Agro
Mapa intercepta praga com potencial para causar prejuízos bilionários ao agro
O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) interceptou uma carga de cerca de uma tonelada de aspargos importados do Peru após identificar a presença da Prodiplosis longifila, praga considerada de alto risco fitossanitário e ainda ausente do território brasileiro. A detecção acendeu alerta no setor agropecuário pelo potencial de impacto sobre culturas estratégicas do agronegócio nacional, como tomate, citros, feijão, algodão, cebola e pimentão.
A carga continha 200 caixas do produto e foi barrada durante fiscalização do sistema de vigilância agropecuária internacional, o Vigiagro, vinculado à Ministério da Agricultura e Pecuária. Após a identificação inicial do inseto, amostras foram encaminhadas para análise laboratorial, com uso de microscopia, PCR e sequenciamento genético. O laudo conclusivo confirmou nesta quarta-feira (13) a presença da praga.
Conhecida popularmente como mosca-dos-botões-florais ou mosquinha-do-tomate, a Prodiplosis longifila é considerada de difícil controle e apresenta rápida capacidade de dispersão em regiões quentes e úmidas. Segundo estudos da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, as larvas atacam brotos, botões florais e frutos jovens, provocando deformações, abortamento das flores e redução da produtividade nas lavouras.
O risco preocupa especialmente porque o Brasil é um dos maiores produtores mundiais de tomate, feijão e citros, cadeias que movimentam bilhões de reais por ano e possuem forte peso tanto no mercado interno quanto nas exportações agrícolas. Em países como Peru e Colômbia, onde o inseto já está disseminado, produtores enfrentam aumento expressivo dos custos de controle e perdas severas de produtividade.
Levantamento da Embrapa Territorial aponta que regiões de fronteira no Norte do país seriam as mais vulneráveis à entrada inicial da praga, enquanto polos produtores de hortaliças e citros poderiam sofrer impactos econômicos relevantes em caso de disseminação.
A interceptação reforça o papel estratégico da vigilância fitossanitária brasileira em um momento de aumento do fluxo internacional de alimentos e maior preocupação global com segurança sanitária. O trabalho do Vigiagro inclui fiscalização de cargas vegetais e animais em aeroportos, portos e fronteiras terrestres para evitar a entrada de doenças e pragas capazes de comprometer a produção agropecuária brasileira e gerar barreiras comerciais internacionais.
Fonte: Pensar Agro
Agro
Adiada votação do projeto que cria incentivos às indústrias de fertilizantes
O Senado adiou para a primeira semana de agosto a votação do projeto que cria o Programa de Desenvolvimento da Indústria de Fertilizantes (Profert). Prevista para esta terça-feira (14.07), a análise foi transferida após um acordo entre parlamentares e o governo para ajustar pontos fiscais e jurídicos da proposta.
O Profert pretende estimular a implantação de novas fábricas e a ampliação ou modernização das unidades existentes. A medida é considerada estratégica para reduzir a dependência brasileira do mercado externo. O País importa mais de 80% dos fertilizantes utilizados nas lavouras, situação que deixa os produtores expostos à variação cambial, ao aumento dos fretes e a conflitos internacionais.
O projeto, de autoria do senador Laércio Oliveira, já foi aprovado pelo Senado, mas retornou à Casa depois de receber alterações na Câmara dos Deputados. O texto passou a incluir, além dos fertilizantes minerais, sintéticos e orgânicos, bioinsumos, biofertilizantes, remineralizadores e as matérias-primas usadas na fabricação desses produtos.
A versão aprovada pelos deputados também cria o Fundo de Estímulo à Produção Nacional de Fertilizantes, destinado ao financiamento de projetos, e estabelece mecanismos de crédito fiscal e de financiamento de longo prazo.
O adiamento permitirá a apresentação de um projeto de lei complementar para corrigir possíveis problemas de constitucionalidade e adequar as renúncias tributárias às regras fiscais. A líder do governo no Senado, Teresa Leitão, afirmou que as duas propostas deverão ser analisadas conjuntamente.
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, confirmou que o Profert e o projeto complementar serão votados no mesmo dia. A intenção é encaminhar as duas matérias simultaneamente à sanção presidencial, caso sejam aprovadas.
Durante a sessão, Laércio Oliveira criticou a condução das negociações pelo Ministério do Planejamento e Orçamento. Segundo o senador, o ministro Bruno Moretti deixou uma reunião convocada para discutir o projeto após divergências sobre o conteúdo da proposta. Laércio classificou a atitude como desrespeitosa e disse que permaneceu no encontro com Teresa Leitão.
Pelo texto em discussão, empresas habilitadas no Profert poderão adquirir máquinas, equipamentos, instrumentos e materiais de construção destinados aos projetos sem a cobrança de PIS/Pasep, Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e Imposto de Importação. Conforme o tipo de operação, os benefícios poderão ser concedidos por suspensão do pagamento, redução da alíquota a zero ou isenção.
A proposta também alcança serviços vinculados aos empreendimentos e prevê instrumentos para ampliar o acesso a recursos privados. A concessão dos incentivos, no entanto, dependerá da aprovação dos projetos pelo Poder Executivo e do cumprimento das exigências fiscais estabelecidas na futura regulamentação.
Relatora da matéria, a senadora Tereza Cristina defendeu o fortalecimento da produção doméstica. Ela reconheceu que o Brasil dificilmente alcançará a autossuficiência, mas afirmou que ampliar a oferta nacional é necessário para reduzir os riscos enfrentados pela agropecuária em períodos de instabilidade internacional.
Com o acordo, o projeto permanece em regime de urgência e deverá retornar à pauta após o recesso parlamentar. As informações sobre o adiamento e o acordo para a votação conjunta foram confirmadas pelo Senado Federal.
Fonte: Pensar Agro
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