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Crise global dos fertilizantes aumenta riscos logísticos e exige reforço da segurança industrial no agronegócio

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A crescente instabilidade geopolítica internacional voltou a acender o alerta no agronegócio brasileiro sobre a vulnerabilidade da cadeia de fertilizantes. Além da pressão sobre preços e oferta, especialistas apontam que o atual cenário também amplia riscos operacionais, logísticos e de segurança industrial em armazéns, portos e plantas de processamento no país.

Dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) mostram que o Brasil importou 45,5 milhões de toneladas de fertilizantes em 2025, o maior volume da história. O número reforça a forte dependência externa do setor: aproximadamente 85% dos fertilizantes utilizados no país são importados, conforme informações do Ministério da Agricultura e Pecuária e da Associação Nacional para Difusão de Adubos (ANDA).

Conflitos no Oriente Médio, a guerra entre Rússia e Ucrânia e as tensões comerciais envolvendo Irã e Estados Unidos seguem impactando rotas marítimas, disponibilidade de insumos e previsibilidade logística. Como consequência, empresas passaram a ampliar estoques estratégicos e manter produtos armazenados por períodos mais longos, alterando significativamente o perfil de risco das operações.

Segundo Raphael Yuri Quintel Diniz, coordenador global de produtos para atmosferas explosivas da Schmersal Brasil, o setor enfrenta uma mudança estrutural no gerenciamento de riscos industriais.

“O aumento do tempo de armazenagem e a necessidade de estoques maiores criam um ambiente operacional completamente diferente, exigindo novas estratégias de prevenção, monitoramento e segurança”, afirma.

Umidade e corrosão agravam riscos em fertilizantes armazenados

Entre os principais desafios enfrentados pelas empresas está o impacto da umidade sobre fertilizantes higroscópicos, como ureia, nitrato de amônio e formulações NPK. Em regiões portuárias e tropicais, a absorção de umidade acelera o empedramento dos produtos, aumenta a corrosão de estruturas metálicas e compromete o funcionamento de equipamentos eletromecânicos.

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De acordo com Diniz, a combinação entre condições climáticas adversas, características químicas dos fertilizantes e longos períodos de estocagem cria um ambiente altamente agressivo para as operações industriais.

“Além de afetar a integridade dos equipamentos, esse cenário amplia significativamente os riscos à segurança dos trabalhadores e das instalações”, destaca.

Bloqueios em silos e intervenções manuais elevam perigo operacional

O armazenamento prolongado também aumenta a incidência de bloqueios em silos, falhas em transportadores e interrupções operacionais, exigindo intervenções manuais consideradas críticas do ponto de vista da segurança industrial.

Entre os riscos mais frequentes estão soterramentos, acionamentos inesperados de máquinas, exposição a poeiras nocivas e até colapsos estruturais em áreas de armazenagem.

Outro ponto de atenção é a redução da vida útil de equipamentos sem especificação adequada para ambientes corrosivos e explosivos. O acúmulo de substâncias combustíveis intensifica o risco de acidentes, especialmente em estruturas sem manutenção preventiva e inspeções regulares.

“Muitos acidentes graves no setor estão relacionados justamente às intervenções em silos e sistemas de transporte realizados em ambientes degradados pela umidade e sem sistemas adequados de proteção Ex”, explica o especialista.

Segurança industrial ganha papel estratégico no agronegócio

Diante do aumento da complexidade operacional, especialistas defendem uma abordagem mais integrada de segurança nas operações com fertilizantes. Entre as medidas consideradas prioritárias estão:

  • Monitoramento contínuo de obstruções em silos;
  • Sistemas de intertravamento e automação;
  • Equipamentos resistentes à corrosão;
  • Inspeções periódicas em áreas classificadas;
  • Planos preventivos de manutenção industrial;
  • Modernização de sistemas de proteção Ex.
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A avaliação é que investir em prevenção deixou de ser apenas uma medida operacional e passou a ser uma estratégia essencial para garantir continuidade produtiva, proteção de trabalhadores e estabilidade logística no agronegócio brasileiro.

