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Soja avança com suporte externo e melhora nas margens da indústria impulsionada por derivados

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O mercado da soja inicia a semana com viés positivo, sustentado por fatores internos e externos que combinam alta nas cotações internacionais e avanço nas margens de esmagamento. O cenário reflete a valorização dos derivados, a influência do petróleo e a cautela dos produtores diante das incertezas globais.

Margem de esmagamento cresce com apoio do óleo de soja

A margem de esmagamento da soja (“crush margin”) avançou na última semana no Brasil e nos Estados Unidos, conforme levantamento do Cepea.

No mercado brasileiro, o movimento foi impulsionado pela combinação entre a queda no custo da soja em grão e a valorização do óleo de soja. A demanda aquecida pelo derivado, especialmente por parte da indústria de biodiesel, tem sido determinante para ampliar a rentabilidade do setor.

O cenário ocorre em meio a preocupações com o abastecimento de combustíveis e especulações sobre possíveis paralisações no transporte rodoviário, o que intensifica a procura pelo óleo.

Farelo sustenta desempenho da indústria nos Estados Unidos

Nos Estados Unidos, o avanço da margem está diretamente ligado à valorização do farelo de soja, que voltou a operar nos níveis mais elevados desde 2024. Esse desempenho fortalece os resultados das indústrias de processamento no país.

Preço do grão segue pressionado, mas com suporte do produtor

Apesar do ambiente favorável para os derivados, os preços da soja em grão ainda enfrentam pressão de baixa no Brasil. Segundo o Cepea, a desvalorização do mercado externo e as oscilações cambiais reduzem a competitividade da oleaginosa brasileira.

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Além disso, contribuem para esse cenário:

  • O avanço da colheita no Brasil
  • As boas condições climáticas na Argentina
  • A expectativa de aumento da área plantada nos Estados Unidos

Ainda assim, a retração dos preços tem sido limitada pela postura cautelosa dos produtores, que priorizam o armazenamento da safra diante das incertezas logísticas e do cenário geopolítico.

Soja sobe na Bolsa de Chicago acompanhando derivados e grãos

No cenário internacional, os preços da soja abriram a semana em alta na Chicago Board of Trade (CBOT). Os contratos futuros avançaram entre 8 e 9 pontos, com o vencimento maio cotado a US$ 11,69 por bushel e julho a US$ 11,85.

O movimento acompanha a valorização de mercados correlacionados, como milho e trigo, além dos ganhos registrados no farelo e no óleo de soja.

Alta do petróleo reforça o complexo de commodities

A valorização do petróleo segue como um dos principais vetores de sustentação do mercado. As tensões no Oriente Médio mantêm os preços elevados, impactando diretamente commodities ligadas à cadeia energética, como o óleo de soja.

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Na manhã desta segunda-feira, o petróleo tipo Brent avançava cerca de 2%, a US$ 108,51 por barril, enquanto o WTI registrava alta de 0,5%, cotado a US$ 98,72.

Relações entre China e Estados Unidos seguem no radar

O ambiente geopolítico continua no centro das atenções, especialmente no que diz respeito às relações entre China e Estados Unidos.

O mercado acompanha a possibilidade de um encontro entre Donald Trump e Xi Jinping, que ainda não tem data definida.

Além disso, o primeiro-ministro chinês, Li Qiang, sinalizou a intenção de ampliar a abertura econômica do país, com foco no aumento das importações e no equilíbrio das relações comerciais.

Mercado combina fundamentos e movimento especulativo

A abertura da semana é marcada por um ambiente de ajuste de posições por parte dos fundos de investimento, que reagem ao cenário internacional ainda carregado de incertezas.

Dessa forma, o mercado da soja segue sustentado pela valorização dos derivados, pelo suporte externo e pela melhora nas margens industriais, mantendo um viés positivo no curto prazo, ainda que sensível às oscilações do cenário geopolítico e econômico global.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Brasil pode unificar rastreabilidade para blindar soja e carne à China e à União Europeia

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A integração dos sistemas utilizados para comprovar a origem da soja e da carne bovina pode reduzir custos, evitar auditorias repetidas e fortalecer o acesso dos produtos brasileiros aos mercados da China e da União Europeia. A proposta consta de um estudo divulgado pelo WRI Brasil, que identificou 21 iniciativas públicas e privadas de rastreabilidade e controle ambiental em funcionamento no País, mas com critérios, bancos de dados e formas de verificação diferentes.

O WRI Brasil não é um órgão público nem representa produtores ou empresas do agronegócio. Trata-se de uma associação privada sem fins lucrativos e de pesquisa ambiental, integrante do World Resources Institute, organização internacional fundada nos Estados Unidos em 1982. A instituição atua em mais de 50 países e desenvolve estudos sobre clima, florestas, cidades, alimentos e uso da terra, em parceria com governos, empresas, universidades e organizações da sociedade civil.

Por isso, o protocolo sugerido pelo instituto não tem força de lei, não substitui a fiscalização brasileira e tampouco cria uma certificação obrigatória. A proposta funciona como uma recomendação técnica para aproximar ferramentas que já existem, mas ainda não conversam adequadamente entre si.

O problema identificado está na fragmentação. Uma plataforma verifica a situação ambiental da propriedade; outra acompanha a movimentação dos animais; uma terceira atende a determinado comprador ou certificação. Também existem diferenças nas datas utilizadas para delimitar o desmatamento, no tratamento dos fornecedores indiretos e nos critérios de bloqueio de propriedades.

