Política Nacional
Reunião de parlamentos na COP reafirma papel do Legislativo nas decisões climáticas
Aproximar os parlamentares das negociações sobre o enfrentamento dos crescentes impactos do clima foi a proposta da reunião interparlamentar da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança Climática (COP 30), promovida nesta sexta-feira (14), em Belém. Os desafios dos Legislativos para aperfeiçoar leis, garantir orçamento, trabalhar pelo alcance das metas nacionais de redução de emissões de gases de efeito estufa (NDCs) e promover medidas de adaptação, principalmente para os mais vulneráveis, foram algumas das questões debatidas.
No evento, organizado pela União Interparlamentar (UIP) em parceria com o Senado e Câmara dos Deputados, o assessor jurídico da Convenção-Quadro da ONU sobre Mudança do Clima (UNFCCC), Gianluca Crispi, apresentou o pronunciamento do secretário-executivo Simon Stiell. Ele abriu o encontro afirmando que os parlamentares são “a voz viva da democracia”, responsáveis por “transformar a preocupação dos cidadãos em orçamento e ações”.
Crispi reforçou que, após dez anos do Acordo de Paris (2015) — quando os países se comprometeram a limitar o aquecimento global a menos de 2ºC em relação aos níveis industriais, mas com esforços para que o aumento da temperatura não ultrapassasse 1,5ºC —, os parlamentares têm papel decisivo ao trazer o clima para os debates setoriais e garantir orçamentos aliados a compromissos climáticos.
Relator do encontro e representante do Senado e do Congresso Nacional, o senador Humberto Costa (PT-PE) afirmou que o principal desafio para os parlamentares é a conversão de compromissos internacionais em legislações que envolvam a implementação de políticas ambientais consistentes com objetivos de sociedades sustentáveis.
— Seguiremos a passos largos conclamando nossos parlamentos à aceleração da empreitada e do engajamento por ações para o clima, aliados ao progresso e equilíbrio de nossos povos — disse o senador.
Humberto Costa enfatizou que é preciso um forte intercâmbio para adoção de marcos regulatórios sobre o clima (com mecanismos de supervisão, fiscalização e transparência sobre os compromissos) e a priorização de recursos nos orçamentos para o estímulo a infraestruturas resilientes que suportem e deem apoio a populações mais vulneráveis aos desastres climáticos.
Representante da Câmara, o deputado Claudio Cajado (PP-BA), membro do comitê executivo da UIP, disse que é momento de afirmar o protagonismo dos parlamentos. Ele reforçou que políticas climáticas firmes dependem de parlamentos fortes.
— Que saiamos daqui fortalecidos em nossa capacidade de cooperação e convergentes na convicção de que precisamos de políticas climáticas incisivas, orientadas pela ciência e ancoradas nos princípios de justiça e equidade. Temos a capacidade de transformar as promessas climáticas em realidade por meio das leis que aprovamos, dos orçamentos que aprovamos e da supervisão que fornecemos — disse o deputado.
NDCs
Na primeira sessão de trabalho sobre o tema “Fortalecimento das lideranças parlamentares para a realização das contribuições nacionalmente determinadas (NDCs)”, moderada pelo parlamentar austríaco Lukas Hammer, os debatedores reforçaram a importância do engajamento das nações e dos parlamentos para que as metas climáticas dos países sejam alcançadas.
Membro do Parlamento do Azerbaijão — país que sediou a COP 29 —, Nigar Arpadarai lembrou que todos os compromissos e a transição verde requerem financiamento. Ela reforçou que uma nação que tem NDC credível e ousada promove crescimento mais forte, garantindo segurança energética. Por isso, “investir em adaptação e resiliência é essencial”:
— Precisamos trazer soluções, investimentos e inovações. O papel dos parlamentares é indispensável.
Consultora jurídica no Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, Marianna Bolshakova afirmou ser “muito importante que as NDCs sejam as mais ambiciosas possíveis, realistas, implementáveis e apoiadas pelos legisladores”. Ela lembrou que a responsabilidade primeira da NDC é do Executivo, mas que os parlamentos também são corresponsáveis pelo alcance das metas, ao terem ratificado o Acordo de Paris.
— Existe uma lacuna significativa, em países desenvolvidos e em desenvolvimento, entre os requerimentos da legislação ambiental e sua implementação e aplicação. Um grande problema é a falta de regras e padrões. As regulamentações que as tornam implementáveis ainda estão faltando. Ou seja, a supervisão parlamentar nesse sentido é um papel crucial.
Para Moses Kajwang, senador do Quênia, é preciso estar atento ao fato de que a persuasão política de um grupo pode invalidar os planos climáticos de um país e suas NDCs. Ele também reforçou a importância do papel dos parlamentares em alocação de orçamentos.
— Como parlamentares, precisamos continuar colocando pressão na agenda global para a realização de alguns dos fundos que já foram aprovados — disse o senador queniano.
