Agro
Milho hoje: mercado brasileiro opera com cautela, clima pressiona safrinha e preços oscilam
O mercado brasileiro de milho mantém um ambiente de cautela nesta terça-feira, refletindo a combinação de incertezas climáticas, oscilações no cenário internacional e dúvidas sobre o tamanho da oferta interna. As atenções seguem voltadas ao desenvolvimento da safrinha, especialmente diante da irregularidade das chuvas em importantes regiões produtoras.
A possibilidade de perdas na segunda safra, com destaque para o estado de Goiás, segue no radar dos agentes. A falta de precipitações pode comprometer o potencial produtivo, sustentando a apreensão entre produtores. Ainda assim, parte do mercado avalia que os preços têm sido mais influenciados pelo ritmo das exportações do que propriamente pelas perdas no campo.
Clima e safrinha limitam negócios no mercado físico
O mercado iniciou a semana dividido entre o avanço da colheita da primeira safra e o risco climático sobre a segunda safra. Esse cenário tem reduzido a liquidez, com compradores adotando postura cautelosa.
Estimativas privadas apontam cenários distintos. Algumas consultorias elevaram a produção da safra de verão em cerca de 4%, projetando 28,6 milhões de toneladas. Por outro lado, há projeções de perdas na safrinha entre 10% e 15% em estados como Goiás, caso o regime de chuvas não se normalize nos próximos dias.
Preços do milho no Brasil seguem regionalizados
As cotações continuam variando conforme a região, refletindo oferta, demanda e logística:
- Porto de Santos (SP): R$ 66,50 a R$ 69,00 por saca (CIF)
- Porto de Paranaguá (PR): R$ 65,50 a R$ 69,00 por saca
- Cascavel (PR): R$ 61,00 a R$ 62,50
- Mogiana (SP): R$ 63,00 a R$ 65,00
- Campinas (SP, CIF): R$ 68,00 a R$ 70,00
- Erechim (RS): R$ 66,50 a R$ 68,00
- Uberlândia (MG): R$ 55,00 a R$ 58,00
- Rio Verde (GO, CIF): R$ 56,00 a R$ 58,00
- Rondonópolis (MT): R$ 48,00 a R$ 52,00
No Sul do país, o mercado segue com baixa liquidez. No Rio Grande do Sul, a colheita já alcança cerca de 94% da área, enquanto em Santa Catarina está praticamente concluída, com 99%. Ainda assim, o descompasso entre pedidas e ofertas limita o fechamento de novos negócios.
B3 reflete incertezas sobre oferta e demanda
Na B3, os contratos futuros de milho registraram variações mistas, refletindo a divisão do mercado quanto às perspectivas de oferta:
- Maio/2026: R$ 67,53 (queda de R$ 0,42 no dia e de R$ 1,39 na semana)
- Julho/2026: R$ 69,79 (alta de R$ 0,13 no dia e de R$ 0,12 na semana)
- Setembro/2026: R$ 71,23 (recuo de R$ 0,39 no dia e de R$ 0,79 na semana)
Os agentes acompanham tanto o impacto da seca na safrinha quanto o aumento da oferta da primeira safra, o que mantém o mercado técnico e volátil.
Chicago recua após atingir máxima anual
No cenário internacional, os contratos futuros de milho na Bolsa de Chicago operam em queda após atingirem máximas de um ano no início da sessão.
O contrato com entrega em julho é cotado a US$ 4,83 1/4 por bushel, com recuo de 0,51%. O movimento é atribuído à realização de lucros, além da pressão exercida pela queda do petróleo em Nova York e pela valorização do dólar frente a outras moedas, fatores que reduzem a competitividade do milho norte-americano.
Câmbio e cenário externo no radar
O dólar comercial apresenta leve queda frente ao real, cotado a R$ 4,9477, com desvalorização de 0,38%. Já o Dollar Index avança para 98,52 pontos.
Nos mercados globais, as bolsas europeias operam de forma mista, enquanto as principais praças asiáticas não tiveram negociações devido a feriados. O petróleo WTI, por sua vez, recua para US$ 103,13 por barril.
