Agro
Coamo distribui mais de R$ 716 milhões em sobras aos cooperados em três estados
Cooperados recebem R$ 716 milhões em sobras
A Coamo Agroindustrial Cooperativa realizou a 56ª Assembleia Geral Ordinária em Campo Mourão (PR), onde foi aprovada a sobra líquida de R$ 2,019 bilhões para o exercício de 2025.
Deste montante, mais de R$ 716 milhões começaram a ser distribuídos nesta sexta-feira (6) aos 32,7 mil cooperados que movimentaram nas unidades da cooperativa em 76 municípios dos estados do Paraná, Santa Catarina e Mato Grosso do Sul.
As sobras são calculadas com base nas fixações de produtos agrícolas e no valor dos bens de fornecimento repassados aos cooperados durante o ano.
Valores das sobras por produto
Os repasses aos cooperados variam conforme o tipo de produto e a participação na cooperativa. Entre os valores anunciados estão:
- Soja (saca 60 kg): R$ 3,50
- Milho (saca 60 kg): R$ 1,30
- Trigo (saca 60 kg): R$ 1,30
- Aveia (saca 60 kg): R$ 0,95
- Café em coco (saca 40 kg): R$ 2,67
- Café beneficiado (saca 60 kg): R$ 8,00
- Bens de fornecimento: 3,80% sobre o fornecimento
Cooperados destacam importância das sobras
O pagamento das sobras é tradicional na Coamo e considerado um dos principais benefícios pelos cooperados.
Para Jovenal de Oliveira Dias, de Maracaju (MS), as sobras representam segurança financeira:
“Significa muito para nós receber essas sobras, principalmente com a situação do mercado. Esse valor nos permite começar o ano com mais tranquilidade.”
Já João Luiz Ferri, de Campo Mourão (PR), ressalta a resiliência da cooperativa:
“Apesar de 2025 ter sido um ano difícil, a Coamo entrega um resultado fantástico, fruto do trabalho sério de cooperados, funcionários e diretoria.”
Presidente destaca diferencial da cooperativa
Segundo o presidente do Conselho de Administração da Coamo, José Aroldo Gallassini, as sobras são o que diferencia uma cooperativa de empresas tradicionais:
“Em empresas privadas, os resultados podem ir para fora do Brasil. Aqui, os cooperados participam diretamente dos lucros e têm acesso a crédito, insumos e suporte para plantar com segurança.”
Benefícios adicionais aos cooperados chegam a R$ 823 milhões
Além das sobras de R$ 716 milhões, a Coamo distribuiu outros benefícios em 2025, totalizando mais de R$ 823 milhões:
- R$ 26 milhões em devolução de capital social a cooperados com mais de 65 anos e pelo menos 10 anos de participação;
- R$ 14,5 milhões em créditos de ICMS;
- R$ 66,3 milhões pelo programa Fideliza, para aquisição de insumos agrícolas, máquinas, peças e produtos veterinários.
Gallassini ressalta que a soma dos benefícios representa o compromisso da cooperativa com a sustentabilidade financeira e o desenvolvimento dos cooperados.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
Agro
Com custos em alta, eficiência passa a definir competitividade no agro
A combinação de juros elevados, custos de produção pressionados, instabilidade geopolítica e preços mais baixos das commodities tem imposto desafios adicionais ao agronegócio brasileiro em 2026. Na Bahia, porém, produtores apostam em ganhos de produtividade, tecnologia e gestão para atravessar um dos cenários mais complexos dos últimos anos sem comprometer a expansão da atividade. A estratégia ganha relevância às vésperas da Bahia Farm Show, principal feira agrícola do Norte e Nordeste, que começa nesta semana em Luís Eduardo Magalhães.
O desafio não é pequeno. O aumento dos custos dos fertilizantes, impulsionado pelas tensões no Oriente Médio e pela valorização do petróleo, se soma ao crédito rural mais caro e às incertezas sobre o comportamento do clima na próxima safra. Ao mesmo tempo, produtores convivem com margens mais apertadas diante da acomodação dos preços internacionais da soja, do milho e do algodão.
Mesmo assim, o agro baiano chega ao novo ciclo sustentado por um diferencial que tem chamado a atenção do setor: o avanço consistente da produtividade. No Oeste da Bahia, principal fronteira agrícola do estado, a produção de soja registrou recordes sucessivos de rendimento nos últimos anos, resultado da adoção de novas tecnologias, melhor manejo agronômico e investimentos em genética e agricultura de precisão.
Os números ajudam a explicar o otimismo cauteloso dos produtores. Em 2025, a Bahia colheu uma safra recorde superior a 12,8 milhões de toneladas de grãos, com crescimento de 12,8% sobre o ano anterior. A soja alcançou 8,6 milhões de toneladas, avanço de 14,3%, enquanto o milho cresceu 18,2%. O algodão, uma das principais culturas de exportação do estado, também ampliou sua produção.
Para a safra 2025/26, as projeções apontam um novo avanço. Levantamentos do setor indicam que a produção baiana de grãos e fibras poderá superar 14 milhões de toneladas, consolidando a liderança do estado dentro da região do Matopiba, considerada a principal fronteira de expansão agrícola do país.
O desempenho do campo já vem refletindo diretamente na economia estadual. Dados da Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia mostram que a agropecuária cresceu 12,4% no quarto trimestre de 2025, desempenho muito superior ao avanço de 2,3% registrado pelo Produto Interno Bruto (PIB) da Bahia no mesmo período. O Valor Bruto da Produção agropecuária alcançou R$ 4,9 bilhões no trimestre, confirmando o papel do setor como principal motor da economia baiana.
Além das lavouras de grãos, outras cadeias vêm reforçando a diversificação do agro estadual. A produção de café avançou 5,1% em 2025, enquanto a cacauicultura registrou crescimento de 7%, beneficiada pela forte demanda internacional e pelos elevados preços da commodity. Na pecuária, o aumento dos abates e da produção de leite também contribuiu para sustentar a renda no interior do estado.
O principal desafio agora é manter a competitividade diante da escalada dos custos. Lideranças do setor avaliam que o produtor precisará ser ainda mais eficiente na gestão financeira, antecipando compras de insumos, reduzindo desperdícios e utilizando ferramentas de comercialização capazes de proteger margens. A palavra de ordem passou a ser planejamento.
Ao mesmo tempo, cresce a preocupação com fatores que escapam ao controle das fazendas. O comportamento do clima, a volatilidade dos mercados internacionais e possíveis interrupções nas cadeias globais de fertilizantes continuam no radar dos produtores. Para especialistas, a capacidade de combinar produtividade elevada com gestão de risco será decisiva para determinar quem conseguirá atravessar o atual ciclo de incertezas.
Se há um consenso entre lideranças do setor, é que a Bahia deixou de competir apenas pela expansão de área. O avanço do agro estadual passa cada vez mais pela capacidade de produzir mais por hectare, com maior eficiência e menor custo. Em um ambiente de margens pressionadas, a produtividade deixou de ser apenas um diferencial competitivo para se tornar uma condição de sobrevivência
Fonte: Pensar Agro
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