Paraná
Hospital de Cornélio Procópio amplia acesso à saúde para 230 mil pessoas do Norte Pioneiro
Há dois anos e meio, moradores de 21 municípios que integram a 18ª Regional de Saúde passaram a contar com uma estrutura hospitalar de referência mais próxima de casa. Inaugurado em dezembro 2023 pelo Governo do Estado, o Hospital Regional de Cornélio Procópio se consolidou como um importante equipamento da rede pública estadual, ampliando o acesso a atendimentos especializados e fortalecendo a regionalização da saúde no Paraná.
Desde o início do funcionamento, foram realizados 180 mil procedimentos. O hospital atende a uma população estimada em cerca de 230 mil habitantes do Norte Pioneiro e é reconhecido como unidade de referência para outras Regionais de Saúde do Estado, ampliando seu alcance assistencial para além da 18ª Regional de Saúde.
A unidade foi estruturada para atender a uma demanda histórica da região, aproximando serviços de média e alta complexidade da população e reduzindo a necessidade de deslocamentos para municípios mais distantes em busca de internações, leitos de terapia intensiva e procedimentos cirúrgicos.
Com uma estrutura de 6,7 mil metros quadrados, o hospital possui 118 leitos, Unidade de Terapia Intensiva (UTI) adulto, unidade de internação pediátrica, centro cirúrgico e pronto atendimento. Os serviços foram planejados para atender pacientes encaminhados pelos municípios da área de abrangência, garantindo mais agilidade e resolutividade na assistência.
AUMENTO DE ATENDIMENTOS – A unidade vem registrando crescimento no volume de atendimentos e consolidando seu papel como referência regional. Entre janeiro e abril de 2026, realizou 17.534 coletas laboratoriais, 10.273 consultas especializadas, 7.679 exames de radiografia, 3.769 tomografias, 2.323 eletrocardiogramas, 1.417 procedimentos cirúrgicos eletivos e 1.142 tratamentos esclerosantes, em um total superior a 44 mil atendimentos, quase o mesmo número de procedimentos em 2024, que somou 49 mil.
Os números evidenciam a importância da estrutura para a população regional. Em 2025, o hospital realizou 26.531 coletas laboratoriais, 22.424 consultas especializadas, 15.234 radiografias, 9.548 tomografias, 5.864 cirurgias eletivas, 3.557 eletrocardiogramas e 3.040 tratamentos esclerosantes.
Em 2024, foram contabilizados 16.329 exames laboratoriais, 13.891 consultas especializadas, 9.699 radiografias, 5.038 tomografias, 2.911 cirurgias eletivas, 1.454 eletrocardiogramas e 495 tratamentos esclerosantes.
APROXIMAR CUIDADOS – Para o secretário estadual da Saúde, César Neves, o Hospital Regional de Cornélio Procópio é um exemplo de como a regionalização contribui para ampliar o acesso da população aos serviços especializados e fortalecer a rede pública no Interior do Paraná.
“Quando falamos em regionalização, falamos em aproximar o cuidado com as pessoas. O Hospital Regional de Cornélio Procópio mudou a realidade de milhares de moradores do Norte Pioneiro ao levar serviços especializados para mais gente. Essa é uma obra que continua gerando resultados diariamente, reduzindo deslocamentos, fortalecendo a rede de saúde e garantindo atendimento de qualidade para quem mais precisa”, afirmou o secretário.
QUALIDADE – Além dos números, a qualidade da assistência prestada também é percebida pelos pacientes atendidos na unidade. O advogado Thiago Bitencourt, de 39 anos, passou por uma cirurgia de hernioplastia umbilical no hospital e destaca a agilidade em todo o processo.
“O diagnóstico surgiu em uma consulta de rotina e o encaminhamento para a cirurgia foi o procedimento indicado. Desde o agendamento, passando pelos exames pré-operatórios, cirurgia e recuperação, tudo aconteceu de forma mais rápida do que eu imaginava. Em cerca de dois meses, todo o processo foi concluído”, relatou.
Ele ressaltou também o atendimento humanizado da equipe multiprofissional e o acompanhamento dos profissionais após o procedimento. “O hospital entrou em contato para saber como estava minha recuperação e a consulta de retorno também ocorreu de forma tranquila. É uma estrutura que merece reconhecimento pela logística e pelo trabalho em equipe.”
