Agro
Trigo mantém alta no Brasil com oferta restrita e cenário internacional volátil
O mercado de trigo segue em alta no Brasil, sustentado pela escassez de oferta e pela demanda ativa durante a entressafra. Ao mesmo tempo, o cenário internacional apresenta volatilidade, influenciado por fatores climáticos e tensões geopolíticas, enquanto os derivados do cereal mostram comportamentos distintos.
Preço do trigo avança no Brasil com baixa oferta e reposição de estoques
Os preços do trigo continuam em trajetória de alta no mercado interno brasileiro, mesmo diante da queda das cotações externas e da desvalorização do dólar frente ao real.
De acordo com o Cepea, o movimento é impulsionado principalmente pela necessidade de reposição de estoques por parte dos compradores e pela baixa disponibilidade de produto no mercado spot durante a entressafra.
Outro fator relevante é a postura mais retraída dos vendedores, que estão concentrados nas atividades da safra de verão, o que reduz ainda mais a liquidez e sustenta os preços em patamares elevados.
Escassez no Sul mantém pressão sobre cotações
A restrição de oferta é mais evidente nos principais estados produtores da região Sul, onde o mercado segue firme e com pouca disponibilidade de produto.
No Rio Grande do Sul, o volume limitado de trigo disponível mantém pressão sobre os preços. Compradores têm aceitado reajustes sucessivos diante da dificuldade de encontrar produto. As negociações no interior variam entre R$ 1.250 e R$ 1.280 por tonelada, enquanto vendedores pedem entre R$ 1.300 e R$ 1.350.
No campo, o preço da saca também avançou, com destaque para a valorização registrada na região de Panambi.
Em Santa Catarina, a maior parte da oferta ainda é proveniente do estado gaúcho, com menor presença de produto local e do Paraná. O trigo gaúcho é negociado, em média, a R$ 1.300 FOB, com retirada prevista entre maio e junho.
No Paraná, o mercado segue mais travado. O câmbio abaixo de R$ 5,00 favorece a competitividade do trigo argentino, reduzindo o ritmo de negociações internas. Os preços giram entre R$ 1.300 e R$ 1.400 por tonelada, mas há dificuldade para fechamento de novos negócios.
Logística impacta abastecimento e eleva custos
Além da oferta restrita, o setor enfrenta desafios logísticos relevantes. Segundo o Cepea, há dificuldades no transporte, especialmente devido à concorrência com o escoamento da safra de soja.
Esse cenário tem impactado diretamente os moinhos, que relatam restrições no fluxo de recebimento do cereal, elevando custos operacionais e dificultando a reposição de estoques.
Derivados apresentam comportamento distinto no mercado
Os derivados do trigo registraram movimentos diferentes nas últimas semanas, refletindo as condições específicas de oferta e demanda.
O farelo de trigo apresentou queda nos preços, pressionado pelo aumento da oferta e pela menor demanda. Parte dos consumidores já está abastecida ou optou por substitutos na ração animal.
Por outro lado, os preços das farinhas seguem em alta, refletindo o encarecimento da matéria-prima e a necessidade de reposição por parte da indústria.
Mercado internacional reage a clima e tensões geopolíticas
No cenário externo, os contratos futuros de trigo encerraram a última sessão em alta na Bolsa de Mercadorias de Chicago.
O movimento foi impulsionado pela escalada das tensões no Oriente Médio, com preocupações sobre possíveis interrupções no fluxo de exportações pelo Estreito de Ormuz, o que elevou a aversão ao risco nos mercados.
Ao mesmo tempo, persistem incertezas climáticas nas Planícies dos Estados Unidos. Apesar das chuvas recentes, ainda há dúvidas sobre sua eficácia em reverter o quadro de seca em regiões produtoras.
A desvalorização do dólar frente a outras moedas também contribuiu para o avanço das cotações, ao aumentar a competitividade do trigo norte-americano no mercado global.
Exportações dos EUA avançam no acumulado da safra
Segundo o USDA, as inspeções de exportação de trigo dos Estados Unidos somaram 320,8 mil toneladas na semana encerrada em 9 de abril, abaixo do volume registrado na semana anterior.
Apesar da queda semanal, o acumulado da safra 2025/26 já supera 21 milhões de toneladas, acima do registrado no mesmo período da temporada anterior.
