Agro
Itaú BBA projeta trimestre fraco para Brasilagro, São Martinho e Jalles Machado no setor de açúcar e etanol
Itaú BBA antecipa resultados sem grandes novidades
O Itaú BBA divulgou suas projeções para o quarto trimestre de 2025 (4T25) de empresas do agronegócio, destacando um cenário operacional fraco, impulsionado por produtividade reduzida da cana-de-açúcar e preços pressionados do açúcar. Segundo o banco, a combinação desses fatores deve gerar resultados sem grandes surpresas para o mercado.
O analista Gustavo Troyano, do time de Agronegócio do Itaú BBA, comenta:
“As revisões para baixo na produtividade devem pressionar os volumes de vendas, enquanto os preços de mercado permanecem baixos. Estratégias de hedge podem mitigar parcialmente os impactos, mas o sentimento dos investidores segue cauteloso.”
Brasilagro: menor produtividade de cana e efeito limitado no mercado
A Brasilagro apresenta seus resultados do 2º trimestre do ano-safra 2025/26 nesta quinta-feira (5), após o fechamento do pregão. O Itaú BBA aponta que a menor produtividade da cana, combinada com a tendência de queda nos preços das commodities, deve resultar em contribuição mais fraca da cultura para o trimestre.
No entanto, o impacto é considerado limitado, já que o mercado já internalizou essas expectativas. O banco divide a análise do segmento agrícola em duas frentes: primeiro, os catalisadores de curto prazo são limitados, devido a volumes sazonais baixos e preços pressionados; segundo, existe a perspectiva de melhoria qualitativa com o início da safra de soja 2025/26, que pode apresentar desempenho melhor em comparação ao ano anterior.
São Martinho: volumes de cana menores compensados por ATR sólido
Para a São Martinho, cujos resultados do 3º trimestre da safra 25-26 serão divulgados na segunda-feira (9), o Itaú BBA aponta impactos mistos. Os volumes de cana foram afetados pela menor produtividade, mas foram parcialmente compensados por números sólidos de ATR (Açúcar Total Recuperável).
A projeção para volumes de etanol segue mais fraca, refletindo menor produção na safra e possível atraso nas vendas trimestrais. Quanto ao açúcar, a fraqueza dos preços e a desvalorização do dólar devem ser parcialmente mitigadas pela estratégia de hedge da companhia.
Jalles Machado: trimestre segue ambiente setorial fraco
A Jalles Machado, com resultados do 3º trimestre da safra 25-26 previstos para 12 de fevereiro, deve apresentar um trimestre sem grandes novidades, segundo o Itaú BBA. A fraqueza no desempenho é atribuída principalmente a tendências setoriais, e não a fatores internos da empresa.
O banco ressalta que a liquidação de hedges não deve gerar impactos significativos nos números ajustados do período, mas que a empresa segue no caminho certo para cumprir as projeções anuais.
Recomendações e preços-alvo
O Itaú BBA mantém suas recomendações para o setor: para a Brasilagro (AGRO3), a recomendação é neutra, com preço-alvo de R$ 24,00; para a São Martinho (SMTO3) e a Jalles Machado (JALL3), a recomendação é compra, com preços-alvo de R$ 31,00 e R$ 4,00, respectivamente.
O banco reforça que, diante de produtividade moderada e preços pressionados, os resultados do 4T25 devem ser condizentes com as expectativas já incorporadas pelo mercado, limitando surpresas para os investidores.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
Agro
Safra de urucum impulsiona pequenas propriedades
A colheita do urucum avança nas principais regiões produtoras do país com preços entre R$ 12,50 e R$ 15 por quilo das sementes. No noroeste do Paraná, onde a produtividade pode chegar a 1,5 tonelada por hectare, a regularidade das chuvas favoreceu as lavouras depois de dois ciclos prejudicados pela seca.
Nas áreas de melhor desempenho, a combinação entre produtividade e preço representa uma receita bruta potencial de R$ 22,5 mil por hectare. O valor não desconta os gastos com implantação, adubação, manejo, mão de obra, colheita e beneficiamento das sementes.
O Brasil ocupa a liderança mundial na produção de urucum. Levantamento do Instituto de Tecnologia de Alimentos (Ital), elaborado com dados de 2020 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), estimou uma colheita nacional de 13,6 mil toneladas, equivalente a aproximadamente 57% da produção global naquele ano.
