Agro
Sistema FAEP pressiona governo para evitar embargo da União Europeia à carne brasileira
O Sistema FAEP solicitou ao governo federal urgência no encaminhamento de informações técnicas à União Europeia (UE) para evitar a suspensão das importações de produtos de origem animal brasileiros. A preocupação do setor surgiu após o bloco europeu anunciar restrições à entrada de determinados produtos devido à ausência de documentos que comprovem o atendimento às exigências sanitárias relacionadas, principalmente, ao controle do uso de antimicrobianos na produção pecuária.
Em ofício encaminhado ao Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) nesta terça-feira (9), a entidade pediu providências imediatas para impedir que a medida entre em vigor a partir de 3 de setembro deste ano.
Falta de informações pode comprometer exportações
Segundo o Sistema FAEP, o problema não está relacionado à qualidade sanitária da produção nacional, mas sim à demora no envio das informações requeridas pelas autoridades europeias.
A suspensão anunciada pela União Europeia poderá atingir diversos produtos de origem animal, incluindo carnes bovina e de aves, mel, equinos, tripas e produtos da aquicultura.
Para o presidente do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette, a situação exige resposta rápida do governo federal para preservar mercados estratégicos para o agronegócio brasileiro.
“É inadmissível que nossos mercados sejam ameaçados por falta de agilidade e articulação diplomática. O agro brasileiro precisa de uma ação imediata do governo federal para evitar a suspensão dos negócios e, consequentemente, prejuízos aos pecuaristas”, destacou.
Pecuária brasileira mantém reconhecimento sanitário internacional
A entidade reforça que a possível restrição europeia não reflete a realidade sanitária da pecuária nacional, que vem acumulando importantes reconhecimentos internacionais nos últimos anos.
O Paraná, por exemplo, possui desde 2021 o reconhecimento internacional como área livre de febre aftosa sem vacinação. O mesmo status foi concedido ao Brasil em 2025 pela Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA), fortalecendo a credibilidade da produção pecuária brasileira nos mercados internacionais.
Mais recentemente, a China também reconheceu todo o território nacional como livre da doença sem necessidade de vacinação, ampliando as oportunidades comerciais para a carne brasileira.
Setor alerta para prejuízos econômicos e produtivos
Além dos impactos nas exportações, o Sistema FAEP alerta que uma eventual suspensão das compras pela União Europeia poderá gerar efeitos diretos sobre os produtores rurais, que vêm investindo em tecnologia, rastreabilidade e melhorias sanitárias para atender aos mercados mais exigentes do mundo.
Segundo Meneguette, a manutenção do acesso aos mercados internacionais depende não apenas da qualidade da produção, mas também da eficiência na interlocução entre governo e parceiros comerciais.
“Se esse embargo não for revertido, os prejuízos vão além dos números da balança comercial. Quem será diretamente afetado é o pecuarista, que investiu para garantir padrões de qualidade e sustentabilidade reconhecidos internacionalmente”, afirmou.
Mercado europeu é estratégico para a carne brasileira
A União Europeia permanece entre os mercados mais relevantes para produtos agropecuários brasileiros de maior valor agregado. Por isso, representantes do setor defendem que o governo federal acelere o envio das informações solicitadas e intensifique as negociações diplomáticas para evitar interrupções no fluxo comercial.
A expectativa das entidades do agronegócio é de que a situação seja resolvida antes do prazo estabelecido pela UE, preservando a competitividade da pecuária brasileira e garantindo segurança aos exportadores e produtores rurais.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
Agro
Seguro rural mais forte pode evitar nova crise bilionária de dívidas no campo
Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) articula mudanças na Medida Provisória 1.376/2026 e a aprovação de um novo marco para o seguro rural como parte de uma estratégia para enfrentar a crise de endividamento no campo. A bancada avalia que a renegociação é necessária, mas precisa ser acompanhada de mecanismos capazes de proteger o produtor contra novas perdas climáticas e impedir a repetição do problema nos próximos anos.
O debate ganhou força após estudo do Centro de Estudos em Agronegócios da Fundação Getulio Vargas (FGV Agro) mostrar que o impacto fiscal anual da renegociação, estimado pelo governo em até R$ 3,6 bilhões, permitiria proteger R$ 112,6 bilhões em produção caso o mesmo valor fosse aplicado no Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR).
A comparação não significa que o seguro possa substituir a renegociação. A conclusão dos pesquisadores é que a medida emergencial deve funcionar como uma ponte para uma política permanente de gestão de riscos. Sem essa mudança, o produtor pode voltar ao crédito com a mesma exposição às perdas climáticas e enfrentar novas dificuldades no próximo choque.
A FPA tem maioria entre os integrantes da comissão mista instalada pelo Congresso para analisar a MP. Dos 26 titulares, 14 pertencem à bancada. Integrantes da frente também apresentaram 126 das 144 emendas protocoladas, demonstrando a intenção de ampliar o alcance e corrigir limitações da medida.
