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Agro

Soja e milho devem somar 39,1 milhões de toneladas no Paraná e reforçam liderança do agro estadual

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A produção de soja e milho deve impulsionar o agronegócio do Paraná na safra 2026, com estimativa total de 39,1 milhões de toneladas. Os dados são da Previsão Subjetiva de Safra (PSS), divulgada pelo Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento. O levantamento também traz análises sobre batata, tomate, fruticultura e proteínas animais, consolidando o Estado como uma das principais potências do agro brasileiro.

Soja mantém protagonismo com 21,7 milhões de toneladas

A soja segue como principal cultura do Paraná, com expectativa de produção de 21,7 milhões de toneladas. Mesmo com leve revisão em relação ao levantamento anterior, o volume ainda supera a safra passada, consolidando um ciclo considerado positivo para o Estado.

A área plantada foi estimada em 5,75 milhões de hectares, reforçando a importância da oleaginosa na economia agrícola paranaense.

Segundo o Deral, a colheita está praticamente consolidada e não deve sofrer grandes alterações nos números finais.

Milho sustenta crescimento e reforça segunda safra recorde

O milho também apresenta cenário favorável, mesmo com oscilações climáticas recentes. O retorno das chuvas em diversas regiões trouxe maior segurança ao desenvolvimento das lavouras.

A produção total está estimada em aproximadamente 21,3 milhões de toneladas, somando as duas safras:

  • Primeira safra: 3,9 milhões de toneladas (já concluída)
  • Segunda safra: 17,4 milhões de toneladas (em desenvolvimento)
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A segunda safra ocupa cerca de 2,9 milhões de hectares, configurando uma das maiores áreas já registradas no Estado.

O analista do Deral, Edmar Gervasio, destaca a estabilidade das projeções. “A primeira safra de milho e soja está consolidada. Podem ocorrer apenas ajustes pontuais por conta do clima, mas sem mudanças significativas nos números”, afirma.

Batata e tomate têm avanço na colheita e boa qualidade

Na horticultura, o Deral aponta diferentes estágios de desenvolvimento:

  • Batata: primeira safra 100% colhida; segunda safra com 97% de plantio e 33% de colheita em andamento
  • Tomate: primeira safra com 85% colhida; segunda safra com 36% já colhida e 14% ainda a semear

De acordo com o engenheiro agrônomo Paulo Andrade, a qualidade da produção está positiva. “Cerca de 90% dos tomates apresentam boa qualidade e as áreas de plantio seguem estáveis”, destaca.

Kiwi ganha espaço e registra forte valorização

O Boletim Conjuntural do Deral também evidencia o avanço da fruticultura, com destaque para o kiwi no Sul e Centro-Sul do Paraná.

A cultura gerou Valor Bruto de Produção (VBP) de R$ 20,7 milhões, com protagonismo do município de Antônio Olinto. O preço médio pago ao produtor em 2025 chegou a R$ 11,89/kg, alta de 50,5% em relação à safra anterior.

Apesar do avanço, o mercado ainda é dominado por importações do Chile e da Grécia, o que abre espaço para expansão da produção paranaense.

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Proteínas animais reforçam liderança do Paraná no agro

O Estado mantém posição de destaque na produção de proteínas animais, especialmente na avicultura.

No primeiro trimestre de 2026:

  • Exportações de carne de frango cresceram 7,7% em volume
  • Faturamento avançou 5%, somando US$ 1,088 bilhão
  • Paraná responde por 42,3% das exportações brasileiras do setor

Além disso, o Estado lidera a produção nacional de ovos férteis, com 270,4 milhões de dúzias em 2025, alta de 5,5%.

Leite enfrenta pressão de custos e margens apertadas

Na pecuária leiteira, o cenário segue desafiador. O aumento dos custos de produção, especialmente com nutrição animal, tem pressionado as margens dos produtores.

A relação de troca também piorou: em março de 2025, com o litro do leite a R$ 2,81, foram necessários 27,7 litros para adquirir uma saca de milho, evidenciando aumento do custo produtivo.

Perspectiva para o agro paranaense

Com safra de grãos robusta, avanço da fruticultura e liderança consolidada em proteínas animais, o Paraná reforça sua posição como um dos principais polos do agronegócio brasileiro.

Apesar dos desafios climáticos e de custos em alguns segmentos, o Estado mantém trajetória de forte produção e diversificação, sustentando sua relevância no cenário nacional e internacional.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Brasil pode unificar rastreabilidade para blindar soja e carne à China e à União Europeia

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A integração dos sistemas utilizados para comprovar a origem da soja e da carne bovina pode reduzir custos, evitar auditorias repetidas e fortalecer o acesso dos produtos brasileiros aos mercados da China e da União Europeia. A proposta consta de um estudo divulgado pelo WRI Brasil, que identificou 21 iniciativas públicas e privadas de rastreabilidade e controle ambiental em funcionamento no País, mas com critérios, bancos de dados e formas de verificação diferentes.

O WRI Brasil não é um órgão público nem representa produtores ou empresas do agronegócio. Trata-se de uma associação privada sem fins lucrativos e de pesquisa ambiental, integrante do World Resources Institute, organização internacional fundada nos Estados Unidos em 1982. A instituição atua em mais de 50 países e desenvolve estudos sobre clima, florestas, cidades, alimentos e uso da terra, em parceria com governos, empresas, universidades e organizações da sociedade civil.

Por isso, o protocolo sugerido pelo instituto não tem força de lei, não substitui a fiscalização brasileira e tampouco cria uma certificação obrigatória. A proposta funciona como uma recomendação técnica para aproximar ferramentas que já existem, mas ainda não conversam adequadamente entre si.

