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14 anos da PNRS e fim dos lixões no Brasil: realidade ou horizonte distante?

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Renato dos Santos Sant’Anna*

Em 2 de agosto de 2010, entrou em vigor a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), Lei 12.305, estabelecendo diretrizes fundamentais para o gerenciamento adequado dos resíduos sólidos no Brasil. Comemorando seu 14º aniversário neste ano, a PNRS destaca-se como um marco legislativo crucial na busca por soluções ambientalmente sustentáveis para o manejo de resíduos, um dos principais desafios contemporâneos.

Um dos aspectos mais relevantes da PNRS é sua determinação para o fim dos lixões a céu aberto, substituindo-os por aterros sanitários adequados e outras formas de tratamento e disposição final ambientalmente corretas. O encerramento dos lixões é uma medida de suma importância não apenas para a preservação do meio ambiente, mas também para a proteção da saúde pública, uma vez que os lixões contribuem significativamente para a contaminação do solo, da água e do ar, além de serem locais propícios para a disseminação de doenças.

Na Lei 12.305, foram definidos prazos para a desativação dos lixões em todo o território nacional, conforme estipulado no artigo 54, levando em consideração as distintas realidades municipais. Os prazos são os seguintes:

I. Até 2 de agosto de 2021, as capitais de Estados e Municípios integrantes de Região Metropolitana (RM) ou de Região Integrada de Desenvolvimento (Ride) de capitais deveriam encerrar seus lixões;

II. Até 2 de agosto de 2022, os Municípios com população superior a 100.000 habitantes no Censo 2010, bem como aqueles cuja mancha urbana da sede municipal esteja situada a menos de 20 quilômetros da fronteira com países limítrofes, deveriam concluir essa transição;

III. Até 2 de agosto de 2023, os Municípios com população entre 50.000 e 100.000 habitantes no Censo 2010 deveriam cumprir o mesmo objetivo;

IV. Até 2 de agosto de 2024, seria a vez dos Municípios com população inferior a 50.000 habitantes no Censo 2010 realizarem o encerramento dos lixões.

Contudo, apesar dos prazos estabelecidos, é evidente uma realidade preocupante: o progresso insuficiente em muitos municípios, especialmente os com menos de 50.000 habitantes. A menos de seis meses do término do prazo estipulado para essas localidades, há poucas perspectivas de cumprimento das exigências da legislação. Segundo o relatório publicado pela Associação Brasileira de Resíduos e Meio Ambiente, somente no ano de 2022, aproximadamente 33 milhões de toneladas de resíduos foram despejadas de forma inadequada, com destaque para sua disposição em aproximadamente 3 mil lixões a céu aberto distribuídos em todo o território nacional. Essa quantidade equivaleria ao suficiente para preencher até o topo 233 estádios do Maracanã.

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Essa situação reforça a necessidade urgente de um engajamento contínuo por parte das autoridades municipais, estaduais e federais, bem como da sociedade civil, na efetiva implementação da PNRS. Superar os desafios associados ao fim dos lixões demanda investimentos em infraestrutura, políticas públicas consistentes, capacitação técnica e conscientização da população sobre a importância da gestão apropriada dos resíduos sólidos.

O Ministério Público do Paraná, em colaboração com o Instituto Água e Terra (IAT) e a Secretaria do Desenvolvimento Sustentável (Sedest), iniciou as Operações Percola I, II e III no período de 2019 a 2023, com o propósito de identificar e investigar diversas irregularidades no manejo e na disposição final de resíduos sólidos nas jurisdições dos Grupos de Atuação Especializada em Meio Ambiente, Habitação e Urbanismo (Gaema) de Maringá, Londrina e Campo Mourão. Após a detecção das irregularidades, foram emitidos Autos de Infração Ambiental, além de ser instituído um extenso processo de monitoramento das atividades associadas à reciclagem, coleta, armazenamento e disposição de resíduos sólidos.

