Brasil
Conama aprova resolução para resgate de abelhas-sem-ferrão em áreas de supressão de vegetação
O Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) aprovou, nesta quarta-feira (11/3), resolução que orienta o resgate de colônias de abelhas nativas sem ferrão em áreas autorizadas para supressão de vegetação nativa. A deliberação ocorreu durante a 149ª reunião ordinária do plenário, realizada na sede do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), em Brasília (DF), com a presença da ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva.
A norma estabelece a obrigatoriedade do resgate de colmeias em áreas onde haja autorização para supressão de vegetação, com a realização de busca ativa antes e durante as atividades. O texto também define critérios técnicos para a execução do procedimento, incluindo a atuação de equipe especializada, identificação, registro e georreferenciamento dos ninhos encontrados.
Após o resgate, as colônias deverão ter destinação ambiental adequada, podendo ser realocadas em áreas de conservação, meliponários licenciados ou instituições de pesquisa. A medida busca mitigar os impactos da remoção da vegetação nativa sobre as abelhas-sem-ferrão em todos os biomas brasileiros.
Na ocasião, a ministra Marina Silva destacou a importância do colegiado para a governança ambiental no país. “Esse conselho é fundamental para o Sistema Nacional de Meio Ambiente, que celebrou ontem seus 45 anos. O Conama tem dado grandes contribuições tanto na formulação quanto na implementação de políticas e marcos regulatórios ambientais”, afirmou.
“A política ambiental é um grande desafio, principalmente neste contexto geopolítico difícil e diatópico que estamos vivendo, mas o caminho é esse: continuar trabalhando, dando resultados e liderando pelo exemplo”, pontuou a ministra.
“A resolução também integra as homenagens aos 45 anos do Sisnama e ao professor Paulo Nogueira Neto, patrono do sistema e um dos maiores estudiosos de abelhas nativas”, lembrou o secretário-executivo do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), João Paulo Capobianco.
A secretária nacional de Biodiversidade, Florestas e Direitos Animais do MMA, Rita Mesquita, enfatizou que a resolução responde à necessidade de proteger espécies fundamentais para o equilíbrio dos ecossistemas. “A resolução surgiu de uma preocupação com os impactos que temos observado com a diminuição significativa das espécies de abelhas-sem-ferrão. Elas desempenham papel essencial na natureza, especialmente na polinização e na produção de frutos”, ressaltou.
Qualidade do Ar
Outro ponto deliberado foi a reestruturação do Programa Nacional de Controle da Qualidade do Ar (Pronar). A resolução atualiza as definições e conceitos com a Política Nacional de Qualidade do Ar (PNQAr) e reforça o Pronar como principal programa de controle da poluição do ar, sob coordenação do MMA, em articulação com os demais órgãos do Sisnama.
O novo marco também integra, em um mesmo instrumento, os mecanismos previstos em lei que orientam políticas, planos e ações nas três esferas de governo. Entre eles estão a Rede Nacional de Monitoramento da Qualidade do Ar, o Sistema Nacional de Gestão da Qualidade do Ar (MonitorAr), as Regiões de Controle da Qualidade do Ar, os inventários de emissões atmosféricas e os planos de gestão e de resposta a episódios críticos de poluição do ar.
“Esse tema é extremamente relevante do ponto de vista ambiental, de saúde e social. É uma política que impacta a todos, mas tem efeitos ainda mais significativos nas comunidades mais vulneráveis”, avaliou o secretário nacional de Meio Ambiente Urbano, Recursos Hídricos e Qualidade Ambiental do MMA, Adalberto Maluf.
A pauta também incluiu a aprovação de duas moções de apoio. Uma delas defende o fortalecimento de medidas e mecanismos emergenciais para ampliar a segurança de barragens de acumulação, incluindo a avaliação adequada de rejeitos, sedimentos e resíduos minerais e industriais nelas depositados, com o objetivo de prevenir riscos de contaminação e reduzir impactos sobre comunidades, trabalhadores, recursos naturais e saúde pública.
Outra moção manifestou apoio à conservação da Serrinha do Paranoá, localizada na Área de Proteção Ambiental (APA) Federal do Planalto Central.
Desmatamento e COP15
Durante o encontro, também foram apresentados dados atualizados sobre o desmatamento no país. A taxa de desmatamento na Amazônia registrou queda de 11,08% entre agosto de 2024 e julho de 2025, alcançando o menor índice em 11 anos. No mesmo período, o Cerrado apresentou redução de 11,49%. Em comparação com 2022, a queda acumulada em 2025 foi de 50% na Amazônia e de 32% no Cerrado, segundo o sistema Prodes do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).
Outro destaque foi a apresentação sobre a 15ª Conferência das Partes da Convenção sobre a Conservação das Espécies Migratórias de Animais Silvestres (COP15 da CMS), a ser realizada em Campo Grande (MS), de 23 a 29 de março. A conferência é presidida pelo secretário-executivo do MMA, João Paulo Capobianco.
