Agro
Ministro Fávaro e governador Helder Barbalho dialogam sobre pautas estratégicas para agro paranaense
O ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, reuniu-se, nesta quarta-feira (11), com o governador do Pará, Helder Barbalho, e representantes das cadeias produtivas do cacau, da pecuária e do óleo de palma para debater pautas estratégicas para o estado. Os encontros ocorreram na sede do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), em Brasília (DF).
Entre os temas tratados, estiveram medidas de apoio à cadeia produtiva do cacau, a ampliação de mercados para a indústria de carnes bovina paraense e a revisão das taxas de importação relacionadas ao setor de palma.
CACAU
O ministro Fávaro e o governador Helder Barbalho se reuniram com representantes de associações cacaueiras para discutir a atual situação de importação de cacau provenientes da Costa do Marfim e sobre a Instrução Normativa 125/2021.
Na ocasião, o ministro Fávaro destacou a importância do arranjo produtivo do setor e que o governo federal está atento aos pedidos dos produtores cacaueiros. “Temos consciência de que a cadeia do cacau envolve milhares de famílias e possui um forte impacto social. Nosso objetivo é encontrar soluções que retomem a viabilidade econômica da cultura, com equilíbrio de mercado e proteção aos produtores”, disse.
O ministro ainda evidenciou que, uma comitiva do Mapa está encerrando uma missão no país africano nesta semana, para verificar as conformidades sanitárias das plantações de cacau.
“Não vamos precarizar a questão sanitária em hipótese alguma. O Brasil construiu uma reputação internacional como fornecedor seguro e competitivo, e qualquer decisão sobre importações será tomada com responsabilidade, protegendo a produção nacional e as famílias que dependem da cadeia do cacau”, salientou Fávaro.
O governador do Pará ressaltou a importância de apoiar os produtores. “Vivemos um momento de excesso de oferta e queda de preços. Precisamos equilibrar a balança comercial e proteger o produtor do Pará, garantindo que o cacau continue sendo um grande motor econômico, social e ambiental para o estado e para o Brasil”, evidenciou.
CARNE BOVINA
Para tratar sobre oportunidades e ampliação de novos mercados para a cadeia produtiva de carnes do Pará, o ministro Carlos Fávaro e o governador Helder Barbalho também se reuniram com representantes de indústrias do estado.
Fávaro evidenciou que a missão de abrir novos mercados para a agropecuária brasileira foi dada pelo presidente Lula no início da gestão em 2023 e que o Mapa está trabalhando para novas oportunidades para o setor. “O trabalho realizado nos últimos anos para abrir novos mercados e habilitar plantas industriais tem gerado resultados concretos. O Pará é um exemplo de estado que pode ampliar sua presença no comércio internacional de carnes”, disse.
O governador Helder Barbalho ressaltou que a abertura de mercados internacionais também contribui para estimular práticas sustentáveis na produção. “Quanto mais habilitações internacionais tivermos, mais o produtor vai direcionar sua produção para mercados que pagam melhor. Isso estimula boas práticas e constrói uma política de sustentabilidade baseada em rentabilidade”, afirmou.
O Pará ocupa o segundo lugar no ranking de rebanho bovino do país e está presente em 143 mil propriedades dos 144 municípios, com mais de 23,4 milhões com uma área de pastagens de 19,3 milhões, com mais de 1,8 milhão de toneladas, sendo 304 mil para o consumo interno e 222 mil para exportação em 2025.
ÓLEO DE PALMA
Encerrando as agendas, Fávaro e Barbalho se encontraram com representantes da cadeia produtiva da palma.
Na oportunidade, representantes apresentaram que a produção de palma no Brasil tem crescido nos últimos anos e evidenciaram que é necessário a manutenção da atual taxa de importação.
O ministro Fávaro deu o encaminhamento para o tema em questão seja debatido durante a reunião extraordinária na Gecex/Camex. “O setor trouxe dados importantes sobre o crescimento da produção nacional de palma e a necessidade de ajustar a política de importação à realidade atual do mercado. Vamos verificar as possibilidades e encaminhar o tema para análise na reunião extraordinária da Gecex, com base em dados técnicos, na posição dos estados e das entidades representativas, buscando a melhor solução para o setor”, afirmou.