Quem também elogia o acolhimento recebido é a merendeira Lilian Estevam, de 47 anos, que passou por um tratamento cirúrgico na unidade. “Fui muito bem atendida e me surpreendi com o cuidado, a atenção, o zelo e o profissionalismo de todos os que participaram do meu atendimento. Desde a recepção até a alta hospitalar, senti um atendimento verdadeiramente humanizado e percebi o comprometimento de cada profissional com o que faz”.
Segundo ela, o suporte da equipe ajudou a enfrentar a ansiedade natural do procedimento cirúrgico. “Ir para um centro cirúrgico causa medo, mas o cuidado diferenciado de cada profissional amenizou esse sentimento. Sou muito grata aos enfermeiros, ao médico e a toda a equipe que me acompanhou. Nossa região está muito bem assistida com esse hospital e fico feliz em compartilhar minha experiência como forma de reconhecimento e gratidão”.
INVESTIMENTOS – Para garantir o funcionamento contínuo da estrutura, o Governo do Estado mantém investimentos permanentes na unidade. Além dos R$ 16,4 milhões aplicados em equipamentos, o hospital recebe aproximadamente R$ 800 mil mensais para custeio e manutenção dos serviços.
A Secretaria de Estado da Saúde trabalha na consolidação da regionalização como uma das estratégias para ampliar o acesso da população aos serviços especializados, reduzindo distâncias e fortalecendo a rede assistencial em diferentes regiões do Paraná.
Atualmente, o Hospital Regional de Cornélio Procópio atende pacientes encaminhados pelos 21 municípios da região, tornando-se parte da rotina assistencial do Norte Pioneiro e contribuindo para uma rede de saúde mais integrada e eficiente.
Além disso, a unidade foi reconhecida como referência para as 11ª, 12ª, 16ª, 17ª, 18ª, 19ª, 21ª e 22ª Regionais de Saúde, fortalecendo seu papel estratégico na assistência especializada em diferentes regiões do Paraná.
Fonte: Governo PR
Paraná
Tecpar e UEPG se unem para criar biobanco público de células-tronco
O Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar) e a Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) vão trabalhar juntos em uma iniciativa inédita para fortalecer a pesquisa em medicina regenerativa no Paraná. Nesta sexta-feira (26), as duas instituições firmaram uma parceria para a realização de um estudo clínico voltado à utilização de células-tronco mesenquimais (CTM) para o tratamento de pacientes com fissura labiopalatina, popularmente conhecido como lábio leporino.
O projeto será realizado com recurso de R$ 17,5 milhões, destinado por meio do Fundo Paraná, dotação orçamentária constitucional de fomento científico administrada pela Secretaria da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti).
O objetivo da pesquisa é criar um biobanco público de células-tronco, constituído a partir da coleta de amostras biológicas de pacientes com fissura labiopalatina. Esse material será encaminhado para processamento em laboratórios especializados, onde será submetido a procedimentos de isolamento, caracterização celular e um rigoroso controle de qualidade.
Depois, será armazenado para preservação em nitrogênio líquido, a fim de servir de subsídio para pesquisas futuras e publicações científicas.
O diretor industrial da Saúde do Tecpar, Iram de Rezende, ressalta que a parceria integra projeto aprovado no Fundo Paraná que envolve, caso seja aprovado na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o uso da bioengenharia de tecido ósseo, composto por células-tronco associadas a um biomaterial, para o tratamento de pacientes com fissuras labiopalatinas.
“O Paraná já é um polo de destaque nas pesquisas de medicina regenerativa, e agora, por meio desta parceria com a UEPG para estabelecer um biobanco público de células-tronco, o Tecpar reforça o protagonismo do Estado. É um importante avanço científico em uma área extremamente promissora para a saúde pública, que é o tratamento com células-tronco”, afirma Rezende.
O estabelecimento de um banco e a implantação do controle de qualidade são ações decorrentes de cooperação firmada com a empresa contratada R-Crio Criogenia S/A para processamento das células, com transferência das tecnologias envolvidas para o Tecpar. O biobanco poderá subsidiar pesquisas de novos produtos que possam vir a ser fornecidos ao Sistema Único de Saúde (SUS).
