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PLANTIO DIRETO: Tecnologia desenvolvida no Paraná contribui para o equilíbrio ambiental

Publicado em

do PORTAL DO AGRONEGÓCIO

Nas cidades, lagos e rios caudalosos, com excesso de sedimentos. Uma tecnologia de produção agrícola surgida no Paraná, com o Iapar à frente, ajuda a enfrentar esses problemas e contribui para o equilíbrio ambiental urbano e rural.

Plantio direto – É o sistema de plantio direto, que consiste em semear sobre a palhada que ficou da colheita anterior removendo o mínimo possível o solo. A importância do plantio direto é ressaltada no Dia Internacional do Meio Ambiente, comemorado nesta quarta-feira (05/06).

Iapar – O Iapar trabalha nesta tecnologia há décadas. A disseminação do sistema nos campos do Paraná e do Brasil envolveu o Instituto Emater, além de agricultores e entidades do setor, como a Federação Brasileira de Plantio Direto e Irrigação. Atualmente, o plantio direto é empregado em 32,8 milhões de hectares no Brasil, o que corresponde a 60% da área plantada no país. No Paraná são 4,8 milhões de hectares – quase 80% da área plantada no estado.

Benefícios – O secretário da Agricultura e do Abastecimento, Norberto Ortigara, ressalta que o plantio direto trouxe grandes benefícios para a agricultura mundial. “Começou no Paraná, se espalhou e ganhou o mundo. Hoje, as grandes culturas são implantadas sem técnicas antigas, que implicavam na desagregação de solo e na facilitação da erosão, com consequências nefastas para a agricultura”, diz Ortigara.

Técnica revolucionária – “É uma técnica revolucionária, que permitiu um avanço fantástico da produtividade em todas as lavouras, além do grande benefício para o solo e para o meio ambiente. Contribuiu largamente para não termos erosão”, afirma o secretário. “A gente tem um reconhecimento do avanço dessa metodologia, do esforço da pesquisa pública que colocou à disposição da agricultura mundial esse modo mais eficaz de produção”, enfatiza.

Retenção de água no solo – O pesquisador do Iapar, Arnaldo Colozzi, destaca que o sistema traz vários benefícios, sendo um dos mais importantes aumentar a retenção de água no solo, uma necessidade cada vez maior nos períodos de estiagem ou de chuvas intensas, que se tornaram mais comuns.

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Temperatura – Heverly Moraes, também pesquisadora do Iapar, explica que a temperatura tem aumentado gradativamente ao longo do tempo na grande maioria dos municípios do Paraná. Segundo ela, em Londrina, no Norte do Estado, onde está a sede do Iapar, a temperatura média em janeiro deste ano foi 25,8ºC, superando a média histórica de 23,9ºC dos últimos 44 anos.

Estiagem – Heverly lembra que a agricultura do Paraná vem sofrendo com estiagem desde novembro de 2018. Foram registradas perdas no feijão, milho e soja, além das hortaliças. “Toda essa adversidade climática que prejudica a agricultura tem reflexo direto na cidade. O principal impacto é a elevação de preço dos alimentos da cesta básica e, consequentemente, aumento da inflação”, adverte a pesquisadora.

Carbono no solo – Para amenizar os efeitos das altas temperaturas, aliadas a menos chuva e maior intensidade das precipitações, o sistema de plantio direto contribui de forma efetiva com o produtor rural e com o morador de áreas urbanas. Pesquisas feitas pelo Iapar mostram que a infiltração de água no solo é de 100%, enquanto no solo descoberto um terço da água se perde.

Erosão – “Essa água que vai embora faz falta para a lavoura na estiagem e ainda carrega muita terra, ocasionando erosão no campo”, explica o pesquisador Cezar Araujo. “O solo que perdemos na agricultura também pode encarecer o tratamento de água e ainda contribuir para o assoreamento de rios e lagos, prejudicando a todos”, complementa.

Eficiência – Araujo ainda destaca o quanto o plantio direto mantém o carbono no solo. “Na pesquisa que conduzimos retemos 22 gramas de carbono por quilo de solo, quase a mesma quantidade de uma mata nativa. Isso quer dizer que em determinadas condições o plantio direto é tão eficiente quanto uma floresta para manter o carbono no solo”, destaca.

