Política Nacional
Jayme Campos celebra Dia Mundial da Saúde e defende direitos de enfermeiros
Em pronunciamento no Plenário na terça-feira (7), o senador Jayme Campos (União-MT) destacou o Dia Mundial da Saúde, celebrado na data, e alertou para os desafios do sistema público no Brasil. Ele lembrou que 76% da população dependem exclusivamente do Sistema Único de Saúde (SUS), o que para ele evidencia a necessidade de enfrentar problemas estruturais como gestão deficiente, má aplicação de recursos e dificuldades de acesso.
— Um estudo da Instituição Fiscal Independente do Senado Federal aponta que o Brasil sofre de um crônico subfinanciamento na saúde pública, especialmente quando comparado aos países mais desenvolvidos. Para alcançar um patamar médio de investimentos, será necessário praticamente dobrar os gastos em saúde, passando de 9,1% para cerca de 19% do PIB. Precisamos [também] enfrentar, com seriedade, a desigualdade na distribuição de médicos pelo país — disse Jayme Campos.
Piso de enfermeiros
O senador também manifestou apoio à proposta de emenda à Constituição (PEC) 19/2024, em análise na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), que trata do piso salarial e da jornada de trabalho de enfermeiros, técnicos e auxiliares de enfermagem. Segundo ele, a medida reconhece a atuação desses profissionais no sistema de saúde.
— O Brasil não pode se conformar em ocupar posições inferiores quando o assunto é saúde. Temos capacidade, temos profissionais qualificados e temos um sistema que, apesar das dificuldades, é referência em muitos aspectos. O Brasil precisa deixar de ser o patinho feio e se tornar exemplo de eficiência, de acesso, de qualidade, mas, sobretudo, de respeito à vida das pessoas — declarou.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
Fonte: Agência Senado
Política Nacional
Uso responsável do plástico favorece desenvolvimento, afirmam debatedores
Com modernização de processos, educação ambiental e responsabilidade coletiva, o plástico pode continuar sendo utilizado no ciclo produtivo, sem eliminação de empregos. A avaliação foi feita pelos participantes de audiência pública da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, nesta sexta-feira (26), sobre os impactos da agenda legislativa sobre o setor.
O debate foi realizado por iniciativa do senador Esperidião Amin (PP-SC) no auditório da Cooperativa de Eletricidade de São Ludgero (SC). Amin disse estar emocionado por realizar a audiência em seu estado.
— Não é normal que tal aconteça, e isso é uma homenagem a uma região que concentra empreendimentos e trabalhadores: catadores, recicladores. Temos o dever de, primeiro, diagnosticar o problema, e segundo, oferecer soluções práticas, reais — afirmou o senador.
Entre as normas em tramitação no Senado que impactam a indústria do plástico estão três projetos de lei em tramitação na CAE:
- o PL 2.524/2022, que determina que, em sete anos, o Brasil deverá ter somente embalagens plásticas retornáveis ou compostáveis;
- o PL 258/2024, que define prazo de dois anos para a substituição dos plásticos de uso único no país;
- e o PL 5.154/2019, que proíbe sacolas plásticas que não sejam biodegradáveis ou compostáveis.
Também foi discutido na audiência o Decreto 12.644, de 2025, que instituiu a Estratégia Nacional Oceano sem Plástico, visando prevenir, reduzir e eliminar a poluição por plástico no oceano.
Os debatedores defenderam políticas públicas que incentivem a inovação, promovam a reciclagem em larga escala, valorizem a pesquisa científica e estimulem investimentos. Segundo eles, qualquer mudança regulatória deve considerar os efeitos sobre empregos, geração de renda e desenvolvimento regional.
Esperidião Amin sugeriu aos prefeitos e parlamentares estaduais presentes que destinem aos catadores e trabalhadores da reciclagem preferência em programas habitacionais, inclusive com o uso de materiais recicláveis nas construções.
Projeto de reciclagem
Durante o evento, foi apresentado o Projeto Defesa Circular, com ações integradas para fortalecer a cadeia produtiva de resíduos recicláveis e incentivar a economia circular. O projeto, a ser implementado no município de Orleans (SC), prevê uma central de triagem e uma usina de valorização de rejeitos, que possibilitará a reciclagem de 100% dos resíduos da cidade.
Prefeito de Orleans (SC), Fernando Cruzetta disse que a iniciativa vai transformar a realidade e o conceito do plástico em Santa Catarina e no Brasil.
— A circularidade só vai funcionar se conseguirmos o resultado econômico — disse.
“Desinformação”
Em sua exposição, o diretor-executivo do Sindicato das Indústrias Plásticas do Sul Catarinense (Sinplasc), Elias Caetano, apontou a existência de uma “narrativa da desinformação em relação ao plástico”.
— O setor é alvo de uma enorme campanha de desinformação. Hoje, o setor plástico [é] a principal indústria do sul catarinense, especialmente os descartáveis, que figuram na principal posição. A gente não pode desconsiderar essa importância — afirmou.
Combate ao desperdício
Presidente do Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Descartáveis e Embalagens Flexíveis de Criciúma e Região, Carlos de Cordes disse que as políticas públicas não podem deixar em segundo plano as 12 mil famílias que, segundo ele, dependem da atividade em sua região.
— Os responsáveis pela poluição não são os produtos. A responsabilidade está no comportamento humano, especialmente quando ocorre o descarte inadequado de resíduos que poderiam ser reaproveitados ou reciclados — afirmou.
Coordenador do Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo (USP) e coordenador da Cátedra Unesco para a Sustentabilidade do Oceano, Alexander Turra destacou que a economia do mar tem sido ameaçada pela presença de microplásticos, que vem aumentando em todo o mundo.
— A indústria da aquicultura em Santa Catarina fica muito prejudicada quando a qualidade da água do mar é reduzida. A gente está falando de um sistema muito amplo, que precisa ser compreendido — argumentou.
Apreensão da indústria
Para o presidente da Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast), Paulo Teixeira, as empresas têm que decidir se vão efetivamente investir em logística reversa para cumprir o Decreto 12.644 ou se vão parar de produzir o plástico de uso único porque será banido.
— São sinais, ruídos, e isso atrapalha a nossa economia. Nós estamos trabalhando com o decreto, mas muito apreensivos, porque a qualquer momento todos os investimentos que a gente fez para a logística reversa podem ser inócuos ou não servir para nada e ser dinheiro jogado fora – afirmou.
Representante da Universidade do Extremo Sul Catarinense (Unesc), Thiago Rocha Fabris destacou a importância econômica do setor plástico para a região. Segundo ele, a previsão do consumo de plástico até 2060 é de até 1,2 bilhão de toneladas, o que exige soluções por parte dos setores da economia circular.
Presidente da Federação dos Catadores e Catadoras de Materiais Recicláveis de Santa Catarina (Feccat), Dorival Rodrigues dos Santos disse que há hoje 30 mil catadores, 70% deles mulheres, atuando em Santa Catarina de forma autônoma na coleta de materiais recicláveis, sem estarem vinculados a uma cooperativa ou associação.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
Fonte: Agência Senado
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