Agro
Mercado de farelo e óleo de soja segue com ajustes: biodiesel sustenta valorização no Brasil e estreita margens da indústria
O mercado global de derivados de soja apresentou movimentos distintos em setembro, segundo o relatório Agro Mensal, divulgado pela Consultoria Agro do Itaú BBA. Na Bolsa de Chicago (CBOT), o farelo de soja registrou queda de 1%, influenciada pelo aumento do esmagamento mundial e pela redução temporária das retenciones na Argentina, medida que estimulou as exportações do país vizinho. A cotação média mensal atingiu US$ 279,8 por tonelada, a segunda menor de 2025.
Em contrapartida, no mercado brasileiro, o produto teve comportamento mais firme. Em Rondonópolis (MT), o farelo subiu 1,5% em setembro, sendo negociado a R$ 1.503 por tonelada. A alta oferta interna, resultado do ritmo acelerado de esmagamento, tem mantido os estoques elevados e dificultado a absorção dos volumes produzidos, especialmente no segundo semestre.
Óleo de soja mantém valorização e ganha relevância na margem de lucro da indústria
O óleo de soja apresentou um cenário mais positivo no Brasil, sustentado pela demanda do setor de biodiesel, que opera com boas margens de rentabilidade. Em Mato Grosso, o produto valorizou 4,3% em setembro, cotado a R$ 6.489 por tonelada, marcando o terceiro mês consecutivo de alta.
Essa valorização tem alterado significativamente a estrutura de receita da indústria esmagadora. Em 2025, o óleo de soja passou a representar 49% da margem de lucro do setor, frente aos 38% registrados no mesmo período de 2024, segundo o Itaú BBA. Essa diferença reflete um estreitamento da distância entre as receitas de óleo e farelo, o que pode se consolidar como um novo padrão de mercado, impulsionado pelo crescimento do mandato do biodiesel B15 no país.
Esmagamento acelerado eleva oferta de farelo e pressiona o mercado
O ritmo intenso de esmagamento de soja no Brasil, voltado principalmente à produção de óleo para o biodiesel, tem aumentado o volume de farelo disponível no mercado interno. Apesar da demanda firme de indústrias de ração e exportadores, o setor enfrenta dificuldades em absorver os grandes volumes produzidos.
Essa situação reflete um desequilíbrio temporário entre oferta e demanda, com o óleo de soja se destacando como o principal componente de rentabilidade para as esmagadoras, enquanto o farelo perde força relativa nos preços domésticos e externos.
Demanda chinesa e tensões comerciais elevam incertezas no mercado global
A demanda chinesa por soja brasileira continua aquecida, impulsionada pela ausência de um acordo comercial com os Estados Unidos. A China ainda não garantiu todo o volume necessário para o período de dezembro a fevereiro, o que tende a manter os preços em alta no Brasil.
Esse movimento, porém, pode pressionar as margens de esmagamento, caso o óleo não acompanhe o ritmo de valorização do grão — cenário que elevaria o custo do biodiesel e reduziria a oferta interna de óleo de soja.
A situação é agravada pela escalada das tensões comerciais entre EUA e China, após o anúncio do presidente americano Donald Trump sobre tarifas adicionais de 100% sobre produtos chineses. A medida reacende a disputa comercial entre as duas potências, com impactos diretos no comércio global de grãos.
Perspectivas: estabilidade cautelosa e foco no biodiesel
De acordo com o Itaú BBA, o setor deve seguir em ajuste de margens nos próximos meses. O óleo de soja tende a manter protagonismo na lucratividade da indústria, enquanto o farelo enfrenta desafios de absorção interna e volatilidade nas exportações.
A combinação de forte demanda por biodiesel, soja valorizada e incertezas externas cria um ambiente de estabilidade cautelosa, com atenção voltada aos próximos desdobramentos da disputa comercial entre as maiores economias do mundo.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
Agro
Dólar recua com avanço nas negociações entre EUA e Irã e inflação americana abaixo do esperado
Dólar cai com redução das tensões geopolíticas
O dólar registrou queda nos mercados internacionais, pressionado pelo aumento do otimismo em relação a um possível acordo de paz entre Estados Unidos e Irã.
