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Safra de Soja 2026 Enfrenta Pressão Logística e Volatilidade no Mercado Internacional

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A colheita da soja no Brasil avança de forma desigual, refletindo desafios logísticos, variações de preços regionais e influência de fatores internacionais. A combinação de safra recorde, gargalos de escoamento e volatilidade no mercado externo mantém os produtores em alerta.

Pressão logística e impactos nos preços da soja

No Paraná, a safra recorde tem pressionado a infraestrutura local. Silos estão lotados e filas se formam na BR-277, em direção ao porto de Paranaguá, provocando ajustes nos preços. Em Cascavel, a saca de 60 quilos opera a R$ 116,00, enquanto em Ponta Grossa os valores apresentam queda mais acentuada.

No Rio Grande do Sul, a colheita começou oficialmente, atingindo 2% da área plantada, segundo a Emater/RS-Ascar. Apesar das chuvas recentes que ajudaram a interromper perdas em algumas regiões, áreas como Fronteira Oeste e Missões registraram quebras irreversíveis devido ao calor extremo. Preços no interior variam entre R$ 117,00 e R$ 129,00, dependendo do ponto de escoamento.

Em Santa Catarina, a demanda das indústrias de proteína animal mantém o mercado estável. No porto de São Francisco do Sul, a saca chega a R$ 130,00, com ligeira valorização em relação ao dia anterior.

No Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, a colheita segue mais lenta, com apenas 6,2% da área colhida no estado sul-mato-grossense. Em Dourados, a soja recua para R$ 111,00, enquanto em Rondonópolis (MT) o preço se mantém em R$ 107,00. O elevado custo do frete, acima de R$ 500 por tonelada em algumas rotas, compromete a rentabilidade do produtor, mesmo diante de safra volumosa.

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Comercialização lenta mantém preços estáveis no Brasil

A comercialização da soja no país apresenta baixa velocidade nesta fase inicial de safra. Segundo Rafael Silveira, analista da Safras & Mercado, a baixa oferta e a retenção de soja pelo produtor mantêm o mercado físico e portuário em ritmo contido.

No interior, pequenas variações nos preços foram registradas: Passo Fundo (RS) passou de R$ 121,00 para R$ 122,00, e Santa Rosa (RS) subiu de R$ 122,00 para R$ 123,00. No Paraná, Cascavel se manteve em R$ 117,00, enquanto Paranaguá avançou para R$ 128,00 por saca. No Rio Grande do Sul, Rio Grande recuou de R$ 130,00 para R$ 129,00.

O dólar, cotado próximo de R$ 5,15, exerce influência limitada na formação de preços, enquanto os prêmios permanecem praticamente estáveis.

Bolsa de Chicago reage a clima e geopolítica

Internacionalmente, a Bolsa de Mercadorias de Chicago apresenta volatilidade. Nesta quinta-feira (26), os contratos de soja testaram altas entre 2 e 4,5 pontos, com o vencimento maio cotado a US$ 11,69 por bushel, refletindo preocupações com o clima na América do Sul e a situação geopolítica, especialmente a relação entre Estados Unidos e China.

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O mercado reage à falta de chuvas em regiões do sul do Brasil e na Argentina, que compromete o potencial produtivo, enquanto o excesso de precipitação atrasa colheitas e dificulta a qualidade do grão. A expectativa por um possível aumento da demanda americana para biodiesel também ajuda a sustentar os preços.

No entanto, o fechamento da quinta-feira registrou leve baixa no contrato de março, recuando 0,04%, e o vencimento maio caiu 0,13%, refletindo a demanda enfraquecida e as incertezas comerciais entre EUA e China. No mercado de derivados, o farelo recuou 0,22%, enquanto o óleo avançou 1,71% após forte alta na sessão anterior.

Perspectivas para a safra 2026

A combinação de safra recorde, gargalos logísticos e cenário internacional incerto mantém o mercado de soja brasileiro em alerta. Produtores enfrentam margens apertadas em regiões com custos elevados de frete, enquanto a comercialização ainda caminha lentamente.

