Brasil
Governo federal anuncia conjunto de ações para fortalecer o federalismo climático
O governo federal anunciou nesta quarta-feira (10/9) uma série de ações para fortalecer o federalismo climático no país. As medidas incluíram o lançamento das três câmaras consultivas do Comitê Interministerial sobre Mudança do Clima (CIM) – Câmaras de Participação Social, de Assessoramento Científico e de Articulação Interfederativa – e a consulta pública sobre o Plano Nacional de Arborização Urbana (PlaNAU). As iniciativas reúnem representantes da União, estados, municípios, organizações da sociedade civil, setor privado e academia comprometidos com a agenda climática e o desenvolvimento sustentável e inclusivo do país.
As divulgações ocorreram na abertura do seminário “A governança climática que o Brasil Precisa”, que também recepciona o 2º Encontro Nacional do PCVR. A atividade é realizada em Brasília até a próxima quinta-feira (11/9).
A solenidade contou com a presença dos ministros do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, das Cidades, Jader Filho, da Cultura, Margareth Menezes, dos Direitos Humanos e da Cidadania, Macaé Evaristo, além de prefeitos, representantes do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Casa Civil, Secretaria de Relações Institucionais, Procuradoria-Geral da República, do Conselho da Federação e gestores municipais.
A construção coletiva das políticas públicas, estruturada em evidências científicas e conhecimentos populares, com transversalidade foi reiterada por Marina Silva. Em sua fala, a ministra destacou que “não há como o governo fazer as coisas se não for em parceria com estados, municípios, comunidade científica e sociedade”. “Imagina o que nós não estaríamos perdendo sem a compreensão do governo do presidente Lula de que nós devemos buscar a diretriz de controle e participação social na formulação e implementação das políticas públicas”, avaliou.
As câmaras do CIM têm o objetivo de ampliar o processo participativo e o assessoramento técnico nos processos de formulação, monitoramento da implementação e avaliação da política climática brasileira, com governança multinível e diálogo entre os diversos níveis federativos e setores sociais. O comitê é liderado pela Casa Civil e conta com a participação do MMA.
Já a consulta pública sobre o PlaNAU prioriza a expansão da cobertura vegetal nas áreas urbanas, com fortalecimento da biodiversidade, dos serviços ecossistêmicos, do combate à emergência climática e da melhoria da qualidade de vida da população. Saiba mais aqui. A ação ocorre no âmbito do Programa Cidades Verdes Resilientes (PCVR), coordenado pelo MMA, Ministério das Cidades e MCTI, e está alinhada às diretrizes do Plano Clima, política nacional que guiará o enfrentamento da emergência climática até 2035.
Periferias Verdes Resilientes
Em outra frente de apoio à implementação de projetos de soluções baseadas em natureza (SBN), Jader Filho divulgou as sete propostas selecionadas pelo edital do programa Periferias Verdes Resilientes. Publicado em junho deste ano, o mecanismo selecionou organizações da sociedade civil interessadas em executar projetos para adaptação inclusiva das mudanças do clima nas periferias urbanas, no valor total de R$ 15,3 milhões.
O ministro também anunciou a abertura do edital AdaptAção, programa que irá selecionar propostas de 50 municípios para atualização das políticas públicas para adaptação climática. “As duas iniciativas têm um essencial comum que é falar da vida real e de soluções práticas para as famílias”, ponderou Jader Filho.
Justiça climática
O compromisso com a justiça climática foi reiterado pela ministra dos Direitos Humanos e da Cidadania, Macaé Evaristo. “Que a gente possa, especialmente neste contexto, voltar os olhos para as desigualdades. Esse modo de vida que organiza hoje o mundo tem nos levado cada vez mais a ampliar as desigualdades e acabar com a vida do planeta”.