INOVAÇÃO PARA A SOCIEDADE – O coordenador da Unidade Executiva do Fundo Paraná, Michel Jorge Samara, destaca a importância de promover inovação com retorno para a sociedade. “Este projeto é um exemplo do compromisso do governo estadual com o fomento científico e tecnológico, especialmente em áreas estratégicas para a saúde pública”.
“Ao fortalecer o ecossistema de pesquisa, os aportes do Fundo Paraná contribuem para que os avanços gerados estejam disponíveis para a população, consolidando o Estado como referência em ciência aplicada à qualidade de vida”, pontua o gestor.
JANELA DE OPORTUNIDADES – O reitor em exercício da UEPG, Ivo Mottin Demiate, ressaltou que a universidade foi procurada pela Secretaria da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior para uma avaliação de sua condição técnica e estrutura para desenvolver o processo, e que a UEPG está engajada na participação desse projeto.
“Temos um curso de Odontologia reconhecido nacional e internacionalmente, um excelente curso de medicina. O potencial de sucesso é muito grande e estamos com pesquisadores envolvidos nesse processo que se inicia em breve. É uma grande satisfação para a UEPG em poder contribuir com o estudo na fase três de uma solução em saúde pública relevante e inovadora, já que envolve células-tronco”, afirma.
A diretora-geral dos HU-UEPG, Fabiana Postiglioni Mansani, salientou que a pesquisa é uma janela de oportunidade para que as crianças e adolescentes fissurados possam se recuperar de maneira menos traumática, menos invasiva e mais sustentável, com o enxerto de células tronco.
“Essa pesquisa desenvolvida no HU-UEPG, tendo a referência do Hospital Universitário Materno-infantil (Humai), dá um protagonismo bastante importante, pois vamos conseguir acolher as crianças e seus familiares e todo o procedimento será feito de maneira segura, eficiente e oportunizando um futuro com qualidade de vida para esses pacientes”, afirmou.
ESTUDO PIONEIRO – A gerente do Centro de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação em Saúde do Tecpar, Meila Bastos de Almeida, enfatiza que a pesquisa será realizada com extremo rigor ético e técnico em todas as etapas. A meta é coletar 500 amostras para constituição do biobanco, com garantia de qualidade, rastreabilidade e biossegurança.
“O estudo será conduzido em ambiente hospitalar, sob responsabilidade da pesquisadora principal, Daniela Franco Bueno, parceira nesse projeto, e de equipe multiprofissional habilitada. Tudo de acordo com as normativas éticas e regulatórias aplicáveis à pesquisa com material biológico humano, e com as diretrizes de biossegurança e boas práticas laboratoriais”, explica Meila.
A previsão é que em 24 meses sejam concluídas as etapas do projeto, que incluem: recrutamento dos participantes, coleta das amostras, processamento e controle de qualidade, armazenamento em biobanco e monitoramento das condições de conservação do material biológico.
Os resultados da pesquisa são limitados à avaliação da viabilidade, qualidade e adequação das amostras armazenadas, e não estão previstas análises de eficácia clínica ou desfechos terapêuticos.
TRATAMENTO INOVADOR – A fissura labiopalatina é uma malformação congênita que acontece quando os tecidos do lábio ou do céu da boca (palato) não se fundem adequadamente durante o desenvolvimento do feto. Ela pode ser corrigida por meio de três cirurgias reconstrutivas, realizadas a partir de 3 meses de idade, e acompanhamento multidisciplinar para reabilitação. O tratamento é oferecido pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
O enxerto ósseo secundário é o tratamento considerado padrão-ouro para efetuar o fechamento do osso alveolar. Realizado entre os 7 e 12 anos de idade, pode acarretar morbidade, lesão nervosa, sangramentos, infecções e desconforto na região doadora.
Uma das inovações no tratamento do lábio leporino é a bioengenharia de tecido ósseo, técnica da medicina regenerativa que utiliza células-tronco associadas a biomateriais (naturais ou sintéticos) para regenerar ou substituir tecidos ósseos danificados por traumas, doenças ou defeitos congênitos.
Com alto poder de regeneração, as células-tronco são capazes de se multiplicar e de se transformar em diversos tipos de células do corpo, como neurônios, células musculares ou sanguíneas. Por isso, o uso da técnica é considerado promissor para o tratamento do lábio leporino, principalmente para a regeneração óssea no céu da boca.
Fonte: Governo PR
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