Paraná
Paraná vira referência por gestão compartilhada de Unidade de Conservação com indígenas
Há um ano que 35 indígenas das etnias Kaingang, Guarani Ñandeva, Tukano e Terena têm uma aldeia para chamar de sua. O espaço de 4,4 mil hectares, em Piraquara, na Região Metropolitana de Curitiba, integra a Floresta Estadual Metropolitana, uma das mais de 70 Unidades de Conservação (UCs) espalhadas pelo Paraná.
O complexo ambiental é administrado desde 2022 pelos próprios indígenas, algo inédito no País, com base em um Termo de Cooperação de gestão entre o Instituto Água e Terra (IAT), vinculado à Secretaria de Estado do Desenvolvimento Sustentável (Sedest), e o Instituto e Centro de Formação Etno Bio Diverso Ângelo Kretã.
A cooperação foi formalizada nesta quarta-feira (19) com a assinatura do governador Carlos Massa Ratinho Junior durante o evento, no Palácio Iguaçu, que celebrou o Dia dos Povos Indígenas, comemorado neste 19 de abril. A data também marcou a criação do Conselho Estadual dos Povos Indígenas do Paraná.
“Essa iniciativa dá oportunidade aos indígenas paranaenses promoverem a proteção ambiental dessa unidade e possam viver em contato com a natureza e a sua cultura. É também um incentivo ao turismo sustentável, além da conscientizar a população em geral para preservar o meio ambiente”, afirmou Ratinho Junior.
Apesar da oficialização nesta quarta-feira, o acordo começou a ser implementado em abril do ano passado. O termo busca dividir as responsabilidades de gestão da UC no que diz respeito ao uso público do local, dando oportunidade à disseminação da educação ambiental sob a perspectiva dos saberes dos povos originários da terra.
Além disso, visa a preservação local, com proteção do espaço contra invasores, caçadores e queimadas; o reflorestamento com árvores nativas; a conservação e restauração do bioma da Mata Atlântica; e a recepção a turistas que desejam visitar o espaço.
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SUPORTE TÉCNICO – Pelo acordo, o IAT garante todo o suporte técnico, com a manutenção dos equipamentos públicos instalados na Floresta Estadual Metropolitana. Já o Instituto Angelo Kretã se compromete a respeitar o Plano de Manejo da Unidade de Conservação e requisitar autorização do órgão ambiental para qualquer intervenção a ser feita na UC. O acordo não prevê repasses financeiros.
“Esse modelo de gestão compartilhada é interessante também para o Estado, que hoje não conta com recursos humanos suficientes para chefiar essas unidades. Sem contar a demonstração clara de ser um instrumento fundamental para a conservação do meio ambiente”, afirmou a bióloga e chefe da Divisão de Unidades de Conservação do IAT, Ana Letícia Aniceto Lowen.
“Há momentos que parece que nós, os indígenas, somos os de fora, e os verdadeiros são os que colonizaram a nossa terra. Por isso queremos que as pessoas nos conheçam melhor através da nossa cultura. É dessa forma que vamos mudar essa realidade”, ressaltou o líder do grupo indígena, Kretã Kaingang.
Ele contou que o interesse pela área vizinha à Capital é antigo, começou em 2009. Na época, ele atuava como coordenador do grupo da Articulação dos Povos Indígenas da Região Sul (Arpin-Sul) e entrou com um pedido para ocupação do terreno, mas não foi atendido. O respaldo legal só veio mais de 10 anos depois, com a aprovação pelo Governo do Estado da criação de um centro de formação de cultura indígena vinculado à proteção e revitalização da Floresta Metropolitana.
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AÇÕES – Neste ano trabalhando em coparticipação com o IAT na gestão do parque, a comunidade indígena intensificou as ações no local. Uma delas foi abrir o espaço para visitação de alunos das escolas da rede pública de Piraquara. A outra é promover a educação ambiental sob a ótica dos povos originários da floresta, disseminando a cultura das etnias Guarani Yandeva, Tukano, Kaingang e Terena.
“É uma forma de ensinar as crianças e quebrar preconceitos”, disse o líder. “Em um ano, mais de 2 mil mudas de plantas nativas foram distribuídas, tivemos visitas guiadas, apresentações, jogos, artes. Conseguimos repassar a história da cultura indígena. A nossa presença aqui nessas terras é construtiva, e só pôde ser viabilizada com esse Termo de Cooperação Técnica com o IAT”, acrescentou.
Outro ponto é garantir o restauro ambiental e ampliar a área com vegetação nativa. De acordo com os indígenas, grande parte do parque é tomada por espécimes de flora exótica (não natural, geralmente inserida naquele ambiente por fins econômicos), como pinus e eucalipto. Apenas 20% é floresta nativa, com árvores como araucária, flora originária da Mata Atlântica.
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“Nós vamos conseguir trazer a vegetação nativa que foi suprimida de volta para esse espaço com base na troca de saberes e ensinamentos”, afirmou o diretor-presidente do IAT, Everton Souza. “O futuro é promissor. Queremos que famílias, crianças, estudantes e pesquisadores tenham a oportunidade de entrar numa unidade de conservação e que possam aprender sobre educação ambiental com esses povos”.
