Brasil
MMA inicia construção participativa da Estratégia Nacional de Soluções Baseadas na Natureza
O Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) deu início, na última sexta-feira (27/3), ao processo de construção participativa da Estratégia Nacional de Soluções Baseadas na Natureza (ENSBN). A iniciativa tem como objetivo integrar a natureza ao planejamento urbano e à agenda climática do país, ampliando a capacidade das cidades de enfrentar eventos extremos e promover qualidade de vida.
A abertura do processo ocorreu durante webinário que apresentou as etapas de elaboração da estratégia, incluindo a realização de oficinas regionais e consultas públicas. O encontro reuniu representantes de órgãos federais, estaduais e municipais, além da academia, sociedade civil e setor privado. A proposta é garantir ampla participação de diferentes setores na construção do documento.
Lançada durante a COP30, a ENSBN é considerada fundamental para orientar políticas públicas, investimentos e ações de planejamento urbano e territorial no Brasil, com foco na promoção da resiliência climática nas cidades.
A adoção de uma abordagem estratégica nacional deve ampliar o alcance e a efetividade dessas soluções, contribuindo para a redução de riscos, o enfrentamento de desastres naturais e a construção de cidades mais seguras, inclusivas, biodiversas e sustentáveis.
A elaboração da estratégia conta com a parceria da Universidade Federal de Alagoas (UFAL), da Rede ICLEI – Governos Locais para Sustentabilidade, e do Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE), organização vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, que serão responsáveis por apoiar a construção da proposta por meio da consolidação da base teórica, definição de diretrizes e critérios para soluções baseadas na natureza no contexto brasileiro, além da proposição de modelos de governança, metodologias de monitoramento e indicadores.
A ação conta ainda com o apoio institucional da Articulação Bioconexão Urbana, rede que reúne diversas organizações e é liderada pela Fundação Grupo Boticário.
O secretário nacional de Meio Ambiente Urbano, Recursos Hídricos e Qualidade Ambiental do MMA, Adalberto Maluf, destacou a relevância das soluções baseadas na natureza (SbN) no enfrentamento dos desafios climáticos.
“Todos nós sabemos a importância que as SbN têm na agenda climática. São um conjunto de abordagens que utilizam processos ecológicos e serviços ecossistêmicos para enfrentar os desafios urbanos. Essas soluções trazem benefícios ambientais, sociais e econômicos”, afirmou.
Conforme Adalberto, a estratégia nacional vai além da definição de diretrizes. “O objetivo é orientar como incorporar as SbN no planejamento urbano e territorial, ampliando a resiliência das cidades e reduzindo os riscos de eventos extremos. Mas um processo como esse precisa ser participativo”, complementou.
Na avaliação do diretor do Departamento de Meio Ambiente Urbano da Secretaria de Qualidade Ambiental, Maurício Guerra, as soluções baseadas na natureza também contribuem para a reconstrução da biodiversidade. “A estratégia nasce como um instrumento para ampliar a resiliência climática das cidades, fortalecer a conservação e recuperar os ecossistemas, sendo uma nova forma de pensar a infraestrutura das cidades”, ressaltou.
“Não há mais como pensar políticas de desenvolvimento que não estejam assentadas na interação com a sociedade e o meio ambiente, nem que deixem de incorporar agendas como ESG e sustentabilidade”, enfatizou o reitor da UFAL, Josealdo Tonholo.
Ao institucionalizar uma política pública nacional voltada às SbN, o Brasil avança na formulação de uma estratégia sustentável abrangente e integrada para o ordenamento territorial urbano e periurbano. A iniciativa também reforça o protagonismo do país na agenda ambiental global, ao promover uma economia regenerativa, resiliente e socialmente justa.
As soluções baseadas na natureza consistem em ações que utilizam processos e estruturas ecológicas para enfrentar desafios socioambientais, como enchentes, ilhas de calor, escassez hídrica e vulnerabilidades sociais.
Entre os exemplos estão a restauração de matas ciliares, a implantação de jardins de chuva e parques lineares, a renaturalização de córregos, a agricultura urbana e a criação de infraestrutura verde multifuncional. Essas medidas contribuem simultaneamente para a proteção da biodiversidade, a adaptação às mudanças climáticas e a melhoria da qualidade de vida da população.
