Brasil
Infraestrutura quântica desenvolvida no Recife coloca o Brasil na fronteira da cibersegurança
A mecânica quântica deixou as lousas acadêmicas para percorrer as fibras ópticas sob o asfalto do Recife (PE). Longe de ser uma promessa distante, o domínio dessa tecnologia tornou-se realidade em Pernambuco. Cientistas utilizaram dark fibers (fibras apagadas) — cabos já instalados na malha urbana, mas inativos — para desenvolver a Rede Quântica Recife (RQR). Os pesquisadores criaram o sistema de Distribuição de Chaves Quânticas (QKD), capaz de interligar departamentos universitários. O resultado é a impossibilidade de interceptar informações virtualmente.
O alicerce dessa segurança absoluta está no emaranhamento quântico. Quando partículas de luz (fótons) compartilham o mesmo estado físico, qualquer alteração em uma delas reflete instantaneamente na outra. Se um invasor tenta espionar ou copiar a chave de segurança durante o trajeto, a simples observação causa um fenômeno chamado decoerência. A conexão se quebra na mesma hora, o sistema acusa o ataque e a mensagem torna-se ilegível.
O ecossistema criado pela equipe do professor Daniel Felinto, da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), evoluiu. Os cientistas consolidaram o Instituto de Tecnologias Quânticas (Quanta), sediado no ParqueTec da instituição, unindo especialistas de física, engenharias e computação. Também fazem parte do grupo pesquisadores da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE). O amadurecimento científico da ação foi reconhecido publicamente com a conquista do Prêmio Finep de Inovação 2025 da Região Nordeste, na categoria Infraestrutura de Pesquisa e Desenvolvimento.
Hoje, com os testes iniciais de 7 quilômetros validados (e com os resultados endossados por publicações como o Brazilian Journal of Physics), os olhos do Quanta estão voltados para a ampliação. Em parceria com as instituições de fomento vinculadas ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), a meta agora é expandir a rede quântica recifense para uma extensão de 40 quilômetros.
Para o Brasil, dominar a tecnologia QKD significa garantir proteção cibernética de nível estratégico para a defesa nacional e para os sistemas financeiros. A iniciativa teve o apoio do MCTI, por meio da Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP) e seu Ponto de Presença em Pernambuco (PoP-PE). Dessa maneira, os pesquisadores puderam sair do ambiente controlado do laboratório para testar a conexão real sob o calor e as interferências de uma metrópole.
Infraestrutura pronta
O diferencial do experimento recifense é que ele não exigiu obras bilionárias de cabeamento, e a transmissão de dados utilizou variáveis discretas em redes comerciais de telecomunicações.
A infraestrutura mantida em Pernambuco evidencia que o fomento público bem direcionado retém talentos e atrai investimentos. Por meio da articulação entre universidades e governo federal, o Brasil pavimenta seu caminho não apenas como consumidor de alta tecnologia, mas como desenvolvedor de ponta na nova era da internet quântica.
Brasil
Brasil ganha estratégia de Estado para transformar a riqueza mineral em desenvolvimento sustentável de forma soberana até 2050
O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, apresentou nesta quinta-feira (2/7) o Plano Nacional de Mineração 2050 (PNM 2050), durante reunião do Conselho Nacional de Política Mineral (CNPM). Construído com ampla participação social da academia, do setor produtivo, meio ambiente, e articulação interministerial e federativa, o documento é o instrumento estratégico de longo prazo da política mineral brasileira responsável. Ele estabelece a visão de futuro que o Brasil quer para a mineração em seu território e os pilares, objetivos estratégicos e diretrizes de política pública que vão orientar o setor nas próximas décadas, aliando agregação de valor e responsabilidade socioambiental.
“O Brasil tem algumas das maiores reservas minerais do mundo, e o PNM 2050 mostra o caminho para que nossa riqueza sirva à modernização da economia nacional, transformando esse potencial em desenvolvimento, tecnologia, emprego e renda para o nosso povo. O Plano ainda reafirma nossa soberania em um cenário internacional cada vez mais competitivo”, afirmou Silveira.
O PNM 2050 apresenta o contexto do setor mineral brasileiro frente ao Brasil e ao mundo, o que leva a um diagnóstico central: ter recursos minerais não basta. Transformar potencial geológico em prosperidade e desenvolvimento exige instituições robustas, conhecimento geológico, ambiente regulatório estável e responsabilidade socioambiental.
Por isso, o Plano se organiza em quatro pilares — sustentabilidade e valor social; segurança do suprimento mineral e aproveitamento responsável; agregação de valor no setor mineral; e governança e integridade — que se desdobram em cinco objetivos estratégicos:
- Consolidar a mineração brasileira como sustentável e inclusiva;
- Ampliar o conhecimento geológico e o aproveitamento responsável dos recursos minerais;
- Promover a agregação de valor e o adensamento produtivo;
- Fortalecer a governança, a integridade e a transparência na mineração; e
- Assegurar a soberania nacional e a segurança do suprimento mineral.
A agregação de valor está no centro da estratégia. Em meio à transição energética e à crescente demanda mundial por minerais críticos – usados em baterias, turbinas eólicas e tecnologias digitais e de defesa -, o Brasil quer deixar de ser apenas exportador de bens primários e avançar na industrialização e no adensamento de suas cadeias produtivas.
O setor mineral já responde por cerca de 3,3% do PIB brasileiro e por aproximadamente 2 milhões de empregos diretos, com investimentos em trajetória de crescimento nos últimos anos. Para ampliar esses resultados de forma planejada, o PNM 2050 adota um modelo de planejamento em três níveis, previsto no Decreto nº 11.108/2022 e orientado pelas diretrizes estabelecidas na Resolução CNPM nº 5/2025, que combina a visão estratégica do Plano com um Plano de Metas e Ações e um sistema permanente de monitoramento, avaliação e revisão.
O Plano integra a agenda de reindustrialização e de fortalecimento da soberania nacional, articulando as políticas mineral, industrial, energética, de ciência, tecnologia e inovação e do clima. Com ele, o Brasil reafirma o compromisso de usar seus recursos minerais como instrumento para construir um futuro mais próspero, sustentável, inclusivo e soberano.
Acesse o PNM 2050 na íntegra aqui.
Assessoria Especial de Comunicação Social – MME
Telefone: (61) 2032-5759 | Email: [email protected]
Instagram ● Twitter ● Facebook ● YouTube ● Flickr ● LinkedIn
-
Educação7 dias agoPND: 58 municípios de Pernambuco aderiram ao exame
-
Agro5 dias agoPlano Safra 2026/27 será lançado terça e deve ficar entre R$ 570 e R$ 652 bi
-
Política Nacional6 dias agoUso responsável do plástico favorece desenvolvimento, afirmam debatedores
-
Brasil6 dias agoEmprego formal alcança 57,2% dos jovens ocupados no Brasil, aponta estudo do MTE
-
Brasil5 dias agoMinistério da Saúde inaugura primeira UTI inteligente do SUS no Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (RJ)
-
Educação7 dias agoPrazo para preencher Diagnóstico Equidade 2026 acaba em 30/6
-
Educação7 dias agoPND: 60 municípios do Rio de Janeiro aderiram ao exame
-
Educação6 dias agoMEC lança curso de IA para professores do ensino fundamental
