Agro
Mercado da Soja em Ajuste: Oferta Recorde, Clima e Pressão Cambial Ditam o Ritmo das Cotações
Preços Internos Mantêm Tendência de Queda
Os preços da soja em grão encerraram janeiro em baixa no mercado brasileiro. De acordo com dados do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), a desvalorização reflete o avanço da colheita no país, expectativas de uma safra recorde, fraca demanda doméstica e a valorização do real frente ao dólar. Esse cenário reduziu a competitividade da soja brasileira no mercado externo e redirecionou parte da demanda para os Estados Unidos.
Apesar do avanço da colheita, as condições de umidade seguem abaixo do ideal em algumas regiões do Sul do país, principalmente em lavouras semeadas tardiamente. Segundo a Conab, até o fim de janeiro, cerca de 6,6% da área nacional havia sido colhida, acima dos 3,2% registrados no mesmo período da safra passada. O estado de Mato Grosso lidera os trabalhos, com quase 20% da área já colhida.
Mercado Físico Travado e Indústria Sustentando Preços
De acordo com a TF Agroeconômica, o mercado físico da soja no Brasil está “travado”. O excesso de oferta, combinado à cautela dos produtores e à variação cambial, tem limitado novos negócios. As indústrias, no entanto, continuam sustentando parte da demanda, impulsionadas pelo bom desempenho do farelo e pela necessidade de manter suas plantas em operação.
Enquanto isso, as exportações permanecem competitivas, mas muito dependentes do câmbio e dos prêmios pagos nos portos. Em momentos de valorização do real, o embarque de soja perde força, afetando o ritmo de negócios e reduzindo a liquidez no mercado interno.
No médio prazo, o setor segue atento ao comportamento do clima na Argentina, onde a falta de umidade começa a impactar as lavouras, e à retomada gradual da demanda chinesa, especialmente por farelo. Esses dois fatores podem ajudar a sustentar os preços nos próximos meses.
Chicago Registra Quedas e Pressão Externa se Mantém
Na Bolsa de Chicago (CBOT), os contratos futuros da soja iniciaram a semana em queda, acompanhando o movimento de correção técnica após ganhos recentes. O contrato com vencimento em março recuou cerca de 0,7%, negociado próximo de US$ 10,60 por bushel, pressionado também pela queda nos preços do petróleo e de outras commodities, como ouro e cobre.
O fortalecimento do dólar frente a outras moedas internacionais reforçou o movimento de baixa, reduzindo o suporte cambial que vinha sustentando parte das cotações. Além disso, com a proximidade do Ano Novo Lunar na China, os operadores esperam uma desaceleração temporária nas compras, o que deve reduzir a liquidez no mercado internacional nas próximas semanas.
Exportações e Demanda Chinesa no Foco
Mesmo com o ambiente de preços mais pressionado, a China — principal compradora global de soja — segue priorizando o produto brasileiro neste início de 2026. A combinação de custos mais competitivos e maior disponibilidade da nova safra torna o Brasil o principal fornecedor no primeiro semestre do ano, apesar da retomada pontual das compras de soja norte-americana.
O comportamento da demanda chinesa será determinante para a sustentação dos preços internacionais ao longo dos próximos meses, especialmente diante do enfraquecimento dos prêmios nos portos e da valorização cambial que vem reduzindo a atratividade das exportações.
Clima e Cambial Devem Guiar os Próximos Movimentos
O mercado global da soja atravessa uma fase de ajustes delicados, marcada pela combinação de safra recorde, câmbio desfavorável e menor apetite comprador. Embora o Brasil siga com boas perspectivas de produtividade, fatores climáticos na Argentina e a demanda por derivados, como óleo e farelo, continuam influenciando o comportamento dos preços.
Analistas apontam que a trajetória das cotações dependerá do equilíbrio entre oferta global e ritmo de exportações brasileiras. A volatilidade do dólar e a evolução das condições climáticas na América do Sul seguirão como os principais vetores de formação de preços no curto prazo.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
Agro
Mapa apresenta Rgen+Sustentável na Feira Brasil na Mesa
Neste sábado (25), na Feira Brasil na Mesa, realizada pela Embrapa em comemoração aos seus 53 anos, o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) realizou uma palestra detalhando a Política Nacional de Conservação e Uso Sustentável dos Recursos Genéticos para a Alimentação, a Agricultura e a Pecuária (Rgen+Sustentável).
Com o objetivo de conservar, valorizar e promover o uso sustentável dos recursos genéticos para a alimentação e a agricultura (RGAA), a política foi lançada em abril de 2025 e busca ampliar a base genética dos programas de melhoramento das instituições de pesquisa, além de fortalecer o conhecimento sobre esses recursos e contribuir para a segurança alimentar e nutricional. A iniciativa também atua como catalisadora do desenvolvimento científico e tecnológico no setor agrícola.
A política é estruturada para garantir a segurança alimentar nacional por meio da conservação e do uso sustentável da diversidade genética. São considerados recursos genéticos os materiais com valor atual ou potencial para uso direto ou indireto na alimentação e na agropecuária, incluindo espécies de plantas, animais, microrganismos e organismos intermediários.
Durante a apresentação, o representante da coordenação de Recursos Genéticos para a Alimentação e Agricultura do Departamento de Inovação do Mapa, Paulo Mocelin, destacou a importância estratégica do tema.
Segundo Mocelin, embora o tema ainda não seja amplamente conhecido pelo público, ele é fundamental para o futuro da agropecuária. “O tema de recursos genéticos não é tão popular, mas traz elementos novos e essenciais para o desenvolvimento do setor. A Política Nacional é uma política de Estado, instituída pelo Decreto nº 12.097, de 2024, e tem como objetivo definir prioridades e estratégias para consolidar uma agenda de longo prazo voltada à conservação, valorização e uso sustentável da biodiversidade agrícola”, explicou.
Também ressaltou que a política está alinhada a compromissos internacionais, como a Convenção sobre Diversidade Biológica e o Tratado Internacional sobre Recursos Fitogenéticos para Alimentação e Agricultura.
“O Brasil é um país megadiverso, com grande variedade de espécies, biomas e ecossistemas. Temos um clima favorável à agropecuária, um sistema nacional de pesquisa robusto, com destaque para a Embrapa e instituições estaduais, além de uma legislação estruturada e parcerias internacionais consolidadas”, pontuou.
No âmbito das diretrizes de pesquisa e inovação, a política busca promover a conservação e o uso sustentável dos recursos genéticos, incentivar a adoção de novas tecnologias, sistematizar e disponibilizar informações científicas e fortalecer a articulação entre atores públicos e privados.
Já em relação aos Povos e Comunidades Tradicionais (PCTs) e ao Conhecimento Tradicional Associado (CTA), a iniciativa incentiva o intercâmbio de variedades tradicionais e raças localmente adaptadas, além de valorizar os saberes tradicionais e promover a participação social.
No eixo de informação e capacitação, estão previstas ações de divulgação da importância estratégica dos RGAA, articulação de redes nacionais e internacionais, formação de recursos humanos e ampliação do acesso a dados qualificados.
A política também se articula com iniciativas como a Rede Nacional de Pesquisa e Inovação em Genética Agrícola para Adaptação às Mudanças Climáticas (Readapta), que desenvolve projetos de melhoramento genético voltados a culturas como arroz, feijão, milho, soja, trigo e mandioca.
O Mapa é responsável pela definição e implementação dos planos de ação, pela estruturação da rede, pelo fomento à conservação e capacitação, além de incentivar pesquisas e inovações baseadas no uso sustentável dos recursos genéticos.
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