Agro
Planejamento é chave para implantação de pomar rentável em Minas Gerais
Fruticultura exige planejamento antecipado
O cultivo de frutas tem se tornado uma alternativa lucrativa para produtores em Minas Gerais, proporcionando renda e geração de emprego em áreas menores. No entanto, o sucesso do investimento depende de planejamento iniciado com meses de antecedência. O alerta é do Emater-MG, por meio do coordenador de fruticultura, Deny Sanábio.
Segundo o especialista, o plantio das mudas deve ocorrer a partir de setembro, início do período chuvoso. Para isso, todo o planejamento deve ser realizado previamente, garantindo que a operação esteja pronta para o momento ideal de plantio.
“A fruticultura é uma atividade altamente tecnificada e não admite improvisos. Erros percebidos após a implantação do pomar muitas vezes não têm como ser corrigidos”, explica Sanábio.
Escolha da cultura e aquisição de mudas
O primeiro passo para o sucesso do pomar é definir a cultura adequada à região. Isso deve ser feito consultando o Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc), disponível no site do Ministério da Agricultura. O cumprimento do zoneamento é obrigatório para acesso a linhas de crédito e seguros rurais, caso contrário o produtor arca com todos os custos de forma própria.
A aquisição das mudas também é determinante. A maioria das frutíferas depende de mudas de qualidade, provenientes de viveiros credenciados, que trabalham com produção planejada e encomendas feitas com antecedência. A compra de mudas de última hora pode resultar em indisponibilidade ou preços elevados.
Local, solo e preparo definem a produtividade
A escolha do local do pomar impacta diretamente nos resultados. “Planta frutífera precisa de pleno sol. Áreas sombreadas, solos rasos ou com drenagem inadequada comprometem produtividade e qualidade, ou até impedem a produção”, alerta Sanábio.
O preparo do solo é uma das etapas mais críticas. O coveamento, feito de 70 a 90 dias antes do plantio, deve receber correções e adubações para que os nutrientes estejam disponíveis quando a muda for implantada. A análise de solo é indispensável para evitar desequilíbrios nutricionais que possam prejudicar a planta.
Manejo pós-plantio é contínuo
Após o plantio, o manejo deve ser constante. As podas de condução são essenciais desde o início para direcionar o crescimento, otimizar a produção e garantir a qualidade dos frutos. O espaçamento correto entre plantas também deve seguir recomendações técnicas para evitar competição e perda de produtividade.
Mercado e comercialização
Antes mesmo de plantar, o produtor deve avaliar o mercado e definir o público-alvo. A fruticultura é competitiva, e a entrega de produtos de baixa qualidade pode resultar em preços menores ou dificuldade de venda.
Linhas de crédito específicas para fruticultura estão disponíveis, com prazos de carência variados conforme a cultura. É recomendado que os produtores busquem orientação junto aos agentes financeiros com antecedência, especialmente iniciantes.
O ponto de colheita é outro fator crucial: colher fora do estágio ideal prejudica a qualidade e a rentabilidade, comprometendo a aceitação do mercado. Para Sanábio, produtividade e qualidade devem andar juntas para garantir retorno financeiro consistente.

Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
Agro
Galinhas soltas e felizes, ovos caipiras, orgânicos: Mapa acompanha diversificação do mercado
Happy eggs, galinhas livres, ovos orgânicos, caipiras, com ômega 3, líquidos ou em pó, brancos, vermelhos e até azulados. O mercado de ovos no Brasil oferece uma variedade de produtos e sistemas de produção. As diferentes denominações estão relacionadas às características do sistema de criação, à composição ou ao processamento do alimento e devem observar as regras previstas para produção e rotulagem.
De acordo com o Instituto Ovos Brasil, o consumo por habitante passou de 120 ovos por ano, em 2010, para 310 ovos em 2026. O país é o sexto maior consumidor e o quarto maior produtor mundial.
O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) acompanha a evolução do setor, estabelece normas para a produção e fiscaliza estabelecimentos e produtos de origem animal, dentro de suas competências. Os produtos podem ser identificados conforme a espécie de origem e as características do sistema de produção. No caso de ovos de outras aves, como codornas, patos e avestruzes, a espécie deve ser informada na embalagem. Denominações como “caipira” e “orgânico” também devem observar regras específicas de produção e rotulagem.