A avaliação foi reforçada pela ministra da Cultura, Margareth Menezes. “Ao falar da governança climática que o Brasil precisa, falamos do fortalecimento de um pacto social mais amplo que deve incorporar as dimensões ambiental, cultural, social e econômica de forma justa e integrada”, enfatizou. “A cultura também deve estar no centro das respostas climáticas. Ela organiza as identidades, fortalece os vínculos comunitários e oferece saberes ancestrais capazes de inspirar soluções regenerativas”.
Engajamento do AdaptaCidades
Ainda na cerimônia, a ministra Marina Silva assinou um acordo de cooperação com o Instituto Rui Barbosa, organização que representa e apoia os Tribunais de Contas do Brasil, para reforçar o engajamento municipal e o monitoramento do AdaptaCidades. Saiba mais aqui.
A ampliação da governança, da transparência e da efetividade das práticas municipais de adaptação, por meio do fortalecimento institucional dos Tribunais de Contas e da disseminação de práticas de boa governança ambiental, está entre os objetivos da parceria.
O AdaptaCidades é uma das frentes do Programa Cidades Verdes Resilientes, que busca potencializar as políticas de adaptação e resiliência climática, com integração e articulação entre governos em nível nacional e local. A ação já conta com a adesão de todos os estados brasileiros, do Distrito Federal e de mais de 560 municípios, montante que corresponde a 25% da população nacional.
2º Encontro Nacional do PCVR
Criado em junho de 2024, o PCVR é estruturado em seis eixos temáticos prioritários: verde urbano, solo, soluções baseadas na natureza, eficiência energética, mobilidade sustentável e resíduos sólidos. O instrumento foi elaborado de forma participativa e continua sendo aprimorado de maneira colaborativa entre governo federal, subnacionais e representações da sociedade civil integrantes da academia e colegiados.
A realização do 2º Encontro Nacional do Programa Cidades Verdes Resilientes tem como objetivos avaliar os avanços do PCVR e do financiamento climático; promover a articulação entre esferas federativas e setores estratégicos; e reforçar o engajamento dos subnacionais na agenda climática.
Durante o encontro, será realizada a oficina “Laboratório de Ação Climática: Do Dado à Ação”, com participação das 50 cidades-piloto do PCVR, iniciativa conta com a implementação do C40 Cities e o Pacto Global de Prefeitos. O objetivo é acelerar a estruturação de 100 ações climáticas de alto impacto, com contribuição para adaptação, mitigação e desenvolvimento sustentável em escala local. Além da realização de diversos painéis temáticos da agenda de implementação do PCVR com parceiros institucionais.
Mais informações sobre o seminário aqui.
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Brasil
Extensão da Malha Norte avança em Mato Grosso e reforça novo ciclo de expansão ferroviária no país
A expansão da infraestrutura ferroviária brasileira ganhou neste sábado (20) mais um capítulo importante. O vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, e o ministro dos Transportes, George Santoro, participaram da entrega da primeira fase da extensão da Malha Norte e do novo terminal ferroviário da BR-070, em Dom Aquino (MT).
“O Brasil, que era importador de alimentos há 70 anos, hoje está entre os três maiores produtores e exportadores de alimentos do mundo. Nós precisamos chegar aos portos. E para chegar aos portos, precisamos de ferrovia”, ressaltou o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, ao falar sobre a importância do setor ferroviário para o escoamento da produção. “Com melhor logística, vai melhorar a nossa competitividade”, acrescentou.
Desenvolvida pela Rumo, a obra integra o Novo PAC do Governo do Brasil e conta com mais de R$ 5 bilhões em investimentos privados nesta etapa. Os recursos foram captados por meio de financiamento via Superintendência de Desenvolvimento do Centro-Oeste (Sudeco) e debêntures pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
“Mato Grosso produz mais de 150 milhões de toneladas e é muito importante que a gente consiga nos preparar para o desenvolvimento dessa produção. É fundamental desenvolver soluções novas. Uma dessas soluções é o lançamento de uma linha de financiamento específica do BNDES, apenas para a construção de ferrovias para comprar material rodante”, anunciou o ministro dos Transportes, George Santoro.
