Agro
Moagem de Cana Cresce 1,4% no Centro-Sul e Produção de Etanol Dispara na 1ª Quinzena de Maio, Aponta Governo
A moagem de cana-de-açúcar na região Centro-Sul do Brasil registrou crescimento na primeira quinzena de maio da safra 2026/27. O volume processado atingiu 42,35 milhões de toneladas, alta de 1,4% em relação ao mesmo período de 2025, quando foram moídas 41,78 milhões de toneladas, segundo dados do Ministério da Agricultura compilados com base em informações do setor.
No acumulado da safra, iniciada em abril, o processamento já soma aproximadamente 105 milhões de toneladas, avanço expressivo de 34% frente ao mesmo intervalo da safra anterior. O desempenho reflete o início mais antecipado da colheita em relação ao ciclo passado, além de condições climáticas mais secas e melhores níveis de produtividade agrícola.
Etanol lidera crescimento com alta superior a 20%
A produção de etanol apresentou forte expansão na primeira quinzena de maio, com alta de 21,7% na comparação anual, totalizando 2,14 bilhões de litros no período.
No acumulado da safra, a produção já alcança 5,56 bilhões de litros, um crescimento de 46,7% em relação ao mesmo período da safra 2025/26. O avanço reflete a maior competitividade do biocombustível frente ao açúcar, além do aumento da oferta de etanol de milho, que vem ganhando participação na matriz energética do setor.
Produção de açúcar recua na quinzena, mas cresce no acumulado
Em sentido oposto ao etanol, a produção de açúcar caiu na primeira quinzena de maio. O volume produzido foi de 2,12 milhões de toneladas, recuo de 13,2% em relação às 2,44 milhões de toneladas registradas no mesmo período do ano passado.
Apesar da queda pontual, o acumulado da safra ainda apresenta crescimento. Até o fim da primeira quinzena de maio, a produção total de açúcar chegou a 4,62 milhões de toneladas, alta de 12,3% na comparação anual. O resultado é sustentado pelo aumento da moagem de cana, que compensou parcialmente a menor destinação da matéria-prima ao adoçante.
Mix de produção favorece etanol no início da safra
O comportamento do mercado tem influenciado diretamente a estratégia das usinas, que vêm direcionando maior parcela da cana para a produção de etanol. A decisão é baseada na atratividade dos preços do biocombustível em relação ao açúcar, além da demanda aquecida no mercado interno.
Segundo dados do setor, o cenário reforça a tendência de flexibilidade do mix produtivo no Centro-Sul, que ajusta sua produção conforme as condições de mercado e margens de rentabilidade.
Setor sucroenergético mantém ritmo acelerado
O desempenho da safra até o momento indica um ciclo mais acelerado em comparação ao ano anterior. Além do avanço da moagem, o setor sucroenergético segue atento às condições climáticas e à evolução da demanda, fatores que devem influenciar o ritmo de produção ao longo dos próximos meses.
A expectativa é de que o comportamento do mercado de energia e açúcar continue determinando a alocação da cana, em um cenário de maior volatilidade e competitividade entre os dois principais produtos da cadeia sucroenergética.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
Agro
El Niño e fertilizantes mais caros ameaçam desempenho do agro e podem reduzir produção brasileira até 2027
Depois de impulsionar a economia brasileira nos últimos anos, o agronegócio começa a enfrentar um cenário mais desafiador. A combinação entre a possível formação do fenômeno El Niño, o aumento dos preços dos fertilizantes, juros elevados e a queda nas cotações de commodities agrícolas acende um sinal de alerta para produtores e analistas do setor.
Embora a agropecuária tenha registrado crescimento de 2% no primeiro trimestre de 2026, segundo dados do IBGE, especialistas avaliam que o desempenho tende a perder força nos próximos meses, com reflexos mais significativos sobre a produção e a rentabilidade em 2027.
Crescimento do agro perde impulso após ciclo excepcional
O resultado positivo do início do ano foi sustentado principalmente pela colheita de grãos, especialmente da soja, cuja produção se concentra nos primeiros meses do calendário agrícola.
No entanto, o setor parte agora de uma base de comparação elevada. Em 2025, o agronegócio brasileiro registrou expansão de 12%, impulsionado por uma combinação favorável de fatores climáticos, recordes de produção e elevado volume de abates na pecuária.
