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Santa Catarina aposta em parcerias para fortalecer a ovinocaprinocultura e ampliar competitividade

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Santa Catarina está avançando no fortalecimento da ovinocaprinocultura por meio de parcerias estratégicas voltadas à inovação, aumento da produtividade e desenvolvimento integrado da cadeia produtiva. Nesta semana, representantes do Projeto de Fortalecimento da Ovinocaprinocultura estiveram na Embrapa Pecuária Sul, em Bagé (RS), para discutir cooperações que abrangem desde a produção até o processamento e a comercialização da carne ovina.

A iniciativa tem como foco ampliar a competitividade dos produtores e abrir novas oportunidades de mercado para a carne ovina catarinense.

Parcerias com a Embrapa focam tecnologia e genética

A Secretaria de Estado da Agricultura e Pecuária (Sape) participou das discussões, destacando a importância da aproximação com instituições de referência. O objetivo é acelerar a adoção de tecnologias no campo e fortalecer a atividade no estado.

Entre os principais temas debatidos estão o melhoramento genético do rebanho e o desenvolvimento de tecnologias para o processamento da carne. Estudos já validados pela Embrapa apontam que o aumento da prolificidade — ou seja, maior número de cordeiros por nascimento — pode elevar rapidamente a produtividade, desde que aliado a um manejo reprodutivo eficiente.

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Pesquisas também avançam em características como resistência a parasitas, perda natural de lã e melhoria da conformação de carcaça, fatores que contribuem diretamente para a eficiência produtiva e qualidade do produto final.

Agregação de valor à carne ovina ganha destaque

Durante o encontro, foram apresentados estudos voltados à tecnologia de carne, com foco na agregação de valor e no melhor aproveitamento dos cortes ovinos. A estratégia busca fortalecer a presença da carne ovina no mercado e aumentar sua competitividade frente a outras proteínas.

Atividade cresce como alternativa para pequenos produtores

A ovinocaprinocultura vem ganhando espaço em Santa Catarina como alternativa de diversificação, especialmente em propriedades familiares. Dados da Epagri/Cepa indicam que o estado possui cerca de 348 mil ovinos distribuídos entre aproximadamente 15 mil produtores.

O rebanho de caprinos soma cerca de 34 mil cabeças, com aproximadamente 3,8 mil produtores envolvidos na atividade. Atualmente, cerca de 800 produtores recebem assistência técnica e gerencial, com foco em boas práticas de produção, gestão e melhoramento genético.

Projeto amplia assistência técnica e integração do setor

Para impulsionar ainda mais o setor, está em andamento uma cooperação entre a Secretaria de Estado da Agricultura e Pecuária e o Sebrae/SC. A iniciativa integra ações de Assistência Técnica e Gerencial, desenvolvidas em parceria com o Senar, ampliando o suporte técnico aos produtores rurais.

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A execução também conta com o apoio de instituições como a Epagri e a Cidasc, que atuam na assistência técnica, extensão rural, defesa sanitária e promoção do desenvolvimento sustentável.

Integração com turismo e governança fortalece cadeia

Além do fortalecimento produtivo, a estratégia inclui a integração da ovinocaprinocultura com a gastronomia e o turismo rural, agregando valor à atividade e ampliando as fontes de renda no campo.

A cadeia produtiva conta ainda com uma Câmara Setorial estruturada, responsável por garantir governança ativa e alinhamento entre os diferentes elos — da produção ao mercado —, consolidando o desenvolvimento sustentável do setor em Santa Catarina.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Brasil pode unificar rastreabilidade para blindar soja e carne à China e à União Europeia

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A integração dos sistemas utilizados para comprovar a origem da soja e da carne bovina pode reduzir custos, evitar auditorias repetidas e fortalecer o acesso dos produtos brasileiros aos mercados da China e da União Europeia. A proposta consta de um estudo divulgado pelo WRI Brasil, que identificou 21 iniciativas públicas e privadas de rastreabilidade e controle ambiental em funcionamento no País, mas com critérios, bancos de dados e formas de verificação diferentes.

O WRI Brasil não é um órgão público nem representa produtores ou empresas do agronegócio. Trata-se de uma associação privada sem fins lucrativos e de pesquisa ambiental, integrante do World Resources Institute, organização internacional fundada nos Estados Unidos em 1982. A instituição atua em mais de 50 países e desenvolve estudos sobre clima, florestas, cidades, alimentos e uso da terra, em parceria com governos, empresas, universidades e organizações da sociedade civil.

Por isso, o protocolo sugerido pelo instituto não tem força de lei, não substitui a fiscalização brasileira e tampouco cria uma certificação obrigatória. A proposta funciona como uma recomendação técnica para aproximar ferramentas que já existem, mas ainda não conversam adequadamente entre si.

O problema identificado está na fragmentação. Uma plataforma verifica a situação ambiental da propriedade; outra acompanha a movimentação dos animais; uma terceira atende a determinado comprador ou certificação. Também existem diferenças nas datas utilizadas para delimitar o desmatamento, no tratamento dos fornecedores indiretos e nos critérios de bloqueio de propriedades.

