Agro
Soja enfrenta pressão de oferta global após relatórios do USDA e Conab; preços em Chicago recuam para mínimas de quatro meses
O mercado global da soja segue pressionado por um quadro de ampla oferta, reforçado pelos mais recentes levantamentos divulgados pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) e pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Os números confirmam a perspectiva de produção elevada nas principais regiões produtoras do mundo e mantêm os preços internacionais sob pressão.
Em Chicago, os contratos futuros da soja se aproximaram da faixa de US$ 11,00 por bushel, atingindo os menores patamares dos últimos quatro meses. O movimento reflete a combinação de estoques confortáveis, projeções de safra robustas e demanda global incapaz de absorver rapidamente o crescimento da oferta.
Queda em Chicago reduz ritmo dos negócios no Brasil
Mesmo com o dólar apresentando momentos de valorização ao longo da semana, aproximando-se de R$ 5,20, a desvalorização dos contratos internacionais limitou a sustentação dos preços no mercado brasileiro.
O resultado foi um enfraquecimento das negociações, com produtores retraídos diante dos preços ofertados e compradores adotando postura cautelosa, à espera de novas definições do mercado.
A combinação entre a pressão externa e a expectativa de uma grande safra nacional tem contribuído para reduzir a liquidez no mercado físico da oleaginosa.
USDA mantém projeções para safra dos Estados Unidos
No relatório de junho, o USDA manteve praticamente inalteradas suas estimativas para a safra norte-americana de soja 2026/27.
A produção dos Estados Unidos foi projetada em 4,435 bilhões de bushels, equivalentes a aproximadamente 120,7 milhões de toneladas. A produtividade permanece estimada em 53 bushels por acre.
Os estoques finais foram calculados em 310 milhões de bushels, ou cerca de 8,44 milhões de toneladas, praticamente em linha com as expectativas do mercado.
As projeções de esmagamento e exportações também foram mantidas, indicando consumo doméstico de 2,75 bilhões de bushels e vendas externas de 1,63 bilhão de bushels.
Para a safra 2025/26, os estoques de passagem foram estimados em 340 milhões de bushels, ligeiramente acima das expectativas do mercado.
Produção mundial permanece em níveis históricos
O USDA estima que a produção global de soja alcance 441,34 milhões de toneladas na temporada 2026/27, mantendo o mercado amplamente abastecido.
Os estoques finais mundiais foram projetados em 124,88 milhões de toneladas, volume que continua elevado e reforça o cenário de conforto na oferta internacional.
Apesar de pequenas revisões em relação ao relatório anterior, os números seguem apontando para um equilíbrio favorável aos compradores e desafiador para os vendedores.
Brasil caminha para novas safras recordes
O relatório do USDA manteve a projeção de produção brasileira de soja em 180 milhões de toneladas para a temporada 2025/26.
Para o ciclo 2026/27, a expectativa é ainda mais otimista, com uma safra estimada em 186 milhões de toneladas, consolidando o Brasil como o maior produtor mundial da oleaginosa.
Já para a Argentina, o órgão norte-americano elevou a estimativa da safra 2025/26 para 50 milhões de toneladas, dois milhões acima da previsão anterior.
O crescimento da produção sul-americana reforça o aumento da concorrência global e amplia a disponibilidade de soja no mercado internacional.
China mantém forte demanda, mas não altera cenário
Principal importadora mundial de soja, a China deverá adquirir 112 milhões de toneladas na temporada 2025/26 e 114 milhões de toneladas em 2026/27, segundo o USDA.
Embora os volumes permaneçam elevados, eles não são suficientes para alterar significativamente o cenário de ampla oferta global, diante do forte crescimento da produção nos países exportadores.
Conab projeta safra histórica e exportações em alta
No Brasil, a Conab elevou sua projeção para a safra 2025/26, estimando produção de 180,25 milhões de toneladas no nono levantamento da temporada.
O volume representa crescimento de 5,1% em relação à safra anterior, quando foram colhidas 171,48 milhões de toneladas.
Com a produção recorde, a Companhia Nacional de Abastecimento também revisou para cima as perspectivas de exportação, que deverão atingir 116,1 milhões de toneladas.
Além disso, o processamento interno da oleaginosa deve alcançar 61,58 milhões de toneladas, impulsionado pela demanda das indústrias de farelo e óleo de soja.
Segundo a Conab, o estoque final brasileiro deverá ficar próximo de 9,2 milhões de toneladas, reforçando a disponibilidade interna e contribuindo para o equilíbrio do abastecimento nacional.
Mercado segue atento ao comportamento da demanda
Embora os fundamentos continuem apontando para uma oferta abundante, analistas destacam que o comportamento da demanda global será determinante para a trajetória dos preços nos próximos meses.
Fatores como o ritmo das compras chinesas, a evolução da economia mundial, as condições climáticas durante o desenvolvimento da safra norte-americana e as oscilações cambiais seguirão no radar dos agentes de mercado.
Por enquanto, os números divulgados por USDA e Conab reforçam um cenário predominantemente baixista para a soja, mantendo pressão sobre as cotações internacionais e exigindo atenção redobrada dos produtores brasileiros na gestão da comercialização da safra.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
Agro
Abelhas elevam produtividade da soja em até 18%
A presença de abelhas nas proximidades das lavouras pode aumentar, em média, 13% a produtividade da soja, segundo estudos da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). Em alguns experimentos, o ganho chegou a 18%, resultado obtido sem ampliação da área plantada.
