Educação
MEC vistoria obras no campus e no hospital da UFTM em Uberaba
O Ministério da Educação (MEC) visitou, nesta quarta-feira, 11 de março, as obras de infraestrutura no Campus Uberaba da Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM) e do Hospital de Clínicas (HC-UFTM). O ministro da Educação, Camilo Santana, acompanhado de sua equipe, cumpre uma série de agendas em Minas Gerais nesta semana.
O conjunto de obras do HC-UFTM soma aportes de R$ 64 milhões do governo federal nos últimos dois anos, sendo mais de R$ 18 milhões provenientes apenas do Novo Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC). Os recursos possibilitarão ampliar a capacidade assistencial, modernizar a infraestrutura hospitalar e adequá-la às normas de segurança e funcionamento dos serviços de saúde. A unidade é administrada pela Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), vinculada à pasta da educação.
“Hoje, nós vamos autorizar também nova reforma: de toda a rede de ar-condicionado e de refrigeração do hospital. Esse é um hospital de portas abertas, ele atende toda essa região, não só o município. E é um hospital 100% do SUS, para atender à população e à comunidade, além de atuar na formação de profissionais da área da saúde”, ressaltou.
A autorização para modernização do sistema de climatização do hospital terá foco no controle ambiental, segurança sanitária e melhoria das condições de atendimento, financiados por aportes de R$ 37 milhões do Governo do Brasil.
HC-UFTM – Entre as instalações vistoriadas nesta quarta-feira, algumas já foram concluídas, como a reforma das áreas de farmácia e nutrição e a implantação do Sistema de Proteção contra Descargas Atmosféricas (SPDA), obra com recursos de R$ 1 milhão do Novo PAC.
Ainda estão em andamento as obras de reforma da farmácia de quimioterápicos; do hospital-dia; da unidade de tratamento renal; e da área de ginecologia e obstetrícia — todas financiadas pelo Novo PAC, com aportes que somam R$ 18,1 milhões.
UFTM – Santana visitou ainda as obras dos blocos acadêmicos 1, 2 e 3 da UFTM, cujo investimento é de mais de R$ 6,2 milhões, também provenientes do Novo PAC. Os três blocos irão abrigar salas de aula para novos cursos de graduação – pedagogia, farmácia, fonoaudiologia, sistemas de informação e inteligência artificial – e ampliar a capacidade acadêmica da universidade. Para viabilizar essa ampliação de vagas, o MEC disponibilizará 84 novos cargos docentes para a universidade, sendo 15 efetivados no primeiro semestre de 2026 e 69 em tramitação ao longo do ano.
A visita incluiu, por fim, as obras do galpão da engenharia mecânica, que recebeu R$ 2 milhões e que abrigará oficina mecânica e outros laboratórios para atendimento do curso. As obras estão sendo realizadas com recursos do Novo PAC.
Com o Novo PAC, foi possível, ainda, a expansão do Campus Iturama, que teve R$ 12 milhões em investimentos para a construção de novas estruturas acadêmicas. Com o aporte e a destinação de mais docentes, o campus ampliará a oferta na educação superior. O destaque é o novo curso de zootecnia, já autorizado pelo MEC, com início de atividades em 2026.
UFTM – Com sede na cidade de Uberaba (MG) e outro campus no município de Iturama (MG), a Universidade Federal do Triângulo Mineiro tem forte atuação nas áreas de ensino, pesquisa e assistência à saúde. Fundada originalmente como Faculdade de Medicina do Triângulo Mineiro em 1953 e transformada em universidade federal em 2005, a UFTM também abriga o Complexo Cultural e Científico de Peirópolis, onde está localizado o Museu dos Dinossauros, referência nacional em pesquisas paleontológicas.
Resumo | Mais educação para Minas Gerais
Assessoria de Comunicação Social do MEC, com informações da Secretaria de Educação Superior (Sesu) e da Ebserh
Fonte: Ministério da Educação
Educação
Como escolas e famílias formam novos leitores
A formação de leitores começa muito antes da alfabetização. O contato com livros, histórias, brincadeiras e manifestações artísticas desde a primeira infância é um direito fundamental das crianças e uma etapa essencial para o desenvolvimento. Nesse contexto, a implementação de políticas públicas possibilita a ampliação do acesso à literatura e garante que mais crianças tenham oportunidades de vivenciar a leitura. Para fortalecer essas ações, o Ministério da Educação (MEC) está formando a Comunidade Nacional de Gestores de Políticas de Primeira Infância. Municípios, estados e o Distrito Federal podem aderir à iniciativa até 31 de julho.
Coordenada pela Subsecretaria da Política Nacional Integrada da Primeira Infância (SNPPI), a comunidade reúne gestores públicos responsáveis por políticas destinadas a bebês e crianças de até seis anos. A proposta busca fortalecer a implementação da Política Nacional Integrada da Primeira Infância (PNIPI) por meio de cooperação entre os entes federados, troca de experiências e desenvolvimento de capacidades institucionais para planejar, executar, monitorar e avaliar ações voltadas à infância.