Perspectivas para o mercado do milho
No curto prazo, o mercado deve seguir sensível a três fatores principais: as condições climáticas no Centro-Oeste, determinantes para a safrinha; o ritmo das exportações, que pode sustentar os preços; e o comportamento do câmbio e das cotações em Chicago.
Diante das incertezas, a tendência é de continuidade no ritmo lento de negociações, com movimentos pontuais e forte dependência de novas informações sobre produtividade e oferta.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
Agro
Lideranças alertam que crédito recorde é ineficiente sem juros menores e seguro rural
O anúncio do Plano Safra 2026/27, marcado para a próxima terça-feira (30.06), chega ao produtor rural em meio a um clima de ceticismo. Enquanto o governo federal projeta um volume recorde entre R$ 570 bilhões e R$ 652 bilhões, as lideranças do setor alertam que, em um cenário de juros elevados e margens de lucro espremidas, o montante nominal importa menos do que a efetividade das taxas de equalização. O que o campo busca não é apenas liquidez, mas uma estratégia de sobrevivência que contemple o endividamento acumulado nos últimos ciclos.
Para a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), o plano precisa ir além do anúncio de “recordes” orçamentários. A crítica central das bancadas é que o governo carece de uma visão estrutural de longo prazo: enquanto o custo de capital subiu, a subvenção ao seguro rural foi tratada como variável de ajuste orçamentário. Sem proteção contra intempéries, o crédito acaba financiando o risco, e não a produtividade, perpetuando o ciclo de inadimplência que já preocupa o Banco Central.
A Aprosoja Mato Grosso ecoa o descontentamento com a falta de previsibilidade. Para a entidade, de nada adianta um volume robusto se as linhas de investimento — essenciais para armazenagem e modernização — permanecerem travadas ou de difícil acesso para o médio produtor. O setor produtivo aponta que a paridade de importação e os custos de produção em patamares históricos exigem que o Plano Safra seja, antes de tudo, um instrumento de competitividade internacional, e não uma peça de marketing político que ignora a realidade técnica das fazendas.
Para o presidente do Instituto do Agronegócio (IA), Engenheiro Agrônomo Isan Rezende (foto), o setor está diante de uma encruzilhada. “O governo insiste em focar no volume total de crédito como se isso, por si só, garantisse a estabilidade da safra, mas esquece que o custo desse dinheiro tornou-se proibitivo para grande parte dos produtores. Não precisamos de um recorde de bilhões disponíveis se as taxas de juros não forem condizentes com a realidade de um setor que, nos últimos dois anos, foi duramente atingido por quebras climáticas sucessivas e pela volatilidade dos preços internacionais. O produtor hoje precisa de fôlego, não de novos passivos impagáveis”, afirmou Rezende.
“O agronegócio não pode ser tratado como um setor auxiliar que recebe atenção apenas quando a balança comercial precisa de socorro. Precisamos que o Plano Safra 2026/27 venha acompanhado de uma política clara de renegociação de dívidas e de um comprometimento real com o Seguro Rural. Sem isso, estamos apenas postergando um colapso financeiro que vai atingir desde o pequeno produtor até a economia das cidades que dependem diretamente do sucesso da nossa safra”, disse Isan.
“A nossa expectativa é de que, no dia 30, o anúncio não seja apenas um conjunto de números desenhado pela Fazenda para cumprir calendário. Queremos ver, de fato, a implementação de uma estratégia que proteja a nossa capacidade de investimento. Se o governo continuar tratando a equalização como um gasto primário e não como o investimento estratégico que é, estaremos condenando o próximo ciclo a uma estagnação perigosa. O agronegócio é o motor que mantém o Brasil respirando, e ele exige o respeito de ser tratado com política econômica técnica, e não com medidas paliativas que não resolvem o gargalo do custo do crédito na ponta”, concluiu o presidente do Instituto do Agronegócio.
Fonte: Pensar Agro
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