Agro
Vice-presidente Alckmin e ministro Fávaro alinham avanços tarifários com setores de castanhas, café e carnes
O ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, ao lado do ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços e vice-presidente, Geraldo Alckmin, participou nesta terça-feira (25) de reuniões com representantes dos setores de castanhas, café e carnes, em Brasília (DF). O secretário de Comércio e Relações Internacionais do Mapa, Luis Rua, acompanhou o ministro nas agendas que tiveram como foco a avaliação de tarifas aplicadas a produtos brasileiros e o alinhamento sobre avanços recentes na expansão de mercados.
“São três setores importantes. Em dois deles, nós conseguimos resolver o problema das tarifas norte-americanas: as carnes e as castanhas. No café, parte significativa foi resolvida. Além disso, tivemos uma ampla ampliação de mercados com a dedicação de todo o governo, a pedido do presidente Lula”, afirmou Fávaro.
O ministro destacou ainda que, no setor de nozes e castanhas, foram 20 novos mercados, dentro dos quase 500 abertos, e, nas carnes, 28 mercados, além de inúmeras ampliações de mercados. “As reuniões foram muito mais para agradecimento e para verificarmos se havia algo adicional a ser trabalhado, como linhas de crédito que foram liberadas”, completou.
O primeiro diálogo foi com a Associação Brasileira de Nozes, Castanhas e Frutas Secas. O setor relatou resultados positivos após o encerramento das tarifas impostas pelos Estados Unidos e destacou a abertura de novos mercados, impulsionada pelo trabalho conjunto do governo federal, envolvendo além do Mapa, o Ministério das Relações Exteriores, a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) e o MDIC.
A reunião seguinte tratou das demandas do setor cafeeiro, com foco no café solúvel, que ainda enfrenta barreiras tarifárias no mercado norte-americano. Foram apresentados avanços recentes, e representantes destacaram que esse segmento específico necessita de ajustes para garantir maior isonomia.
O último encontro do dia ocorreu com a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec). Além da resolução das tarifas, o setor celebrou a abertura de 28 novos mercados, consolidando a carne brasileira como uma das principais forças do agronegócio nacional no comércio internacional. As lideranças reforçaram a importância de manter o ritmo de negociações e ampliar a previsibilidade para os exportadores.
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Agro
Fim da escala 6×1 acende alerta no agro para alta de custos e impacto nos alimentos
Entidades do agronegócio intensificaram nesta semana a mobilização contra a proposta que altera o modelo de jornada de trabalho no país, incluindo o fim da escala 6×1 e a redução da carga semanal de 44 para 40 horas. O setor avalia que os impactos podem ser superiores à média da economia, com reflexos diretos sobre custos, emprego e preço dos alimentos.
Estimativa preliminar do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) indica que a mudança pode elevar os custos entre 7,8% e 8,6% em atividades como agropecuária, construção e comércio — acima da média nacional de 4,7% sobre a massa de rendimentos.
No campo, o posicionamento mais contundente partiu do Sistema Faep, que reúne a Federação da Agricultura do Estado do Paraná, o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural do Paraná (Senar-PR) e sindicatos rurais. A entidade encaminhou ofício a deputados e senadores solicitando a não aprovação da proposta, sob o argumento de que a medida compromete a eficiência produtiva e a competitividade do setor.
Segundo levantamento do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Faep, a redução da jornada pode gerar impacto de R$ 4,1 bilhões por ano apenas na agropecuária paranaense. A estimativa considera uma base de 645 mil postos de trabalho e uma massa salarial anual de R$ 24,8 bilhões.
O estudo também aponta a necessidade de recomposição de 16,6% da força de trabalho para cobrir o chamado “vácuo operacional”, especialmente em atividades contínuas, como produção de proteínas animais e operações industriais ligadas ao agro.
A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) também levou o tema à sua Comissão Nacional de Relações do Trabalho e Previdência Social. O debate interno reforçou a necessidade de que eventuais mudanças considerem as especificidades do campo, onde a produção segue ciclos biológicos e climáticos, muitas vezes incompatíveis com jornadas rígidas.
No segmento industrial, a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA) reconheceu a importância da discussão sobre qualidade de vida no trabalho, mas alertou para os efeitos econômicos de alterações abruptas. Em nota, a entidade destacou que pressões de custo ao longo da cadeia produtiva tendem a impactar diretamente o preço final dos alimentos e o acesso da população, sobretudo de menor renda.
Entre os principais pontos de preocupação do setor está a dificuldade operacional de atividades que não podem ser interrompidas. Cadeias como suinocultura, avicultura e produção de etanol exigem funcionamento contínuo, o que demandaria aumento de quadro de funcionários para manter o mesmo nível produtivo.
Na prática, isso significa elevação de custos e possível perda de competitividade, tanto no mercado interno quanto nas exportações. Há também o risco de repasse desses custos ao consumidor, pressionando os preços dos alimentos.
Outro fator destacado é a sazonalidade da produção agropecuária. Etapas como plantio, colheita e manejo animal dependem de condições climáticas e janelas operacionais específicas, o que limita a aplicação de modelos padronizados de jornada.
A proposta em discussão no Congresso — a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019 — ainda está em fase de análise, mas tem mobilizado diferentes setores da economia. No caso do agronegócio, a avaliação predominante é de que mudanças estruturais nas relações de trabalho precisam ser acompanhadas de estudos técnicos aprofundados e regras de transição que evitem desequilíbrios na produção.
O setor defende que o debate avance, mas com base em dados e na realidade operacional do campo, para que eventuais ajustes na legislação não comprometam a oferta de alimentos nem a sustentabilidade econômica das atividades rurais.
Fonte: Pensar Agro
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