Paraná
MPPR inicia em Curitiba serviço voltado ao atendimento de mulheres que sobreviveram a tentativas de feminicídio
Existem em trâmite atualmente 179 ações penais relativas ao crime de feminicídio em andamento na cidade de Curitiba. Deste total de ações, 104 tratam de feminicídios tentados, ou seja, de casos em que a vítima sobreviveu ao crime. Agora essas mulheres podem contar com um novo serviço desenvolvido pelo MPPR, que prevê oferecer a elas e a suas famílias atendimento psicológico e acompanhamento jurídico, entre outros benefícios.
Executado por meio das Promotorias de Justiça de Crimes Dolosos Contra a Vida de Curitiba, o projeto foi idealizado para garantir às mulheres atendimento individualizado, acolhedor e com suporte de uma equipe multidisciplinar. A proposta segue as diretrizes indicadas pela Resolução 243/2021 do Conselho Nacional do Ministério Público e ainda a Recomendação 02/2023, da Corregedoria-Geral do MPPR, voltada à promoção de ações de proteção às vítimas por parte dos agentes ministeriais.
Sobreviventes – O trabalho de atendimento às mulheres alvo de feminicídio tentado começou em Curitiba. “Dando cumprimento a uma das diretrizes da Lei Maria da Penha, que prevê o atendimento humanizado às vítimas de violência doméstica, nosso trabalho se propõe a oferecer a essas mulheres um acolhimento completo”, afirma a promotora de Justiça Ticiane Louise Santana Pereira, que integra esta primeira etapa do projeto, junto com os demais agentes ministeriais que atuam no Júri na capital – a proposta é que, progressivamente, o serviço seja ampliado para as famílias de vítimas de feminicídio consumado e, numa etapa mais avançada da iniciativa, a todas as vítimas de homicídio e seus familiares.
A promotora explica que o serviço hoje incluiu o suporte desde o inquérito policial até o julgamento do agressor, tanto na área jurídica quanto psicológica – as mulheres, inclusive, têm a oportunidade de conhecer pessoalmente, antes dos julgamentos, os promotores de Justiça que atuarão na sessão do Júri. “Queremos que elas se sintam plenamente amparadas pelo Ministério Público, seguindo o entendimento de que a vítima não pode ser vista como mera prova junto à instrução processual. Ela é a personagem mais importante de todo o processo”, pontua Ticiane. A promotora conta que o atendimento prestado inclui ainda alternativas para o momento posterior à fase judicial, para que as mulheres consigam ter condições de alcançar autonomia para seguirem suas vidas de forma independente, a partir de convênios com universidades para encaminhamento profissional, entre outras ações. “Sempre respeitando a autonomia de vontade dessas mulheres e o tempo delas, visando sua emancipação cívica”, reforça Ticiane.
Acolhidas – Dentro da ideia de atendimento multidisciplinar, o projeto é executado pela bacharel em direito e psicóloga, Jéssica Tonioti da Purificação, servidora do MPPR, que atua como uma “ponte” entre as vítimas e o Ministério Público. Além de realizar o atendimento humanizado às sobreviventes, ela está presente durante todas as etapas de atendimento. “Nesses casos de feminicídio é muito importante que a vítima tenha uma referência, um ‘rosto’ familiar em que encontre amparo. Muito do meu trabalho se dá nesse sentido, de garantir que elas se sintam de fato acolhidas pela instituição”, afirma Jéssica.”, só pra que não haja confusão na atuação oferecida, apesar de psicóloga, não realizarei psicoterapia com as vítimas, apenas o atendimento humanizado, esclarecimentos sobre o processo e os encaminhamentos necessários.
O trabalho foi iniciado de forma piloto no final do ano passado, intitulado pelos promotores como Nujuri – Núcleo de Acolhimento a Vítimas de Crimes Dolosos Contra a Vida. Há cerca de 12 mulheres sendo atendidas atualmente pelo projeto. Todas são procuradas de forma ativa pelo Ministério Público e apresentadas à proposta, mas a adesão é totalmente voluntária e pode ser feita independente da situação financeira da vítima. “O feminicídio é uma modalidade de crime que atinge mulheres de todos os extratos sociais e todas essas mulheres que forem atingidas podem contar com o apoio do Ministério Público do Paraná neste momento tão delicado”, diz a promotora de Justiça Ticiane.
Saiba mais
Acesse aqui entrevista da promotora de Justiça Ticiane Louise Santana Pereira para o MP no Rádio. Ela sobre o crime de feminicídio e suas implicações e detalha o projeto do MPPR de atendimento às mulheres que sobreviveram a esse crime.
Informações para a imprensa:
Assessoria de Comunicação
[email protected]
(41) 3250-4469
Fonte: Ministério Público PR
Paraná
MPPR recomenda que Município de Icaraíma adote medidas urgentes para a realização de melhorias na Unidade Básica de Saúde do distrito de Porto Camargo
O Ministério Público do Paraná expediu recomendação administrativa ao prefeito de Icaraíma, no Noroeste do estado, para que sejam adotadas providências para a regularização da Unidade Básica de Saúde (UBS) localizada em Porto Camargo, distrito do município. A recomendação decorre de apuração conduzida pela Promotoria de Justiça de Icaraíma, que constatou graves irregularidades e a precariedade da infraestrutura, das instalações elétricas e das condições sanitárias da unidade.
Áudio do Promotor de Justiça Rafael Vittorazze Azola
Vistoria técnica conduzida pelo Conselho Regional de Medicina do Paraná (CRM-PR) e pela equipe técnica da 12ª Regional de Saúde de Umuarama concluiu que a atual estrutura da unidade representa grave ameaça à segurança dos pacientes e dos profissionais de saúde, em razão da existência de rachaduras profundas e infiltrações. Além disso, o estabelecimento não possui cadastro junto ao CRM-PR nem conta com médico responsável técnico.
A Promotoria de Justiça recomenda que seja apresentado em até 15 dias um plano de ação formal para a reestruturação da UBS, assinado por profissionais habilitados de engenharia civil e de gestão em saúde, além de projetos executivos de engenharia e um cronograma físico-financeiro detalhado para a reforma e adequação ou reconstrução do prédio.
Serviços sem interrupção – Para que seja assegurada a manutenção dos serviços prestados à população, deverá ainda ser estruturado e formalizado um fluxo temporário para atendimento aos moradores de Porto Camargo durante todo o período de interdição da UBS. O local físico escolhido para o atendimento provisório deverá preencher os requisitos mínimos de salubridade, higiene, conforto e segurança exigidos pela Vigilância Sanitária e pelo CRM. Outra medida que deverá ser observada é a oferta de transporte sanitário gratuito e seguro para o deslocamento de pacientes que necessitem de atendimento na sede do município ou na Unidade de Pronto Atendimento (UPA).
O prazo concedido para as adequações necessárias foi de 15 dias. Em caso de não atendimento às medidas indicadas, poderão ser adotadas pela Promotoria de Justiça as medidas judiciais cabíveis, entre elas, a proposição de ação civil pública.
Informações para a imprensa:
Assessoria de Comunicação
[email protected]
(41) 3250-4264
Fonte: Ministério Público PR
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