Embora a soja seja considerada uma planta capaz de se autopolinizar, as visitas das abelhas às flores melhoram o processo de fecundação. Os efeitos podem aparecer no aumento do número de grãos por vagem, na redução de vagens vazias e, ao final do ciclo, na quantidade colhida por hectare.
Os percentuais não representam uma garantia automática para todas as propriedades. O resultado depende da cultivar, das condições climáticas, da população de polinizadores, da paisagem ao redor da lavoura e das práticas adotadas durante o florescimento. Ainda assim, as pesquisas mostram que a polinização deve ser considerada parte do sistema produtivo, e não apenas um benefício ambiental.
A contribuição econômica das abelhas vai muito além da produção de mel. Um estudo citado pela Embrapa estimou em aproximadamente R$ 43 bilhões o valor anual do serviço de polinização para a produção brasileira de alimentos, com base nos dados agrícolas de 2018.
Entre 141 espécies cultivadas no Brasil para alimentação humana, produção animal, fibras e biocombustíveis, cerca de 85 dependem, em algum grau, da polinização realizada por animais. As abelhas são os principais agentes desse processo. Café, laranja, maçã, melão, maracujá, castanha-do-brasil, canola e algodão estão entre as culturas beneficiadas.
A dimensão desse serviço também começou a ser mais bem compreendida nas áreas de soja. Pesquisa divulgada pela Embrapa em 2026 identificou 53 espécies de abelhas em lavouras e fragmentos de vegetação nativa no sudoeste de Goiás. Desse total, 27 eram novos registros de espécies associadas à cultura na região.
O levantamento mostra que a soja não recebe apenas a visita da abelha-africanizada, normalmente utilizada na produção comercial de mel. Diferentes espécies nativas também percorrem as flores e participam da polinização. Essa diversidade reduz a dependência de um único polinizador e aumenta a capacidade de o ambiente responder a mudanças de temperatura, umidade e disponibilidade de alimento.
A manutenção de vegetação nativa próxima às áreas produtivas tem papel importante nesse processo. Matas, reservas legais, áreas de preservação permanente, corredores de vegetação e faixas com plantas floridas oferecem abrigo e alimento às abelhas antes e depois da florada da cultura comercial.
Para o produtor, essas áreas podem funcionar como infraestrutura biológica da propriedade. A contribuição será maior quando houver conexão entre os ambientes naturais e a lavoura, permitindo que os insetos encontrem locais para nidificação, água e fontes de néctar e pólen durante diferentes períodos do ano.
A integração também pode abrir uma fonte complementar de renda. Dados da Embrapa indicam que apicultores com bom manejo e colmeias instaladas próximas às lavouras podem obter até 50 quilos de mel por colmeia durante a florada da soja. Ao mesmo tempo que as abelhas encontram alimento, o produtor de grãos recebe o serviço de polinização.
A convivência, entretanto, exige planejamento. A localização dos apiários precisa ser conhecida, e agricultores, responsáveis técnicos e apicultores devem manter comunicação sobre o calendário da lavoura e as aplicações de defensivos.
O manejo integrado de pragas ajuda a evitar pulverizações desnecessárias. Quando o controle químico for indispensável, devem ser respeitados o registro do produto, as orientações da bula, as condições meteorológicas e as técnicas destinadas a reduzir deriva. Sempre que tecnicamente possível, a aplicação deve considerar os horários de menor atividade das abelhas.
O vento, a temperatura e a umidade interferem diretamente na dispersão da calda. Uma pulverização feita em condições inadequadas pode atingir flores, vegetação próxima e fontes de água frequentadas pelos insetos, mesmo quando as colmeias estão fora da área cultivada. Por isso, regulagem do equipamento, escolha correta das pontas e acompanhamento das condições ambientais são medidas decisivas.
Também cabe ao apicultor manter as colmeias identificadas, bem manejadas e instaladas em locais adequados. A comunicação antecipada permite avaliar medidas de proteção sem comprometer as necessidades fitossanitárias da lavoura.
A preservação das abelhas não deve ser tratada como uma obrigação separada da produção. Os estudos mostram que esses insetos participam da formação da safra e podem melhorar o aproveitamento da área já cultivada. Para o produtor, proteger os polinizadores significa conservar um serviço natural capaz de elevar a produtividade, diversificar a renda e fortalecer a estabilidade do sistema agrícola.
Fonte: Pensar Agro
-
Esportes6 dias agoCruzeiro vence o Corinthians por 2 a 1 e impede entrada do rival no G5
-
Esportes6 dias agoSantos goleia o Vasco, deixa o Z4 e conquista primeira vitória fora de casa
-
Paraná5 dias agoEm Campina Grande do Sul, Ministério Público do Paraná denuncia por homicídio culposo médica que dirigia UTI pediátrica na qual morreram seis crianças em 2024
-
Agro7 dias agoUberaba realiza quinta o 9º Encontro ABCZ Mulher
-
Agro7 dias agoErro em contratos de arrendamento pode gerar multa de 50% do IR, alerta Receita Federal
-
Agro4 dias agoEmpresas do agro têm até 31 de agosto para declarar “projetos do bem”
-
Esportes6 dias agoFlamengo goleia o Mirassol por 5 a 1 e reduz distância para o líder Palmeiras
-
Esportes5 dias agoInternacional cede empate ao Remo no fim e chega a sete jogos sem vencer no Brasileirão