Segundo o analista Rich Asplund, da Barchart, a moeda americana perdeu força após notícias indicarem a possibilidade de extensão do cessar-fogo de duas semanas, com negociações podendo ser retomadas nos próximos dias.
Como reflexo, o índice do dólar (DXY) recuou 0,33%, atingindo o menor nível em seis semanas.
Inflação nos EUA abaixo das expectativas pressiona moeda
Outro fator relevante para a queda do dólar foi a divulgação do índice de preços ao produtor (PPI) dos Estados Unidos, que veio abaixo do esperado.
Os dados indicam que:
- O PPI cheio subiu 0,5% no mês e 4,0% em relação ao ano, abaixo das projeções de 1,1% e 4,6%
- O núcleo do PPI (excluindo alimentos e energia) avançou 0,1% no mês e 3,8% no ano, também abaixo das expectativas
Apesar de ainda indicar pressão inflacionária, o resultado mais fraco reforça a percepção de desaceleração, contribuindo para a desvalorização do dólar.
Expectativa de juros também pesa sobre a moeda americana
O dólar segue pressionado também por perspectivas menos favoráveis para os diferenciais de juros globais.
De acordo com o analista, o Federal Reserve (Fed) pode realizar cortes de pelo menos 25 pontos-base em 2026, enquanto outros bancos centrais relevantes, como o Banco Central Europeu e o Banco do Japão, podem seguir caminho oposto, com possíveis elevações de juros no mesmo período.
Esse cenário reduz a atratividade relativa da moeda americana frente a outras divisas.
Euro e iene avançam diante da fraqueza do dólar
Com o enfraquecimento do dólar, outras moedas ganharam força no mercado internacional.
O euro apresentou valorização, com o par EUR/USD atingindo a máxima em seis semanas, em alta de 0,37%. O movimento também foi favorecido pela queda de cerca de 5% nos preços do petróleo, fator positivo para a economia da zona do euro, que depende de importação de energia.
Já o iene japonês também se valorizou, com o par USD/JPY recuando 0,48%. Além da fraqueza do dólar, a moeda japonesa foi sustentada pela revisão positiva da produção industrial do Japão e pela queda nos preços do petróleo, importante para um país altamente dependente de energia importada.
Ouro e prata sobem com dólar fraco e busca por proteção
Os metais preciosos registraram forte valorização no dia, acompanhando o recuo do dólar.
O ouro e a prata avançaram, com destaque para a prata, que atingiu o maior nível em três semanas e meia.
A queda do dólar tende a favorecer esses ativos, tornando-os mais atrativos globalmente. Além disso, a redução das preocupações inflacionárias pode abrir espaço para políticas monetárias mais flexíveis, outro fator de suporte para os metais.
Incertezas seguem sustentando demanda por ativos de segurança
Apesar do otimismo com possíveis avanços diplomáticos, o cenário internacional ainda apresenta riscos relevantes.
Entre os fatores que mantêm a demanda por ativos de proteção estão:
- Tensões geopolíticas envolvendo Estados Unidos e Irã
- Incertezas sobre políticas comerciais e tarifas americanas
- Turbulências políticas internas nos EUA
- Níveis elevados de déficit público
Além disso, medidas como o bloqueio naval no Estreito de Ormuz reforçam a percepção de risco global, sustentando o interesse por metais preciosos como reserva de valor.
Mercado global segue sensível a dados e geopolítica
O comportamento recente do dólar reflete um ambiente global altamente sensível tanto a indicadores econômicos quanto a eventos geopolíticos.
Nos próximos dias, a trajetória da moeda americana deve continuar atrelada à evolução das negociações no Oriente Médio, aos dados de inflação e atividade nos Estados Unidos e às expectativas sobre a política monetária das principais economias do mundo.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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