Agro
Safra recorde e câmbio valorizado pressionam preços da soja no Brasil, aponta Itaú BBA
Oferta global elevada mantém cotações sob pressão
De acordo com o relatório Radar Agro Itaú BBA – Fevereiro/2026, a produção brasileira de soja deve alcançar 180 milhões de toneladas, impulsionada pelas boas condições climáticas e rendimentos acima da média no Mato Grosso e Paraná. A Argentina também caminha para uma colheita positiva, o que amplia a oferta mundial e limita altas nas cotações da soja na Bolsa de Chicago (CBOT).
A consultoria destaca que, mesmo com a forte demanda externa registrada em janeiro — com embarques 129% superiores aos do mesmo mês de 2025 —, a tendência é de queda nos prêmios de exportação à medida que o volume disponível aumenta.
Real valorizado derruba preço da soja abaixo de R$ 100 por saca
O câmbio tem sido um dos principais fatores de influência sobre os preços internos. A valorização do Real, que se manteve abaixo de R$ 5,30/USD, fez com que o preço da soja no Mato Grosso caísse para menos de R$ 100 por saca.
Simulações realizadas pela equipe do Itaú BBA mostram que um câmbio em R$ 4,50/USD poderia reduzir o preço da saca para abaixo de R$ 90, demonstrando o impacto direto da taxa de câmbio na renda do produtor rural.
Mesmo com o início da queda da taxa Selic, o relatório projeta que o câmbio pode encerrar 2026 em torno de R$ 5,50/USD, refletindo uma desvalorização gradual da moeda brasileira diante de incertezas políticas internas.
Safra recorde avança com ritmo desigual nas regiões produtoras
A colheita da soja avança em ritmo forte, mas irregular entre os estados. Segundo a Conab, até o início de fevereiro 10% da safra havia sido colhida — destaque para o Mato Grosso (33%), Minas Gerais (10%) e Paraná (6%).
O excesso de chuvas no Centro-Oeste tem atrasado o avanço das máquinas em algumas áreas, enquanto o Sul deve receber novas precipitações, beneficiando lavouras mais tardias.
No cenário internacional, o USDA estima que a produção global deve permanecer estável, com os estoques mundiais confortáveis, o que limita a possibilidade de alta nos preços futuros.
Demanda chinesa e biocombustíveis trazem alívio ao mercado
Um dos fatores que ainda dão sustentação ao preço do grão é a forte demanda da China. Em janeiro, o presidente dos EUA divulgou que o país asiático pode comprar até 20 milhões de toneladas adicionais de soja americana nesta temporada, o que ajudou a impulsionar os contratos em Chicago.
Além disso, novas diretrizes do Tesouro dos EUA sobre créditos fiscais para biocombustíveis (45Z) devem aumentar o uso do óleo de soja produzido na América do Norte, favorecendo o mercado global do derivado e sustentando parcialmente o valor do grão.
Custo logístico e fretes em alta preocupam o produtor
Com a safra recorde, a demanda por transporte rodoviário aumentou significativamente, elevando os custos de frete no Brasil. A consultoria observa que esse movimento tende a continuar, pressionando as margens do produtor.
Além disso, a comercialização da safra 2025/26 segue atrasada — cerca de dois terços da produção ainda não foram vendidos. Apesar de um avanço recente nas vendas, muitos produtores estão segurando a soja à espera de melhores preços, mesmo diante da possibilidade de novas quedas nas cotações.
Fatores de atenção e perspectivas para 2026
O Itaú BBA recomenda que os produtores acompanhem de perto cinco pontos-chave:
- Andamento da comercialização, ainda lenta;
- Prêmios de exportação, que podem cair com o avanço da colheita;
- Aumento nos custos logísticos;
- Mudanças nas regras da EPA nos EUA, com impacto na demanda por biodiesel;
- Comportamento das compras chinesas, que influencia diretamente as decisões de plantio nos EUA.
No câmbio, o banco destaca que a valorização recente do Real tende a ser limitada por fatores políticos domésticos, especialmente com a proximidade das eleições de 2026, o que deve aumentar a volatilidade do mercado.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
Agro
Ministro André de Paula participa de abertura da Agrishow 2026
O ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, participa neste domingo (26) da abertura da Agrishow 2026, na cidade de Ribeirão Preto (SP), ao lado do vice-presidente da República, Geraldo Alckmin.
A feira, que está em sua 31ª edição, é considerada uma dos mais importantes do setor agronegócio do país e a maior de tecnologia agrícola da América Latina. Em sua última edição, ano passado, foi registrada a presença de mais de 800 marcas expositoras e contou com 197 mil participantes.
A Agrishow 2026, que será realizada até 1º de maio, é uma iniciativa das principais entidades do agronegócio no país como Associação Brasileira do Agronegócio (Abag); Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq); Associação Nacional para Difusão de Adubos (Anda), Federação da Agricultura e da Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp) e Sociedade Rural Brasileira (SRB).
SERVIÇO
Cerimônia de abertura da Agrishow
Data: 26/04/2026 (domingo)
Horário: 11h
Local: Rodovia Prefeito Antônio Duarte Nogueira, Km 321 – Auditório “Arena do Conhecimento” – Ribeirão Preto – SP
Informação à imprensa
[email protected]
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