Agro
Senado avança em projeto que pode destravar até R$ 200 bi para produtores endividados
A articulação para criar uma ampla renegociação das dívidas do agronegócio ganhou força no Senado e pode abrir caminho para a liberação de até R$ 200 bilhões em crédito voltado à repactuação de débitos acumulados por produtores rurais nos últimos anos. A medida foi incorporada ao Projeto de Lei 5.122/2023 e prevê o uso do Fundo Garantidor para Investimentos (FGI) como base para sustentar operações de alongamento e reorganização financeira no campo.
A proposta surgiu a partir de uma emenda apresentada pela vice-presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), senadora Tereza Cristina, que autoriza o governo federal a ampliar em até R$ 20 bilhões sua participação no fundo. Na prática, o recurso funcionaria como garantia para destravar renegociações junto às instituições financeiras.
A avaliação dentro do setor é de que o modelo pode criar uma espécie de “colchão de segurança” para os bancos ampliarem prazos, reduzirem pressão sobre o caixa dos produtores e evitarem uma escalada ainda maior da inadimplência rural.
O tema ganhou prioridade dentro da bancada do agro diante do avanço das dificuldades financeiras no campo. Nos bastidores, parlamentares e lideranças do setor reconhecem que a combinação entre juros elevados, queda na rentabilidade de importantes commodities, problemas climáticos sucessivos e aumento do custo operacional criou um ambiente de forte pressão sobre o produtor rural.
Segundo dados do Banco Central, a inadimplência do crédito rural para pessoas físicas saiu de 2,7% em janeiro de 2025 para 7,3% em janeiro de 2026. Nas operações com juros livres de mercado, os índices já superam 13%.
Presidente do Instituto do Agronegócio (IA), Isan Rezende (foto) afirma que o avanço do endividamento deixou de atingir apenas produtores pontualmente descapitalizados e passou a atingir propriedades tecnificadas e economicamente estruturadas.
“Hoje o problema não está restrito ao produtor que administrou mal a propriedade. O que vemos é um estrangulamento financeiro provocado por juros muito altos, margens comprimidas e sucessivas perdas climáticas. Muitos produtores que sempre foram considerados excelentes pagadores começaram a enfrentar dificuldade de fluxo de caixa”, afirma.
Segundo ele, a criação de um mecanismo estruturado de renegociação se tornou fundamental para evitar impacto mais amplo sobre toda a cadeia produtiva do agro brasileiro.
“O produtor rural sustenta uma atividade de ciclo longo, altamente dependente de clima, mercado internacional, câmbio e crédito. Quando há uma quebra nessa engrenagem, o efeito não fica apenas dentro da fazenda. Isso atinge cooperativas, revendas, transportadoras, cerealistas, agroindústrias e municípios inteiros cuja economia depende diretamente da produção agropecuária”, diz Isan Rezende.
O projeto em discussão no Senado prevê que o FGI seja utilizado como garantia para operações futuras de renegociação, permitindo maior segurança aos agentes financeiros. Integrantes da FPA avaliam que os R$ 20 bilhões previstos para o fundo poderiam destravar inicialmente cerca de R$ 70 bilhões em crédito, com potencial de alcançar até R$ 200 bilhões dependendo da adesão das instituições financeiras e da modelagem operacional.
Além do fundo garantidor, o texto também prevê a criação de uma linha emergencial de até R$ 30 bilhões com recursos do Fundo Social, destinada especificamente à prorrogação de dívidas rurais.
O projeto tramita na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado sob relatoria do senador Renan Calheiros (MDB-AL), com expectativa de votação ainda nesta semana. A bancada ruralista tenta acelerar a tramitação para que as novas regras entrem em vigor antes do lançamento do próximo Plano Safra.
Nos bastidores do Congresso, parlamentares do agro tratam o tema como prioridade absoluta diante do aumento das recuperações judiciais no campo e do crescimento da pressão financeira sobre produtores de diferentes portes e regiões do país.
Para Isan Rezende, o debate vai além de uma renegociação pontual e pode marcar uma mudança estrutural no modelo de financiamento agropecuário brasileiro.
“O Brasil construiu uma potência agrícola baseada em produtividade, tecnologia e expansão de mercado, mas ainda carrega um sistema de crédito extremamente vulnerável aos ciclos econômicos e climáticos. O que está sendo discutido agora pode representar um novo marco para o financiamento rural, criando condições mais modernas e sustentáveis para o produtor continuar investindo, produzindo e gerando riqueza”, afirma.
A preocupação do setor aumentou nos últimos meses diante da elevação da taxa Selic, da queda dos preços internacionais de algumas commodities agrícolas e da dificuldade de muitos produtores em renovar crédito de custeio e investimento para a próxima safra.
Integrantes da FPA também defendem que a aprovação rápida do projeto pode evitar retração mais forte nos investimentos do agro em 2026, principalmente em tecnologia, expansão de área, máquinas e infraestrutura dentro das propriedades rurais.
Fonte: Pensar Agro
Agro
Soja dispara em Chicago com acordo entre EUA e China, tensão no Oriente Médio e clima nos EUA no radar
O mercado global da soja voltou a registrar forte volatilidade nesta terça-feira (19), com os contratos futuros negociados na Bolsa de Chicago (CBOT) mantendo o movimento de alta iniciado na sessão anterior. O avanço das cotações reflete uma combinação entre fatores geopolíticos, expectativa de aumento da demanda chinesa por produtos agrícolas dos Estados Unidos e preocupações climáticas nas regiões produtoras norte-americanas.
