Educação
Reitores dialogam sobre relações acadêmicas entre Brasil e África
Reitores de universidades brasileiras e africanas discutiram, na terça-feira, 26 de maio, no Painel “Prioridades, Potencialidades e Desafios nas Relações Acadêmicas entre o Brasil e os Países Africanos”, durante o 1º Fórum de Reitores Brasil-África. Promovido pelo Ministério da Educação (MEC), pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e pela Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), com o apoio do Instituto Guimarães Rosa (IGR) do Ministério das Relações Exteriores (MRE), o evento ocorre até esta quarta-feira, 27 de maio, no Centro Internacional de Convenções do Brasil (CICB), em Brasília (DF).
O painel contou com a presença da reitora da Universidade Estadual Paulista (Unesp), Maysa Furlan; do reitor da Universidade Federal da Bahia (UFBA), Paulo César Miguez de Oliveira; do vice-reitor da University of the Western Cape (UWC), Monwabisi Knowledge Ralarala; do vice-reitor da University of Global Health Equity (UGHE), de Ruanda, Philip Cotton; e da reitora da Universidade de Cabo Verde (UniCV), Astrigilda Pires Rocha Silveira. A moderação foi realizada pelo professor Papa Matar Ndiaye, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
O debate teve como foco as possibilidades de cooperação entre o Brasil e os países africanos. O moderador Papa Matar destacou que três dimensões dessa cooperação deveriam ser enfatizadas: as potencialidades dos países com foco nas parcerias no Sul Global; a construção de pontes de cooperação na formação de recursos humanos; e a elaboração de soluções adaptadas às realidades dos países.
A primeira panelista, professora Maysa Furlan, destacou as capacidades de sua universidade para a realização de parcerias. Contando com 24 campi espalhados por todo o estado de São Paulo, com uma produção acadêmica significativa, a Unesp seria capaz de implementar novas colaborações com as universidades presentes no encontro. As áreas de interesse apontadas para cooperação pela reitora são agricultura, veterinária, resiliência climática, saúde pública e tecnologias digitais.
Em seguida, o vice-reitor da UGHE, Philip Cotton, falou sobre as capacidades de transformação pela educação no seu país. Segundo ele, há complementariedades possíveis entre a proposta da universidade e o Sistema Único de Saúde (SUS) brasileiro.
Já a reitora UniCV, Astrigilda Silveira, egressa do Programa Estudantes Convênio de Graduação (PEC-G), informou que a universidade é formada pela fusão de outras faculdades existentes no país e completa 20 anos em 2026. Ela afirmou que há muito interesse na cooperação estratégica e inovadora entre Brasil e África. A Agenda 2030 de objetivos de desenvolvimento sustentável e a Agenda 2063 da União Africana podem ser os pontos de partida para a colaboração. São prioridades da universidade a ênfase na Economia Azul, baseada nos recursos marítimos, e a Economia Verde, baseada na transição energética e na sustentabilidade. A reitora propôs a realização de grupos de trabalho para avançar na cooperação universitária.
O vice-reitor da UWC, Monwabisi Ralarala, afirmou na ocasião que existem possibilidades de cooperação internacional com o Brasil. Instituição de destaque na África Subsaariana, a UWC tem interesse em ampliar a cooperação em Inteligência Artificial e a realização de cursos com dupla titulação entre universidades brasileiras e africanas.
Por fim, o reitor da UFBA, Paulo de Oliveira, que viveu 11 anos em Moçambique, reafirmou o interesse em aprofundar relações com os países presentes. Ele lembrou que a UFBA é pioneira nos estudos afro-orientais, com a realização de pesquisas relevantes na história e linguística, entre outros. Também celebrou a recepção de alunos e professores em intercâmbio na universidade e os programas PEC-G e PEC-PG, este último para alunos de pós-graduação.
No painel, os panelistas discutiram, ainda, alguns desafios para a ampliação da colaboração, como a uniformização de procedimentos consulares entre os países, o apoio à retenção de alunos e programas de assistência estudantil e a construção de redes de longa duração de cooperação técnica e de redes de pesquisa.