FISCALIZAÇÃO – Uma das preocupações é relacionada a incêndios, já que o local tem uma vegetação propícia para grandes queimadas. Por isso o IAT, em parceira com o Corpo dos Bombeiros, capacitou e instrumentalizou os indígenas com técnicas para combate direto do fogo.
A nova administração ajudou também a inibir a presença de pessoas que utilizavam a floresta de forma exploratória, como caçadores e lenhadores ilegais, entre outros. Há, ainda, um cuidado especial com o abastecimento de água. “Somos parceiros e queremos cuidar desse espaço. Como aqui é uma área de manancial de água, se a gente não cuidar, Curitiba seca, o Paraná seca”, explicou Isabel Kretã, da etnia Tukano, que trocou a antiga aldeia, na fronteira do Brasil com a Colômbia, pela comunidade em Piraquara.
Ela exerce papel fundamental no local. Trabalha com ações de saúde pública, como a prevenção de Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs). “A gente não quer mais ter de lutar, de brigar, sair fugidos de bala. Não queremos mais mulheres e crianças sendo estupradas. Nós somos detentores de conhecimento e é isso que queremos mostrar”, disse.
Outra referência é a enfermeira Cleonice Pacheco Amorim, da etnia Guarani-Nhandeva, que está há 19 anos em Piraquara. “Aqui é o lugar onde conseguimos viver o nosso modo de vida. A natureza está pedindo socorro há muito tempo e nós sempre entendemos isso”, afirmou.
POLINIZA PARANÁ – O complexo metropolitano passou a contar em março com o Projeto Poliniza Paraná. O IAT instalou no local sete colmeias de abelhas nativas sem ferrão de espécies de ocorrência natural na região e um hotel de abelhas solitárias. A expectativa é que as famílias instaladas no parque possam utilizar os subprodutos das abelhas, como o mel, o própolis e a cera, garantindo uma fonte de renda extra.
O Projeto Poliniza Paraná, vinculado ao Programa Paraná Mais Verde, foi lançado em 2022 pelo Instituto Água e Terra e prevê a instalação de colmeias de abelhas nativas sem ferrão em Unidades de Conservação do Estado.
A Floresta Metropolitana foi a sexta UC a receber o “jardim de mel” do Poliniza Paraná, com espécies de abelhas selecionadas para esta unidade, conforme sua distribuição e interesse da comunidade tradicional. As colmeias são das espécies Melipona bicolor schencki (Guaraipo), Melipona quadrifasciata (Mandaçaia), Scaptotrigona bipunctata (Tubuna) e Tetragonisca fiebrigi (Jataí).
Os indígenas, inclusive, já pensam em ampliar a presença dos meliponários, já que a comunidade sempre valorizou e compreendeu a importância das abelhas nas atividades florestais. “É por isso que a maioria dos nomes das abelhas tem origem tupi-guarani, como a jataí, guaiçara, mandaçaia, guaraipo e tubuna”, disse Kretã Kaingang.
EXEMPLO – Ana Letícia ressaltou que esse pioneirismo do IAT buscando se reaproximar dos indígenas é, de certa forma, uma reparação histórica. “Estamos utilizando a Floresta Metropolitana como uma base, um modelo. Se tudo correr bem, queremos expandir esse modelo de gestão compartilhada para outras Unidades de Conservação”.
O Parque do Mate, em Campo Largo, também na Região Metropolitana de Curitiba, é um local que pode seguir o modelo de gestão implementado na Floresta Metropolitana. “Os indígenas têm técnicas únicas de manejo florestal, e isso é muito interessante ser replicado pelo Paraná”, disse a bióloga.
“O que o IAT está fazendo é diferente, não há nada parecido no Brasil. Recebemos toda a atenção e condições para trabalharmos. Esse modelo vai servir como base e referência para outras comunidades indígenas do País”, acrescentou Kretã Kaingang.
Fonte: Governo PR
Paraná
UEM publica edital de concurso com 73 vagas para professores efetivos
A Pró-Reitoria de Recursos Humanos e Assuntos Comunitários da Universidade Estadual de Maringá (PRH/UEM) publicou nesta terça-feira (13) o Edital nº 001/2026-PRH, que regulamenta a abertura de concurso público para o provimento de 73 vagas para o cargo de professor efetivo de ensino superior. O certame contempla 65 áreas do conhecimento, distribuídas entre sete centros de ensino. O calendário do processo seletivo vai de janeiro a junho de 2026. Os salários chegam a R$ 16.565,27.
As vagas estão alocadas no Centro de Ciências Agrárias (CCA), Centro de Ciências Biológicas (CCB), Centro de Ciências Exatas (CCE), Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes (CCH), Centro de Ciências da Saúde (CCS), Centro de Ciências Sociais Aplicadas (CSA) e Centro de Tecnologia (CTC), abrangendo diferentes regimes de trabalho, com predominância do regime de Tempo Integral e Dedicação Exclusiva (TIDE). O edital também prevê vagas em regime de tempo parcial (T-20 e T-24), conforme a especificidade de algumas áreas.