O problema identificado está na fragmentação. Uma plataforma verifica a situação ambiental da propriedade; outra acompanha a movimentação dos animais; uma terceira atende a determinado comprador ou certificação. Também existem diferenças nas datas utilizadas para delimitar o desmatamento, no tratamento dos fornecedores indiretos e nos critérios de bloqueio de propriedades.

Na prática, uma mesma fazenda pode estar regular perante a legislação brasileira e, ainda assim, não atender ao protocolo privado de uma empresa ou à exigência ambiental de determinado mercado. Para o produtor, isso significa fornecer informações semelhantes várias vezes, contratar auditorias diferentes e enfrentar dúvidas sobre qual padrão será aceito no momento da venda.

A proposta ganha relevância pelo tamanho das duas cadeias. O Brasil colheu 180,6 milhões de toneladas de soja na safra 2025/26 e poderá exportar 116,3 milhões de toneladas, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento. Na pecuária, o País possui o maior rebanho comercial do mundo, produz mais de 11 milhões de toneladas de carne bovina por ano e ocupa a liderança global nas exportações.

A China está no centro dessa discussão. O país asiático comprou R$ 282 bilhões em produtos do agronegócio brasileiro em 2025, considerando o câmbio de R$ 5,10, e respondeu por quase um terço de toda a receita externa do setor. O mercado chinês recebe a maior parte da soja exportada pelo Brasil e aproximadamente metade da carne bovina embarcada pelo País.

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Embora a China ainda não tenha uma legislação equivalente ao regulamento europeu contra o desmatamento, compradores, instituições financeiras e grandes empresas chinesas vêm ampliando as exigências de origem e conformidade ambiental. O estudo sustenta que Brasil e China poderiam construir um referencial comum antes que diferentes compradores estabeleçam critérios próprios e aumentem a burocracia.

Na União Europeia, a pressão já está formalizada. O Regulamento Europeu sobre Produtos Livres de Desmatamento, conhecido pela sigla EUDR, determina que soja, gado, café, cacau, madeira, borracha e óleo de palma, além de produtos derivados, somente poderão entrar no bloco quando houver comprovação de que não foram produzidos em áreas desmatadas depois de 31 de dezembro de 2020.

A regra começará a valer em 30 de dezembro de 2026 para grandes e médias empresas. A maioria das micro e pequenas terá até 30 de junho de 2027. O importador europeu será o responsável legal pela declaração, mas dependerá de informações fornecidas pela cadeia brasileira, como a localização geográfica da propriedade e a documentação necessária para demonstrar a origem do produto.

Esse é um dos pontos de maior atrito com o setor produtivo. O EUDR não considera apenas se o desmatamento foi legal ou ilegal segundo o Código Florestal brasileiro. Mesmo uma supressão de vegetação autorizada pelas autoridades nacionais, se realizada após a data de corte europeia, pode tornar o produto inelegível para aquele mercado.

No caso da soja, a rastreabilidade precisa chegar à propriedade onde o grão foi cultivado. A dificuldade aparece quando cargas de diferentes fazendas são reunidas em armazéns, cooperativas, cerealistas e tradings. A proposta é integrar documentos fiscais, cadastros ambientais, localização das áreas produtoras e registros comerciais, preservando a identificação da origem mesmo depois da mistura física do produto.

Na pecuária, o desafio é maior. Um bovino pode nascer em uma propriedade, passar pela recria em outra e ser terminado em uma terceira antes de chegar ao frigorífico. Atualmente, a indústria consegue fiscalizar com maior facilidade o fornecedor direto, responsável por entregar o animal para abate, mas nem sempre possui visibilidade completa das fazendas anteriores.

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A Guia de Trânsito Animal registra a movimentação dos lotes, enquanto o Sistema Brasileiro de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos permite acompanhar animais individualmente em cadeias que exigem esse controle. A adesão ao sistema individual, entretanto, ainda não alcança todo o rebanho nacional.

O governo iniciou a implantação do Plano Nacional de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos, com execução prevista até 2032. A recomendação do estudo é que frigoríficos e compradores avancem desde já no controle dos fornecedores indiretos, sem esperar a identificação obrigatória de todos os animais.

A carne brasileira ainda enfrenta outro impasse com a União Europeia, que não deve ser confundido com o EUDR. Além da origem ambiental, o bloco exige garantias sobre o controle de determinados antimicrobianos durante todo o ciclo de vida dos animais. A Comissão Europeia anunciou a retirada do Brasil da lista de países autorizados a fornecer carnes e outros produtos de origem animal a partir de 3 de setembro de 2026, caso não considere suficientes as garantias apresentadas.

O governo brasileiro sustenta que possui um sistema oficial confiável e que somente certificará produtos que cumprirem integralmente as exigências europeias. O ponto de divergência é a cobrança de uma comprovação prévia para medidas implementadas progressivamente ao longo do ciclo produtivo. Na avicultura, esse ciclo pode ser concluído em cerca de 40 dias; na bovinocultura, a formação de animais plenamente elegíveis pode levar dois anos ou mais.

Assim, a carne brasileira enfrenta duas frentes distintas na Europa: a ambiental, relacionada ao desmatamento e à rastreabilidade da propriedade de origem; e a sanitária, ligada ao uso de antimicrobianos durante a vida do animal. A unificação dos sistemas proposta pelo WRI ajudaria principalmente na primeira frente. Para o produtor, o resultado dependerá de como essa integração será implementada, de quem pagará pela adaptação e de sua capacidade de reduzir burocracia, em vez de acrescentar uma nova camada de exigências ao campo.

Fonte: Pensar Agro

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