Agro
Brasil amplia produção de biocombustíveis sem comprometer segurança alimentar, aponta setor
O avanço dos conflitos geopolíticos e a volatilidade do petróleo recolocaram os biocombustíveis no centro das discussões globais sobre segurança energética e sustentabilidade. Em meio a esse cenário, o Brasil desponta como um dos poucos países capazes de expandir a produção de energia renovável sem comprometer a oferta de alimentos.
A combinação entre disponibilidade de terras agricultáveis, ganhos constantes de produtividade e adoção de tecnologia no campo fortalece a posição brasileira como líder potencial da nova economia verde. Etanol de cana-de-açúcar, biodiesel à base de soja, biometano e o Combustível Sustentável de Aviação (SAF) aparecem entre as principais apostas para reduzir a dependência mundial dos combustíveis fósseis.
Ao contrário de outros mercados, onde o crescimento dos biocombustíveis gera preocupação sobre disputa por áreas agrícolas, o Brasil apresenta um cenário mais equilibrado. Dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) indicam que a produção nacional de grãos já supera 300 milhões de toneladas e pode alcançar entre 353,4 milhões e 354,7 milhões de toneladas na safra 2026. A área cultivada também deve crescer cerca de 3,3%, chegando a 84,4 milhões de hectares.
Segundo Luís Schiavo, CEO da Naval Fertilizantes, o país reúne condições técnicas e estruturais para avançar simultaneamente nas duas frentes.
“O Brasil não apenas possui escala produtiva, mas também tecnologia e conhecimento acumulado para aumentar a produção sem necessariamente ampliar novas áreas agrícolas. Isso é fundamental para garantir que os biocombustíveis avancem sem competir diretamente com a produção de alimentos”, afirma.
Tecnologia e fertilizantes impulsionam produtividade no campo
O crescimento sustentável da agropecuária brasileira vem sendo sustentado por práticas como agricultura de precisão, integração lavoura-pecuária-floresta e biotecnologia aplicada às lavouras. Essas ferramentas permitem elevar a produtividade por hectare e reduzir a pressão sobre novos territórios.
Nesse contexto, os fertilizantes desempenham papel estratégico para garantir safras mais robustas e eficientes.
“Os fertilizantes são aliados da intensificação sustentável. Eles possibilitam produzir mais em menos espaço, preservando biomas e atendendo simultaneamente à crescente demanda global por alimentos e energia”, explica Schiavo.
Além da eficiência agrícola, o Brasil conta com uma matriz energética relativamente limpa e uma cadeia agroindustrial consolidada, capaz de transformar diferentes matérias-primas em energia renovável em larga escala.
Diversificação reduz competição entre energia e alimentos
Outro diferencial brasileiro está na diversidade de insumos utilizados na produção de biocombustíveis. Além da cana-de-açúcar e da soja, o setor vem ampliando o aproveitamento de resíduos agrícolas, biomassa e dejetos orgânicos, reduzindo riscos de competição direta com a produção de alimentos.
Para especialistas do setor, o debate global precisa deixar de tratar energia e alimentação como agendas opostas.
“A discussão não deve ser ‘alimento versus energia’, mas sim como integrar essas demandas de forma inteligente e sustentável. O Brasil tem potencial para liderar esse movimento global justamente por conseguir avançar nas duas áreas com responsabilidade”, conclui o CEO da Naval Fertilizantes.
Com isso, a expansão dos biocombustíveis passa a ser vista não apenas como alternativa ao petróleo, mas como uma oportunidade estratégica para consolidar o Brasil como protagonista de uma economia mais limpa, eficiente e alinhada aos desafios da segurança alimentar mundial.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
Agro
Exportações de carne bovina do Brasil disparam em 2026 e superam 1,3 milhão de toneladas até maio
As exportações brasileiras de carne bovina seguem em forte expansão em 2026. Em maio, o Brasil embarcou 297 mil toneladas da proteína para o mercado internacional, volume 17,8% superior ao registrado no mesmo mês de 2025. O desempenho reforça o protagonismo do país no comércio global de carne bovina e consolida a trajetória de crescimento observada ao longo do ano.
