e reduzir a judicialização no setor.
O especialista também alerta para os efeitos em cadeia da inadimplência no campo, que podem atingir fornecedores, cooperativas, transportadoras e até a arrecadação de municípios dependentes da atividade agropecuária.
Planejamento será decisivo para adesão dos produtores
A advogada Ana Franco Toledo destaca que o avanço da proposta exige atenção redobrada dos produtores na avaliação das condições que serão estabelecidas na regulamentação da futura lei.
Segundo ela, nem toda renegociação representa automaticamente vantagem financeira, sendo essencial analisar prazos, garantias, impactos tributários e efeitos contratuais antes da adesão.
A especialista também avalia que o mecanismo pode aumentar a previsibilidade do crédito rural, fortalecendo a segurança jurídica entre produtores e instituições financeiras.
Gestão de riscos ganha protagonismo no setor
Já a advogada Natália Marques de Oliveira afirma que o projeto reflete uma mudança na forma como os riscos do agronegócio vêm sendo tratados, especialmente diante do aumento da exposição a eventos climáticos extremos e instabilidades econômicas.
Para ela, a renegociação de dívidas deve ser vista não apenas como uma solução emergencial, mas como parte de uma estratégia mais ampla de gestão de riscos no campo.
A especialista também destaca que a medida pode ajudar a evitar o abandono de atividades produtivas e preservar empregos em regiões fortemente dependentes do agronegócio.
Debate fiscal segue no Congresso
Apesar do avanço no Senado, o projeto ainda será analisado pela Câmara dos Deputados, etapa em que podem ocorrer ajustes no texto. O tema também gera discussões sobre o impacto fiscal da medida e o equilíbrio entre apoio ao setor produtivo e responsabilidade nas contas públicas.
Perspectiva para o crédito rural no Brasil
Para especialistas, independentemente do formato final da proposta, o debate reforça a necessidade de mecanismos estruturais que aumentem a resiliência financeira do agronegócio brasileiro.
Diante da crescente frequência de eventos climáticos extremos e da volatilidade dos mercados, políticas de renegociação e gestão de risco tendem a ganhar cada vez mais relevância na sustentação da atividade agropecuária no país.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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