Agro
Nova rota pelo Pacífico pode reduzir custos logísticos e ampliar competitividade do agro de MT nas exportações
O agronegócio de Mato Grosso pode ganhar uma nova alternativa estratégica para o escoamento da produção ao mercado internacional com a criação do Programa de Integração Produtiva e Logística Brasil–Bolívia–Pacífico. A iniciativa do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) prevê a estruturação de corredores logísticos transfronteiriços com acesso aos portos do Oceano Pacífico, ampliando as opções de exportação do setor.
A portaria que institui o programa foi assinada na última terça-feira (23), em Brasília, pelo ministro da Agricultura, André de Paula, e marca um novo movimento de integração regional entre Brasil e Bolívia, com foco em competitividade logística e ampliação de mercados.
Mato Grosso deve ser um dos principais beneficiados
Maior produtor agropecuário do país e com extensa faixa de fronteira com a Bolívia, Mato Grosso desponta como um dos estados mais favorecidos pela nova rota. A proposta busca reduzir a dependência dos corredores tradicionais de exportação via portos brasileiros, historicamente marcados por gargalos logísticos e altos custos de transporte.
A expectativa é de que o novo corredor contribua para o escoamento mais eficiente de grãos, carnes e outros produtos agroindustriais, especialmente com destino ao mercado asiático, um dos principais compradores da produção brasileira.
Nova rota pelo Pacífico pode encurtar distâncias e reduzir custos
O programa prevê a consolidação da chamada Rota 3/Rondon, que parte da região oeste de Mato Grosso, passa por Vila Bela da Santíssima Trindade (531 km de Cuiabá), atravessa o território boliviano e segue até portos no Oceano Pacífico.
Na avaliação do setor produtivo, o novo trajeto pode reduzir distâncias logísticas, aliviar a pressão sobre rotas já consolidadas e ampliar a eficiência no transporte da produção agropecuária, especialmente em períodos de safra recorde.
Setor produtivo vê avanço estratégico para o agro
O presidente da Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato), Vilmondes Tomain, destacou que a iniciativa atende a uma demanda antiga do setor e reforça a necessidade de novas alternativas logísticas para o estado.
Segundo ele, a localização geográfica de Mato Grosso impõe desafios constantes de competitividade. “Esse era um momento esperado há vários anos. Mato Grosso é distante dos mercados e dos portos. A integração com a Bolívia abre mais uma rota de escoamento pelo oeste do Estado e pode alavancar a economia agropecuária mato-grossense”, afirmou.
Integração também pode ampliar acesso a insumos
Além da exportação, o programa também prevê o fortalecimento da cooperação econômica entre Brasil e Bolívia. A expectativa é de que a nova rota facilite o acesso a insumos estratégicos para o agro, como fertilizantes, além de estimular novos investimentos na faixa de fronteira.
Para Tomain, a integração tem potencial de gerar ganhos mútuos. “Mato Grosso tem alta tecnologia e grande capacidade produtiva. A Bolívia pode contribuir com insumos importantes. É uma relação que pode gerar desenvolvimento e oportunidades para os dois lados”, destacou.
Infraestrutura e cooperação serão pontos-chave do projeto
O avanço da rota também depende da consolidação da infraestrutura logística. Em Mato Grosso, já há investimentos em pavimentação de trechos que ligam a região de Vila Bela da Santíssima Trindade até a fronteira com a Bolívia.
O próximo desafio, segundo representantes do setor, será a continuidade das obras em território boliviano, especialmente no eixo em direção a San Ignacio, essencial para viabilizar a conexão até o Pacífico.
Programa prevê integração comercial e institucional
Além da estruturação dos corredores logísticos, o Programa Brasil–Bolívia–Pacífico inclui ações de facilitação regulatória, cooperação técnica e sanitária, promoção comercial e atração de investimentos em infraestrutura.
A operacionalização ficará sob responsabilidade da Secretaria-Executiva do Mapa, que deverá instituir um Comitê Gestor para coordenar as ações e acompanhar a implementação do novo corredor internacional.
Para a Famato, a ampliação das rotas de exportação é um fator decisivo para a competitividade do agronegócio mato-grossense, especialmente diante da crescente demanda global por alimentos e da necessidade de reduzir custos logísticos na cadeia produtiva.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
Agro
Seguro rural mais forte pode evitar nova crise bilionária de dívidas no campo
Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) articula mudanças na Medida Provisória 1.376/2026 e a aprovação de um novo marco para o seguro rural como parte de uma estratégia para enfrentar a crise de endividamento no campo. A bancada avalia que a renegociação é necessária, mas precisa ser acompanhada de mecanismos capazes de proteger o produtor contra novas perdas climáticas e impedir a repetição do problema nos próximos anos.
O debate ganhou força após estudo do Centro de Estudos em Agronegócios da Fundação Getulio Vargas (FGV Agro) mostrar que o impacto fiscal anual da renegociação, estimado pelo governo em até R$ 3,6 bilhões, permitiria proteger R$ 112,6 bilhões em produção caso o mesmo valor fosse aplicado no Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR).