“Tecnologias de prevenção e sistemas de segurança são fundamentais para proteger vidas e assegurar a continuidade das operações em um cenário cada vez mais instável e com riscos elevados”, conclui Diniz.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Exportação de milho do Brasil deve cair em 2025/26 com pressão dos EUA, Argentina e dólar mais fraco

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O mercado brasileiro de milho enfrenta um cenário mais desafiador para as exportações na temporada 2025/26. A forte concorrência dos Estados Unidos e da Argentina no mercado global, somada ao fortalecimento do real frente ao dólar, levou o Itaú BBA a reduzir sua estimativa para os embarques brasileiros do cereal.

Segundo relatório divulgado nesta segunda-feira, o banco revisou a projeção de exportação de milho do Brasil de 44 milhões para 40 milhões de toneladas na safra 2025/26.

Caso a previsão se confirme, o volume ficará abaixo do registrado na temporada passada, quando o Brasil exportou 41,6 milhões de toneladas e manteve a posição de segundo maior exportador mundial de milho, atrás apenas dos Estados Unidos e à frente da Argentina.

Concorrência internacional reduz competitividade do milho brasileiro

De acordo com a análise do Itaú BBA, o milho brasileiro enfrenta atualmente uma disputa mais intensa no mercado internacional, principalmente diante da elevada oferta dos Estados Unidos e da Argentina.

Além disso, a valorização do real frente ao dólar reduz a competitividade do cereal brasileiro nas exportações, tornando o produto nacional relativamente mais caro para compradores internacionais.

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O cenário cambial, combinado com a maior disponibilidade global do grão, vem limitando o avanço dos embarques brasileiros e pressionando a participação do país no comércio internacional de milho.

Segunda safra preocupa mercado

Outro fator de atenção está relacionado à produção brasileira, especialmente à segunda safra, responsável pela maior parte da colheita nacional de milho.

Segundo o Itaú BBA, a oferta brasileira deverá ser menor do que o esperado inicialmente, após ajustes negativos nas estimativas da safrinha.

A segunda safra de milho está agora projetada em 110 milhões de toneladas, enquanto a produção total brasileira foi estimada em 138 milhões de toneladas, volume que representa queda anual de 2%.

O banco destaca que, apesar de o mercado interno ainda apresentar oferta relativamente confortável e estoques considerados adequados, novas revisões negativas podem alterar significativamente o equilíbrio do setor.

Mercado doméstico pode reter mais milho

O relatório também alerta que eventuais perdas adicionais na segunda safra podem incentivar retenção do cereal no mercado doméstico, reduzindo ainda mais o potencial exportador do Brasil.

Segundo o banco, caso a quebra da safrinha se intensifique, o mercado tende a manter estímulos de preços para segurar o milho internamente, priorizando o abastecimento nacional.

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Esse movimento pode impactar diretamente os embarques brasileiros, especialmente em um momento de forte competição internacional e custos logísticos ainda elevados.

Brasil segue como protagonista global no milho

Mesmo com a redução nas projeções de exportação, o Brasil continua entre os principais players globais do mercado de milho.

O país mantém forte participação no comércio internacional graças ao avanço tecnológico no campo, à expansão da segunda safra e à elevada capacidade produtiva do Centro-Oeste.

No entanto, o cenário para 2025/26 mostra um ambiente mais competitivo e sensível às condições climáticas, ao câmbio e às oscilações da demanda global.

Analistas do setor seguem monitorando principalmente:

  • o desenvolvimento final da segunda safra;
  • o comportamento do dólar;
  • a competitividade frente aos Estados Unidos e Argentina;
  • o ritmo da demanda chinesa;
  • e os estoques globais do cereal.

A expectativa é de manutenção da volatilidade nos preços e ajustes constantes nas projeções ao longo dos próximos meses, conforme o avanço da colheita e das negociações internacionais.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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