Agro
Paraná caminha para ser o segundo estado livre de aftosa sem vacinação
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O Paraná deve se tornar o segundo estado do país a ser certificado como área livre de contaminação por febre aftosa sem vacinação.
No fim de maio, o governo estadual finalizou a que se pretende ser a última etapa de imunização e, em setembro, espera receber a certificação do Ministério da Agricultura.
Até 2021, quer o reconhecimento internacional, por meio da OIE (Organização Internacional de Saúde Animal).
O Paraná evita estimativas de aumento de produção e exportação, mas o objetivo da medida é ganhar mercados que, além de não aceitarem produtos sem a qualificação, pagam mais pela carne cujo gado não é vacinado.
A venda de aves, leite e principalmente de suínos também deve ser beneficiada.
“A aftosa é como um termômetro. Se há certificação sem vacinação, quer dizer que o estado tem uma boa questão sanitária, afetando as demais espécies”, diz Rafael Gonçalves Dias, gerente de saúde animal da Adapar (Agência de Defesa Agropecuária do Paraná).
“Não temos a doença, mas estamos alijados de 65% do mercado de carne de suíno do mundo, pois, apesar de a vacinação atingir só bovinos, esses animais também ficam susceptíveis”, afirma o secretário da Agricultura e Abastecimento, Norberto Ortigara.
Os países a serem conquistados são principalmente Japão, Coreia do Sul, México e China.
Para o controle da aftosa, o Brasil foi dividido em blocos, que o Paraná divide com Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Rio Grande do Sul. Porém, após vistorias, obteve autorização do Ministério da Agricultura para antecipar a retirada da imunização.
As campanhas de vacinação serão substituídas por duas atualizações cadastrais por ano. Houve investimento em laboratórios de controle e na criação de 33 unidades de monitoramento de entrada e saída de animais –16 servirão como corredores sanitários.
Apesar do otimismo paranaense, o estado vizinho de Santa Catarina, o único do país que hoje possui a certificação de área livre de aftosa sem vacinação, está preocupado.
Entidades questionam se as normas seguidas pelo Paraná atendem à normativa da OIE.
“Para retirar a vacina, há muitas exigências, como aumentar a vigilância sanitária e fazer o registro de origem do animal. No programa do Paraná não há como comprovar se o animal nasceu na minha propriedade”, afirma o secretário de Agricultura de Santa Catarina, Ricardo Miotto.
Os paranaenses, por sua vez, atribuem os questionamentos ao temor de o estado atingir novos mercados, fortalecendo a concorrência.
Outra preocupação é sobre produtores que compram bovinos em Mato Grosso para engorda em propriedades locais.
Com a suspensão da vacinação, o estado deve fechar as fronteiras para animais de regiões não certificadas.
Mas, segundo o governo, o percentual de atingidos é muito pequeno –cerca de 0,5% dos pecuaristas– e não deve atrapalhar os planos para a nova certificação.
Agro
Pecuária brasileira ainda depende de vacinas importadas para evitar morte súbita
O mercado de sanidade animal no Brasil vive um desafio silencioso, mas de impacto direto no bolso do pecuarista. Dados divulgados pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) mostram que, em julho, foram disponibilizadas 5,44 milhões de doses de vacinas contra clostridioses — grupo de doenças responsáveis pela “morte súbita” no gado. O que chama a atenção, porém, é a alta dependência de insumos vindos de fora: das doses ofertadas, 4,03 milhões (74,09%) são importadas, enquanto apenas 1,41 milhão (25,91%) possui fabricação nacional.
Para o produtor rural, o termo técnico “clostridiose” passa longe do vocabulário da lida, mas os sintomas são velhos conhecidos. No campo, essas doenças são temidas pela rapidez com que derrubam o rebanho, como a “manqueira” (ou mal do carvão), que causa inchaço muscular e morte em poucas horas, e o botulismo, associado à ingestão de toxinas em pastos ou rações contaminadas. Por serem fatais e não darem tempo para tratamento, a vacina é o único “seguro” eficiente para evitar o prejuízo total de um animal.
O “ladrão silencioso” no pasto
Embora o governo não consolide um censo de mortalidade animal por causa específica, estudos de sanidade animal apontam que as doenças clostridiais figuram entre as maiores causas de morte evitável no rebanho brasileiro. Em surtos não controlados, a mortalidade pode atingir de 5% a 10% de um lote em poucos dias.
O prejuízo é um “ladrão silencioso”. O pecuarista raramente contabiliza a perda em estatísticas oficiais — o animal morre, é enterrado e o cálculo fica apenas na planilha da fazenda. Mas o rombo é severo: com um bovino de corte de qualidade valendo facilmente entre R$ 2,5 mil e R$ 4 mil, a morte de poucos animais em um surto elimina a margem de lucro de todo o lote. Soma-se a isso a perda do potencial genético, o investimento em nutrição e o custo operacional.
A alta dependência de importações, que hoje supre quase três quartos da necessidade do mercado, coloca o setor em posição de alerta. Qualquer entrave logístico ou burocrático na entrada desses insumos pode deixar o curral desprotegido no momento crítico da vacinação.
Ciente dessa vulnerabilidade, o Ministério da Agricultura tem intensificado a atuação junto aos laboratórios de insumos veterinários. A estratégia da pasta é dupla: estimular a ampliação das linhas de produção dentro do Brasil para reduzir a dependência externa e, simultaneamente, agilizar os procedimentos de fiscalização e liberação das vacinas importadas para evitar desabastecimento nas revendas.
A meta de aumentar a produção nacional não é apenas uma questão de industrialização, mas de blindagem econômica. Com a pecuária brasileira sob constante pressão para elevar índices de produtividade e atender exigências globais de sanidade, a disponibilidade constante dessas vacinas é o que separa um ciclo produtivo rentável de um prejuízo incalculável pela perda súbita de matrizes e bezerros. Enquanto o setor tenta equilibrar essa balança, o mercado segue monitorando a oferta mensal, ciente de que, no campo, a prevenção é o único investimento que não admite atrasos.
Fonte: Pensar Agro
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