A atenção segue voltada para a evolução da colheita no Sul e no Centro-Oeste, a estabilidade dos preços internos e as negociações internacionais, principalmente a demanda chinesa, que pode influenciar significativamente os rumos do mercado.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Com custos em alta, eficiência passa a definir competitividade no agro

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A combinação de juros elevados, custos de produção pressionados, instabilidade geopolítica e preços mais baixos das commodities tem imposto desafios adicionais ao agronegócio brasileiro em 2026. Na Bahia, porém, produtores apostam em ganhos de produtividade, tecnologia e gestão para atravessar um dos cenários mais complexos dos últimos anos sem comprometer a expansão da atividade. A estratégia ganha relevância às vésperas da Bahia Farm Show, principal feira agrícola do Norte e Nordeste, que começa nesta semana em Luís Eduardo Magalhães.

O desafio não é pequeno. O aumento dos custos dos fertilizantes, impulsionado pelas tensões no Oriente Médio e pela valorização do petróleo, se soma ao crédito rural mais caro e às incertezas sobre o comportamento do clima na próxima safra. Ao mesmo tempo, produtores convivem com margens mais apertadas diante da acomodação dos preços internacionais da soja, do milho e do algodão.

Mesmo assim, o agro baiano chega ao novo ciclo sustentado por um diferencial que tem chamado a atenção do setor: o avanço consistente da produtividade. No Oeste da Bahia, principal fronteira agrícola do estado, a produção de soja registrou recordes sucessivos de rendimento nos últimos anos, resultado da adoção de novas tecnologias, melhor manejo agronômico e investimentos em genética e agricultura de precisão.

Os números ajudam a explicar o otimismo cauteloso dos produtores. Em 2025, a Bahia colheu uma safra recorde superior a 12,8 milhões de toneladas de grãos, com crescimento de 12,8% sobre o ano anterior. A soja alcançou 8,6 milhões de toneladas, avanço de 14,3%, enquanto o milho cresceu 18,2%. O algodão, uma das principais culturas de exportação do estado, também ampliou sua produção.

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Para a safra 2025/26, as projeções apontam um novo avanço. Levantamentos do setor indicam que a produção baiana de grãos e fibras poderá superar 14 milhões de toneladas, consolidando a liderança do estado dentro da região do Matopiba, considerada a principal fronteira de expansão agrícola do país.

O desempenho do campo já vem refletindo diretamente na economia estadual. Dados da Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia mostram que a agropecuária cresceu 12,4% no quarto trimestre de 2025, desempenho muito superior ao avanço de 2,3% registrado pelo Produto Interno Bruto (PIB) da Bahia no mesmo período. O Valor Bruto da Produção agropecuária alcançou R$ 4,9 bilhões no trimestre, confirmando o papel do setor como principal motor da economia baiana.

Além das lavouras de grãos, outras cadeias vêm reforçando a diversificação do agro estadual. A produção de café avançou 5,1% em 2025, enquanto a cacauicultura registrou crescimento de 7%, beneficiada pela forte demanda internacional e pelos elevados preços da commodity. Na pecuária, o aumento dos abates e da produção de leite também contribuiu para sustentar a renda no interior do estado.

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O principal desafio agora é manter a competitividade diante da escalada dos custos. Lideranças do setor avaliam que o produtor precisará ser ainda mais eficiente na gestão financeira, antecipando compras de insumos, reduzindo desperdícios e utilizando ferramentas de comercialização capazes de proteger margens. A palavra de ordem passou a ser planejamento.

Ao mesmo tempo, cresce a preocupação com fatores que escapam ao controle das fazendas. O comportamento do clima, a volatilidade dos mercados internacionais e possíveis interrupções nas cadeias globais de fertilizantes continuam no radar dos produtores. Para especialistas, a capacidade de combinar produtividade elevada com gestão de risco será decisiva para determinar quem conseguirá atravessar o atual ciclo de incertezas.

Se há um consenso entre lideranças do setor, é que a Bahia deixou de competir apenas pela expansão de área. O avanço do agro estadual passa cada vez mais pela capacidade de produzir mais por hectare, com maior eficiência e menor custo. Em um ambiente de margens pressionadas, a produtividade deixou de ser apenas um diferencial competitivo para se tornar uma condição de sobrevivência

Fonte: Pensar Agro

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