Agro
Governo do RS retoma bônus do Feaper e amplia facilidades para renegociação de dívidas rurais
RS restabelece bônus de adimplência e amplia prazos de pagamento
O Governo do Rio Grande do Sul publicou, na segunda-feira (23), um decreto que reativa o bônus de adimplência para agricultores familiares com contratos de financiamento pelo Fundo Estadual de Apoio ao Desenvolvimento dos Pequenos Estabelecimentos Rurais. A decisão, anunciada pela Secretaria de Desenvolvimento Rural do Rio Grande do Sul, visa facilitar a regularização de dívidas e fortalecer o acesso ao crédito rural no estado.
Com a nova norma, produtores que haviam perdido o direito à subvenção devido à inadimplência poderão recuperar o bônus original de seus contratos, desde que retomem os pagamentos em atraso. A medida abrange todos os contratos ainda vigentes ou já vencidos, incluindo aqueles que se encontram em fase de cobrança judicial.
Parcelas poderão ser prorrogadas até dezembro de 2026
O decreto também autoriza a prorrogação das parcelas vencidas dos financiamentos. Para contratos que já expiraram, o prazo poderá ser ampliado em número de anos correspondente à quantidade de parcelas atrasadas.
A primeira parcela renegociada terá vencimento em dezembro de 2026, e as demais seguirão a mesma lógica de pagamento anual.
Nos casos em que o contrato está em cobrança judicial, o acesso aos novos benefícios ficará condicionado à renúncia formal de defesas ou recursos nos processos. Essa medida visa agilizar os acordos e permitir que os produtores retomem a regularidade de forma mais simples e segura.
Feaper terá 60 dias para definir regras complementares
O Conselho de Administração do Feaper terá prazo de até 60 dias para editar os atos normativos complementares que definirão os procedimentos, prazos e canais de adesão às novas condições.
Essas regras garantirão ampla divulgação e acesso às informações para que os mutuários possam solicitar a adesão de forma transparente e organizada.
Objetivo é fortalecer a agricultura familiar e o crédito rural
Segundo o titular da SDR, Gustavo Paim, a medida representa uma nova oportunidade para os produtores rurais regularizarem suas pendências e voltarem a ter acesso às políticas de incentivo do Estado.
“Ao autorizarmos a retomada do bônus de adimplência do Feaper, estamos dando uma nova oportunidade para que produtores regularizem sua situação e voltem a acessar a subvenção original. Nosso foco é fortalecer a agricultura familiar, preservar os investimentos já realizados nas propriedades e assegurar que o crédito rural continue sendo uma ferramenta de desenvolvimento, geração de renda e permanência das famílias no campo”, afirmou o secretário.
Feaper segue como ferramenta estratégica para o desenvolvimento rural
Executado pela SDR, pela Emater/RS-Ascar e pelo Badesul Desenvolvimento, o Feaper é um dos principais instrumentos de apoio à agricultura familiar no Rio Grande do Sul.
O fundo financia projetos de investimento e custeio com bônus de adimplência, incentivando atividades produtivas diversas e promovendo o desenvolvimento sustentável no meio rural.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
Agro
Plano Brasil Soberano: Governo amplia crédito para fertilizantes
Fabricantes de fertilizantes, produtores de matérias-primas intermediárias e mineradoras que abastecem o setor poderão contratar capital de giro pelo Plano Brasil Soberano. A mudança amplia o alcance do programa e procura dar fôlego financeiro a uma cadeia considerada estratégica para o agronegócio brasileiro.
Projetos industriais e tecnológicos ligados ao beneficiamento, refino e transformação de minerais críticos e estratégicos também terão acesso a recursos com custo reduzido. O encargo da fonte de financiamento caiu para 3% ao ano, ante percentuais que chegavam a 8% na aquisição de máquinas e equipamentos e a 6,5% em determinados investimentos.