Contratos futuros registram valorização
Na CBOT, os contratos futuros do trigo encerraram com alta:
- Maio: US$ 5,82 por bushel, avanço de 1,97%
- Julho: US$ 5,91 por bushel, alta de 1,80%
Perspectiva aponta continuidade de preços firmes
Diante da oferta restrita no Brasil, da demanda ativa e das incertezas no cenário internacional, a tendência é de manutenção dos preços firmes no curto prazo.
O mercado segue atento ao avanço da nova safra, ao comportamento do câmbio e aos desdobramentos climáticos e geopolíticos, que continuam sendo determinantes para a formação dos preços do trigo.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
Agro
Mapa apresenta Rgen+Sustentável na Feira Brasil na Mesa
Neste sábado (25), na Feira Brasil na Mesa, realizada pela Embrapa em comemoração aos seus 53 anos, o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) realizou uma palestra detalhando a Política Nacional de Conservação e Uso Sustentável dos Recursos Genéticos para a Alimentação, a Agricultura e a Pecuária (Rgen+Sustentável).
Com o objetivo de conservar, valorizar e promover o uso sustentável dos recursos genéticos para a alimentação e a agricultura (RGAA), a política foi lançada em abril de 2025 e busca ampliar a base genética dos programas de melhoramento das instituições de pesquisa, além de fortalecer o conhecimento sobre esses recursos e contribuir para a segurança alimentar e nutricional. A iniciativa também atua como catalisadora do desenvolvimento científico e tecnológico no setor agrícola.
A política é estruturada para garantir a segurança alimentar nacional por meio da conservação e do uso sustentável da diversidade genética. São considerados recursos genéticos os materiais com valor atual ou potencial para uso direto ou indireto na alimentação e na agropecuária, incluindo espécies de plantas, animais, microrganismos e organismos intermediários.
Durante a apresentação, o representante da coordenação de Recursos Genéticos para a Alimentação e Agricultura do Departamento de Inovação do Mapa, Paulo Mocelin, destacou a importância estratégica do tema.
Segundo Mocelin, embora o tema ainda não seja amplamente conhecido pelo público, ele é fundamental para o futuro da agropecuária. “O tema de recursos genéticos não é tão popular, mas traz elementos novos e essenciais para o desenvolvimento do setor. A Política Nacional é uma política de Estado, instituída pelo Decreto nº 12.097, de 2024, e tem como objetivo definir prioridades e estratégias para consolidar uma agenda de longo prazo voltada à conservação, valorização e uso sustentável da biodiversidade agrícola”, explicou.
Também ressaltou que a política está alinhada a compromissos internacionais, como a Convenção sobre Diversidade Biológica e o Tratado Internacional sobre Recursos Fitogenéticos para Alimentação e Agricultura.
“O Brasil é um país megadiverso, com grande variedade de espécies, biomas e ecossistemas. Temos um clima favorável à agropecuária, um sistema nacional de pesquisa robusto, com destaque para a Embrapa e instituições estaduais, além de uma legislação estruturada e parcerias internacionais consolidadas”, pontuou.
No âmbito das diretrizes de pesquisa e inovação, a política busca promover a conservação e o uso sustentável dos recursos genéticos, incentivar a adoção de novas tecnologias, sistematizar e disponibilizar informações científicas e fortalecer a articulação entre atores públicos e privados.
Já em relação aos Povos e Comunidades Tradicionais (PCTs) e ao Conhecimento Tradicional Associado (CTA), a iniciativa incentiva o intercâmbio de variedades tradicionais e raças localmente adaptadas, além de valorizar os saberes tradicionais e promover a participação social.
No eixo de informação e capacitação, estão previstas ações de divulgação da importância estratégica dos RGAA, articulação de redes nacionais e internacionais, formação de recursos humanos e ampliação do acesso a dados qualificados.
A política também se articula com iniciativas como a Rede Nacional de Pesquisa e Inovação em Genética Agrícola para Adaptação às Mudanças Climáticas (Readapta), que desenvolve projetos de melhoramento genético voltados a culturas como arroz, feijão, milho, soja, trigo e mandioca.
O Mapa é responsável pela definição e implementação dos planos de ação, pela estruturação da rede, pelo fomento à conservação e capacitação, além de incentivar pesquisas e inovações baseadas no uso sustentável dos recursos genéticos.
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