Segundo o ministro, trata-se de uma linha de 40 anos com carência durante o Capex (despesa de capital) do projeto. “É uma mudança da política do banco para oferecer aos investidores e empreendedores, uma solução tão importante”, complementou. Santoro também destacou a atuação do Ministério em conjunto com a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) na estruturação de projetos de integração de modais rodoviário, ferroviário e hidroviário.
“A interoperabilidade desses modais é fundamental para a gente reduzir custos logísticos. O Brasil gasta 15% do seu PIB [Produto Interno Bruto] em custos logísticos. Para mudar isso, precisamos fazer ferrovias, hidrovias e aumentar a capacidade das rodovias. Fizemos a maior carteira de concessões rodoviárias da história do Brasil com 35 projetos. Já licitamos 24 e 18 novos grupos participaram e ganharam novos leilões. Temos contratado 240 bilhões em rodovias e chegaremos a 400 bilhões até o fim deste ano. Em ferrovias, nossa meta é contratar 160 bilhões em investimentos”, afirmou o ministro dos Transportes.
Integração de modais
A obra entregue neste sábado representa um dos principais projetos ferroviários em execução no país, articula diferentes modais e contribui para a redução de custos logísticos, maior eficiência operacional e desenvolvimento regional.
O diretor-presidente da Rumo, Pedro Palma, elencou uma série de medidas adotadas envolvendo o Poder Executivo municipal, estadual e federal e o Poder Legislativo para que fosse possível operar o empreendimento, entre elas, a construção de parcerias e alianças estratégicas, observando impactos sociais e ambientais.
“O governo federal reconheceu a importância dessa obra, não só para Mato Grosso, como também para toda infraestrutura do país, apoiando com a inclusão dela no Novo PAC, com o processo de investimento, como o BNDES que é um dos nossos grandes parceiros de financiamento e com a criação dessa infraestrutura”, afirmou.
A extensão da Malha Norte integra a Ferrovia Estadual de Mato Grosso (FMT), projeto que prevê mais 743 quilômetros de extensão entre Rondonópolis (MT) e Lucas do Rio Verde (MT), com ramal para Cuiabá (MT). Passa por 16 municípios e conecta a produção mato-grossense à malha ferroviária nacional.
A primeira fase compreende a implantação de 162 quilômetros de ferrovia em traçado totalmente novo, aproximando os trilhos das regiões produtoras e ampliando a eficiência do transporte de cargas no principal corredor logístico do agronegócio brasileiro.
O novo terminal ferroviário da BR-070, em Dom Aquino, terá capacidade para movimentar até 10 milhões de toneladas de grãos por ano. As operações do terminal terão início em fase de comissionamento, com testes operacionais.
Expansão de investimentos ferroviários
A entrega da primeira fase da extensão da Malha Norte ocorre em um momento de expansão dos investimentos ferroviários no país. Entre 2023 e 2025, os aportes em infraestrutura ferroviária somaram R$ 30,54 bilhões, reflexo de um ciclo de crescimento que impulsiona projetos de ampliação, modernização e aumento da capacidade logística do setor.
O movimento reforça a retomada do modal ferroviário no atual governo como eixo estruturante da logística nacional e cria condições para a execução de novos projetos em diferentes regiões do país.
Com o Novo PAC, o Governo do Brasil retomou investimentos estratégicos no modal ferroviário, com recursos destinados à recuperação e expansão da infraestrutura sobre trilhos. Paralelamente, as concessionárias ampliaram seus aportes em um ambiente de maior previsibilidade regulatória e segurança jurídica.
“O Ministério dos Transportes apoia o setor de ferrovias com novas linhas de financiamento do BNDES, uma nova estratégia que vai permitir destravar investimentos bilionários do setor”, concluiu o secretário Nacional de Transporte Ferroviário, Leonardo Ribeiro.
Assessoria Especial de Comunicação
Ministério dos Transportes
Fonte: Ministério dos Transportes
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