A comparação não significa que o seguro possa substituir a renegociação. A conclusão dos pesquisadores é que a medida emergencial deve funcionar como uma ponte para uma política permanente de gestão de riscos. Sem essa mudança, o produtor pode voltar ao crédito com a mesma exposição às perdas climáticas e enfrentar novas dificuldades no próximo choque.
A FPA tem maioria entre os integrantes da comissão mista instalada pelo Congresso para analisar a MP. Dos 26 titulares, 14 pertencem à bancada. Integrantes da frente também apresentaram 126 das 144 emendas protocoladas, demonstrando a intenção de ampliar o alcance e corrigir limitações da medida.
A MP foi construída em uma negociação entre a FPA, o Ministério da Fazenda e a presidência da Câmara. O acordo prevê linhas para liquidação ou amortização de operações de crédito rural e Cédulas de Produto Rural (CPRs), além da participação da União em um fundo garantidor.
A expectativa inicial era de que aproximadamente R$ 100 bilhões pudessem ser renegociados. A portaria de equalização de juros publicada pelo governo, porém, autorizou R$ 25,8 bilhões, equivalentes a apenas 13% dos R$ 197,2 bilhões classificados pelo Banco Central como carteira problemática do setor. O cálculo não inclui dívidas privadas representadas por CPRs emitidas para fornecedores e empresas de comercialização.
Isan Rezende
INDISPENSÁVEL – Para o presidente do Instituto do Agronegócio (IA) e da Federação dos Engenheiros Agrônomos de Mato Grosso (Feagro-MT), Isan Rezende, a renegociação é indispensável para preservar produtores que sofreram perdas sucessivas, mas não pode ser tratada como solução definitiva. “O produtor não está pedindo perdão da dívida. Ele precisa de prazo, juros compatíveis e condições para continuar produzindo. Sem esse fôlego imediato, perde capacidade de financiar a safra, reduz investimentos e coloca em risco a própria continuidade da atividade”.
Segundo Rezende, a crise atual evidencia a fragilidade da política brasileira de proteção da produção. “Se renegociarmos o passivo e devolvermos o produtor ao campo sem seguro adequado, o próximo evento climático poderá criar exatamente o mesmo problema. A renegociação resolve a urgência; o seguro, a assistência técnica e uma política consistente de gestão de risco diminuem a possibilidade de uma nova crise”.
Rezende defende que os recursos para o seguro rural tenham estabilidade e não sejam submetidos a cortes no decorrer do ano. “Não existe seguro eficiente sem previsibilidade orçamentária. Produtores, seguradoras e resseguradoras precisam saber quanto estará disponível e quando a subvenção será liberada. Proteger a lavoura custa menos ao País do que socorrer repetidamente o produtor depois que a perda já ocorreu”.
O exercício realizado pela FGV Agro mostra o tamanho da diferença. Com base no desempenho do PSR em 2025, uma dotação de R$ 3,6 bilhões permitiria proteger 20,47 milhões de hectares, contratar cerca de 398 mil apólices e gerar R$ 10,16 bilhões em prêmios de seguro.
No ano passado, o programa alcançou somente 3,3 milhões de hectares e pouco mais de R$ 18,1 bilhões em importância segurada. A subvenção federal ficou em R$ 581,1 milhões. Em 2021, quando atingiu seu maior alcance, o PSR protegeu 14,23 milhões de hectares.
Os pesquisadores ressalvam que a expansão não ocorreria automaticamente. Seria necessário ampliar a capacidade de seguradoras e resseguradoras, garantir recursos no Orçamento e estimular a contratação pelos produtores. O custo fiscal da renegociação também pode variar ao longo do tempo, conforme o pagamento das parcelas.
Apesar dessas limitações, o estudo sustenta que políticas de valores semelhantes produzem resultados diferentes. A renegociação age depois da perda, reduzindo o peso do passivo. O seguro atua antes do choque e evita que parte do prejuízo se transforme em inadimplência, recuperação judicial, perda de garantias ou pressão por novo socorro público.
Além das mudanças na MP, a FPA trata como prioridade o Projeto de Lei 2.951/2024, que moderniza o seguro rural. A proposta impede o bloqueio dos recursos destinados à subvenção, oferece estímulos para produtores segurados e reformula o Fundo de Estabilidade do Seguro Rural, que passaria a funcionar como Fundo de Catástrofe.
Para a bancada, a saída da crise depende das duas frentes. A renegociação precisa chegar rapidamente aos produtores que perderam capacidade de pagamento, enquanto o fortalecimento do seguro deve reduzir a exposição das próximas safras. O objetivo é evitar que o País apenas adie o passivo atual e tenha de discutir, em poucos anos, uma nova renegociação das mesmas dívidas.
Fonte: Pensar Agro
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