Agro
Trigo abre semana em queda em Chicago, mas clima e oferta global podem redefinir tendência do mercado
O mercado internacional de trigo iniciou a semana sob pressão nas bolsas, refletindo vendas de fundos, cenário macroeconômico incerto e uma oferta global considerada confortável no curto prazo. Apesar disso, fatores estruturais, como o clima adverso em regiões produtoras e a perspectiva de menor produção mundial, podem alterar o rumo das cotações nos próximos meses.
Futuros do trigo iniciam semana em queda na CBOT
Os contratos futuros de trigo começaram a sessão desta segunda-feira (23) em baixa na Chicago Board of Trade (CBOT), mantendo o movimento negativo observado nos últimos pregões.
Na abertura, o contrato maio/26 era cotado a US$ 5,86 por bushel, com recuo de 8 pontos. O julho/26 operava a US$ 5,99/bu, com queda de 7 pontos, enquanto o setembro/26 registrava US$ 6,13/bu, também com baixa de 7 pontos.
O desempenho reflete a continuidade das vendas no mercado internacional e a ausência de fatores imediatos que sustentem uma recuperação mais consistente dos preços.
Pressão de fundos e cenário externo limitam altas
O mercado global segue reagindo a uma dinâmica de oferta relativamente confortável entre os principais exportadores, o que limita avanços mais expressivos nas cotações.
A liquidação de posições por fundos de investimento tem contribuído para a queda dos preços, enquanto o fortalecimento do dólar aumenta a competitividade do trigo europeu e reduz a demanda pelo produto norte-americano.
As exportações dos Estados Unidos permanecem abaixo do esperado, reforçando o viés baixista no curto prazo.
Clima nos Estados Unidos segue como fator de atenção
Apesar da pressão recente, o clima nos Estados Unidos continua sendo um dos principais pontos de atenção do mercado.
Atualmente, cerca de 55% das áreas de trigo de inverno enfrentam algum grau de seca, índice superior ao registrado no mesmo período do ano passado. A previsão de chuvas abaixo da média em regiões produtoras importantes também eleva a preocupação com o desenvolvimento das lavouras.
Caso esse cenário persista ou se intensifique, o impacto na produtividade pode reduzir a oferta e sustentar os preços no médio prazo.
Produção global menor pode dar suporte ao mercado
No cenário internacional, projeções do International Grains Council indicam produção de aproximadamente 822 milhões de toneladas na safra 2026/27, volume inferior ao ciclo anterior.
A perspectiva de menor oferta global reforça a possibilidade de sustentação dos preços, especialmente se a demanda permanecer firme.
Além disso, os custos de produção mais elevados podem limitar o investimento nas lavouras ou reduzir a área plantada tanto no Hemisfério Norte quanto no Sul, contribuindo para um cenário de oferta mais ajustada.
Geopolítica e safra russa entram no radar
As tensões geopolíticas em regiões estratégicas continuam impactando o comércio global de grãos, com possíveis efeitos sobre logística e fluxo de exportações.
Outro ponto de atenção é a expectativa de uma safra menor na Rússia, um dos principais exportadores mundiais de trigo, fator que pode influenciar o equilíbrio entre oferta e demanda global.
Chuvas e safra argentina reforçam oferta no curto prazo
Por outro lado, fatores positivos do lado da oferta ajudam a manter a pressão sobre os preços.
A previsão de boas chuvas para o trigo de primavera nos Estados Unidos melhora as perspectivas produtivas. Além disso, a expectativa de uma safra robusta na Argentina amplia a disponibilidade global do cereal.
Esse cenário reforça a competitividade entre os grandes exportadores e mantém o mercado volátil no curto prazo.
Mercado brasileiro segue com baixa liquidez
No Brasil, o mercado físico de trigo apresenta ritmo lento de negociações. De acordo com análises da Safras & Mercado, compradores e vendedores mantêm postura cautelosa.
Os moinhos estão abastecidos no curto prazo, enquanto os produtores seguem retraídos, aguardando melhores condições de preço. Esse comportamento reduz a liquidez e mantém as cotações relativamente estáveis, mesmo diante das oscilações externas.
Câmbio e cenário externo devem guiar negociações
O início da semana reforça um ambiente de atenção para o produtor brasileiro. O mercado internacional ainda não apresenta uma direção definida no curto prazo, enquanto o câmbio e o comportamento das bolsas globais continuam sendo determinantes para o ritmo das negociações internas.
