Agro
Milho: mercado travado no Brasil, preços firmes e cenário externo volátil mantêm cautela nas negociações
O mercado brasileiro de milho iniciou a semana sob influência de incertezas externas e baixa liquidez interna. Apesar da sustentação dos preços em diversas regiões, o ritmo de negócios segue lento, com produtores e compradores adotando postura cautelosa diante da volatilidade internacional, do câmbio e do avanço da colheita.
Mercado de milho no Brasil segue com baixa liquidez
A terça-feira tende a ser marcada por pouca movimentação no mercado físico de milho. Produtores e consumidores permanecem retraídos, aguardando maior clareza sobre o cenário externo e o comportamento dos preços.
A combinação entre oscilações na Bolsa de Chicago e variações no câmbio contribui para a indefinição. Mesmo com esse ambiente travado, as cotações domésticas apresentam relativa estabilidade.
No início da semana, a queda em Chicago e a desvalorização do dólar afastaram vendedores, mantendo as bases praticamente inalteradas em relação aos últimos dias.
Colheita avança e influencia decisões do produtor
Com o avanço da colheita e condições climáticas favoráveis em diversas regiões, o produtor segue avaliando o melhor momento para comercialização.
Enquanto os compradores apostam em preços mais baixos à frente, os produtores avaliam se priorizam a venda de soja ou milho neste momento, o que contribui para a lentidão nos negócios.
Preços do milho no mercado físico
Os preços do milho variam conforme a região, mantendo relativa firmeza:
- Porto de Santos: R$ 69,00 a R$ 73,00/saca (CIF)
- Paranaguá: R$ 68,00 a R$ 72,00/saca
No interior:
- Cascavel (PR): R$ 63,00 a R$ 65,00
- Mogiana (SP): R$ 67,00 a R$ 70,00
- Campinas (SP – CIF): R$ 74,00 a R$ 75,00
- Erechim (RS): R$ 63,50 a R$ 64,50
- Uberlândia (MG): R$ 65,00 a R$ 71,00
- Rio Verde (GO – CIF): R$ 60,00 a R$ 62,00
- Rondonópolis (MT): R$ 51,00 a R$ 55,00
B3: contratos futuros fecham de forma mista
Na B3, o mercado futuro apresentou comportamento misto, refletindo a cautela dos agentes.
O contrato com vencimento em maio de 2026 encerrou praticamente estável, a R$ 72,01. Já os vencimentos de julho e setembro de 2026 registraram leves recuos, cotados a R$ 70,89 e R$ 71,30, respectivamente.
Mesmo com a baixa liquidez, os preços seguem sustentados pela demanda ativa e pela necessidade de recomposição de estoques.
Chicago oscila com petróleo e cenário geopolítico
Na Bolsa de Chicago, os contratos de milho operam com pequenas variações, sem direção definida.
Os contratos com entrega em março de 2026 são negociados próximos de US$ 4,59 por bushel, com leve alta. O mercado internacional é influenciado por fatores opostos.
De um lado, a valorização do petróleo, impulsionada por tensões geopolíticas envolvendo Estados Unidos e Irã, sustenta os preços. De outro, a expectativa de ampla oferta global de milho limita avanços mais consistentes.
Além disso, a valorização do dólar frente a outras moedas também pressiona as cotações.
Dólar em alta impacta formação de preços
O dólar comercial opera em alta, próximo de R$ 5,27, acompanhando o avanço do índice global da moeda norte-americana.
A movimentação cambial segue como um dos principais fatores para o mercado brasileiro, influenciando diretamente a competitividade das exportações.
Cenário global e indicadores financeiros
O ambiente internacional apresenta comportamento misto.
As bolsas europeias operam sem direção única, enquanto os mercados asiáticos encerraram o dia em alta, com destaque para China e Japão.
No mercado de energia, o petróleo WTI registra forte valorização, sendo negociado acima de US$ 91 por barril, reforçando a volatilidade nos mercados globais.
Situação das lavouras e mercado regional
O avanço da safra também impacta o ritmo de comercialização no país.
No Rio Grande do Sul, a colheita atinge cerca de 86%, com mercado lento e preços entre R$ 56,00 e R$ 62,00 por saca. Em Santa Catarina, a colheita avança para 66,3%, mas as negociações seguem travadas.
No Paraná, a colheita da primeira safra chega a 80%, acima da média histórica, enquanto a segunda safra enfrenta impactos da irregularidade climática.
Em Mato Grosso do Sul, o mercado apresenta recuperação após quedas recentes, com preços entre R$ 55,00 e R$ 57,00 por saca, apoiados pela demanda do setor de bioenergia, embora ainda com baixa fluidez.
Perspectivas: mercado deve seguir cauteloso
A tendência é de manutenção do ritmo lento de negócios no curto prazo. A combinação entre incertezas externas, avanço da colheita, comportamento do câmbio e expectativa de ampla oferta global mantém compradores e vendedores em posição defensiva.
Apesar disso, os preços seguem firmes, sustentados pela demanda interna e pela necessidade de reposição de estoques, mas sem força para movimentos mais expressivos no momento.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
Agro
Agro ajuda Brasil a fechar agosto com superávit de R$ 37,7 bilhões
O Brasil encerrou agosto com superávit comercial de R$ 37,7 bilhões, crescimento de 23,8% em relação ao mesmo mês de 2025. O resultado foi sustentado pelo aumento das exportações de soja, café, animais vivos, carne de frango e farelo de soja, além do avanço das vendas da indústria extrativa e de outros segmentos da indústria de transformação.
Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), as exportações brasileiras somaram R$ 169,1 bilhões em agosto, alta de 12,2% na comparação anual. As importações cresceram 9,2% e alcançaram R$ 131,4 bilhões.
A corrente de comércio, que corresponde à soma das exportações e importações, movimentou R$ 300,5 bilhões no mês, aumento de 10,9% em relação a agosto do ano passado.
A agropecuária respondeu diretamente por R$ 37,7 bilhões em exportações durante agosto, crescimento de 11,4%. Esse valor considera os produtos classificados pelo governo como pertencentes à atividade agropecuária e não inclui carnes, farelo de soja, açúcar, sucos e outros itens processados contabilizados dentro da indústria de transformação.
Entre os produtos do campo, o valor das exportações de animais vivos avançou 174,3%. As vendas externas de café não torrado cresceram 24,1%, enquanto a soja, principal item da pauta agropecuária brasileira, registrou aumento de 14%.
A contribuição do agronegócio também apareceu entre os produtos industrializados. As exportações de carne de aves e miudezas aumentaram 40,5%, enquanto as vendas de farelo de soja e de outros produtos destinados à alimentação animal cresceram 36,6%.
O desempenho positivo compensou a retração observada em outras cadeias importantes. As exportações de milho não moído caíram 25,3% em agosto. Também houve redução de 34,7% no mel natural e de 35,7% nas vendas de sementes oleaginosas, grupo que inclui produtos como girassol, gergelim, canola e algodão.
Na indústria de transformação, o valor das exportações de carne bovina fresca, refrigerada ou congelada recuou 19,7% em agosto. Açúcares e melaços tiveram queda de 37%. A redução mensal da carne bovina ocorreu depois de um período de embarques elevados e não anulou o crescimento acumulado pelo setor ao longo do ano.
Entre janeiro e agosto, o Brasil exportou R$ 1,28 trilhão, aumento de 10,3% na comparação com os primeiros oito meses de 2025. As importações somaram R$ 997,3 bilhões, com crescimento de 6,1%.
Com isso, o superávit comercial acumulado em 2026 chegou a R$ 282,1 bilhões, avanço de 28,2%. A corrente de comércio alcançou R$ 2,28 trilhões no período, alta de 8,4%.
As exportações classificadas como agropecuárias totalizaram R$ 295 bilhões entre janeiro e agosto, crescimento de 9,5%. O resultado foi favorecido pelo aumento de 81,9% nas vendas de animais vivos, de 15,2% nos embarques de soja e de 15,1% nas exportações de algodão em bruto.
A indústria extrativa exportou R$ 316,9 bilhões nos oito primeiros meses, alta de 19,6%. A indústria de transformação respondeu por R$ 660 bilhões, crescimento de 6,6%.
Apesar da queda isolada de agosto, a carne bovina acumulou aumento de 22,3% nas exportações de janeiro a agosto. O desempenho mostra que o recuo mensal ocorreu sobre uma base de vendas externas ainda elevada no conjunto do ano.
Outros produtos do agronegócio apresentaram resultado menos favorável. As exportações acumuladas de trigo e centeio diminuíram 31,3%, enquanto as de milho recuaram 3,6%. O café não torrado acumulou queda de 13,7%, apesar da recuperação registrada em agosto.
Também houve redução de 35,8% nas vendas externas de sucos de frutas e vegetais e de 28,2% nos embarques de açúcares e melaços durante os oito primeiros meses.
Do lado das compras brasileiras, as importações da agropecuária chegaram a R$ 2,4 bilhões em agosto, crescimento de 7,4%. O aumento foi influenciado por pescado, trigo, centeio e produtos hortícolas.
O valor das importações de pescado avançou 64,8%, enquanto as compras de trigo e centeio cresceram 10,5%. Os produtos hortícolas frescos ou refrigerados registraram alta de 54%. Em sentido contrário, as importações de soja diminuíram 22,2%, e as de frutas e nozes não oleaginosas recuaram 9,3%.
A indústria de transformação concentrou a maior parcela das compras externas, com R$ 123 bilhões em agosto, crescimento de 13,4%. No acumulado do ano, as importações do segmento chegaram a aproximadamente R$ 930 bilhões.
Entre os insumos estratégicos para a produção rural, o valor importado de adubos e fertilizantes químicos caiu 35,9% em agosto. As compras de fertilizantes brutos apresentaram redução de 15,6%.
A queda não significa necessariamente redução equivalente no volume desembarcado, porque os dados também refletem mudanças nos preços internacionais. O movimento pode estar relacionado ainda à antecipação de compras, à formação de estoques, à volatilidade do mercado e ao ritmo de aquisição para a safra 2026/2027.
Os números de agosto reforçam o papel do agronegócio na geração de receitas externas e na sustentação do saldo comercial brasileiro. Ao mesmo tempo, a diferença de desempenho entre as cadeias mostra que o resultado depende tanto da produção nacional quanto dos preços internacionais, do câmbio e das condições de acesso aos principais mercados compradores.
Fonte: Pensar Agro
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