Agro
Mercado de Milho Mantém Cautela no Sul e Apresenta Alta nos Futuros
O mercado de milho brasileiro segue com comportamento misto, marcado por negociações pontuais no Sul do país e valorização nos contratos futuros em meio à atenção do setor às condições climáticas e à oferta global.
Região Sul: Liquidez Restrita e Postura Defensiva
No Rio Grande do Sul, o mercado permanece cauteloso, com compradores priorizando estoques próprios e produtores avançando nas vendas de forma gradual. Segundo a TF Agroeconômica, as cotações variam entre R$ 54,00 e R$ 72,00 por saca, enquanto o preço médio estadual, apurado pela Emater, recuou 0,89%, de R$ 59,34 para R$ 58,81 por saca. Nas lavouras mais tardias, o clima ainda impõe restrições pontuais, apesar das chuvas recentes. Há registro de presença de cigarrinha, monitorada nas áreas afetadas.
Em Santa Catarina, o mercado segue com liquidez limitada e desalinhamento entre pedidas e ofertas. As indicações de venda giram em torno de R$ 75,00 por saca, enquanto compradores se posicionam perto de R$ 65,00. No Planalto Norte, os negócios variam entre R$ 70,00 e R$ 75,00, com oferta ajustada e retenção de estoques sustentando as pedidas, enquanto a demanda industrial atua no curtíssimo prazo.
No Paraná, a colheita avança, mas o mercado permanece lento. Pedidas rondam R$ 70,00 por saca, frente a ofertas de compra ao redor de R$ 60,00 CIF, com variação regional, como em Maringá (R$ 65,69) e Cascavel (R$ 51,81). Chuvas recentes favoreceram áreas recém-implantadas, segundo o DERAL.
Em Mato Grosso do Sul, o mercado apresenta leve recuperação, com preços entre R$ 53,00 e R$ 56,00 por saca, com absorção parcial da oferta pelo setor de bioenergia, embora as negociações sigam seletivas.
Futuros do Milho Registram Alta em Chicago e na B3
Na Bolsa de Chicago (CBOT), os contratos futuros do milho iniciaram a sexta-feira (27) em campo positivo. Por volta das 10h35 (horário de Brasília), o vencimento março/26 era cotado a US$ 4,38 (+4,75 pontos), maio/26 a US$ 4,47 (+3,75 pontos), julho/26 a US$ 4,55 (+3,75 pontos) e setembro/26 a US$ 4,55 (+2,75 pontos).
Apesar de dados de exportação pouco animadores do USDA, com vendas semanais de apenas 27,5 milhões de bushels e queda de 56% na safra antiga em relação à média das quatro semanas anteriores, analistas apontam que o volume anual de exportações ainda deve atingir níveis recordes. Ben Potter, da Farm Futures, destaca que uma semana “ruim” não compromete o desempenho anual, com vendas de 2025/26 já em 1,509 bilhão de bushels.
No mercado interno, os contratos futuros na B3 também operavam em alta na sexta-feira. Por volta das 10h49, os preços variavam entre R$ 68,43 e R$ 71,59. O vencimento março/26 era cotado a R$ 71,59 (+0,20%), maio/26 a R$ 70,85 (+0,08%), julho/26 a R$ 68,67 (+0,04%) e setembro/26 a R$ 68,43 (+0,19%).
Influência do Clima e do Setor de Biocombustíveis
O mercado de milho segue atento às condições climáticas, especialmente no Centro-Oeste, onde o excesso de chuvas pode reduzir a janela ideal para o plantio da safrinha, influenciando decisões de compra. No Sul, produtores concentram-se nos trabalhos de campo e portos e indústrias ajustam ofertas para recompor estoques.
A atenção ao setor de biocombustíveis também impacta os preços, com possíveis realocações de volumes não utilizados por refinarias menores isentas da obrigatoriedade de mistura de E-15, o que pode representar redistribuição de até 50% do milho destinado a esse segmento.