A iniciativa integra o Programa Cidades Verdes Resilientes (PCVR), instituído em 2024 e coordenado pelo MMA em parceria com os ministérios das Cidades e da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). O programa é uma das respostas do Brasil à emergência global do calor extremo urbano, que agrava desigualdades e intensifica o efeito das ilhas de calor. A proposta é promover a qualidade ambiental e a resiliência urbana por meio de governança multinível, soluções baseadas na natureza e uso de tecnologias eficientes.
Também participaram do evento o diretor do Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE), Caetano Penna; o secretário-executivo do ICLEI América do Sul, Rodrigo Perpétuo; a especialista sênior em Soluções Baseadas na Natureza e Biodiversidade no ICLEI Europa, Daniela Rizzi; a gerente de Políticas da Natureza do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), Camila Almeida; a representante da União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN), Consuelo Espinoza. Além da gerente de Projetos da Fundação Grupo Boticário, Juliana Baladelli; do diretor do Departamento de Mitigação e Prevenção de Risco da Secretaria Nacional de Periferias do Ministério das Cidades, Rodolfo Moura; do gerente de Desenvolvimento Urbano no WRI Brasil, Henrique Evers; e da coordenadora do Programa Região Oceânica Sustentável da Prefeitura de Niterói (RJ), Dionê Marinho Castro.
No período da tarde, foi realizada a primeira reunião de instalação do Grupo de Trabalho da ENSBN, instituído pela Portaria de Pessoal GM/MMA nº 1.163/2025. O GT é composto por representantes de diferentes secretarias do MMA e de entidades vinculadas, com o objetivo de identificar sinergias entre a estratégia e as demais agendas da pasta, além de estruturar a matriz de atuação da ENSBN.
Assista ao webinário aqui
Assessoria Especial de Comunicação Social do MMA
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Brasil
MCTI lança FormP&D 2026 e Lei do Bem registra recorde de R$ 51,6 bilhões
Investimentos em pesquisa e desenvolvimento resultam em novos produtos, fortalecem a competitividade das empresas, estimulam a criação de empregos qualificados e ampliam a capacidade tecnológica do País. Para acompanhar esse movimento e aperfeiçoar uma das principais políticas de incentivo à inovação empresarial no Brasil, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) lançou, nesta terça-feira (2), em Brasília (DF), o FormP&D 2026. O documento on-line é utilizado pelas empresas beneficiárias da Lei do Bem (Lei nº 11.196/2025) para declarar suas atividades de pesquisa, desenvolvimento e inovação.
A nova versão do sistema traz atualizações que modernizam os processos de avaliação, ampliam a integração de dados, aperfeiçoam a governança e conferem mais clareza ao preenchimento das informações referentes ao ano-base 2025. As mudanças buscam facilitar a prestação de informações pelas empresas e ampliar a capacidade do governo de acompanhar a evolução dos investimentos privados em inovação.
Ao destacar a importância da Lei do Bem para ampliar a competitividade da indústria brasileira, a ministra do MCTI, Luciana Santos, ressaltou a necessidade de transformar o conhecimento produzido no País em inovação e desenvolvimento econômico.
“O Brasil está entre os maiores produtores de pesquisa e desenvolvimento do mundo, mas ainda precisa avançar na transformação desse conhecimento em inovação, competitividade e crescimento econômico. A Lei do Bem é um instrumento fundamental para fortalecer essa conexão e estimular as empresas a investirem mais”, afirmou Luciana Santos.
A ministra também destacou o papel das políticas públicas de incentivo à inovação e os investimentos do Governo do Brasil. “O compromisso do presidente Lula com a ciência, tecnologia e inovação se traduz em investimentos concretos. Estamos reconstruindo capacidades do Estado brasileiro, fortalecendo instituições e criando condições para que o País avance em uma agenda de desenvolvimento baseada em sustentabilidade, inclusão social e soberania tecnológica”, completou.