A MP foi construída em uma negociação entre a FPA, o Ministério da Fazenda e a presidência da Câmara. O acordo prevê linhas para liquidação ou amortização de operações de crédito rural e Cédulas de Produto Rural (CPRs), além da participação da União em um fundo garantidor.
A expectativa inicial era de que aproximadamente R$ 100 bilhões pudessem ser renegociados. A portaria de equalização de juros publicada pelo governo, porém, autorizou R$ 25,8 bilhões, equivalentes a apenas 13% dos R$ 197,2 bilhões classificados pelo Banco Central como carteira problemática do setor. O cálculo não inclui dívidas privadas representadas por CPRs emitidas para fornecedores e empresas de comercialização.
Isan Rezende
INDISPENSÁVEL – Para o presidente do Instituto do Agronegócio (IA) e da Federação dos Engenheiros Agrônomos de Mato Grosso (Feagro-MT), Isan Rezende, a renegociação é indispensável para preservar produtores que sofreram perdas sucessivas, mas não pode ser tratada como solução definitiva. “O produtor não está pedindo perdão da dívida. Ele precisa de prazo, juros compatíveis e condições para continuar produzindo. Sem esse fôlego imediato, perde capacidade de financiar a safra, reduz investimentos e coloca em risco a própria continuidade da atividade”.
Segundo Rezende, a crise atual evidencia a fragilidade da política brasileira de proteção da produção. “Se renegociarmos o passivo e devolvermos o produtor ao campo sem seguro adequado, o próximo evento climático poderá criar exatamente o mesmo problema. A renegociação resolve a urgência; o seguro, a assistência técnica e uma política consistente de gestão de risco diminuem a possibilidade de uma nova crise”.
Rezende defende que os recursos para o seguro rural tenham estabilidade e não sejam submetidos a cortes no decorrer do ano. “Não existe seguro eficiente sem previsibilidade orçamentária. Produtores, seguradoras e resseguradoras precisam saber quanto estará disponível e quando a subvenção será liberada. Proteger a lavoura custa menos ao País do que socorrer repetidamente o produtor depois que a perda já ocorreu”.
O exercício realizado pela FGV Agro mostra o tamanho da diferença. Com base no desempenho do PSR em 2025, uma dotação de R$ 3,6 bilhões permitiria proteger 20,47 milhões de hectares, contratar cerca de 398 mil apólices e gerar R$ 10,16 bilhões em prêmios de seguro.
No ano passado, o programa alcançou somente 3,3 milhões de hectares e pouco mais de R$ 18,1 bilhões em importância segurada. A subvenção federal ficou em R$ 581,1 milhões. Em 2021, quando atingiu seu maior alcance, o PSR protegeu 14,23 milhões de hectares.
Os pesquisadores ressalvam que a expansão não ocorreria automaticamente. Seria necessário ampliar a capacidade de seguradoras e resseguradoras, garantir recursos no Orçamento e estimular a contratação pelos produtores. O custo fiscal da renegociação também pode variar ao longo do tempo, conforme o pagamento das parcelas.
Apesar dessas limitações, o estudo sustenta que políticas de valores semelhantes produzem resultados diferentes. A renegociação age depois da perda, reduzindo o peso do passivo. O seguro atua antes do choque e evita que parte do prejuízo se transforme em inadimplência, recuperação judicial, perda de garantias ou pressão por novo socorro público.
Além das mudanças na MP, a FPA trata como prioridade o Projeto de Lei 2.951/2024, que moderniza o seguro rural. A proposta impede o bloqueio dos recursos destinados à subvenção, oferece estímulos para produtores segurados e reformula o Fundo de Estabilidade do Seguro Rural, que passaria a funcionar como Fundo de Catástrofe.
Para a bancada, a saída da crise depende das duas frentes. A renegociação precisa chegar rapidamente aos produtores que perderam capacidade de pagamento, enquanto o fortalecimento do seguro deve reduzir a exposição das próximas safras. O objetivo é evitar que o País apenas adie o passivo atual e tenha de discutir, em poucos anos, uma nova renegociação das mesmas dívidas.
Fonte: Pensar Agro
-
Esportes7 dias agoSantos vence Macará de virada e abre vantagem nas oitavas da Sul-Americana
-
Esportes7 dias agoCorinthians segura empate com o Rosario Central mesmo com um jogador a menos na Libertadores
-
Esportes7 dias agoCienciano goleia o Botafogo por 6 a 1 e deixa time brasileiro à beira da eliminação na Sul-Americana
-
Agro7 dias agoBatata: safra de inverno amplia oferta e coloca preços em alerta
-
Política Nacional6 dias agoSenado entrega cartas restauradas de Juscelino Kubitschek ao TJDFT
-
Esportes5 dias agoFluminense vira nos acréscimos, vence o Palmeiras por 3 a 2 e encerra jejum no Brasileirão
-
Esportes4 dias agoSantos goleia o Vasco, deixa o Z4 e conquista primeira vitória fora de casa
-
Esportes4 dias agoCruzeiro vence o Corinthians por 2 a 1 e impede entrada do rival no G5