Em 2022, foi estabelecida a Campanha Junho Verde, uma iniciativa que visa conscientizar a população sobre a importância da separação de resíduos sólidos e a redução do consumo excessivo. Essa campanha foi instituída pela Lei 14.393, de 2022, integrando-se à Política Nacional de Educação Ambiental, conforme determinado pela Lei 9.795, de 1999. Seu objetivo principal é sensibilizar a sociedade para a conservação dos ecossistemas, o controle da poluição e a preservação da biodiversidade.

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A execução da Campanha Junho Verde é realizada pelo poder público em colaboração com diversas entidades, abrangendo atividades como a disseminação de informações, a promoção do uso de espaços públicos, o plantio de espécies nativas e a educação sobre consumo sustentável. Essa iniciativa é crucial para combater a crescente acumulação de resíduos nos aterros sanitários, buscando não apenas conscientizar, mas também impulsionar ações práticas para a redução e reaproveitamento desses materiais.

O papel do poder público é fundamental nesse contexto, sendo responsável pela organização e coordenação efetiva da Campanha Junho Verde. É essencial que o governo invista em programas de coleta seletiva eficientes e em infraestrutura adequada para reciclagem e ofereça incentivos para empresas e indivíduos adotarem práticas sustentáveis. Além disso, a promoção contínua da educação ambiental é fundamental para capacitar a população a lidar de forma responsável com os resíduos gerados.

No entanto, em 2023, observou-se uma escassez de ações concretas por parte do poder público, evidenciando a necessidade urgente de um compromisso mais robusto e eficaz com a causa ambiental. Portanto, é imperativo que o governo reforce seu engajamento na implementação da Campanha Junho Verde, assumindo sua responsabilidade na proteção do meio ambiente e na promoção de práticas sustentáveis.

Por meio da Campanha Junho Verde, em alinhamento com as atividades de vigilância e supervisão das Operações Percola I, II e III, é esperado que o poder público promova a implementação de medidas que estimulem a conscientização da população sobre a questão dos resíduos sólidos. Igualmente, é de suma importância que sejam disponibilizadas informações sobre os processos de coleta seletiva e compostagem de resíduos orgânicos e sobre a gestão de rejeitos e resíduos especiais, como lâmpadas, pilhas e baterias para toda a população nos âmbitos da educação ambiental formal e informal.

*Promotor de Justiça do Ministério Público do Estado do Paraná, coordenador do Núcleo Regional de Londrina do Grupo de Atuação Especializada em Meio Ambiente, Habitação e Urbanismo (Gaema)

Fonte: Ministério Público PR

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Cerimônia de posse marca ingresso de Elisiane da Silva Moraes no Colégio de Procuradores de Justiça do MPPR

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O Ministério Público do Paraná realizou nesta sexta-feira (2/10) a posse de Elisiane da Silva Moraes no cargo de Procuradora de Justiça. A cerimônia ocorreu no Gabinete da Procuradoria-Geral de Justiça, em Curitiba, e marcou o ingresso de Elisiane Moraes no nível mais alto da carreira ministerial.

A solenidade foi conduzida pelo Procurador-Geral de Justiça em exercício, Armando Antônio Sobreiro Neto, e reuniu integrantes do Ministério Público, familiares e convidados. A cerimônia também foi transmitida ao vivo pelo canal do MPPR no YouTube.

Confira as fotos da solenidade

Promovida pelo critério de merecimento por meio do edital de promoção exclusivo para mulheres, a nova Procuradora reconheceu em seu discurso o significado de sua posse. “Recebo essa conquista com alegria e orgulho, mas também com a consciência de que ela representa algo que vai além da minha história pessoal, porque ocupar este espaço não significa apenas chegar. Significa também abrir caminho […]. Uma porta por onde outras mulheres possam passar”, destacou.