As inscrições estarão abertas no período de 13 de fevereiro a 9 de março de 2026, exclusivamente pelo site www.uem.br/concurso. O prazo final para o recolhimento da taxa de inscrição é 10 de março. Os candidatos que atenderem aos critérios previstos no edital poderão solicitar isenção da taxa entre os dias 13 e 18 de fevereiro, com divulgação do resultado em 25 de fevereiro e possibilidade de pedido de reconsideração. O pagamento deve ser efetuado em qualquer agência do Banco do Brasil ou pagamento por PIX.
O concurso será composto por prova escrita, prova didática, prova prática e/ou apresentação de projeto de atividades acadêmicas, além da avaliação de títulos e currículo, de acordo com os critérios estabelecidos para cada área de conhecimento. As bancas examinadoras serão designadas pela PRH, responsável pela coordenação de todas as etapas do certame.
O edital estabelece reserva de vagas para Pessoas com Deficiência (PcD) e para candidatos negros (pretos ou pardos), conforme a legislação estadual. A distribuição dessas vagas entre as áreas de conhecimento será definida por meio de sorteio público, cuja data, horário, local e link para transmissão ao vivo serão divulgados em edital específico, previsto para o dia 3 de fevereiro de 2026.
De acordo com o cronograma, a relação de inscritos será publicada em 16 de março, e a realização das provas escritas ocorrerá em datas a serem definidas por área, após a conclusão das etapas de impugnação de bancas. O resultado final do concurso está previsto para ser divulgado em 10 de junho de 2026, respeitadas eventuais prorrogações de prazo em áreas específicas.
O edital completo, com a descrição detalhada das áreas, requisitos, etapas do concurso e cronograma, está disponível para consulta no site www.uem.br/concurso. Dúvidas podem ser tiradas junto da Divisão de Recrutamento e Seleção (RES) pelo telefone (44) 3011-4352.
Áreas do conhecimento contempladas pelo Edital nº 001/2026-PRH:
Floricultura e Paisagismo
Engenharia Agrícola
Clínica Médica de Pequenos Animais
Criação e Doenças de Aves e Suínos
Melhoramento Genético, Genética Veterinária e Estatística
Bioinformática e Inteligência Artificial na Zootecnia
Produção de Pequenos Ruminantes
Morfologia e Anatomia Vegetal
Bioquímica de Microrganismos e Tecnologia Enzimática
Biotecnologia Vegetal
Embriologia e Histologia
Morfologia / Anatomia Humana
Fisiologia; Fisiologia Animal Comparada
Fisiologia; Fisiologia Endócrina e Metabólica
Física / Ensino de Física
Física / Física Médica
Probabilidade e Inferência Estatística
Fototérmica e Fotoacústica
Análise Numérica
Cálculo Avançado e Análise Funcional
Combinatória
Química Analítica
Química Inorgânica
Química Orgânica / Química de Produtos Naturais
Química Orgânica / Síntese Orgânica
Fundamentos da Educação
Gestão Educacional e Escolar
Metodologia e Técnicas de Pesquisa
Cartografia e Geoprocessamento
Descrição Linguística
Ensino de Língua Portuguesa
Texto e Discurso
Educação Musical – Cordas Dedilhadas
Educação Musical – Percussão
Fenomenologia e Existencialismo: teoria e prática
Psicologia Escolar e Educação Especial
Micologia Médica / Análises Clínicas
Parasitologia Clínica / Análises Clínicas
Biomecânica e Cinesiologia
Estágio e Ensino da Educação Física
Ciências da Saúde – Cirurgia Geral
Ciências da Saúde – Doenças Infecciosas e Parasitárias
Ciências da Saúde – Ginecologia e Obstetrícia
Pedagógica e Produção do Conhecimento em Educação Física
Saúde Coletiva
Gestão de Pessoas
Teoria Geral do Processo e Prática Processual Civil
Economia Quantitativa
Teoria Econômica
Tecnologia e Gestão na Construção Civil
Projeto de Máquinas
Controle de Processos
Termodinâmica Experimental Aplicada em Engenharia Química
Biologia Aplicada à Engenharia Ambiental
Fenômenos de Transporte e Termodinâmica Aplicada
Hidrodinâmica Continental e Costeira
Matemática Aplicada à Engenharia Ambiental e de Computação
Sistemas de Computação Aplicados à Engenharia
Expressão Gráfica, Eletrotécnica, Mecânica dos Sólidos e Automação
Análise Sensorial
Arquitetura – Teoria e História da Arquitetura, do Urbanismo e do Patrimônio
Arquitetura – Urbanismo e Arquitetura da Paisagem
Engenharia Civil – Processos Construtivos de Edificações
Física Geral
Gestão da Produção e Controle de Qualidade na Área de Alimentos
Nutrição Aplicada à Gastronomia
Fonte: Governo PR
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