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Mercado do algodão inicia semana em alta, mas mantém volatilidade diante de ajustes técnicos e fatores globais

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Cotação do algodão reage com ganhos após sessão instável em Nova York

O mercado futuro do algodão abriu em alta nesta terça-feira (24), refletindo um movimento de cobertura de posições e o acompanhamento de indicadores mistos sobre a oferta e demanda global da fibra. Após um início de semana marcado por volatilidade, os principais contratos voltaram a registrar valorização, embora o cenário internacional ainda permaneça incerto.

O contrato de março/2026 iniciou o dia cotado a 65,69 centavos de dólar por libra-peso, registrando alta de 0,86% em relação ao ajuste anterior. Já o maio/2026 abriu no mesmo patamar, com avanço de 0,84%, enquanto o junho/2026 iniciou a 64,31 centavos, alta de 0,77% frente ao fechamento anterior.

Segundo analistas, a alta na abertura reflete uma combinação de ajustes técnicos e expectativas de curto prazo em meio à atuação cautelosa dos investidores. Fatores macroeconômicos — como a política tarifária dos Estados Unidos e o comportamento do dólar — continuam influenciando os fluxos de capital e o apetite por risco nas commodities agrícolas.

Sessão anterior teve desempenho misto e volume moderado

Na segunda-feira (23), os preços do algodão apresentaram comportamento misto na Bolsa de Nova York (ICE). O contrato de março/2026 encerrou o dia em alta, cotado a 63,56 centavos de dólar por libra-peso, enquanto os vencimentos de maio e junho/2026 registraram quedas, fechando a 65,10 e 66,86 centavos, respectivamente.

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O pregão foi caracterizado por baixo volume de negociações e liquidez reduzida, com investidores adotando uma postura mais prudente no início da semana. A estrutura invertida do mercado — com contratos mais longos negociados acima dos mais próximos — indica que parte dos operadores mantém expectativas de preços firmes no longo prazo, ao mesmo tempo em que realizam ajustes no curto prazo.

Perspectivas de mercado seguem divididas

Especialistas apontam que, apesar das oscilações recentes, o algodão permanece em destaque entre os investidores devido à combinação entre uma safra recorde esperada para 2025/26 e projeções de déficit em 2026/27. Esse cenário reforça a volatilidade de curto prazo e mantém as discussões técnicas sobre níveis de suporte e resistência.

Enquanto isso, os fundamentos continuam a ser avaliados sob a ótica do equilíbrio entre vendas líquidas nos EUA e estoques certificados elevados, fatores que devem influenciar os próximos movimentos do mercado.

Investidores seguem atentos às próximas sessões

Com o avanço das negociações nesta terça-feira, o mercado do algodão demonstra sinais de recuperação moderada, mas ainda marcada por cautela generalizada. Operadores monitoram de perto as variáveis macroeconômicas e os indicadores de demanda global para avaliar se o movimento de alta se sustentará nos próximos pregões ou se novas correções poderão ocorrer.

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Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Lideranças alertam que crédito recorde é ineficiente sem juros menores e seguro rural

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O anúncio do Plano Safra 2026/27, marcado para a próxima terça-feira (30.06), chega ao produtor rural em meio a um clima de ceticismo. Enquanto o governo federal projeta um volume recorde entre R$ 570 bilhões e R$ 652 bilhões, as lideranças do setor alertam que, em um cenário de juros elevados e margens de lucro espremidas, o montante nominal importa menos do que a efetividade das taxas de equalização. O que o campo busca não é apenas liquidez, mas uma estratégia de sobrevivência que contemple o endividamento acumulado nos últimos ciclos.

Para a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), o plano precisa ir além do anúncio de “recordes” orçamentários. A crítica central das bancadas é que o governo carece de uma visão estrutural de longo prazo: enquanto o custo de capital subiu, a subvenção ao seguro rural foi tratada como variável de ajuste orçamentário. Sem proteção contra intempéries, o crédito acaba financiando o risco, e não a produtividade, perpetuando o ciclo de inadimplência que já preocupa o Banco Central.

A Aprosoja Mato Grosso ecoa o descontentamento com a falta de previsibilidade. Para a entidade, de nada adianta um volume robusto se as linhas de investimento — essenciais para armazenagem e modernização — permanecerem travadas ou de difícil acesso para o médio produtor. O setor produtivo aponta que a paridade de importação e os custos de produção em patamares históricos exigem que o Plano Safra seja, antes de tudo, um instrumento de competitividade internacional, e não uma peça de marketing político que ignora a realidade técnica das fazendas.

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Para o presidente do Instituto do Agronegócio (IA), Engenheiro Agrônomo Isan Rezende (foto), o setor está diante de uma encruzilhada. “O governo insiste em focar no volume total de crédito como se isso, por si só, garantisse a estabilidade da safra, mas esquece que o custo desse dinheiro tornou-se proibitivo para grande parte dos produtores. Não precisamos de um recorde de bilhões disponíveis se as taxas de juros não forem condizentes com a realidade de um setor que, nos últimos dois anos, foi duramente atingido por quebras climáticas sucessivas e pela volatilidade dos preços internacionais. O produtor hoje precisa de fôlego, não de novos passivos impagáveis”, afirmou Rezende.

“O agronegócio não pode ser tratado como um setor auxiliar que recebe atenção apenas quando a balança comercial precisa de socorro. Precisamos que o Plano Safra 2026/27 venha acompanhado de uma política clara de renegociação de dívidas e de um comprometimento real com o Seguro Rural. Sem isso, estamos apenas postergando um colapso financeiro que vai atingir desde o pequeno produtor até a economia das cidades que dependem diretamente do sucesso da nossa safra”, disse Isan.

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“A nossa expectativa é de que, no dia 30, o anúncio não seja apenas um conjunto de números desenhado pela Fazenda para cumprir calendário. Queremos ver, de fato, a implementação de uma estratégia que proteja a nossa capacidade de investimento. Se o governo continuar tratando a equalização como um gasto primário e não como o investimento estratégico que é, estaremos condenando o próximo ciclo a uma estagnação perigosa. O agronegócio é o motor que mantém o Brasil respirando, e ele exige o respeito de ser tratado com política econômica técnica, e não com medidas paliativas que não resolvem o gargalo do custo do crédito na ponta”, concluiu o presidente do Instituto do Agronegócio.

Fonte: Pensar Agro

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