Agro
Cunicultura cresce no Paraná e impulsiona exportações de carne de coelho
Crescimento da cunicultura no Paraná
A criação de coelhos, conhecida como cunicultura, tem ganhado espaço no Paraná, embora ainda opere em escala limitada diante do potencial de mercado. Segundo o Boletim Conjuntural divulgado pelo Departamento de Economia Rural (Deral), a atividade se destaca pela rapidez do ciclo produtivo, devido à alta taxa de reprodução dos animais.
“É um animal prolífero e de rápido crescimento, o que gera um rápido ciclo produtivo”, aponta o boletim.
Valor nutricional e diferenciais da carne de coelho
A carne de coelho se destaca por seu alto valor energético e baixos teores de colesterol, além de possuir 28% de proteína e 10,2% de gordura, índices superiores aos observados em frango, bovinos e suínos. Além da carne, a cunicultura permite o aproveitamento de peles, patas, esterco e filhotes para pet shops, ampliando as fontes de renda para os produtores.
Produção ainda complementar nas propriedades
Apesar do potencial, a maior parte das granjas desenvolve a atividade de forma complementar, mantendo pequenos plantéis junto a outras culturas ou criações. A produção atual atende, com dificuldade, o mercado interno, embora o mercado externo seja considerado significativo e promissor, especialmente em países como França, Itália e Espanha, onde o consumo de carne de coelho é mais elevado.
Evolução histórica e atual do plantel paranaense
O Deral aponta evolução na cunicultura ao longo dos anos:
- Censo Agropecuário 2006: 54.208 coelhos
- Levantamento IBGE 2017: 23.625 animais em 2.040 estabelecimentos
- Deral 2023: 27.181 animais e 183.198 kg de carne, gerando R$ 2,241 milhões
- Deral 2024: 24.170 animais e 145.660 kg de carne, renda de R$ 1,815 milhão
A produção está concentrada em Foz do Iguaçu, Francisco Beltrão e Dois Vizinhos, municípios que lideram tanto em número de animais quanto em volume abatido.
Expansão das exportações de carne de coelho
No mercado externo, o Brasil registrou forte crescimento das exportações em 2025. Segundo o Agrostat Brasil, foram embarcados 14.892 quilos, gerando receita de US$ 33.343, aumento de 145,5% em volume e 157,2% em valor em relação a 2024.
As vendas partiram de empresas localizadas na Bahia, Pará e Maranhão, com destino a países como Ilhas Marshall, Libéria, Singapura, Panamá e Noruega.
Potencial de expansão
Apesar da escala ainda limitada, a cunicultura reúne características favoráveis à expansão, especialmente diante da demanda crescente por proteína de qualidade e da diversificação de produtos de origem animal. O setor pode se tornar uma alternativa estratégica para pequenos e médios produtores do Paraná, combinando rentabilidade, ciclo produtivo rápido e mercado internacional promissor.
Fonte: Portal do Agronegócio
Agro
Cerrado Mineiro tem um dos melhores rendimentos dos últimos anos
A colheita do café arábica chegou a 99% nas propriedades acompanhadas pela Cooperativa dos Cafeicultores do Cerrado (Expocacer), no Cerrado Mineiro. Além do avanço dos trabalhos, o beneficiamento apresenta rendimento médio de 455 litros de café colhido para a formação de uma saca de 60 quilos, um dos melhores resultados registrados nos últimos anos.
O levantamento considera a situação das lavouras até 11 de setembro. Aproximadamente 90% da produção já passou pelo beneficiamento, etapa em que são retiradas a casca, a palha e as impurezas para obtenção dos grãos que serão classificados e comercializados.
O resultado de 455 litros por saca indica uma relação favorável entre o volume retirado da lavoura e a quantidade de café beneficiado. Quanto menor o volume de frutos necessário para formar uma saca de 60 quilos, melhor tende a ser o aproveitamento industrial da produção.
Esse rendimento ajuda a compensar parte dos custos da colheita, da secagem e do beneficiamento. Para o produtor, significa obter mais sacas comerciais a partir do mesmo volume colhido, embora o resultado financeiro também dependa da qualidade da bebida, da classificação dos grãos e dos preços negociados.
O Cerrado Mineiro reúne cerca de 4,5 mil produtores em 55 municípios e possui aproximadamente 255 mil hectares cultivados. A região produz, em média, 6 milhões de sacas por ano, equivalentes a 12,7% da produção brasileira, e comercializa café com mais de 30 países.
A cafeicultura regional também se diferencia pela Denominação de Origem Cerrado Mineiro, a primeira reconhecida para cafés no Brasil. O selo identifica produtos cultivados dentro da área delimitada e que atendem aos critérios de origem, rastreabilidade e qualidade.
A etapa final da colheita está concentrada principalmente no recolhimento dos frutos que caíram no chão. A Expocacer estima que esse café represente cerca de 30% do volume da safra. Aproximadamente 80% dessa parcela já foi recuperada.
O índice médio de catação, que representa a retirada de grãos defeituosos durante o beneficiamento, está próximo de 21%. O percentual foi influenciado justamente pela maior participação do café recolhido do chão, normalmente mais sujeito à umidade, fermentação e contato com impurezas.
As chuvas registradas entre os dias 5 e 9 de setembro impediram o encerramento completo da colheita. A umidade elevada do solo dificultou o tráfego das máquinas e interrompeu temporariamente o recolhimento em algumas propriedades. Como a maioria das áreas já concluiu o trabalho, o avanço do percentual restante ocorre de forma mais lenta.
As precipitações, por outro lado, estimularam a abertura das primeiras flores da próxima safra. A florada observada corresponde, em média, a 33% do potencial estimado para as lavouras acompanhadas pela cooperativa.
Nas áreas que produziram menos nesta temporada, a abertura das flores foi mais intensa e uniforme. Nas lavouras que sustentaram cargas elevadas, a florada apresentou menor intensidade, comportamento relacionado ao esforço realizado pelas plantas durante a formação da safra atual.
A continuidade das chuvas poderá favorecer uma segunda florada de proporção semelhante. O restante do potencial deve se distribuir entre outubro e novembro, conforme a disponibilidade de umidade e as condições de temperatura.
A abertura das flores é uma sinalização positiva, mas ainda não garante o tamanho da próxima produção. Para que se transformem em frutos, as lavouras precisarão de umidade suficiente durante o pegamento, a formação dos chumbinhos e o início da granação.
Com a safra atual praticamente recolhida, rendimento de beneficiamento favorável e as primeiras flores abertas, o Cerrado Mineiro encerra um ciclo e inicia outro. O acompanhamento das chuvas e o manejo nutricional e fitossanitário das lavouras serão decisivos para transformar o potencial observado agora em produção na próxima colheita.
Fonte: Pensar Agro
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