Agro
Safra mundial de algodão deve cair 3,2% na temporada 2026/27
A nova estimativa divulgada pelo United States Department of Agriculture (USDA) aponta para uma redução na produção global de algodão na safra 2026/27, refletindo quedas expressivas em países líderes como China, Brasil e Estados Unidos. O levantamento, analisado pelo Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea) e divulgado nesta segunda-feira (2), revela também que, apesar da menor oferta, o consumo mundial deve crescer, alcançando o maior patamar em seis anos.
Produção global recua com menores volumes nos principais exportadores
De acordo com o relatório do USDA, a produção global de algodão está estimada em 25,26 milhões de toneladas, o que representa uma queda de 3,22% em relação à temporada anterior. O recuo é atribuído principalmente à redução de área plantada e às condições climáticas menos favoráveis nos três maiores produtores mundiais — China, Brasil e Estados Unidos.
Em contrapartida, países como Austrália, Turquia e México devem registrar crescimento na produção, enquanto Índia e Paquistão tendem a manter os mesmos volumes do ciclo anterior, sem grandes variações.
Consumo global deve atingir maior nível desde 2020/21
Mesmo com a retração na oferta, o USDA projeta que o consumo mundial de algodão deve atingir 26,15 milhões de toneladas em 2026/27 — um aumento de 1,17% em relação à projeção anterior. Esse é o maior volume registrado em seis anos, ainda que abaixo do recorde observado na safra 2020/21.
Segundo o relatório, o aumento na demanda está relacionado às melhores perspectivas para o crescimento econômico global, manutenção de juros estáveis, redução de tarifas nos Estados Unidos e à retomada da indústria têxtil em diversos países, com menor dependência de fibras sintéticas.
Estoques finais globais indicam cenário mais equilibrado
Os estoques finais globais de algodão foram projetados em 15,5 milhões de toneladas, o que representa uma queda de 5,21% frente ao ciclo 2025/26. Esse movimento indica um cenário mais equilibrado entre oferta e demanda, o que pode contribuir para maior estabilidade nos preços internacionais.
Especialistas avaliam que, embora o recuo na produção gere preocupação, a combinação entre consumo em alta e estoques controlados tende a sustentar o mercado global de algodão em 2026, com possíveis efeitos positivos para exportadores competitivos como o Brasil.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
Agro
GT do El Niño entrega relatório final ao ministro André de Paula
O ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, recebeu, nesta quinta-feira (24/09), o relatório final do Grupo de Trabalho (GT) do El Niño. O documento reúne iniciativas técnicas e de gestão de riscos para reduzir os impactos do fenômeno climático sobre a produção agropecuária nacional, além de propor estratégias de mitigação, adaptação e proteção ao produtor rural, no âmbito do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).
De acordo com o relatório, a resposta do governo federal deve combinar três horizontes de atuação: ações imediatas para a safra 2026/2027; medidas voltadas às próximas safras; e iniciativas de caráter permanente, como a criação de um núcleo de gestão de riscos climáticos extremos para monitoramento e análise de riscos.
A estrutura proposta contará com um painel agroclimático para integrar informações, coordenar ações e apoiar a implementação de estratégias de mitigação, adaptação e proteção do produtor rural.
O ministro André de Paula destacou que o trabalho realizado pelo GT integra os esforços do governo federal, sob coordenação da Casa Civil, para o enfrentamento do El Niño. “Essa é uma questão que não é mais excepcional e veio para ficar. Precisamos de planejamento, dotando o Ministério de instrumentos permanentes para enfrentar as situações decorrentes desse cenário”, afirmou.
Entre as medidas apontadas como prioritárias para acelerar a resposta governamental aos efeitos do El Niño está o fortalecimento do Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR), com o objetivo de assegurar a disponibilidade dessa ferramenta antes da intensificação do plantio da safra de verão.
Outro ponto destacado pelo coordenador do GT, Bruno Leite, é a aceleração da implementação do Plano ABC+ e do Programa Nacional de Conversão de Pastagens Degradadas em Sistemas de Produção Agropecuários e Florestais Sustentáveis (Caminho Verde), considerados políticas estruturantes de adaptação e mitigação. “Dessa maneira, podemos ampliar a adoção de tecnologias produtivas resilientes, a assistência técnica, a capacitação e o financiamento”, destacou.
O secretário-executivo do Mapa, Cleber Soares, ressaltou a importância da iniciativa para o enfrentamento dos efeitos das mudanças climáticas e para o fortalecimento das políticas de adaptação e mitigação no setor agropecuário.
ESTRATÉGIAS E AÇÕES
Para a safra 2026/2027, a prioridade indicada no relatório é reduzir perdas por meio da disseminação de tecnologias de comprovada eficiência, já disponibilizadas pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), com ações como assistência técnica, orientações regionalizadas e monitoramento agroclimático para a adoção de práticas de manejo adequadas às condições de cada região.
Para as próximas safras, as recomendações incluem ampliar a adoção de sistemas produtivos resilientes, fortalecer a segurança hídrica e aperfeiçoar o Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc), com integração a Boas Práticas Agrícolas (BPAs), crédito rural, seguro rural e Proagro.
Entre as ações de caráter permanente está a consolidação, no Mapa, de uma estrutura de gestão de riscos climáticos apoiada por um painel integrado de informações. A proposta prevê articulação institucional, monitoramento e análise de riscos, produção de boletins e alertas, apoio técnico à implementação das ações, inclusive em parceria com os estados, e avaliação dos resultados.
Entre as ações de caráter permanente está a consolidação, no Mapa, de uma estrutura de gestão de riscos climáticos apoiada por um painel integrado capaz de reunir informações climáticas e orientações de manejo em formato acessível a quem precisa. A proposta prevê articulação institucional, monitoramento e análise de riscos, produção de boletins e alertas, apoio técnico à implementação das ações, inclusive em parceria com os estados, e avaliação dos resultados.
GT DO EL NIÑO
O GT do El Niño foi instituído pela Portaria nº 928/2026. O grupo foi composto por representantes de cinco secretarias do Mapa, do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) e da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).
Entre as atribuições previstas estava a identificação das regiões e cadeias produtivas mais vulneráveis aos efeitos do fenômeno.
O grupo recebeu da Embrapa um conjunto de 163 medidas sistematizadas para apoiar a gestão de riscos climáticos na agropecuária. As recomendações consideram os possíveis impactos associados ao El Niño na safra 2026/2027 e propõem ações permanentes de prevenção, adaptação e redução de riscos no campo.
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