A COP15 reunirá representantes de governos, cientistas, organizações internacionais e sociedade civil. As 133 partes signatárias da convenção irão avaliar a situação das espécies migratórias, definir prioridades para os próximos anos e deliberar sobre políticas e ações voltadas à conservação da biodiversidade (saiba mais aqui).
Estiveram presentes no encontro o presidente do Ibama, Rodrigo Agostinho, e o secretário extraordinário de Controle do Desmatamento e Ordenamento Ambiental Territorial do MMA, André Lima.
Consulta Pública
Também estão disponíveis para consulta pública duas propostas de resolução do Conama. A primeira estabelece critérios básicos e diretrizes gerais para a regulamentação de grandes geradores de resíduos sólidos em âmbito municipal. A segunda trata da inclusão da fase MAR-II no Programa de Controle da Poluição do Ar por Veículos Automotores (Proconve). As contribuições podem ser enviadas até 22 de abril.
Acesse aqui e participe.
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Brasil
MME realiza workshop estratégico sobre Agri-PV e lança atualização de estudo inédito no Brasil
O Ministério de Minas e Energia (MME), em cooperação com a Parceria Energética Brasil-Alemanha (GIZ), realizou nesta terça-feira (2/6) o Workshop Estratégico “Explorando o Potencial Agri-PV: Um novo horizonte para a agricultura e energia sustentável no Brasil”. O evento marcou o lançamento da Versão 2.0 do estudo técnico “Sistemas Agrivoltaicos no Brasil: Estudo de potencial e viabilidade técnico-econômicos”.
O encontro teve como foco consolidar recomendações práticas, identificar barreiras e propor políticas públicas para o avanço da tecnologia agrivoltaica (Agri-PV) no país. A solução integra a geração de energia solar fotovoltaica à produção agrícola em uma mesma área, promovendo o uso eficiente da terra, o desenvolvimento rural sustentável e a diversificação da renda no campo, com potencial para beneficiar especialmente a agricultura familiar.
A diretora do Departamento de Transição Energética do MME, Karina Araújo, destacou que o workshop evidencia a importância da articulação entre diferentes setores e reforça o compromisso do MME com a construção coletiva dessa iniciativa.
“O agrivoltaico representa um novo horizonte para o Brasil ao integrar produção agrícola, energia limpa e inclusão social. O engajamento do governo, da academia, do setor produtivo e do setor financeiro demonstra a força dessa estratégia. O MME está comprometido em construir, de forma conjunta, os caminhos para superar desafios e transformar o Brasil em uma referência global” , afirmou Karina.
A programação contou ainda com o painel “Agri-PV no Brasil – implicações, desafios e caminhos para implementação”, que reuniu representantes do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), do Ministério da Fazenda (MF) e do Banco do Nordeste.
O workshop também promoveu sessões temáticas dedicadas aos aspectos tecnológicos, regulatórios, modelos de negócios e capacitação. As contribuições consolidadas durante os trabalhos servirão de subsídio para as próximas etapas de desenvolvimento do setor no país.
Estudo atualizado amplia análise sobre potencial da tecnologia
Publicada originalmente no final de 2025, a nova versão do estudo aprofunda o mapeamento do estado da arte dos sistemas agrivoltaicos no Brasil e no cenário internacional. O documento evidencia as condições favoráveis para a expansão da tecnologia em território nacional, considerando a elevada irradiação solar e a ampla disponibilidade de áreas agrícolas
Entre os principais destaques da nova versão estão:
- Mapeamento de Projetos: A identificação detalhada de mais de 13 projetos-piloto já existentes no Brasil, como o projeto Ecolume (PE), Aldeia Pankará (PE) e iniciativas em universidades como UFAL e UFSC.
- Estudo de Caso na Amazônia: Uma análise econômica aprofundada da Associação dos Produtores Orgânicos de Iranduba (APOI), no Amazonas. O estudo comprova a viabilidade técnica e financeira da implantação de sistemas agrivoltaicos para famílias de agricultores e uma cozinha industrial, apresentando indicadores altamente positivos (como uma Taxa Interna de Retorno de 24,41% e payback de menos de 8 anos).
- Oportunidades de Financiamento: Uma revisão abrangente e atualizada das linhas de crédito disponíveis para impulsionar a tecnologia no país, incluindo PRONAF Bioeconomia, FNE SOL, FNO Rural Verde e BNDES Finame Baixo Carbono.
- Análise SWOT: Um detalhamento das forças, fraquezas, oportunidades e ameaças, ressaltando que, embora o Brasil tenha um setor solar consolidado, ainda enfrenta desafios regulatórios e necessidade de capacitação técnica.
Acesse aqui a Versão 2.0 do estudo.
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