Os dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), compilados pela Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC), mostram que o faturamento das exportações atingiu US$ 1,83 bilhão em maio, avanço de 6,5% em relação ao mês anterior.
Além do aumento nos embarques, o setor também foi beneficiado pela valorização do produto no mercado internacional. O preço médio da carne bovina exportada alcançou US$ 6.163 por tonelada, registrando alta de 3,5% na comparação com abril.
China responde por mais da metade das exportações brasileiras
A China permaneceu como principal destino da carne bovina brasileira, ampliando sua participação nas compras externas e sustentando o crescimento das exportações nacionais.
Em maio, os chineses adquiriram 157,6 mil toneladas da proteína, movimentando US$ 1,06 bilhão. O volume representa crescimento de 39,6% em relação ao mesmo período do ano passado e corresponde a 53,1% de toda a carne bovina exportada pelo Brasil no mês.
O avanço das compras chinesas ocorre em um momento de antecipação dos embarques por parte dos importadores, diante da implementação de medidas de salvaguarda anunciadas pelo governo do país asiático para o setor de carne bovina.
Estados Unidos mantêm posição estratégica entre os compradores
Os Estados Unidos seguiram como o segundo principal mercado para a carne bovina brasileira em maio. As exportações para o país somaram 28,8 mil toneladas, gerando receita de US$ 195,6 milhões.
Na comparação anual, os embarques para o mercado norte-americano cresceram 5,1%, demonstrando a manutenção da demanda mesmo em um cenário de maior concorrência internacional.
Entre os principais compradores também se destacaram a Rússia, com importações de 13,7 mil toneladas, o Chile, com 8,5 mil toneladas, e a União Europeia, que adquiriu 8,3 mil toneladas da proteína brasileira durante o mês.
Carne in natura domina receita das exportações
A carne bovina in natura continua sendo o principal produto exportado pelo setor. Em maio, essa categoria respondeu por 88,2% do volume total embarcado e por 93,1% de toda a receita obtida com as exportações brasileiras.
O faturamento da carne in natura atingiu aproximadamente US$ 1,7 bilhão no período, reforçando sua relevância para a balança comercial do agronegócio brasileiro.
Brasil acumula mais de 1,38 milhão de toneladas exportadas em 2026
No acumulado dos cinco primeiros meses do ano, as exportações brasileiras de carne bovina alcançaram 1,388 milhão de toneladas, crescimento de 15,3% em relação ao mesmo período de 2025.
A receita gerada pelo setor chegou a US$ 7,88 bilhões entre janeiro e maio, refletindo tanto o aumento do volume exportado quanto a valorização dos preços internacionais.
O preço médio das exportações brasileiras atingiu US$ 5.677 por tonelada no período, significativamente acima dos US$ 4.824 por tonelada registrados nos cinco primeiros meses do ano passado.
Diversificação de mercados fortalece competitividade brasileira
A China segue liderando o ranking anual de compradores, com 631,9 mil toneladas importadas e faturamento de US$ 3,78 bilhões. O país asiático respondeu por 45,5% do volume exportado pelo Brasil e por 48% de toda a receita gerada pelo setor no acumulado de 2026.
Os Estados Unidos aparecem na segunda posição, com 178,6 mil toneladas embarcadas e receita superior a US$ 1,16 bilhão. Na sequência estão Chile, Rússia e União Europeia, todos registrando crescimento nas importações da proteína brasileira.
Segundo a ABIEC, o desempenho positivo reflete a ampla presença da carne bovina brasileira no mercado internacional.
Atualmente, o produto nacional está presente em mais de 177 destinos ao redor do mundo, estratégia que contribui para ampliar a competitividade do setor, reduzir riscos comerciais e fortalecer a posição do Brasil como um dos maiores exportadores globais de proteína animal.
Perspectivas seguem positivas para o restante do ano
Com demanda internacional aquecida, preços sustentados e diversificação crescente dos mercados compradores, o setor de carne bovina mantém perspectivas favoráveis para os próximos meses.
A continuidade do forte ritmo de exportações reforça a importância da pecuária de corte para o agronegócio brasileiro e para a geração de divisas, consolidando o país como um dos principais fornecedores mundiais de carne bovina.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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