Elisiane também falou da alegria pela conquista, mas, sobretudo, do sentido de renovação do compromisso assumido com o Ministério Público em 1997, quando ingressou na instituição. Para ela, a chegada ao novo cargo representa uma responsabilidade ainda maior. Em sua fala, também agradeceu às pessoas que fizeram parte de sua trajetória, com destaque para as mulheres que encontrou ao longo da carreira e que foram referências de “competência, coragem, generosidade e determinação”. Ao falar sobre a função, defendeu a importância de preservar a capacidade de ouvir, compreender e reconhecer os próprios erros, lembrando que “a Justiça não pode perder sua dimensão humana”.

Um dos momentos de destaque da cerimônia foi a colocação da veste talar pelos filhos da homenageada, Fernando e João Vitor. O gesto simbolizou a celebração da conquista e o reconhecimento da trajetória percorrida por Elisiane até a nova etapa profissional no Colégio de Procuradores de Justiça. 

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Após a investidura, Elisiane renovou o compromisso legal de exercer com retidão as funções de Procuradora de Justiça e de cumprir as Constituições e as leis. Em seguida, foi realizada a leitura e a assinatura do termo de posse.

Saudações

A solenidade contou ainda com o pronunciamento de representantes da Associação Paranaense do Ministério Público (APMP), da Corregedoria-Geral e do Colégio de Procuradores de Justiça.

O Presidente da APMP, Fernando da Silva Mattos, ressaltou a trajetória de quase três décadas de Elisiane, construída com atuação cotidiana em diferentes comarcas, especialmente na área da família. Enfatizou ainda a discrição como uma das marcas de sua carreira, exercida com “um trabalho intenso e cotidiano realizado longe dos holofotes e sem buscar aplausos”. Segundo ele, essa postura revela uma forma de atuação comprometida com o serviço público e reforça o significado de sua promoção, que representa o reconhecimento de uma “brilhante trajetória”.

A Subcorregedora-Geral do MPPR, Jacqueline Batisti, destacou que o momento reunia duas razões para ser especialmente celebrado: a trajetória pessoal e profissional da nova Procuradora e o significado institucional de sua promoção. “São duas dimensões que não competem entre si, ao contrário, complementam-se. Políticas afirmativas de igualdade de gênero não existem para substituir o mérito, elas existem para que o mérito possa encontrar condições mais justas, em espaços que historicamente nem sempre estiveram igualmente acessíveis”, afirmou. Segundo ela, a presença feminina em cargos relevantes deve ser compreendida não como exceção, mas como parte natural da instituição.

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Em nome do Colégio de Procuradores de Justiça, Moacir Gonçalves Nogueira Neto pontuou o sentimento de admiração compartilhado pelos integrantes do colegiado diante da brilhante trajetória profissional da empossada. Ressaltou que ela foi recebida de braços abertos pelo Ministério Público e retribuiu com dedicação ímpar, construindo uma trajetória de sucesso marcada pela valorização do papel social da instituição. Ao cumprimentá-la pela promoção, declarou: “Vossa Excelência muito orgulha o Ministério Público e só poderia ter sido promovida por inegável merecimento”.

Encerramento 

No encerramento da cerimônia, o Procurador-Geral de Justiça em exercício, Armando Antônio Sobreiro Neto, destacou que a trajetória de Elisiane é marcada pela dedicação ao serviço público, que, segundo ele, pressupõe uma entrega de amor e renúncia, valores presentes na carreira da Procuradora de Justiça recém-empossada.

Armando Antônio Sobreiro Neto observou ainda que, embora o trabalho no segundo grau seja marcado pelo contato com processos eletrônicos, “atrás de cada arquivo eletrônico existem vidas”, pessoas com expectativas, direitos e demandas que aguardam respostas da Justiça. Nesse contexto, ressaltou a responsabilidade que acompanha a chegada ao mais alto cargo da carreira. “Que tenhamos uma Justiça com mais amor, a exemplo da vossa trajetória”, afirmou.

Fonte: Ministério Público PR

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