Agro
Suinocultura brasileira entra em alerta com margens negativas e excesso de oferta
A suinocultura brasileira atravessa um momento de forte pressão econômica em 2026. De acordo com o relatório Agro Mensal, divulgado pela Consultoria Agro do Itaú BBA, o mercado de suínos registrou deterioração acelerada das margens em abril, diante do excesso de oferta no mercado interno e da dificuldade de absorção da produção pelo consumo doméstico.
O estudo destaca que o spread da atividade entrou em território negativo pela primeira vez em quase três anos, acendendo um sinal de alerta para produtores independentes e reforçando a necessidade de gestão rigorosa de custos e controle da expansão da produção.
Preço do suíno despenca e margens ficam negativas
Segundo o levantamento, o preço do suíno vivo em São Paulo caiu 18% ao longo de abril, encerrando o mês em R$ 5,40 por quilo — o menor patamar desde 2022 e cerca de 30% abaixo do registrado no mesmo período do ano passado.
Na comparação com março, a retração média foi de 14%, movimento que derrubou a rentabilidade da atividade. O spread da suinocultura passou de 22% no início do ano para -6% em abril.
A pressão ocorreu principalmente pelo avanço da produção em ritmo superior à capacidade de absorção do mercado doméstico. Apesar da queda nos preços da carne no atacado ter sido menor, o excesso de oferta penalizou fortemente o valor pago ao produtor.
O relatório aponta ainda que, mesmo com uma leve recuperação nos preços no fim de abril, o mercado precisaria voltar ao patamar de R$ 6,15/kg para atingir novamente o ponto de equilíbrio financeiro da atividade.
Exportações seguem fortes, mas não aliviam pressão interna
Apesar das dificuldades no mercado doméstico, as exportações brasileiras de carne suína continuam apresentando desempenho robusto.
Os embarques de abril alcançaram cerca de 121 mil toneladas, volume 9,7% superior ao registrado no mesmo mês de 2025. No acumulado do primeiro quadrimestre, o crescimento chega a 13,7%.
Ainda assim, o avanço das vendas externas não foi suficiente para compensar o aumento da produção interna.
Dados preliminares de abate sob inspeção federal indicam crescimento de 5% no primeiro trimestre do ano. Considerando também a expansão das exportações, o consumo aparente doméstico avançou apenas 2,2%, mostrando ritmo insuficiente para equilibrar o mercado.
Além disso, o aumento do peso médio das carcaças contribuiu para ampliar ainda mais a disponibilidade de carne no mercado brasileiro.
Itaú BBA recomenda cautela e gestão de risco
Na avaliação da Consultoria Agro do Itaú BBA, o cenário exige maior disciplina produtiva e foco estratégico na gestão de custos, principalmente entre produtores independentes.
O relatório destaca que, embora os custos de produção ainda estejam relativamente controlados e as exportações permaneçam aquecidas, a continuidade da oferta elevada pode agravar ainda mais a deterioração das margens.
Entre os principais fatores de atenção para os próximos meses estão:
- Possível alta nos custos da ração;
- Riscos climáticos para a safra de milho nos Estados Unidos;
- Desafios para a primeira safra brasileira de milho;
- Forte valorização dos fertilizantes;
- Ciclo prolongado de ajuste da oferta no setor.
O estudo ressalta ainda que os ciclos de destruição de margens na suinocultura costumam ser longos, exigindo planejamento financeiro e estratégias de proteção por parte dos produtores.
Mercado externo ainda sustenta competitividade brasileira
Mesmo com o cenário doméstico desafiador, o spread de exportação da carne suína brasileira segue em patamar considerado favorável.
A competitividade do produto brasileiro no mercado internacional continua sustentando os embarques, principalmente em um contexto de demanda externa aquecida e ausência de grandes restrições comerciais.
Ainda assim, o Itaú BBA alerta que somente uma desaceleração mais consistente da oferta poderá restabelecer o equilíbrio entre produção e demanda no mercado interno ao longo dos próximos meses.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
Agro
Brasil e Honduras discutem parceria estratégica para modernizar a agricultura e fortalecer a segurança alimentar
O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) concluiu, nesta quinta-feira (4), missão oficial em Honduras com avanços na agenda de cooperação bilateral em pesquisa agropecuária, inovação tecnológica, desenvolvimento rural e segurança alimentar. A programação também resultou em encaminhamentos voltados ao fortalecimento das relações comerciais entre os dois países.
A missão foi liderada pelo secretário-executivo do Mapa, Cleber Soares, e contou com a participação da embaixadora do Brasil em Honduras, Andrea Watson; da adida agrícola Priscila Rech; da chefe de gabinete da Secretaria-Executiva, Erika Ferraz; e do representante do Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA), Cristian Fischer.
A programação teve início com reunião com o ministro da Agricultura e Pecuária de Honduras, Moisés Molina. Durante o encontro, as autoridades discutiram oportunidades de atuação conjunta em áreas estratégicas para o desenvolvimento do setor agropecuário, incluindo planejamento agrícola, inovação tecnológica, melhoramento genético e transferência de conhecimento.
A delegação brasileira também se reuniu com representantes da Dirección de Ciencia y Tecnología Agropecuaria (Dicta), principal instituição de pesquisa agropecuária hondurenha. Na ocasião, foram debatidas ações voltadas ao fortalecimento institucional, à formação de recursos humanos e à modernização dos sistemas de inovação. As discussões evidenciaram oportunidades de intercâmbio em áreas como pesquisa agropecuária, assistência técnica, sanidade animal e vegetal e adaptação às mudanças climáticas, com potencial contribuição de instituições brasileiras como a Embrapa e o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).
No campo comercial, a missão também avançou em tratativas relacionadas a produtos de interesse bilateral, com destaque para farinhas de origem animal, carne de aves e carne suína. Os temas integram a agenda de ampliação do comércio agropecuário entre Brasil e Honduras.
O encerramento da missão ocorreu na Presidência da República de Honduras, em reunião que reafirmou o interesse dos dois governos em aprofundar o diálogo técnico e institucional. O encontro destacou a convergência de prioridades em temas como segurança alimentar, inovação, desenvolvimento rural e modernização da agricultura.
A missão contou com o apoio do IICA, parceiro estratégico na articulação institucional e na identificação de oportunidades de trabalho conjunto. Os resultados da agenda reforçam o compromisso do Brasil com a promoção do desenvolvimento agropecuário sustentável e com o fortalecimento das relações com os países da América Central.
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