Novo FormP&D amplia suporte e simplifica preenchimento
O novo FormP&D 2026 traz uma série de atualizações que simplificam o preenchimento das informações pelas empresas e aprimoram o acompanhamento das atividades apoiadas pela Lei do Bem. Entre as novidades estão uma nova área de suporte técnico ao usuário, a criação de um identificador único para cada projeto, a integração com bases de dados governamentais e a possibilidade de importar informações automaticamente por meio de planilhas em etapas específicas do formulário.
As mudanças também ampliam os instrumentos de orientação disponíveis para as empresas. O Guia do Usuário do novo FormP&D já está disponível no Portal da Lei do Bem. Uma nova edição do Guia Prático da Lei do Bem, prevista para julho, vai reunir orientações atualizadas em linguagem mais acessível, com exemplos, fluxos, checklists e explicações sobre os critérios utilizados na caracterização de projetos de inovação.
Ao apresentar as novidades, o secretário de Desenvolvimento Tecnológico e Inovação do MCTI, Daniel Almeida, destacou que as atualizações foram construídas a partir das contribuições recebidas do setor produtivo. “Recebemos vários inputs das empresas e das consultorias que utilizam a Lei do Bem. Algumas melhorias já conseguimos implementar agora e outras continuam em desenvolvimento. A ideia é fazer essa grande parceria para avançar continuamente na melhoria do instrumento.”
Entre as iniciativas previstas para os próximos meses estão o lançamento do Programa Embaixadores da Lei do Bem, que vai orientar empresas em todo o País, a ampliação dos mecanismos de avaliação simplificada para projetos desenvolvidos em parceria com instituições de ciência e tecnologia e a implementação de novas soluções de inteligência artificial para apoiar usuários do sistema e equipes responsáveis pelas análises.
Recordes da Lei do Bem
Os resultados de 2023 e 2024 consolidaram o melhor desempenho da história da Lei do Bem. Em apenas um ano, os investimentos privados em pesquisa e desenvolvimento cresceram de R$ 41,93 bilhões para R$ 51,59 bilhões, alta de 23% e aumento de R$ 9,66 bilhões. O período também registrou recordes de participação empresarial, com 4.252 empresas beneficiárias, e de projetos de inovação, que chegaram a 14.877 iniciativas em 2024. A expansão foi acompanhada pelo crescimento da utilização dos incentivos fiscais, cuja renúncia estimada alcançou R$ 11,98 bilhões, reforçando a Lei do Bem como o principal instrumento de estímulo à inovação empresarial no País.
Para o diretor do Departamento de Apoio aos Ecossistemas de Inovação (Depai) do MCTI, Hideraldo de Almeida, os resultados refletem a consolidação da política como o principal instrumento de estímulo à inovação no Brasil, incentivando empresas a investir em tecnologia, competitividade e desenvolvimento científico. “Para que essa política pública continue evoluindo com transparência, eficiência e segurança, é fundamental também modernizar os nossos mecanismos de gestão e acompanhamento”, disse.
Lei do Bem fortalece capital humano
Os resultados da Lei do Bem também refletem a ampliação da força de trabalho dedicada à inovação dentro das empresas brasileiras. Em 2024, 52.222 profissionais atuaram exclusivamente em atividades de pesquisa e desenvolvimento, número significativamente superior aos 34.291 profissionais registrados em 2023.
A maior parte desse contingente era formada por 35.242 graduados e 7.953 pós-graduados, além de 2.835 mestres e 1.454 doutores dedicados a atividades de pesquisa. A força de trabalho também contou com técnicos e tecnólogos responsáveis por ações ligadas a laboratórios, prototipagem e desenvolvimento tecnológico, evidenciando o papel da Lei do Bem na geração de empregos qualificados e no fortalecimento da capacidade científica das empresas brasileiras.
Os resultados de 2023 e 2024 consolidaram um novo patamar para a Lei do Bem. No período, a média anual de investimentos em pesquisa e desenvolvimento chegou a R$ 46,8 bilhões, quase o dobro da registrada entre 2019 e 2022. Com a modernização do FormP&D, o MCTI busca tornar o acompanhamento desses investimentos mais eficiente e aprimorar a produção de informações estratégicas para o desenvolvimento nacional.
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