No fechamento da quinta-feira na B3, o contrato março/26 encerrou a R$ 71,45 (+R$ 0,91 no dia), maio/26 a R$ 70,79 (+R$ 0,69) e julho/26 a R$ 68,64 (+R$ 0,21), refletindo a atenção do mercado às condições de clima e oferta.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
Agro
SindArroz-SC alerta que importação em cenário de superoferta ameaça mercado do arroz brasileiro
O avanço das importações de arroz em um momento de ampla oferta interna preocupa o setor orizícola brasileiro. Para o Sindicato das Indústrias de Arroz de Santa Catarina, a entrada adicional do grão em um cenário de produção suficiente para abastecer o mercado nacional pode comprometer o escoamento da safra brasileira e ampliar os prejuízos ao produtor e à indústria.
A entidade defende que as decisões relacionadas à importação sejam baseadas em critérios técnicos e planejamento estratégico de longo prazo, evitando desequilíbrios em períodos de superoferta.
Brasil mantém autossuficiência na produção de arroz
Dados da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária apontam que o Brasil lidera a produção de arroz no Mercosul e responde sozinho por 37,4% de toda a produção de arroz da América Latina e Caribe na safra 2024/25.
No ciclo atual, a produção brasileira alcançou 10,6 milhões de toneladas, volume suficiente para atender o consumo interno, estimado em cerca de 10,5 milhões de toneladas anuais.
Além de ocupar a liderança regional em área colhida, o país também se destaca pela produtividade das lavouras, consolidando sua posição como principal produtor de arroz da região.
Superoferta pressiona preços e reduz rentabilidade do setor
Segundo o presidente do SindArroz-SC, Walmir Rampinelli, a importação em períodos de elevada oferta interna aumenta a pressão sobre os preços e prejudica a competitividade da cadeia produtiva nacional.
De acordo com a entidade, produtores e indústrias brasileiras enfrentam custos tributários e operacionais superiores aos praticados por concorrentes estrangeiros, o que dificulta a disputa de mercado em momentos de excesso de oferta.
O setor afirma que esse cenário pode provocar descapitalização de produtores e indústrias, comprometendo investimentos e reduzindo a capacidade financeira da cadeia orizícola para as próximas safras.
Importação segue necessária em situações excepcionais
Apesar das críticas ao aumento das importações em períodos de superoferta, o SindArroz-SC reconhece que a compra externa de arroz é importante em situações emergenciais, principalmente quando eventos climáticos extremos afetam regiões produtoras e colocam em risco o abastecimento nacional.
Nesses casos, a importação atua como instrumento de equilíbrio do mercado e de garantia da segurança alimentar da população.
Para a entidade, o desafio está em construir mecanismos de gestão que permitam previsibilidade e equilíbrio entre oferta, demanda e abastecimento.
Planejamento integrado é apontado como solução
O sindicato defende a criação de um planejamento multi-institucional envolvendo produtores, indústrias, entidades representativas e órgãos públicos estaduais e federais.
A proposta é desenvolver estratégias que permitam ajustar a oferta de arroz ao consumo interno, evitando tanto a superoferta quanto a escassez do produto no mercado brasileiro.
Segundo Rampinelli, oscilações extremas prejudicam toda a cadeia produtiva.
“Quando há excesso de oferta, o produtor perde renda e compromete a próxima safra. Já em períodos de escassez, o consumidor enfrenta preços elevados e dificuldade de acesso ao alimento”, afirma.
Diversificação agrícola ganha força no debate
Além do controle equilibrado das importações, o SindArroz-SC também defende políticas de incentivo à diversificação das culturas agrícolas.
A entidade sugere que o Companhia Nacional de Abastecimento utilize dados de produção e consumo para orientar o planejamento agrícola nacional e estimular o remanejamento de áreas para outras culturas estratégicas.
Segundo o sindicato, programas de subsídios e incentivos poderiam ajudar produtores a diversificar a produção, reduzindo riscos econômicos, evitando excedentes e fortalecendo a segurança alimentar do país.
O objetivo, segundo a entidade, é construir um modelo mais equilibrado para o setor, garantindo renda ao produtor, estabilidade ao mercado e oferta regular de alimentos ao consumidor brasileiro.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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