Na prática, uma mesma fazenda pode estar regular perante a legislação brasileira e, ainda assim, não atender ao protocolo privado de uma empresa ou à exigência ambiental de determinado mercado. Para o produtor, isso significa fornecer informações semelhantes várias vezes, contratar auditorias diferentes e enfrentar dúvidas sobre qual padrão será aceito no momento da venda.

A proposta ganha relevância pelo tamanho das duas cadeias. O Brasil colheu 180,6 milhões de toneladas de soja na safra 2025/26 e poderá exportar 116,3 milhões de toneladas, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento. Na pecuária, o País possui o maior rebanho comercial do mundo, produz mais de 11 milhões de toneladas de carne bovina por ano e ocupa a liderança global nas exportações.

A China está no centro dessa discussão. O país asiático comprou R$ 282 bilhões em produtos do agronegócio brasileiro em 2025, considerando o câmbio de R$ 5,10, e respondeu por quase um terço de toda a receita externa do setor. O mercado chinês recebe a maior parte da soja exportada pelo Brasil e aproximadamente metade da carne bovina embarcada pelo País.

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Embora a China ainda não tenha uma legislação equivalente ao regulamento europeu contra o desmatamento, compradores, instituições financeiras e grandes empresas chinesas vêm ampliando as exigências de origem e conformidade ambiental. O estudo sustenta que Brasil e China poderiam construir um referencial comum antes que diferentes compradores estabeleçam critérios próprios e aumentem a burocracia.

Na União Europeia, a pressão já está formalizada. O Regulamento Europeu sobre Produtos Livres de Desmatamento, conhecido pela sigla EUDR, determina que soja, gado, café, cacau, madeira, borracha e óleo de palma, além de produtos derivados, somente poderão entrar no bloco quando houver comprovação de que não foram produzidos em áreas desmatadas depois de 31 de dezembro de 2020.

A regra começará a valer em 30 de dezembro de 2026 para grandes e médias empresas. A maioria das micro e pequenas terá até 30 de junho de 2027. O importador europeu será o responsável legal pela declaração, mas dependerá de informações fornecidas pela cadeia brasileira, como a localização geográfica da propriedade e a documentação necessária para demonstrar a origem do produto.

Esse é um dos pontos de maior atrito com o setor produtivo. O EUDR não considera apenas se o desmatamento foi legal ou ilegal segundo o Código Florestal brasileiro. Mesmo uma supressão de vegetação autorizada pelas autoridades nacionais, se realizada após a data de corte europeia, pode tornar o produto inelegível para aquele mercado.

No caso da soja, a rastreabilidade precisa chegar à propriedade onde o grão foi cultivado. A dificuldade aparece quando cargas de diferentes fazendas são reunidas em armazéns, cooperativas, cerealistas e tradings. A proposta é integrar documentos fiscais, cadastros ambientais, localização das áreas produtoras e registros comerciais, preservando a identificação da origem mesmo depois da mistura física do produto.

Na pecuária, o desafio é maior. Um bovino pode nascer em uma propriedade, passar pela recria em outra e ser terminado em uma terceira antes de chegar ao frigorífico. Atualmente, a indústria consegue fiscalizar com maior facilidade o fornecedor direto, responsável por entregar o animal para abate, mas nem sempre possui visibilidade completa das fazendas anteriores.

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A Guia de Trânsito Animal registra a movimentação dos lotes, enquanto o Sistema Brasileiro de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos permite acompanhar animais individualmente em cadeias que exigem esse controle. A adesão ao sistema individual, entretanto, ainda não alcança todo o rebanho nacional.

O governo iniciou a implantação do Plano Nacional de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos, com execução prevista até 2032. A recomendação do estudo é que frigoríficos e compradores avancem desde já no controle dos fornecedores indiretos, sem esperar a identificação obrigatória de todos os animais.

A carne brasileira ainda enfrenta outro impasse com a União Europeia, que não deve ser confundido com o EUDR. Além da origem ambiental, o bloco exige garantias sobre o controle de determinados antimicrobianos durante todo o ciclo de vida dos animais. A Comissão Europeia anunciou a retirada do Brasil da lista de países autorizados a fornecer carnes e outros produtos de origem animal a partir de 3 de setembro de 2026, caso não considere suficientes as garantias apresentadas.

O governo brasileiro sustenta que possui um sistema oficial confiável e que somente certificará produtos que cumprirem integralmente as exigências europeias. O ponto de divergência é a cobrança de uma comprovação prévia para medidas implementadas progressivamente ao longo do ciclo produtivo. Na avicultura, esse ciclo pode ser concluído em cerca de 40 dias; na bovinocultura, a formação de animais plenamente elegíveis pode levar dois anos ou mais.

Assim, a carne brasileira enfrenta duas frentes distintas na Europa: a ambiental, relacionada ao desmatamento e à rastreabilidade da propriedade de origem; e a sanitária, ligada ao uso de antimicrobianos durante a vida do animal. A unificação dos sistemas proposta pelo WRI ajudaria principalmente na primeira frente. Para o produtor, o resultado dependerá de como essa integração será implementada, de quem pagará pela adaptação e de sua capacidade de reduzir burocracia, em vez de acrescentar uma nova camada de exigências ao campo.

Fonte: Pensar Agro

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