Agro
Pesquisa encontra resistência a praga capaz de destruir lavouras de arroz
Uma pesquisa da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) identificou dois materiais de arroz com maior resistência à cigarrinha-do-arroz, praga emergente cujas infestações severas podem provocar a perda total da produção. O resultado abre caminho para reduzir os danos em áreas irrigadas e de terras altas.
Os materiais que apresentaram melhor desempenho foram a cultivar BRS A705, lançada comercialmente em 2022, e o genótipo BGA 6914, mantido no Banco Ativo de Germoplasma da Embrapa Arroz e Feijão.
A diferença é importante para o produtor. A BRS A705 já pode ser utilizada em regiões para as quais possui recomendação agronômica. O BGA 6914 ainda não é uma cultivar comercial e deverá servir principalmente como fonte de genes para o desenvolvimento de novas variedades resistentes.
Conhecida também como sogata, a cigarrinha Tagosodes orizicolus mede entre 2 e 3 milímetros e pode passar despercebida no início da infestação. O inseto suga a seiva das folhas, dos colmos e das panículas, provocando amarelecimento, secamento e, em ataques mais intensos, a morte das plantas.
Durante a alimentação, a cigarrinha também elimina uma substância açucarada que favorece o crescimento da fumagina. O fungo forma uma camada escura sobre as folhas, reduz a área disponível para a fotossíntese e agrava a perda de vigor da lavoura.
A praga pode aparecer a partir do perfilhamento e atingir populações elevadas durante o verão. Os insetos adultos geralmente chegam de áreas próximas e começam a infestação pelas bordas. À medida que se multiplicam, avançam para o interior do arrozal e formam reboleiras, nas quais os sintomas ficam mais evidentes.
O monitoramento das margens da lavoura é, portanto, uma das principais medidas para reconhecer o problema antes que a população se espalhe. O produtor deve observar a presença dos pequenos insetos, o amarelecimento localizado das plantas e o aparecimento de folhas cobertas por fumagina.
A cigarrinha tem o arroz como hospedeiro preferencial, mas consegue se desenvolver em outras gramíneas, entre elas aveia, trigo, cevada, centeio e sorgo. Essa capacidade ajuda o inseto a permanecer em áreas próximas e exige atenção ao histórico da propriedade e às culturas existentes no entorno.
Durante muitos anos, a sogata esteve presente no Brasil sem provocar prejuízos expressivos. O cenário começou a mudar com surtos registrados em lavouras irrigadas de Santa Catarina a partir de 2018 e no Vale do Paraíba, em São Paulo, em 2020.
A Embrapa trabalha com a hipótese de que verões mais quentes e secos possam favorecer a reprodução do inseto. Outro fator em investigação é o uso inadequado de inseticidas, capaz de eliminar organismos que realizam o controle biológico natural e mantinham a população da cigarrinha em níveis baixos.
Nos testes conduzidos durante dois anos, em laboratório e casa telada, a BRS A705 e o BGA 6914 foram menos procurados para alimentação. Os dois materiais também prejudicaram o desenvolvimento, a reprodução e a sobrevivência da praga.
Isso não significa que sejam completamente imunes. A resistência deve ser empregada como parte do manejo integrado, ao lado do acompanhamento frequente da lavoura, da preservação dos inimigos naturais e de outras medidas definidas com assistência técnica.
Segundo a Embrapa, ainda não há inseticidas registrados especificamente no Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) para o controle da cigarrinha-do-arroz. O produtor não deve utilizar produtos sem indicação para a praga e precisa consultar um engenheiro-agrônomo e o sistema oficial de registro antes de qualquer aplicação.
A pesquisa continuará avaliando sistemas de monitoramento, agentes de controle biológico, possíveis bioinseticidas e produtos químicos. O genótipo BGA 6914 também poderá fornecer características de resistência aos programas de melhoramento.
Para o produtor, a descoberta representa uma nova ferramenta contra uma praga que começa a ganhar importância na rizicultura brasileira. A escolha da cultivar, porém, deve considerar sua adaptação à região, o sistema de cultivo e a disponibilidade de sementes certificadas. Como os surtos podem crescer rapidamente, a resistência genética reduz a vulnerabilidade, mas não substitui a vigilância no campo.
Fonte: Pensar Agro
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