Diante desse contexto, fatores como clima no Hemisfério Norte, movimentação dos fundos e condições da oferta global devem seguir no centro das atenções e definir o rumo do mercado de trigo nas próximas semanas.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
Agro
Safra de trigo no Rio Grande do Sul deve cair em 2026 com impacto do El Niño e custos elevados
A safra de trigo no Rio Grande do Sul deve registrar nova retração em 2026, em meio a um cenário de custos elevados, menor atratividade econômica e aumento da percepção de risco climático associado ao fenômeno El Niño. A semeadura já teve início no Estado, acompanhando a abertura do Zoneamento Agrícola de Risco Climático (ZARC) para as principais cultivares.
De acordo com o Informativo Conjuntural da Emater/RS-Ascar, o cenário inicial indica redução significativa da área cultivada em relação ao ciclo anterior, com impacto direto sobre o planejamento das lavouras.
Avanço inicial do plantio ocorre com limitações de umidade
As condições de tempo seco têm favorecido operações de manejo da resteva, dessecação e preparo de solo, permitindo o avanço inicial da implantação das lavouras. No entanto, a baixa umidade do solo em diversas regiões tem dificultado a germinação e emergência das primeiras áreas semeadas, levando produtores a aguardarem chuvas mais regulares.
Na safra anterior, o Estado cultivou 1,16 milhão de hectares de trigo, com produção de 3,45 milhões de toneladas e produtividade média de 2.968 kg/ha, segundo dados do IBGE.
Fatores econômicos e climáticos pressionam decisão dos produtores
Segundo a Emater/RS-Ascar, a expectativa de redução da área está ligada a três fatores principais: custos elevados de produção, baixa rentabilidade do cereal e maior percepção de risco climático durante o inverno e a primavera.
Mesmo com esse cenário, parte dos produtores tem optado por antecipar a semeadura em áreas sem financiamento ou seguro rural, buscando posicionar fases críticas da cultura, como florescimento e enchimento de grãos, fora dos períodos de maior intensidade de chuvas da primavera.
Regiões gaúchas apresentam comportamento desigual na safra
Na Fronteira Oeste, municípios como Manoel Viana e São Borja registram avanço lento da semeadura. Em Manoel Viana, produtores já possuem insumos e áreas preparadas, mas aguardam precipitações para melhorar a umidade do solo. Em São Borja, cresce o número de desistências do cultivo, impulsionado pela combinação entre incertezas climáticas, custos elevados e exigências de qualidade.
Na região da Campanha, produtores seguem aproveitando o tempo seco para preparo do solo, com expectativa de início mais intenso do plantio no fim de junho.
Na Serra Gaúcha, a semeadura ainda não começou. Em Caxias do Sul, o plantio deve ocorrer entre a segunda quinzena de junho e início de julho, enquanto nos Campos de Cima da Serra a concentração das atividades ocorre ao longo de julho. A estimativa regional aponta retração de aproximadamente 30% da área cultivada.
Já na regional de Frederico Westphalen, a projeção inicial indica redução próxima de 20% na área plantada.
Avanço da semeadura ainda é pontual em algumas regiões
Em Ijuí, cerca de 7% da área projetada já foi semeada. As sementes encontram-se em fase de embebição, sem emergência observada até o momento. O avanço foi favorecido pelo início do período recomendado pelo zoneamento e por melhores condições operacionais do solo, além da continuidade dos trabalhos de dessecação para controle de plantas espontâneas.
Na regional de Santa Rosa, a semeadura atinge cerca de 6% da área prevista, concentrada principalmente em lavouras sem financiamento ou cobertura de seguro rural. A expectativa de menor incidência de geadas também tem estimulado a antecipação do plantio.
Em Soledade, a projeção é de redução superior a 30% da área cultivada, com cerca de 7% já semeada até o momento.
Mudanças estruturais e migração de culturas
O boletim da Emater destaca ainda mudanças no perfil produtivo regional. Empresas do setor energético vêm incentivando o cultivo de grãos voltados à produção de etanol, o que tem estimulado a substituição parcial do trigo destinado à indústria alimentícia.
Além disso, a baixa disponibilidade de crédito e menor acesso a sementes fiscalizadas têm levado ao aumento do uso de sementes salvas e recursos próprios, reforçando a tendência de redução da área cultivada.
Em algumas regiões, produtores também têm migrado para culturas alternativas como canola, carinata, linhaça e painço, diante da maior previsibilidade econômica dessas atividades.
Tendência de retração marca safra 2026
A combinação entre fatores climáticos, econômicos e estruturais reforça a expectativa de retração da safra de trigo no Rio Grande do Sul em 2026. Mesmo com o início do plantio dentro do período recomendado pelo ZARC, o cenário aponta para uma reconfiguração da cultura no Estado, com menor área e maior seletividade produtiva.
A evolução das chuvas nas próximas semanas e o comportamento do mercado serão determinantes para o ritmo final da semeadura e para o tamanho efetivo da safra gaúcha.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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