DIFERENÇAS
Os ovos convencionais, brancos ou vermelhos, apresentam a mesma composição nutricional. A principal diferença entre eles está relacionada à linhagem ou raça das galinhas: ovos brancos geralmente vêm de aves de penas brancas, enquanto os de casca vermelha são produzidos por linhagens de penas mais escuras. A cor da casca, por si só, não determina diferenças nutricionais.
Na produção convencional, as aves podem ser criadas em diferentes sistemas, inclusive em gaiolas, conforme as normas aplicáveis.
A produção de ovos caipiras prevê requisitos específicos para a criação das aves, incluindo acesso a áreas externas de pastejo. As áreas destinadas às aves devem observar medidas de biosseguridade para reduzir riscos sanitários, inclusive relacionados ao contato com aves silvestres.
Já as galinhas criadas em sistemas livres de gaiolas ficam soltas em galpões. Conforme o sistema adotado, podem ter ou não acesso a áreas externas. As condições de criação e a densidade das aves devem observar os requisitos previstos para o sistema de produção.
Expressões como “galinhas felizes” ou “happy eggs” podem ser utilizadas como estratégia de comunicação ou marketing. Elas, no entanto, não substituem as denominações e informações exigidas pela legislação. Quando a embalagem apresenta uma característica diferenciada, a informação deve corresponder às condições efetivamente verificadas na produção.
Também existem ovos cuja composição é associada à presença de nutrientes específicos, como ômega 3, selênio ou vitamina E. Nesses casos, a alimentação fornecida às aves pode ser formulada para influenciar a composição do produto final. As informações e alegações apresentadas na embalagem devem observar as regras aplicáveis à rotulagem de alimentos.
O ovo orgânico segue a legislação de produção orgânica em vigor no país, que estabelece requisitos específicos para alimentação, manejo das aves e utilização de insumos. O sistema também prevê restrições específicas para medicamentos, insumos e componentes utilizados na alimentação.
Ovos líquidos e em pó são produtos obtidos a partir do processamento dos ovos. Podem ser utilizados pela indústria de alimentos, por padarias e também em preparações destinadas ao consumidor. A apresentação facilita a manipulação e o uso do produto, e clara e gema podem ser comercializadas separadamente.
No Brasil, os ovos de diferentes cores ainda são menos comuns, mas existem variedades com casca azulada e outras tonalidades. A cor da casca está relacionada à linhagem ou raça da galinha e, por si só, não indica diferença nutricional. Quando essa característica estiver associada à origem genética da ave, a informação deve observar as regras de identificação e rotulagem.
CURIOSIDADES
A diversificação dos produtos não é, por si só, uma exigência legal. No entanto, quando o produtor declara uma condição diferenciada, como “caipira” ou “orgânico”, é necessário atender aos requisitos correspondentes.
Cabe aos serviços de inspeção competentes verificar o cumprimento dessas condições dentro de suas atribuições. Assim, as características declaradas na embalagem devem corresponder ao produto efetivamente produzido e comercializado.
VENDAS
A fiscalização da produção de ovos nos estabelecimentos produtores envolve os serviços de inspeção competentes, conforme o tipo de estabelecimento e o âmbito de comercialização. O estabelecimento deve estar registrado no serviço de inspeção correspondente – municipal, estadual ou federal – de acordo com as regras aplicáveis à comercialização do produto.
No varejo, a fiscalização também envolve as vigilâncias sanitárias municipal ou estadual, conforme suas atribuições.
De acordo com o Instituto Ovos Brasil, cerca de 20% da produção nacional de ovos chega às grandes redes de supermercados. Os demais são comercializados por outros canais, como pequenos estabelecimentos, feiras e diretamente à indústria.
O Brasil também exporta ovos. Segundo a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), as exportações em 2025 somaram 40.894 toneladas, aumento de 121% em relação ao ano anterior. Entre os principais destinos estiveram Estados Unidos, Japão, Chile, México e Emirados Árabes Unidos.
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