Por volta das 9h (horário de Brasília), os principais vencimentos operavam em alta entre 3,50 e 4,25 pontos. O contrato julho era negociado a US$ 12,17 por bushel, enquanto agosto alcançava US$ 12,15 por bushel, sustentando o ambiente positivo para o complexo soja.
A valorização ganhou força após o anúncio de um novo entendimento comercial entre Estados Unidos e China. Segundo informações divulgadas pela Casa Branca, Pequim se comprometeu a adquirir ao menos US$ 17 bilhões anuais em produtos agrícolas norte-americanos entre 2026 e 2028.
O acordo foi firmado após reuniões entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o presidente chinês, Xi Jinping, realizadas na semana passada em Pequim. O pacote prevê ainda avanços na reabertura do mercado chinês para carnes e produtos agropecuários americanos, além da criação de novos conselhos bilaterais voltados à ampliação do comércio e dos investimentos entre as duas potências.
Compras chinesas impulsionam recuperação da soja
A confirmação das compras chinesas trouxe forte recuperação para as commodities agrícolas em Chicago. Na sessão anterior, o contrato julho da soja encerrou o pregão com valorização de 36 centavos de dólar, ou 3,05%, cotado a US$ 12,13 por bushel. O vencimento agosto fechou a US$ 12,11, com avanço de 2,93%.
Entre os subprodutos, o farelo de soja teve leve alta, encerrando julho a US$ 334,50 por tonelada. Já o óleo de soja registrou valorização expressiva, apoiado também pelo comportamento do petróleo internacional, fechando a 75,63 centavos de dólar por libra-peso.
Analistas observam que o mercado ainda mantém cautela quanto ao cumprimento efetivo do acordo por parte da China, especialmente diante do histórico recente de tensões comerciais entre os dois países. Ainda assim, o anúncio foi suficiente para estimular forte movimento comprador nos mercados futuros.
Oriente Médio e Estreito de Ormuz seguem no centro das atenções
Além dos fundamentos agrícolas, o cenário geopolítico continua influenciando diretamente os preços das commodities.
O mercado acompanha com atenção os desdobramentos das tensões envolvendo Irã e Estados Unidos. Notícias de que o governo americano teria adiado novos ataques ao território iraniano ajudaram a reduzir parcialmente a aversão ao risco nos mercados internacionais.
Ao mesmo tempo, seguem as preocupações em torno do Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte global de petróleo. Informações de que autoridades iranianas estudariam reabrir parcialmente a passagem marítima, porém com restrições aos Estados Unidos, mantêm o mercado em alerta.
Apesar disso, o petróleo operava em queda nesta terça-feira, limitando ganhos mais intensos das commodities agrícolas.
Clima nos Estados Unidos preocupa operadores
Outro fator monitorado pelos investidores é o avanço do plantio da nova safra norte-americana.
Os trabalhos de campo seguem em ritmo acelerado no Meio-Oeste dos Estados Unidos, mas algumas regiões começam a enfrentar excesso de chuvas e temperaturas mais baixas, o que pode trazer impactos localizados sobre o desenvolvimento inicial das lavouras.
As condições climáticas seguem sendo um dos principais direcionadores do mercado neste momento, principalmente diante da elevada sensibilidade dos preços após o recente movimento de recuperação.
Mercado brasileiro acompanha Chicago e enfrenta desafios logísticos
No Brasil, o mercado físico também reagiu ao cenário internacional, embora de forma moderada em algumas regiões.
No Rio Grande do Sul, os preços apresentaram ajustes pontuais no interior, enquanto o Porto de Rio Grande registrou recuo no disponível, com referência próxima de R$ 127,67 por saca. A colheita no estado alcança cerca de 95% da área cultivada.
A Emater/RS-Ascar revisou para baixo a estimativa da safra gaúcha, reduzindo a projeção de 21,44 milhões para pouco mais de 19 milhões de toneladas. A irregularidade climática provocou forte diferença de produtividade entre regiões, com lavouras variando entre 1.200 e 4.200 quilos por hectare.
Em Santa Catarina, os preços apresentaram leve recuperação em municípios como Palma Sola e Rio do Sul, enquanto o Porto de São Francisco do Sul registrou recuo. A colheita estadual já supera 70% da área plantada.
No Paraná, produtores seguem enfrentando pressão logística, aumento dos custos de frete e margens mais apertadas, mesmo diante de uma safra estimada em cerca de 22 milhões de toneladas.
Já no Centro-Oeste, Mato Grosso do Sul registrou valorização expressiva em algumas praças, com destaque para São Gabriel do Oeste. Em Mato Grosso, a produção recorde estimada em 51,56 milhões de toneladas amplia os desafios relacionados à armazenagem, logística e custos para a próxima temporada.
Mercado segue volátil e atento aos próximos movimentos
O mercado da soja permanece altamente sensível às decisões políticas, ao comportamento da demanda chinesa, às condições climáticas nos Estados Unidos e às tensões no Oriente Médio.
A expectativa dos operadores é de continuidade da volatilidade nas próximas sessões, principalmente diante da combinação entre fundamentos agrícolas, fluxo financeiro internacional e riscos geopolíticos que seguem influenciando diretamente o comportamento das commodities globais.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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