A decisão foi tomada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) em reunião extraordinária realizada no fim de agosto. O colegiado também prorrogou por 12 meses o prazo para apresentação dos pedidos de financiamento ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). As empresas elegíveis poderão protocolar as solicitações até 31 de dezembro de 2027.
Para o produtor rural, o efeito não será direto. As linhas são destinadas às empresas que produzem, processam ou fornecem insumos para a fabricação de adubos. O objetivo é melhorar as condições financeiras da indústria e reduzir riscos de interrupção no abastecimento do campo.
A inclusão do capital de giro atende a uma característica do setor. Muitas empresas precisam pagar antecipadamente pelas matérias-primas importadas, arcar com frete, armazenagem e processamento e somente depois receber pelas vendas realizadas aos produtores ou distribuidores.
Esse intervalo exige grande disponibilidade de caixa. Quando o crédito fica caro ou escasso, as empresas podem reduzir compras, estoques e produção. A consequência chega às propriedades na forma de menor oferta, dificuldade para programar entregas e maior exposição às oscilações de preços.
Antes da mudança, as empresas da cadeia de fertilizantes podiam recorrer ao Plano Brasil Soberano principalmente para comprar máquinas ou executar projetos de investimento. Agora, os recursos também poderão financiar despesas necessárias ao funcionamento diário das operações.
A medida ganha importância porque o Brasil importa mais de 80% dos fertilizantes que utiliza. Essa dependência deixa a produção agrícola vulnerável ao câmbio, às cotações internacionais, aos custos marítimos e a conflitos capazes de interromper rotas ou restringir a oferta mundial.
O país responde por cerca de 8% do consumo global de fertilizantes e ocupa a quarta posição entre os maiores consumidores. Soja, milho e cana-de-açúcar representam mais de 73% da demanda nacional, o que transforma o insumo em um componente decisivo dos custos das principais cadeias agrícolas.
O crédito mais barato para minerais estratégicos procura estimular investimentos em etapas que ainda são pouco desenvolvidas no Brasil. O país possui reservas minerais importantes, mas parte do material extraído é exportada sem processamento ou não chega a ser transformada internamente nos produtos necessários à agricultura.
Ao apoiar o beneficiamento, o refino e a transformação dentro do país, o governo tenta ampliar a capacidade industrial e diminuir a dependência de produtos acabados vindos do exterior. O resultado, entretanto, dependerá da execução dos projetos, que podem exigir licenciamento, infraestrutura, tecnologia e vários anos até o início da produção.
O percentual de 3% ao ano não representa necessariamente a taxa final que será paga pelas empresas. Ele corresponde ao custo da fonte de recursos e já considera a remuneração do BNDES. Nas operações indiretas, realizadas por bancos credenciados, ainda podem existir encargos do agente financeiro e custos relacionados ao risco do tomador.
Por isso, a medida também não garante uma queda imediata no preço do fertilizante vendido ao agricultor. As cotações continuarão sujeitas ao câmbio, aos preços internacionais, ao frete, à oferta mundial de nutrientes e à demanda no período de plantio.
O ganho mais provável no curto prazo é a melhora das condições para que fabricantes e fornecedores mantenham estoques e cumpram contratos. No longo prazo, se os investimentos aumentarem a produção e o processamento de matérias-primas no Brasil, o setor poderá reduzir a exposição a crises externas e ganhar maior previsibilidade.
O acesso às linhas será restrito aos segmentos definidos conjuntamente pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) e pelo Ministério da Fazenda. A relação de atividades autorizadas consta das portarias que regulamentam o Plano Brasil Soberano.
Criado para apoiar empresas afetadas pelo aumento das tarifas norte-americanas e pela instabilidade do comércio internacional, o programa passa a alcançar uma cadeia diretamente ligada à segurança produtiva do país. Para o campo, o efeito concreto será medido pela capacidade da política de ampliar a oferta interna, evitar falta de insumos e reduzir a dependência que hoje transforma qualquer crise internacional em custo adicional dentro da porteira.
Fonte: Pensar Agro
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