A importância dessa articulação entre políticas públicas, escolas, famílias e comunidade destacou-se na 24ª Festa Literária Internacional de Paraty (Flip). Ao longo da programação da Flipinha e da FlipEduca, educadores, escritores e artistas compartilharam experiências que mostram como o incentivo à leitura desde os primeiros anos de vida pode transformar a relação das crianças com a aprendizagem e a cultura.
Para a atriz, educadora e pesquisadora em teatro, música, dança e literatura Cláudia Ribeiro, arte e educação caminham juntas no desenvolvimento infantil. Em seu trabalho, ela dirige grupos de teatro compostos por crianças, no contraturno escolar, que produzem espetáculos apresentados em escolas do município. A iniciativa aproxima os estudantes à literatura por meio da interpretação, criatividade e experiência artística, ao mesmo tempo em que incentiva a leitura e fortalece a participação das famílias no processo educativo.
“Esse trabalho ajuda a formar a plateia e despertar o interesse das crianças ao incentivá-las a produzir arte e, principalmente, a entrar no mundo da leitura. No teatro, eu estou sempre incentivando o ato de ler, porque é importante ler o texto, entender o personagem, interpretar as intenções das falas. Quando as famílias entendem que esse processo de junção de arte e educação é muito produtivo e benéfico para as crianças, elas dão a mão para a gente, enquanto educadoras e artistas, e aí a criança só tem a ganhar com tudo isso”.
As experiências apresentadas na Flip reforçam que o acesso à literatura também passa pelo fortalecimento dos vínculos familiares. A escritora, poeta e produtora cultural Elisa Pereira, que vive em Paraty e é autora do livro infantil Quintal do Vô Benê, explica que o contato com os livros pode começar ainda na primeira infância – e até antes do nascimento. Em sua obra, ela escolheu retratar um avô como personagem central para destacar que o cuidado, o afeto e a transmissão de conhecimentos também fazem parte do papel dos homens na criação das crianças.
“Eu acho que é fundamental. Eu cresci, na verdade, sem essa vivência. Eu não tive mãe ou pai que lessem para mim, mas eu percebo a diferença entre crianças que, desde pequenas – hoje em dia, a gente sabe que pode ler até para os bebês –, tiveram acesso à leitura, e crianças que não tiveram. Eu acho que é fundamental o papel da mãe, do pai e dos cuidadores, de uma forma geral, nessa formação de leitores”.
A professora da rede municipal do Rio de Janeiro Glaucia Abreu, que atua com contação de histórias e literatura na infância, observa que muitas crianças têm seu primeiro contato sistemático com os livros no ambiente escolar. Segundo ela, o hábito da leitura nem sempre está presente no ambiente familiar, o que amplia o papel da escola em despertar a imaginação, a criatividade e o interesse pela literatura. Ao mesmo tempo, ela ressalta que esse trabalho alcança melhores resultados quando a família também participa desse processo.
“Muitas das vezes, a escola introduz esse papel por meio de uma contação simples ou, às vezes, uma contação para dormir para crianças que não vivenciaram isso. Então, a escola está cumprindo um papel que é básico, que aflora a criatividade da criança, assim como a capacidade de ela desenvolver a imaginação e a fantasia, que faz parte do universo infantil. A gente precisa incentivar isso além das portas da escola. A gente precisa incentivar isso na base familiar”.
Cooperação – Os relatos apresentados durante a Flip dialogam com os objetivos da Comunidade Nacional de Gestores de Políticas de Primeira Infância, criada pelo MEC para fortalecer políticas públicas voltadas aos primeiros anos de vida.
Instituída pela Portaria nº 540/2026, a comunidade reúne gestores públicos indicados pelos municípios, estados e Distrito Federal em uma rede de cooperação federativa. A iniciativa busca fortalecer as capacidades institucionais dos entes para planejar, executar, monitorar e avaliar políticas públicas destinadas a bebês e crianças de até seis anos, além de promover a troca de experiências, a difusão de conhecimentos técnicos e o aprimoramento contínuo das ações voltadas à primeira infância.
A comunidade está estruturada em dois eixos. O primeiro, Pactuação e Articulação Federativa, prevê oficinas, encontros técnicos e seminários para discutir iniciativas, projetos e programas voltados à primeira infância e incentivo à cooperação entre os entes federativos. Já o eixo Desenvolvimento de Capacidades Institucionais contempla a criação de instrumentos de gestão, protocolos, sistemas de informação, monitoramento e avaliação, além da oferta de ações formativas voltadas ao fortalecimento das capacidades individuais e coletivas da gestão pública.
As experiências compartilhadas por educadores, artistas e escritores na Flip mostram que formar leitores desde a primeira infância depende da atuação conjunta de escolas, famílias, espaços culturais e políticas públicas. Ao criar uma rede permanente de cooperação entre gestores, a Comunidade Nacional de Gestores de Políticas de Primeira Infância busca fortalecer essa articulação para que mais crianças tenham acesso a experiências de leitura, cultura e aprendizagem desde os primeiros anos de vida.
Assessoria de Comunicação Social do MEC
Fonte: Ministério da Educação
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