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Projeto criado por estudantes da rede estadual pode virar produto para a construção civil 

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O que começou como um projeto escolar para uma competição da rede estadual de ensino pode se tornar uma inovação sustentável para a construção civil brasileira. Desenvolvido por estudantes do Curso Técnico em Desenvolvimento de Sistemas do Colégio Estadual Cívico-Militar Professor Darcy José Costa, de Campo Mourão, no Centro-Oeste, o projeto Laranjix, que utiliza casca de laranja como aditivo para argamassa, acaba de dar mais um passo importante: a iniciativa está em processo de ingresso na incubadora da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), onde passará por testes técnicos que poderão viabilizar sua futura comercialização.

A ideia foi criada em 2025 por alunos da Educação Profissional e Técnica da rede estadual para participar do HackTech Paraná, desafio promovido pela Secretaria de Estado da Educação (Seed-PR). O projeto recebeu menção honrosa como uma das iniciativas mais inovadoras da competição e, desde então, vem atraindo a atenção de instituições e especialistas.

Na semana passada, os estudantes apresentaram o trabalho para uma banca formada por professores das áreas de Química, Construção Civil e Inovação da UTFPR. A avaliação representa o início de uma nova etapa, que prevê análises laboratoriais e estudos de viabilidade técnica e mercadológica.

“É algo que saiu de dentro da escola e está ganhando proporções que nem os próprios alunos imaginavam. Eles foram muito proativos desde o início e continuam desenvolvendo novas ideias. Esse projeto serve de inspiração para os demais estudantes, mostrando que a escola pode ser um espaço de criação, inovação e transformação”, afirma o diretor do Colégio Estadual Cívico-Militar Professor Darcy José Costa, Renato Corrêa.

NASCIMENTO DO PROJETO – Atualmente cursando a 2ª série do ensino médio integrado ao técnico, os estudantes Emanuel Henrique Smanioto da Cruz, Gabriel de Freitas Machado, Gabriel dos Santos Molina e Vinícius da Silva Reis seguem à frente do projeto iniciado no ano passado.

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Segundo Emanuel, de 16 anos, a ideia surgiu durante as pesquisas para a competição, que tinha a sustentabilidade como tema central. “Estávamos procurando um problema que pudéssemos ajudar a resolver. Encontramos informações sobre o desperdício de cascas de laranja pela indústria de sucos e também descobrimos o impacto ambiental da produção de cimento. Como um amigo estava com uma obra em casa, começamos a pesquisar materiais da construção civil e pensamos: por que não unir essas duas coisas?”, conta.

A proposta consistiu em substituir a cal, utilizada como aditivo na produção de argamassa, por um pó obtido a partir da casca da laranja. Para isso, os alunos desenvolveram um processo próprio de preparação do material. Primeiro, as cascas são higienizadas e passam por uma etapa de extração do óleo essencial utilizando álcool. Depois, são secas ao sol, levadas ao forno e trituradas até se transformarem em um pó fino. O composto é então incorporado à mistura na proporção de aproximadamente 4%.

“Foram cerca de dois meses de testes até chegarmos a uma composição que pudesse ser utilizada na construção civil. Fizemos muitos experimentos em casa, produzimos blocos e até rebocamos uma parede inteira para observar o comportamento do material”, relembra Emanuel.

Os primeiros testes feitos pelos próprios estudantes indicaram características que chamaram a atenção dos pesquisadores. Entre elas está o aumento da impermeabilidade da argamassa. Segundo Emanuel, a presença de compostos naturais encontrados na casca da laranja, como fibras, ácidos orgânicos e pectina, parece contribuir para reduzir a absorção de água.

“Quando comparávamos os materiais, percebíamos que a argamassa tradicional absorvia mais água, enquanto a nossa apresentava maior repelência. Também observamos uma redução no peso do material. Em alguns testes, os blocos produzidos ficaram cerca de 500 gramas mais leves”, explica.

Apesar dos resultados iniciais, a equipe ainda aguarda avaliações laboratoriais para confirmar cientificamente aspectos como resistência mecânica, isolamento térmico, durabilidade e desempenho estrutural.

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Essas análises serão conduzidas pela UTFPR, que dispõe de equipamentos e laboratórios especializados para validar o potencial da solução.

POTENCIAL SUSTENTÁVEL – A proposta busca reduzir o uso de insumos associados à emissão de gases de efeito estufa na cadeia da construção civil. Caso os testes confirmem a viabilidade técnica do produto, o material poderá ser utilizado em aplicações como blocos, argamassas, rebocos e outros elementos construtivos, oferecendo uma alternativa mais sustentável e potencialmente mais econômica para o setor.