São Paulo concentra o principal polo produtor do país, especialmente na Nova Alta Paulista. Municípios localizados entre Tupã e Panorama têm parte da economia agrícola ligada à cultura. Na região, a safra principal ocorre entre junho e agosto, com preços atuais entre R$ 12,50 e R$ 13 por quilo.
No Paraná, o cultivo comercial ganhou espaço a partir da década de 1980 e encontrou condições favoráveis nos municípios do noroeste. A combinação entre solo arenoso, elevada luminosidade e temperaturas adequadas permitiu o desenvolvimento da atividade, principalmente em pequenas propriedades.
A colheita paranaense começa em março nas áreas mais precoces, atinge o maior volume entre junho e julho e pode seguir até setembro. A estimativa consolidada da produção regional deverá ser conhecida em outubro, depois do encerramento dos trabalhos nas lavouras.
Levantamentos locais indicam produtividade entre 800 e 1.500 quilos de sementes por hectare, dependendo da variedade, da idade das plantas, dos tratos culturais e das condições climáticas. A melhora dos preços também estimulou a retomada dos investimentos em adubação e manutenção das áreas.
A maior parte dos agricultores utiliza as variedades Piave tradicional e Piave anão. A primeira forma árvores de maior porte. A segunda apresenta plantas mais baixas, característica que facilita o acesso às cápsulas e reduz o esforço necessário durante a colheita.
Segundo especialistas, o porte das plantas é um fator importante principalmente nas propriedades que dependem de mão de obra familiar. A uniformidade da maturação e a disposição dos galhos também interferem na velocidade da colheita e no aproveitamento das sementes.
O urucum tem espaço em áreas nas quais a produção de soja ou milho em grande escala encontra limitações econômicas e operacionais. Em propriedades de até dez hectares, a cultura pode complementar a renda obtida com a pecuária leiteira e outras atividades.
A colheita é semimecanizada. As cápsulas são retiradas dos galhos e encaminhadas para equipamentos que fazem a separação das sementes. O processo ainda exige participação considerável de trabalhadores, o que torna o custo e a disponibilidade de mão de obra pontos importantes no planejamento.
Os frutos do urucuzeiro são cápsulas revestidas por espinhos maleáveis. Em seu interior ficam as sementes cobertas por um pigmento avermelhado utilizado na fabricação de colorau e de corantes naturais.
A bixina, principal pigmento extraído das sementes, abastece sobretudo a indústria de alimentos. A substância é empregada na coloração de queijos, embutidos, massas, molhos, bebidas, sorvetes, doces e outros produtos.
A matéria-prima também possui aplicações nas indústrias cosmética, química, têxtil e de vernizes. A procura por corantes de origem natural ajuda a sustentar o mercado, mas a remuneração depende da qualidade das sementes e do conteúdo de pigmento.
O teor de bixina é um dos principais critérios avaliados pela indústria. Sementes com maior concentração proporcionam melhor rendimento no processamento, o que aumenta a importância da escolha da variedade e do manejo correto da lavoura.
Pesquisas conduzidas pelo Instituto Agronômico (IAC), ligado à Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA), buscam desenvolver plantas que reúnam porte reduzido, maior produtividade, elevado teor de bixina e resistência às principais doenças.
Entre os problemas acompanhados está o oídio, doença identificada pela formação de uma camada esbranquiçada nas folhas. Quando não controlada, pode reduzir a capacidade de desenvolvimento das plantas e afetar o potencial produtivo.
Os estudos também avaliam espaçamento, arquitetura das plantas, adaptação regional e diversidade genética. O instituto mantém um banco de germoplasma com 378 genótipos, utilizados na seleção de materiais com características de interesse dos agricultores e da indústria.
Por ser uma cultura perene, o urucum exige planejamento de longo prazo. A implantação das mudas deve ser feita preferencialmente entre a primavera e o verão, quando o período chuvoso favorece o crescimento inicial.
Antes de iniciar o cultivo, o produtor precisa avaliar a existência de compradores, a distância até as unidades de beneficiamento e a disponibilidade de trabalhadores. Ao contrário das grandes commodities, o urucum possui um mercado mais restrito e depende de canais comerciais organizados.
A produtividade elevada e os preços próximos de R$ 15 por quilo melhoram as perspectivas desta safra. Para as pequenas propriedades, a cultura representa uma alternativa de diversificação, mas o resultado depende de assistência técnica, qualidade das sementes, eficiência na colheita e segurança na comercialização.
Fonte: Pensar Agro
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