Na prática, uma mesma fazenda pode estar regular perante a legislação brasileira e, ainda assim, não atender ao protocolo privado de uma empresa ou à exigência ambiental de determinado mercado. Para o produtor, isso significa fornecer informações semelhantes várias vezes, contratar auditorias diferentes e enfrentar dúvidas sobre qual padrão será aceito no momento da venda.

A proposta ganha relevância pelo tamanho das duas cadeias. O Brasil colheu 180,6 milhões de toneladas de soja na safra 2025/26 e poderá exportar 116,3 milhões de toneladas, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento. Na pecuária, o País possui o maior rebanho comercial do mundo, produz mais de 11 milhões de toneladas de carne bovina por ano e ocupa a liderança global nas exportações.

A China está no centro dessa discussão. O país asiático comprou R$ 282 bilhões em produtos do agronegócio brasileiro em 2025, considerando o câmbio de R$ 5,10, e respondeu por quase um terço de toda a receita externa do setor. O mercado chinês recebe a maior parte da soja exportada pelo Brasil e aproximadamente metade da carne bovina embarcada pelo País.

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Embora a China ainda não tenha uma legislação equivalente ao regulamento europeu contra o desmatamento, compradores, instituições financeiras e grandes empresas chinesas vêm ampliando as exigências de origem e conformidade ambiental. O estudo sustenta que Brasil e China poderiam construir um referencial comum antes que diferentes compradores estabeleçam critérios próprios e aumentem a burocracia.

Na União Europeia, a pressão já está formalizada. O Regulamento Europeu sobre Produtos Livres de Desmatamento, conhecido pela sigla EUDR, determina que soja, gado, café, cacau, madeira, borracha e óleo de palma, além de produtos derivados, somente poderão entrar no bloco quando houver comprovação de que não foram produzidos em áreas desmatadas depois de 31 de dezembro de 2020.

A regra começará a valer em 30 de dezembro de 2026 para grandes e médias empresas. A maioria das micro e pequenas terá até 30 de junho de 2027. O importador europeu será o responsável legal pela declaração, mas dependerá de informações fornecidas pela cadeia brasileira, como a localização geográfica da propriedade e a documentação necessária para demonstrar a origem do produto.

Esse é um dos pontos de maior atrito com o setor produtivo. O EUDR não considera apenas se o desmatamento foi legal ou ilegal segundo o Código Florestal brasileiro. Mesmo uma supressão de vegetação autorizada pelas autoridades nacionais, se realizada após a data de corte europeia, pode tornar o produto inelegível para aquele mercado.

No caso da soja, a rastreabilidade precisa chegar à propriedade onde o grão foi cultivado. A dificuldade aparece quando cargas de diferentes fazendas são reunidas em armazéns, cooperativas, cerealistas e tradings. A proposta é integrar documentos fiscais, cadastros ambientais, localização das áreas produtoras e registros comerciais, preservando a identificação da origem mesmo depois da mistura física do produto.

Na pecuária, o desafio é maior. Um bovino pode nascer em uma propriedade, passar pela recria em outra e ser terminado em uma terceira antes de chegar ao frigorífico. Atualmente, a indústria consegue fiscalizar com maior facilidade o fornecedor direto, responsável por entregar o animal para abate, mas nem sempre possui visibilidade completa das fazendas anteriores.

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A Guia de Trânsito Animal registra a movimentação dos lotes, enquanto o Sistema Brasileiro de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos permite acompanhar animais individualmente em cadeias que exigem esse controle. A adesão ao sistema individual, entretanto, ainda não alcança todo o rebanho nacional.

O governo iniciou a implantação do Plano Nacional de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos, com execução prevista até 2032. A recomendação do estudo é que frigoríficos e compradores avancem desde já no controle dos fornecedores indiretos, sem esperar a identificação obrigatória de todos os animais.

A carne brasileira ainda enfrenta outro impasse com a União Europeia, que não deve ser confundido com o EUDR. Além da origem ambiental, o bloco exige garantias sobre o controle de determinados antimicrobianos durante todo o ciclo de vida dos animais. A Comissão Europeia anunciou a retirada do Brasil da lista de países autorizados a fornecer carnes e outros produtos de origem animal a partir de 3 de setembro de 2026, caso não considere suficientes as garantias apresentadas.

O governo brasileiro sustenta que possui um sistema oficial confiável e que somente certificará produtos que cumprirem integralmente as exigências europeias. O ponto de divergência é a cobrança de uma comprovação prévia para medidas implementadas progressivamente ao longo do ciclo produtivo. Na avicultura, esse ciclo pode ser concluído em cerca de 40 dias; na bovinocultura, a formação de animais plenamente elegíveis pode levar dois anos ou mais.

Assim, a carne brasileira enfrenta duas frentes distintas na Europa: a ambiental, relacionada ao desmatamento e à rastreabilidade da propriedade de origem; e a sanitária, ligada ao uso de antimicrobianos durante a vida do animal. A unificação dos sistemas proposta pelo WRI ajudaria principalmente na primeira frente. Para o produtor, o resultado dependerá de como essa integração será implementada, de quem pagará pela adaptação e de sua capacidade de reduzir burocracia, em vez de acrescentar uma nova camada de exigências ao campo.

Fonte: Pensar Agro

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