Agro
Preços do açúcar recuam globalmente com aumento da produção no Brasil e na Ásia
Os preços do açúcar registraram queda nas principais bolsas internacionais e no mercado interno brasileiro nesta semana, pressionados por perspectivas de safra elevada tanto no Brasil quanto em países produtores da Ásia, além de fatores macroeconômicos como a valorização do dólar e a queda do petróleo.
Queda nas bolsas internacionais
Na ICE Futures de Nova York, o açúcar bruto para outubro/25 fechou a 15,63 centavos de dólar por libra-peso, recuo de 0,38%, enquanto o contrato para março/26 caiu 0,49%, para 16,25 centavos. Em Londres, na ICE Europe, o açúcar branco para outubro/25 foi negociado a US$ 481,40 por tonelada, queda de 0,17%.
Segundo Rich Asplund, analista da Barchart, o mercado segue pressionado diante da expectativa de maior produção global. A Unica (União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia) informou que, na primeira quinzena de agosto, a produção de açúcar do Centro-Sul brasileiro cresceu 16% em relação ao ano passado, totalizando 3,615 milhões de toneladas.
Produção global em alta
Além do Brasil, os principais países produtores também devem elevar a oferta. Na Índia, segundo maior produtor mundial, a produção de açúcar para 2025/26 deve crescer 19%, alcançando 35 milhões de toneladas. Já na Tailândia, terceiro maior produtor e segundo maior exportador, a safra 2024/25 subiu 14%, para 10 milhões de toneladas.
Impacto nos preços do açúcar cristal e etanol no Brasil
No mercado doméstico, o açúcar cristal acompanhou a tendência de baixa, com a saca de 50 quilos sendo negociada a R$ 117,33, recuo de 0,41%, segundo o Indicador Cepea/Esalq (USP). O etanol hidratado também caiu 0,33%, sendo vendido a R$ 2.877,50 por metro cúbico, de acordo com o Indicador Diário Paulínia.
Fatores externos influenciam os contratos futuros
Os contratos futuros de açúcar foram pressionados ainda pela queda do petróleo, que pode reduzir a demanda por etanol, e pela valorização do dólar frente ao real, tornando as exportações brasileiras mais competitivas. Em Nova York, os contratos do açúcar bruto atingiram mínima de dois meses, a 15,66 centavos de dólar por libra-peso.
Tendências para o mercado
A prioridade das usinas brasileiras na produção de açúcar em detrimento do etanol, combinada com condições climáticas favoráveis em regiões produtoras da Ásia, indica que a oferta global deve permanecer elevada, mantendo pressão sobre os preços nos próximos meses.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
Agro
Alta do petróleo e avanço dos biocombustíveis elevam preços internacionais dos alimentos
A nova alta dos preços internacionais dos alimentos acendeu um alerta, e também abriu oportunidades, para o agronegócio brasileiro. Relatório divulgado pela Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) mostra que os alimentos voltaram a subir em abril, puxados principalmente pelos óleos vegetais, em um movimento diretamente ligado à tensão no Oriente Médio, ao petróleo mais caro e ao avanço global dos biocombustíveis.
O Índice de Preços de Alimentos da FAO subiu 1,6% em abril e atingiu o maior nível desde fevereiro de 2023. Para o produtor brasileiro, porém, o dado mais importante está no comportamento do óleo de soja e das commodities ligadas à energia.
Com o aumento das tensões envolvendo o Irã e os riscos sobre o fluxo de petróleo no Estreito de Ormuz, o mercado internacional passou a precificar possível alta nos combustíveis fósseis. Na prática, petróleo mais caro torna o biodiesel mais competitivo e aumenta a demanda por matérias-primas agrícolas usadas na produção de energia renovável.
É justamente aí que o Brasil ganha relevância. Maior produtor e exportador mundial de soja, o país também ampliou nos últimos anos sua indústria de biodiesel. Com a mistura obrigatória de biodiesel no diesel em níveis mais elevados, cresce a demanda interna por óleo de soja, fortalecendo toda a cadeia produtiva.
O efeito tende a chegar dentro da porteira. Preços internacionais mais firmes para óleo vegetal ajudam a sustentar as cotações da soja, melhoram margens da indústria e podem aumentar a demanda pelo grão brasileiro nos próximos meses.
Além disso, o cenário fortalece a estratégia de agregação de valor do agro nacional. Em vez de depender apenas da exportação do grão bruto, o Brasil amplia espaço na produção de farelo, óleo e biocombustíveis, segmentos mais ligados à industrialização e geração de renda.
Os cereais também registraram leve alta internacional em abril. Segundo a FAO, preocupações climáticas e custos elevados de fertilizantes continuam influenciando o mercado global de trigo e milho.
Mesmo assim, os estoques mundiais seguem relativamente confortáveis, reduzindo o risco de uma disparada mais intensa nos preços dos grãos neste momento. Outro ponto que interessa diretamente ao produtor brasileiro está na carne bovina. O índice internacional das proteínas animais bateu recorde em abril, impulsionado principalmente pela menor oferta de bovinos prontos para abate no Brasil.
Isso ajuda a sustentar os preços internacionais da proteína brasileira e reforça a competitividade do país em um momento de demanda firme no mercado externo. Na direção oposta, o açúcar caiu quase 5% no mercado internacional diante da expectativa de aumento da oferta global, especialmente por causa da perspectiva de produção elevada no Brasil.
A FAO também revisou para cima sua projeção para a safra mundial de cereais em 2025, estimada agora em 3,04 bilhões de toneladas — novo recorde histórico. O cenário mostra que o mercado global de alimentos continua abastecido, mas cada vez mais conectado ao comportamento da energia, da geopolítica e dos biocombustíveis. Para o agro brasileiro, isso significa que petróleo, conflitos internacionais e política energética passaram a influenciar diretamente o preço da soja, do milho, da carne e até a rentabilidade dentro da fazenda.
Fonte: Pensar Agro
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