Fórum – O 1º Fórum de Reitores Brasil-África ocorre de 25 a 27 de maio e visa consolidar a educação superior como eixo central da relação bilateral entre o Brasil e os países do continente africano. O objetivo é fortalecer e ampliar a cooperação em educação superior entre universidades brasileiras e instituições da África.
Participam do fórum reitores de instituições de ensino superior das regiões em prol do fortalecimento da cooperação internacional e da ampliação de parcerias acadêmicas.
Confira a programação completa do evento.
Assessoria de Comunicação Social do MEC, com informações da Assessoria de Assuntos Internacionais (AI)
Fonte: Ministério da Educação
Educação
Inep lança manual explicativo sobre o Enamed
O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), autarquia vinculada ao Ministério da Educação (MEC), lançou o manual “Enamed – Da Matriz de Referência ao Resultado do Participante”, voltado a estudantes, egressos e instituições de ensino superior responsáveis pelos cursos de medicina. A publicação reúne em um só lugar informações úteis sobre o Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed), compilando aspectos técnicos, pedagógicos e logísticos.
Na prática, o manual pretende responder a três perguntas centrais: o que é avaliado; como as provas são elaboradas; e como as notas são calculadas. O manual também deixa clara uma distinção importante para as instituições: a diferença entre o resultado individual do estudante e o resultado do curso.
O documento apresenta o detalhamento de todos os componentes que estruturam a Matriz de Referência Comum para a Avaliação da Formação Médica (Portaria Inep nº 478/2025). Explica também, de forma didática, como cada questão nasce do cruzamento desses elementos com situações concretas do Sistema Único de Saúde (SUS). A medida garante que as diferentes edições sigam o mesmo padrão de competências com total isonomia técnica em relação aos critérios usados na elaboração das provas.
Outro trecho do manual detalha como as provas são elaboradas, desde a produção dos itens por docentes de medicina selecionados por chamada pública até a montagem final do caderno pelas comissões do Inep. Todo esse processo resulta em uma prova com 100 questões objetivas baseadas em casos clínicos e situações-problema. O documento explica ainda o modelo estatístico usado no cálculo das notas: a Teoria de Resposta ao Item (TRI), no Modelo de Rasch, e como é definido o ponto de corte que separa os participantes Proficientes dos Não Proficientes, fixado em 60 pontos na escala do exame.
A nota do estudante e o conceito do curso são informações diferentes. Uma das explicações centrais do manual destaca que o Conceito Enade não é a média das notas da turma, mas o percentual de concluintes que alcançaram o nível Proficiente, convertido em uma escala de 1 a 5.
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Conceito Enade |
Concluintes proficientes |
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1 |
menos de 40% |
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2 |
de 40% a menos de 60% |
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3 |
de 60% a menos de 75% |
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4 |
de 75% a menos de 90% |
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5 |
90% ou mais |
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Segundo o manual, só entram nesse cálculo os concluintes regularmente inscritos pela instituição, presentes ao exame e com resultado válido; cursos com menos de dez concluintes nessa condição ficam Sem Conceito (SC).
Enamed – O Enamed é a modalidade do Enade voltada aos cursos de graduação em medicina. Instituído pela Portaria MEC nº 330/2025 e depois incorporado à legislação pela Medida Provisória nº 1.370/2026, é realizado pelo Inep em parceria com a HU Brasil e aplicado de forma descentralizada nos municípios-sede dos cursos avaliados. Sua função vai além de medir o desempenho individual: o exame também verifica se a formação está alinhada às Diretrizes Curriculares Nacionais (DCNs) e às necessidades do SUS, além de subsidiar políticas públicas e apoiar a avaliação, a regulação e a supervisão dos cursos de medicina. A partir de 2026, o Enamed passa a ter duas etapas: uma ao final do quarto ano, antes do internato, e outra ao final do sexto ano.
Assessoria de Comunicação Social do MEC, com informações do Inep
Fonte: Ministério da Educação
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