Adaptação
Com o tema “Aprimorando a resiliência: como os parlamentos podem cumprir a proposta de adaptação?”, a segunda sessão de trabalho discutiu como as medidas de adaptação às mudanças do clima para reduzir os impactos podem beneficiar especialmente as populações mais vulneráveis.
Secretária-geral adjunta de Direitos Humanos das Nações Unidas, Ilze Brands Kehris afirmou que a prevenção é a melhor política. Ela assegurou que a adaptação não é opcional, mas uma obrigação entre os tratados internacionais, incluindo o de Paris.
Segundo Ilze, o reconhecimento pela Assembleia Geral da ONU, em 2022, de que um meio ambiente limpo é um direito humano, representa uma conquista que empodera as pessoas e dá ferramentas para os governos e outros atores se responsabilizarem.
— Esse direito tem que guiar os esforços de adaptação. Isso quer dizer que temos de proteger ecossistemas que sustentam as casas das pessoas, reduzindo desigualdades e garantindo que estratégias de adaptação não deixem ninguém para trás.
Membro do Parlamento da Alemanha, Claudia Roth reforçou que “adaptação não é um custo, mas investimento em vidas”.
— Precisamos fortalecer as parcerias que trazem energia limpa, sistemas hídricos e agricultura inteligente. Na COP 30, aqui em Belém, estamos discutindo como medir os progressos de adaptação, mas também precisamos de financiamento verdadeiro, não apenas métricas e indicadores. Países em desenvolvimento precisam de mais de US$ 310 bilhões para adaptações, e ano passado apenas US$ 26 bilhões foram entregues. Essa lacuna precisa ser fechada.
Inia Seruiratu, do Parlamento de Fiji, destacou que a adaptação e a resiliência são muito importantes, mas que todos devem contribuir também para a mitigação. “Quanto mais mitigamos, menos teremos de adaptar no futuro”, ressaltou. Vontade global e política e comprometimento são necessários no enfrentamento à crise climática, segundo o parlamentar fijano.
Enquanto na mitigação se procura diminuir a consequência das ações humanas sobre o clima (com a redução da emissão de gases de efeito estufa para conter o aquecimento do planeta), na adaptação a preocupação é diminuir as consequências da mudança do clima sobre as vidas.
Nesta sexta à tarde serão promovidas mais duas sessões de trabalho acerca das ações parlamentares sobre o metano e da ação climática equitativa. O evento é sediado na Assembleia Legislativa do Estado do Pará (Alepa).
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
Fonte: Agência Senado
Política Nacional
Debate aponta falta de pessoal no TRT-2 e demanda nomeação de concursados
A falta de pessoal no Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região, de São Paulo, foi tema de debate na Comissão Mista de Orçamento (CMO) nesta terça (18). Esse tribunal, também chamado de TRT-2, é o maior tribunal regional do trabalho do Brasil.
A deputada federal Professora Luciene Cavalcante (PSOL-SP), que conduziu a reunião, disse que o TRT-2 possui um déficit de 488 servidores — e que, por isso, é preciso nomear concursados.
Ela destacou que o TRT-2 responde por 19% dos processos trabalhistas do país e acumula quase 1 milhão de processos pendentes.
Segundo a comissão de aprovados no último concurso para esse tribunal, há cerca de 5,3 mil pessoas aguardando nomeação.
Acesso à Justiça
Ao defender a convocação imediata dos concursados, a deputada afirmou que as nomeações estão previstas na Lei Orçamentária de 2026. Ela também ressaltou que a falta de pessoal compromete o acesso à Justiça, especialmente para populações vulneráveis.
— A convocação dos concursados é urgente. A efetividade do TRT-2 importa porque ele tutela direitos de natureza alimentar e enfrenta violações que incidem com mais intensidade sobre as populações mais vulneráveis. O déficit de pessoal compromete a capacidade de resposta à sociedade — salientou Luciene.
Adoecimento
Integrante da comissão de aprovados no último concurso do TRT-2, Fernanda Coimbra de Lima declarou que a falta de servidores nesse órgão aumenta a sobrecarga laboral e o número de adoecimentos, “justamente numa casa que deveria zelar pelo ambiente de trabalho”.
— Isso resvala no cidadão, que é afetado com uma demora processual; na empresa, que vive numa incerteza constante; no advogado, que não sabe quando o processo vai findar e quando receberá seus honorários. Há uma gama de entes afetados. A Justiça do Trabalho não pode ser abandonada — protestou ela.
O TRT-2
De acordo com o próprio TRT-2, a jurisdição desse tribunal abrange 46 municípios, incluindo a cidade de São Paulo.
O órgão também informa que possui 217 varas do trabalho, 92 desembargadores, 512 juízes e 5.315 servidores, além de estagiários e profissionais terceirizados.
O debate na CMO, nesta terça-feira, também contou com a participação do deputado estadual Carlos Giannazi (PSOL-SP); da representante do Sindicato dos Trabalhadores do Judiciário de São Paulo, Camila Gradim; e da coordenadora-geral da Federação Nacional dos Trabalhadores do Judiciário Federal, Luciana Carneiro.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
Fonte: Agência Senado
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