Segundo analistas do mercado, aquele cenário foi marcado por uma conjuntura excepcional, difícil de ser repetida nos próximos anos.
Além disso, a ampla oferta global de grãos e os elevados estoques internacionais vêm pressionando os preços das commodities agrícolas. A valorização do real frente ao dólar também reduz a receita dos exportadores brasileiros em moeda nacional, afetando especialmente produtores de soja, milho, algodão e café.
El Niño pode atrasar plantios e comprometer safra de 2027
A principal preocupação do setor está relacionada à possível formação do El Niño nos próximos meses. Meteorologistas indicam elevada probabilidade de consolidação do fenômeno entre junho e julho deste ano.
Caso confirmado, os impactos sobre a agricultura brasileira deverão ocorrer principalmente durante o plantio da próxima safra, com reflexos diretos na produção de 2027.
O El Niño altera os padrões climáticos no país, provocando estiagens em importantes regiões produtoras do Centro-Norte e excesso de chuvas no Sul.
Entre as áreas mais vulneráveis estão os estados que compõem o Matopiba — Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia — além de Mato Grosso e Pará, regiões estratégicas para a produção de soja, milho, algodão e pecuária de corte.
No Sul do país, especialmente no Rio Grande do Sul, o excesso de precipitações pode comprometer culturas como o arroz e dificultar operações de campo.
Especialistas alertam que, embora a maior parte da safra atual já esteja implantada, o fenômeno poderá provocar atrasos no calendário agrícola, necessidade de replantio e aumento dos custos operacionais dos produtores.
Fertilizantes mais caros elevam custos de produção
Outro fator que preocupa o setor é a escalada dos preços dos fertilizantes, impulsionada pelas tensões geopolíticas e pelos conflitos no Oriente Médio.
Embora os efeitos sobre os preços dos alimentos ainda não sejam imediatos, os produtores já enfrentam aumento significativo nos custos para aquisição dos insumos que serão utilizados nas próximas safras.
A elevação dos preços pode levar muitos agricultores a reduzir a quantidade aplicada nas lavouras ou optar por fertilizantes de menor concentração nutricional, alternativas que comprometem o potencial produtivo das culturas.
Além da redução da eficiência agronômica, o uso de produtos menos concentrados também aumenta despesas logísticas, uma vez que exige maiores volumes para atingir os mesmos níveis de fertilização.
Como consequência, crescem os gastos com transporte, armazenagem, operações mecanizadas e consumo de combustível.
Juros altos ampliam pressão sobre produtores rurais
O cenário de crédito mais caro também contribui para aumentar a cautela no campo.
Com taxas de juros elevadas, muitos produtores enfrentam dificuldades para financiar custeio, investimentos e aquisição de insumos. O encarecimento do crédito reduz a capacidade de expansão das áreas cultivadas e limita a adoção de tecnologias capazes de elevar a produtividade.
Esse ambiente de maior restrição financeira pode comprometer a competitividade de parte do setor, especialmente entre médios e pequenos produtores.
Pecuária entra em nova fase do ciclo produtivo
Na pecuária bovina, o mercado passa por um movimento conhecido como virada de ciclo pecuário.
Após anos de abates elevados, incluindo grande participação de matrizes, os produtores iniciaram um processo de retenção de fêmeas para recomposição dos rebanhos e ampliação da produção futura de bezerros.
Embora seja um movimento natural da atividade, a mudança reduz temporariamente a oferta de animais para abate, influenciando a dinâmica do mercado de carne bovina nos próximos anos.
Perspectiva para o agronegócio exige atenção redobrada
As projeções indicam que o agronegócio brasileiro continuará desempenhando papel fundamental na economia nacional, mas enfrentará um ambiente mais complexo do que o observado nos últimos ciclos.
A combinação entre riscos climáticos, custos elevados de produção, crédito mais caro e pressão sobre os preços das commodities exige planejamento estratégico, gestão eficiente e maior adoção de tecnologias para preservar margens e garantir competitividade.
Para especialistas, os impactos mais relevantes desse novo cenário deverão ser sentidos ao longo de 2027, quando os efeitos do El Niño e dos fertilizantes mais caros poderão refletir diretamente sobre os volumes produzidos e os resultados econômicos do setor.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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