Para o diretor do colégio, a trajetória do projeto evidencia a importância da Educação Profissional para aproximar os estudantes de desafios reais da sociedade. “Ver um projeto desenvolvido pelos alunos dentro da escola chegar a uma universidade e despertar interesse para uma possível aplicação no mercado mostra o potencial que existe quando unimos conhecimento, criatividade e oportunidade. É um orgulho para toda a comunidade escolar”, afirma.

INCUBAÇÃO E MERCADO – O ingresso na incubadora da UTFPR pode representar o início do caminho para transformar a ideia em um produto comercial.

Além dos testes técnicos, os estudantes terão acesso a orientações sobre desenvolvimento de negócios, inovação e propriedade intelectual, ampliando as possibilidades de inserção da tecnologia no mercado da construção civil. “Quando começamos, nosso objetivo era apenas participar da competição. Nunca imaginamos que o projeto chegaria tão longe. Hoje estamos muito felizes em ver que uma ideia criada por estudantes pode ter potencial para impactar uma indústria inteira”, afirma Emanuel.

Se os resultados forem positivos, o Laranjix poderá se tornar um exemplo concreto de como a Educação Profissional da rede estadual transforma conhecimento em inovação, conectando a criatividade dos estudantes às demandas reais do mercado e da sustentabilidade.

Fonte: Governo PR

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MPPR recomenda que Município de Paranaguá cumpra legislação e adote providências para a efetiva instalação de um segundo Conselho Tutelar

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O Ministério Público do Paraná expediu recomendação administrativa para que o Município de Paranaguá, no Litoral do estado, adote providências para a implantação e estruturação de um segundo conselho tutelar na cidade. A medida administrativa decorre de procedimento instaurado pela 5ª Promotoria de Justiça da Paranaguá que, a partir de apuração, demonstrou inércia do poder público local no efetivo cumprimento de legislação municipal (Lei 4.449/2024) que instituiu formalmente uma segunda unidade do órgão integrante da rede de proteção à infância e juventude.

De acordo com a Promotoria de Justiça, após atraso inicial causado em razão da transição da gestão municipal ocorrida entre os anos de 2024 e 2025, o Município passou a justificar a não implantação do novo Conselho por “inviabilidade financeira para o custeio contínuo e contratação de pessoal frente aos limites da Lei de Responsabilidade Fiscal”. Entretanto, as apurações demonstraram haver uma desarticulação interna entre órgãos do próprio Executivo Municipal, cenário que dificultaria o início da operacionalização da nova unidade do Conselho.

Apesar de a implantação do novo Conselho estar expressamente prevista no Plano Plurianual (PPA 2026-2029), a Secretaria Municipal da Mulher, Desenvolvimento Social e Igualdade Racial (Semdir), pasta finalística responsável pela área de proteção à infância, sequer formalizou à Secretaria Municipal da Fazenda (Semfa) a inserção das despesas relacionadas à criação da nova sede do Conselho na proposta orçamentária do próximo exercício e também não apresentou à pasta os estudos técnicos relacionados.

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Além disso, também não ficou demonstrado que o Município esteja adotando qualquer providência no sentido de promover uma articulação interinstitucional para a economia de recursos públicos, tampouco solicitou ao Legislativo Municipal a devolução de sobras do repasse duodecimal para o custeio de programas de prioridade absoluta, prática frequentemente adotada por outras Administrações, inclusive no âmbito estadual e na capital Curitiba, e que tem se mostrado exitosa.

A cobrança do Ministério Público para a efetiva instalação do novo Conselho deve-se ao fato de ser insustentável a existência de somente um Conselho Tutelar em Paranaguá, uma vez que o município possui mais de 145 mil habitantes, com vasta extensão territorial, que inclui ilhas e áreas rurais de difícil acesso, “sendo absolutamente inadmissível e gerador de graves prejuízos à proteção da infância e da juventude que o ente municipal conte com apenas uma sede e cinco conselheiros tutelares, contingente insuficiente para a demanda e cuja capacidade de resposta é drasticamente reduzida pelo fato de os servidores precisarem se revezar no gozo de férias, eventuais licenças para tratamento de saúde e outras eventualidades”, sustentou a recomendação.

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Outro fator apontado pela Promotoria de Justiça é o de que a Administração Pública está às vésperas da confecção da Lei Orçamentária Anual (LOA) para o exercício de 2027, sendo “estritamente necessária e urgente a adoção de medidas concretas e definitivas para a inclusão da totalidade dos custos de implantação e manutenção do 2º Conselho Tutelar no orçamento municipal do próximo ano, viabilizando sua entrada em funcionamento”.

Foi concedido prazo de 15 dias úteis, a partir do recebimento da medida administrativa, para que o Município informe à Promotoria de Justiça sobre o acatamento das recomendações e as respectivas providências adotadas para a solução dos problemas.

Informações para a imprensa:
Assessoria de Comunicação
[email protected]
(41) 3250-4264

Fonte: Ministério Público PR

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