Componente químico – O carbono é um componente químico retirado da natureza pela ação humana, como na fabricação de combustíveis. Quando uma tecnologia retém carbono no solo está ajudando a minimizar os impactos do aquecimento global e melhorando a qualidade de vida de toda a sociedade.

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Simulador de chuva – Para facilitar a visualização de como o plantio direto é eficaz e eficiente, foi montado no Iapar de Londrina um simulador de chuva e aberta uma trincheira. O simulador constitui-se em uma máquina que mostra quais os efeitos que a chuva forte ou moderada pode causar no solo, facilitando a visualização da água carregando sedimentos, por exemplo. Já a trincheira é buraco no solo em uma área com milho, no sistema de plantio direto. Neste local é possível visualizar o quanto o plantio direto é eficaz para reter carbono no solo e ainda o quanto o solo fica fértil com matéria orgânica.

Impactante – O plantio direto é uma das tecnologias mais tradicionais e impactantes que o Iapar já trabalhou. Começou a ser pesquisada no fim da década de 1960 no Instituto de Pesquisa Agropecuária Meridional (Ipeame), que deu origem ao Iapar em 1972. A tecnologia do Plantio Direto foi usada pela primeira vez em escala comercial na América Latina por Herbert Bartz em Rolândia, em 1972, que acreditou no potencial do sistema e começou uma verdadeira revolução na agricultura brasileira como um modelo de produção que respeita o meio ambiente.

Estudos – O Iapar, logo em 1976, iniciou uma série de estudos sobre o que se transformou no Sistema Plantio Direto que hoje é adotado em mais de 32 milhões de hectares no Brasil.

Tecnologias – O diretor de pesquisa do Iapar, Rafael Fuentes, destaca que a pesquisa agrícola pública desenvolve tecnologias que contribuem para o aumento de produtividade no campo e que são amigáveis ao meio ambiente, diferentemente do foco das empresas privadas.

Meio ambiente – “O trabalho de preservação de solo, os estudos sobre clima, a preocupação com o carbono no solo são necessários para termos uma agricultura moderna e produtiva, mas que respeite o meio ambiente”, diz Fuentes, ressaltando o trabalho de pesquisa realizado por instituições públicas, como o Iapar.

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Agro dobra empregos em 20 anos e sustenta mais de 50% da economia

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O avanço do agronegócio em Mato Grosso redesenhou o mercado de trabalho e consolidou o setor como base da economia estadual. Em duas décadas, o número de trabalhadores ligados ao agro saltou de cerca de 173 mil em 2006 para 449 mil em 2026, segundo o Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea) — crescimento de quase 160%.

O movimento acompanha a expansão da produção e da área cultivada. Mato Grosso lidera a produção nacional de grãos, com safras que superam 100 milhões de toneladas somando soja, milho e algodão. A área agrícola do Estado ultrapassa 20 milhões de hectares cultivados, dentro de um território de cerca de 90 milhões de hectares, o que evidencia o espaço ainda disponível para intensificação produtiva.

Esse crescimento dentro da porteira puxou a geração de empregos fora dela. A cadeia do agro — que inclui transporte, armazenagem, processamento e serviços — passou a absorver mão de obra em ritmo mais acelerado, especialmente a partir de 2021, com o avanço da agroindustrialização e o aumento do volume produzido.

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O peso econômico é direto. O agronegócio responde por cerca de 50% a 55% do Produto Interno Bruto (PIB) de Mato Grosso, de acordo com estimativas do próprio Imea e de órgãos estaduais. Na prática, isso significa que mais da metade de toda a riqueza gerada no Estado está ligada ao campo.

Esse protagonismo se reflete na dinâmica regional. Municípios com forte presença agrícola concentram maior circulação de renda, impulsionando comércio, serviços e construção civil. O efeito multiplicador do agro faz com que cada safra movimente não apenas a produção, mas toda a economia local.

Ao mesmo tempo, o perfil da mão de obra vem mudando. A incorporação de tecnologia no campo e na indústria exige trabalhadores mais qualificados, enquanto a expansão logística amplia a demanda por serviços especializados. O resultado é um mercado de trabalho mais diversificado, que vai além das atividades tradicionais da agricultura.

Fonte: Pensar Agro

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